domingo, 18 de janeiro de 2009

Pensamentos profundos democratas-cristãos

As frases mais ouvidas, as mais belas e as que servem de guia para se chegar à direcção de Paulo Portas:
1 - Não escondo a minha felicidade
2 - Temos um grande respeito pelo líder do partido
3 - Este é um grande congresso
4 - Saímos daqui mais fortes, mais unidos, mais moralizados (esta é usada em todos os congressos
5 - O CDS é um partido democrata-cristão (esta, às vezes, desaparece de um congresso para o outro)
6 - Estamos a organizar o nosso congresso
7 - O nosso adversário é o engenheiro José Sócrates
8 - José Sócrates e os seus jeovás (foi uma inovação, talvez influência dos policarpos que por aqui gravitam)
9 - Temos um grande respeito pelo líder do partido (é repetida por causa das dúvidas)
10 - Conte connosco, conte connosco, conte connosco
11 - Credibilidade, credibilidade, credibilidade (dita com voz falsete e com uma mão levantada a acenar dá direito a entrada directa no Conselho Nacional)
12 - ........................................................ (entrar mudo e sair calado dá entrada directa na comissão exectutiva)
13 - É um orgulho pertencer a este partido (já ouvi da boca de quem não está hoje filiado no CDS) 14 - Tirámos alguns do anomimato e agora voltaram para o anonimato (dirigido a quem saiu do partido, mas que pode servir de aviso às vedetas de hoje e pode ter um efeito de ricochete)

Congresso assim dá um 31 dos diabos

Para se perceber o congresso do CDS, é preciso sentir as línguas mais venenosas da blogosfera. Se a comunicação social tivesse comentadores destes, em vez dos monolíticos de sempre, não haveria tanto zapping.

Ah pois é!

Não é o que toda a gente quer?

Ao nível da escola secundária

Já passa das 2.30 da manhã e os delegados ao congresso no CDS ainda votam. O presidente da mesa, Luís Queiró, farta-se de pedir para que os votantes não abandonem a sala enquanto votam.
Foram precisos quase 15 minutos para que os delegados compreendessem como votar, numa questão simples: a eleição directa para a liderança do partido continua nos estatutos; ou não. E depois, se essa eleição seria antes de um congresso; ou depois. Assuntos muito complicados para pouco mais de 500 delegados (os que ficaram na sala).

Maior do que a própria vida

Paulo Portas quer entrar, à força, na História. Daí não teve dúvidas esta noite durante o congresso do CDS:

"Tenho orgulho de ter feito as maiores reformas do Ministério da Defesa do século XXI".

Será ilusão minha ou o século só tem nove anos?

sábado, 17 de janeiro de 2009

Uma certa maneira de ser vermelho

O deputado do CDS, Pedro Mota Soares, subiu a tribuna do congresso nas Caldas para garantir que o CDS é o partido que defende "os mais desfavorecidos, os mais pobres e os excluídos da sociedade". Seguiram-se, de imediato, as intervenções do consultor jurídico e membro de vários órgãos executivos de empresas, António Lobo Xavier, e do presidente da Comissão Executiva da UNICER, António Pires de Lima.
Minutos depois, um outro congressista chamou "malandros" a todos aqueles que recebem o rendimento mínimo de inserção social.

A máquina do Ministério da Defesa avariou

A organização do congresso do CDS não distribui, para os jornalistas, a totalidade das seis moções porque "é um excesso de fotocópias".

Estranho, não?

Um dos congressistas, Filipe Anacoreta Correia, subscritor de uma moção subiu ao palco para pedir a José Sócrates que "aceite" as propostas do CDS "para afastar José Sócrates e o PS do poder".
Por cá, estou extremamente inquieto a aguardar a resposta de Sócrates. Aceitará o desafio?
Por isso é que o mesmo Filipe Anacoreta Correia explica que um congresso não serve apenas para se bater palmas. Já se percebeu: serve para se lançar propostas arrojadas.

Mini-festa do Avante nas Caldas

Comentário de uma delegada ao congresso do CDS, feito nos corredores do Centro Cultural das Caldas da Rainha:

"Eu só vim cá pelo convívio"

Separados à nascença




Angel Di Maria e Dev Patel, o protagonista do fantástico Slumdog Millionaire, de Danny Boyle.

Que partido mais estranho!

Discurso de Paulo Portas no congresso do CDS:

"Meus amigos e minhas amigas:
Lá fora e cá dentro estão milhares de agricultores (...). "Lá fora e aqui dentro estão centenas de antigos combatentes (...). Lá fora e aqui dentro estão dezenas de deficientes das forças armadas".

Só lhes falta tocar piano

O congresso do CDS mostrou um vídeo com uma saudação do PPE, em francês e sem legendas. Mas toda a gente percebeu quando o Joseph Daul disse "merci".

O CDS ainda é o que era

O congresso do CDS ainda não começou, apesar de estar marcado o início para as 10 horas. O presidente da mesa, Luís Queiró, já apelou aos congressistas para entrarem na sala. Mas o CDS não deixa a tradição por mãos alheias: nem metade dos delegados chegou às Caldas.
E Luís Queiró já vai no segundo apelo, recordando que a agenda é comprida. Mas começar, começar talvez lá para tarde.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Foi você que pediu um Pinho?


A Comissão Europeia organizou hoje em Bruxelas uma reunião informal para discutir a situação do sector automóvel, na qual participaram ministros de vários Estados-Membros. De acordo com a agenda distribuída à imprensa, o encontro teria início às 10 da manhã e terminaria às 14:00.

Certamente para não perder pitada de uma discussão que tanto tem mobilizado o governo, Manuel Pinho achou melhor chegar a Bruxelas na quinta-feira à noite. Mas conseguiu entrar no edifício da Comissão já depois das 10:30 (contactada por um jornalista pouco antes das 10, a assessora de imprensa que o acompanhou desde Lisboa informou que o ministro estava a começar a tomar o pequeno-almoço nesse momento...) e sair do mesmo pelas 12:15, com a reunião ainda a decorrer.

A prova de que o governo leva a sério a forma como o sector está a ser afectado pela actual crise foi dada logo à entrada, quando o ministro reconheceu candidamente estar a leste da intenção da Peugeot de dispensar 400 trabalhadores da fábrica de Mangualde. À saída, tropeçou por acaso nos jornalistas que o esperavam apenas mais tarde, mas achou melhor não fazer declarações.

Tudo isto com viagem, hotel e ajudas de custo do ministro e da assessora pagos pelo dinheiro de todos nós.

O sol brilha na Casa Branca

Vinda directamente dos EUA, chegou à minha caixa de correio esta estória:

One sunny day in January, 2009 an old man approached the White House from Across Pennsylvania Avenue, where he'd been sitting on a park bench
He spoke to the U.S. Marine standing guard and said, "I would like to go in and meet with President Bush."
The Marine looked at the man and said, "Sir, Mr. Bush is no longer president and no longer resides here."
The old man said, "Okay", and walked away.
The following day, the same man approached the White House and said to the same Marine, "I would like to go in and meet with President Bush."
The Marine again told the man, "Sir, as I said yesterday, Mr. Bush is no longer president and no longer resides here."
The man thanked him and, again, just walked away.
The third day, the same man approached the White House and spoke to the very same U.S. Marine, saying "I would like to go in and meet with President Bush."
The Marine, understandably agitated at this point, looked at the man and said, "Sir, this is the third day in a row you have been here asking to speak to Mr. Bush. I've told you already that Mr. Bush is no longer the president and no longer resides here. Don't you understand?"
The old man looked at the Marine and said, "Oh, I understand. I just love hearing it."
The Marine snapped to attention, saluted, and said, "See you tomorrow, Sir".


O sol já brilha com outra intensidade na Casa Branca.

A importância da política de Defesa

A Assembleia da República discute hoje, com o ministro da Defesa, três leis que o ministro considera serem fundamentais para a estratégia de Defesa em Portugal. A mesma opinião têm os deputados de todas as bancadas. Não se percebe então as razões para a Assembleia estar a meio gás, mas ouve-se um barulho de fundo irritante: são as conversas paralelas que acontecem em todas as bancadas. Formam-se mesmo grupos em tertúlias. Alguns deputados já assinaram o livro do ponto e sairam da sala. O PSD começou o debate com 11 deputados, mas agora estão 20. O CDS tem quatro representantes. A bancada comunista está completa, mas à conversa. Do Bloco, estão cimco, mas três conversam. A bancada do PS nem tem metade dos deputados. E os que estão presentes conversam. Os dois parlamentares do partido "Os Verdes" já assinaram, estiveram na sala meia-hora e retiraram-se.
O entusiasmo, nas bancadas, é tanto que só falta mesmo assistirmos a uns jogos de cartas ou, quem sabe?, ao chinquilho.

Somos testemunhas da História!!! - 3


O tipo já se despediu. Finalmente. Agora ficamos a aguardar a desclassificação dos documentos da CIA e de outras organizações dos Estados Unidos para sabermos, de ciência certa, o lugar dele na História. É pena só ser daqui a 30 anos.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Eu é que sou o verdadeiro contemporâneo

Cavaco Silva, ontem, em declarações aos jornalistas:

"Não tenho vocação para a intriga político-partidária"

Ninguém se riu, os jornalistas foram uns estóicos!

Homenagem a D. José Policarpo


A última vez que alguém, na Europa, teve o mesmo pensamento que o cardeal-patriarca de Lisboa deu nisto: juntos, juntos, só no cemitério.
Quando andei em reportagens pela guerra da Bósnia escrevi isto que agora dedico aos josés policarpos desta vida:
Três miúdos, entre os seis e os dez anos, fazem um “slalom” num dos jardins principais do centro de Sarajevo. Montados em trenós, fintam uma campa e outra e mais outra, deslizando sempre sobre a neve espessa e alta até chegarem à beira da estrada. Fazem autênticas razias sobre os pequenos montes com cruzes ou pedaços de madeira que prestam homenagem aos mortos. Sob a neve e debaixo da terra repousam meros cadáveres. Em vida, eram crentes muçulmanos, ortodoxos, católicos. A guerra dividiu-os, a morte juntou-os. Já não cabiam nos cemitérios - o maior da cidade já apresenta a lotação esgotada e até as imediações do estádio olímpico, que acolheu os Jogos de Inverno, em 1980, foram ocupadas. Não resta outra solução do que começar a enterrar os mortos nos jardins da cidade. Ou em qualquer espaço livre que estiver mais perto.
A foto é do maior cemitério de Sarajevo. Chegou a ser tão grande que foi obrigado a ocupar o estádio da cidade, campos de futebol incluídos.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Afinal, os bifes eram checos

A presidência checa da União encomendou a um artista local uma instalação que incluísse contributos de artistas de todos os países do clube europeu.

Ao que parece, David Cerny não esteve para se chatear e, em vez de arranjar 27 trabalhos de 27 artistas, fez ele próprio a maior parte das obras e até inventou alguns artistas, como parece ser o caso da portuguesa Carla de Miranda. Com direito a currículo imaginário e declarações sonhadas.

Embaraçada, a presidência checa sacode a água do capote e promete para breve anunciar o destino da instalação que ornamenta a entrada do edifício do Conselho de Ministros, em Bruxelas.

A presidência checa soma e segue. Esperava-se controvérsia, mas não tanta, nem em tão pouco tempo (recorde-se que ao nível político as coisas também não começaram bem, com Praga a começar por classificar, em nome dos 27, o ataque israelita a Gaza como “uma acção mais defensiva do que ofensiva”, para depois se retractar).

É mais uma história curiosa que Cerny até já conta/explica no seu site, onde também denuncia um compatriota seu, galerista, que alegadamente lhe deve dinheiro. Tudo gente fina. A menos que seja tudo arte.

Marujo ao mar!

O rapaz queria andar de barquinho e tinha que tirar a carta de marinheiro - talvez para passar debaixo da sua Lusoponte. Não contava é que desse raia e andasse hoje nas bocas do mundo!

Este ao menos não está no Conselho de Estado!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

As habilidades de Manuel Pinho

Manuel Pinho continua a fazer das suas.

O assunto nem sequer estava na agenda do encontro, mas Manuel Pinho ao chegar a Bruxelas não se desmanchou e explicou como é que Portugal iria contribuir para salvar a Europa.

No final, quando os jornalistas quiseram saber junto do ministro mais pormenores sobre a dita apresentação, teve lugar este diálogo:

Jornalista: Chegou a mencionar isso?
Manuel Pinho: Absolutamente, nas minhas discussões com o Conselho.
Jornalista: E quais foram as reacções do Conselho?
Manuel Pinho: Não sabemos, estavamos muito preocupados era com estas questões de curto prazo (do conflito russo-ucraniano) e muito boa tarde para todos.

O ministro deu meia volta e meteu-se no carro que o levou dali para fora.

Um desempenho a fazer lembrar um episódio ocorrido em Junho do ano passado quando, depois de exigir que os 27 incluíssem na agenda uma discussão sobre o aumento do preço do petróleo (e divulgar profusamente essa iniciativa junto da comunicação social portuguesa), Manuel Pinho abandonou a reunião antes de o assunto chegar a ser discutido.

Bife à portuguesa - 2



Aspecto da instalação de que fazem parte os “bifes” portugueses.

Bife à portuguesa - até os comemos?


Cada vez que um país assume a presidência da União Europeia, ganha o direito de 'decorar' o edifício do Conselho de Ministros dos 27, em Bruxelas, a seu gosto.

No segundo semestre de 2007, Portugal apresentou algumas peças de Joana Vasconcelos. A República Checa decidiu exibir um 'puzzle', com 27 obras de outros tantos artistas, de outros tantos Estados-Membros da União, tendo como ponto de partida os preconceitos e estereótipos sobre cada país.

A Entropa pretende, segundo os organizadores, mostrar que “os estereótipos são barreiras que devem ser demolidas”.

O contributo nacional ficou a cargo de Carla de Miranda (de qem nunca ouvi falar e sobre quem não encontrei qualquer referência na net): Portugal é uma tábua com vários bifes suculentos em cima. Se repararmos mais atentamente, cada bife tem a forma de uma ex-colónia. Até os comemos? Explica a artista no catálogo: “Não gosto de gordura e não gosto do colonialismo. (…) Quais foram as experiências dos colonizados e dos colonizadores?”.

Estranho? Chocante? Interessante? Desadequado? Brilhante? Estúpido? Provocador?

Podia ser pior: a Bulgária é apresentada como uma casa de banho turca.

É o maiore!


Homem dos mil ofícios, Armando Vara é um homem ....mágico! Caído em desgraça no tempo de Guterres, voltou à mó de cima através de um programa ocupacional muito especial -certamente arranjado pelo Instituto de Emprego e Formação profissional - que permitiu ganhar o subsídio de reinserção como administrador da CGD. Noticia hoje o Público que, além dos seus dotes mágicos, também tem o dom da ubiquidade: o nosso menino conseguiu ser promovido na Caixa depois de ter saído para a administração do BCP.

É mesmo o maiore!

sábado, 10 de janeiro de 2009

Pragmatismo

Pragmático, versátil, com uma tremeda capacidade física para desdobrar e rodopiar, sem perder a compostura e o sorriso, imparável apesar de todos os obstáculos que enfrenta pelo caminho, eis José Sócrates numa versão única e divertida.

Afinal isto já é antigo

Apesar de o Presidente Cavaco Silva ter afirmado que "não desistiu de ter duas eleições em simultâneo este ano" o porta-voz da maioria, Vitalino Canas, rejeitou a possibilidade de as eleições legislativas e autárquicas se realizarem no mesmo dia, o Correio Preto pensava que isto não era medo ... até ter acesso à imagem do dia em que realizaram no mesmo dia duas trocas de roupa de cama no infantário do pequeno vita!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Ai se a moda pega...

José Sócrates foi hoje questionado, em plena sessão de propaganda desta vez dedicada ao apoio a jovens artistas, por uma música. Nervosa, Paula Azguime, flautista, perguntou, alto e bom som, que apoios tinham os outros artistas, os mais velhos. As filas traseiras aplaudiram. As da frente, enxameadas de assessores, consultores e directores, engoliram em seco. Sócrates respondeu que estava a dar "o primeiro passo" no apoio a cultura.
Ah... mas se a moda pega! Já imagino nas iniciativas da apresentação do "magalhães", na entrega de diplomas das "novas oportunidades", na apresentação de barragens e obras públicas, alguém a saltar da assistência, recordando ao primeiro-ministro o que falta fazer! Mais umas duas ou três como esta e acaba a propaganda!

Pateta alegre


Pois pá! A malta percebe que não gostes dos PPD's pá! Mas e os professores pá?

O seu a seu dono


Segundo o "Público" de hoje, o "Portátil Magalhães faz disparar facturação da JP Sá Couto para os 600 milhões de euros este ano".

Tendo em conta que, deste montante (o triplo de 2008), "dois terços serão graças ao Magalhães, que vai ser exportado para vários países" o mínimo sentido de justiça mandaria a empresa em causa recompensar devidamente o principal responsável por este êxito além fronteiras.

O regresso das meninas

São venenosas na quantidade certa, atentas a tudo o que as rodeia, elegantes quando falam nas suas embirrações, andaram pela blogosfera, mas resolveram fechar a porta e agora regressam com os seus lavores. Imperdíveis e, tal como o Correio Preto, vão contar (quase) tudo o que sabem, ouvem e vêem. Bem vindas, portanto.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Humor britânico

Tony Blair, que foi primeiro-ministro do Reino Unido durante 10 anos e que muito se esforçou para fazer do seu país um verdadeiro farol e um dos principais beneficiários do sistema económico vigente, anda agora a apregoar a necessidade de se moralizar o dito sistema financeiro internacional. Duas tiradas suas, no colóquio “Novo Mundo, Novo Capitalismo”, a decorrer em Paris até amanhã:

“Se queremos manter o nosso mundo económico aberto e não cair num proteccionismo fácil, devemos torná-lo mais justo”.

“Para que o sistema financeiro um dia se restabeleça, temos que poder voltar a ter confiança nele. Para reencontrar essa confiança, todo o sistema deve ser ancorado noutros valores além do lucro máximo a curto prazo. Deve tratar-se de mais qualquer coisa, além da simples especulação”.

Ah, é verdade. Blair é igualmente o enviado especial do Quarteto para o Médio Oriente. A sua acção tem sido tão eficaz que, apesar do que por lá se passa nestes dias, não parece que alguém tenha dado pela sua falta.

A imaginação no poder

Depois de ter “desviado” vários socialistas para cargos importantes (como Dominique Strauss-Kahn no FMI) e de ter integrado outros no seu governo (como Barnard Kouchner, à frente dos negócios estrangeiros) e partido (Eric Besson, ex-secretário nacional do PS e actualmente secretário de estado pode brevemente ser promovido a ministro e a secretário-geral adjunto da UMP), Nicolas Sarkozy mostra que, além das personagens, também não tem problemas em apropriar-se dos slogans da esquerda.

Começou hoje e termina amanhã em Paris um colóquio patrocinado pelo presidente francês destinado a discutir a “refundação do capitalismo” e que se chama “Novo Mundo, Novo Capitalismo”. A fazer lembrar o “Outro Mundo é Possível”, tão caro aos movimentos anti-globalização.

Quatro décadas volvidas sobre o Maio de 68, a imaginação chegou mesmo ao poder.

A vergonha

O PS conseguiu vencer a batalha no Parlamento, garantindo que a avaliação dos professores não fosse suspensa. Para isso, contou com uma preciosa ajuda de... Manuel Alegre. Pois, o deputado votou ao lado da oposição, mas assegurou que, pelo menos, uma parlamentar do seu pequeno grupo votasse de outra forma para que o Partido Socialista não fosse prejudicado.
Mesmo assim, não se livrou - ele e as outras quatro deputadas - de ouvir este mimo de Augusto Santos Silva:

"A minha opinião dirige-se a todas e todos deputadas que manifestaram a sua opinião. Limito-me a constatar como particularmente reveladora de que o que estava menos em causa aqui era avaliação dos professores que os deputados que o fizeram não hesitaram em votar a favor de um projecto de lei (dos partidos da oposição) que a ser aprovado constituia uma vergonha para o parlamento democrático português".

A votação ficou assim: 114 contra a suspensão, 113 a favor e uma... abstenção. A amiga, nesta caso, foi Matilde Sousa Franco que optou pela abstenção.

Candura de uma ministra

Como o Governo já percebeu que a gripe e o respectivo vírus dão tempos de antena, há que aproveitá-lo. Por isso, Ana Jorge, a ministra da Saúde, foi hoje à conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros repetir o que disse ontem, o que declarou a semana passada e o que anda a aconselhar há mais de duas semanas.
Entre as declarações de hoje, saiu esta pérola:

"O vírus gosta do frio".

É como as abelhas, no olhar dos meninos da primária, também gostam das flores para fazer o mel.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Para bom entendedor

Na apresentação do curso de MBA, das universidades Nova e Católica com o apoio do MIT, António Rendas, reitor da Universidade Nova, resolveu citar um longo texto de Charles Darwin e um curtíssimo de Almada Negreiros.

Na primeira fila, estava sentado José Sócrates, impecavelmente vestido com o seu fato cinzento. Nas filas de trás, os também enfatuados António Mexia, Fernando Nogueira, João de Mello, Fernando Ulrich, Ricardo Salgado e António Costa.

António Rendas "puxou" então por Almada Negreiros:


"Isto de ser moderno é como ser elegante. Não é o bem vestir, mas uma maneira de ser"


Na sala, nem se viu um sorriso, por mais tímido que fosse.

O melhor da diplomacia - 2

Oportunamente, os ministros dos negócios estrangeiros dos 27 realizam uma reunião informal, amanhã, em Praga.

Da agenda fazem parte vários temas quentes da actualidade: a situação no Médio Oriente, a segurança energética (com a guerra russo-ucraniana em torno do gás ao rubro), e as relações com os EUA (a dias de Obama tomar posse e uma primeira ocasião para Portugal defender a sua proposta de acolher detidos de Guantánamo em países europeus).

Estranhamente, em vez de Luís Amado, Portugal estará representado pela secretária de estado dos assunto europeus, Teresa Ribeiro (quem?).

De Portugal ao Médio Oriente, Sócrates não falha uma

Não é só em relação à economia portuguesa que as previsões e promessas de Sócrates aterram, digamos assim… um pouco ao lado da realidade.

Isto foi o que o primeiro-ministro disse sobre a reunião que o Quarteto para o Médio Oriente (que junta EUA, Rússia, ONU e UE) realizou Lisboa, sob os auspícios da presidência portuguesa da União, no dia 19 de Julho de 2007:

“Marca, de facto, de certa forma, o relançamento do processo de paz no Médio Oriente. Marca também o momento antes e depois para o Médio Oriente”.

Claro que Sócrates pode sempre dizer, tal como em relação à crise, que ninguém podia prever que isto ia ser assim (que o digam os tipos de Gaza).

Mas a crítica só se aplica à primeira frase, pois em relação à segunda Sócrates acertou em cheio: tal como em tudo na vida, há sempre um momento antes e um depois (até quando se diz um disparate, há um momento antes e um depois) , tal como houve um antes e haverá um depois de Sócrates.

Nostraconstâncio

"Este ano e o próximo não serão fáceis para os portugueses", afirmou ontem o governador do Banco de Portugal.

A sério? Obrigado pelo aviso atempado!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Uma frase que resume toda uma entrevista

José Sócrates, ontem à noite, na entrevista à SIC:

"Oh, Ricardo Costa, está a escrever um editorial ou a fazer uma pergunta?"

A frase e o contexto deveriam integrar todos os programas de ensino de jornalismo. Na parte dos géneros.

Um bocadinho menos...sff!


Já foi! A entrevista do primeiro ministro foi anunciada com pompa e circunstância pela SIC e daí ter sido transmitida em simultâneo pela SIC generalista e pelo canal de noticias - não percebo muito bem porquê, afinal uma pessoa que tenha SIC Noticias não têm o 3º canal? - mas ok nestas coisas o excesso é comum quando toca ao nosso primeiro. Agora a RTP N estar a transmitir a entrevista de Sócrates com um comentador a acompanhar como se estivesse a fazer um relato, parece-me excessivo até para a RTP.

De Gaza ao gás, a Europa no seu melhor


O colorido da capacidade de intervenção externa da União Europeia ficou bem patente com a esquizofrenia demonstrada em relação à guerra em Gaza, descrita aqui.

A crise do gás entre russos e ucranianos está a dar aos europeus outra grande oportunidade para serem levados a sério a nível internacional.

Ontem, a Comissão Europeia dizia que a disputa entre os dois países era “puramente comercial”, que não iria mediar um problema que devia ser resolvido entre as duas partes e que os consumidores europeus podiam estar descansados, pois os aprovisionamentos em gás eram suficientes “para várias semanas”.

Hoje, Bruxelas diz que a situação é “totalmente inaceitável”, que o fornecimento a alguns países “diminuiu substancialmente” (a Bulgária diz que tem reservas apenas para uma semana) e que uma delegação europeia composta pela presidência checa e pela Comissão esteve ontem em Kiev e reúne hoje em Berlim com representantes da Gazprom para “prosseguir o diálogo com as duas partes para que cheguem a acordo imediatamente” (o dicionário da Porto Editora define 'mediação' como “interferência de um terceiro no sentido de levar duas pessoas a concluir determinado negócio”).

Vista de Telavive ou de Moscovo, a Europa até deve ter uma certa piada.

Diferenças de estatura


Quando, no passado mês de Dezembro, Sarkozy foi a Londres reunir com Brown para discutir a resposta europeia à crise mundial, houve dois factos que suscitaram críticas: a ausência ostensiva de Merkel e a presença alegre e algo incompreensível de Barroso (o presidente da Comissão Europeia costuma ser convidado para estes encontros em 'petit comité' para justificar a ausência de convites aos demais países da União, pois a CE supostamente representa o “interesse geral”).

Esta semana, Sarkozy organiza em Paris um “colóquio” internacional de alto nível (baptizado com o curioso título "Novo Mundo, Novo Capitalismo") para discutir a crise, com a presença de muitos líderes mundiais e especialistas de renome, entre os quais vários prémios Nobel. Dois factos chamam a atenção neste encontro co-presidido por Tony Blair: o convite de última hora dirigido a Merkel, que estará presente, e a ausência de Barroso entre os convidados (aspecto de que, pelo menos até agora, ninguém se queixou).

Os homens e as mulheres não se medem aos palmos, mas os políticos sim. E de que maneira.

protestos, quais protestos?

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Nada muda, como se pode verificar pelas notícias de Janeiro de 2019

O primeiro-ministro António José Seguro dá hoje uma entrevista a um canal de televisão, em que poderá anunciar que medidas vai tomar para combater a crise financeira e a recente subida do petróleo. Na entrevista, Seguro deverá ainda reagir à mensagem de Ano Novo do Presidente da República, José Sócrates. "Mais optimismo, mais apoio a empresas e a criação de mais computadores" foram as sugestões deixadas por Sócrates para combater o pessimismo dos portugueses, o mais elevado da Europa dos 40.
A mensagem do PR mereceu o repúdio de toda a oposição. A líder do PSD, Leonor Beleza, disse que esperava mais; o secretário-geral do PCP, Bernardino Soares, exigiu "uma nova política" em Belém e em São Bento; o presidente do CDS, Paulo Portas, recentemente reeleito, admitiu que Sócrates foi brando; e a líder do Bloco de Esquerda, Ana Drago, critica Sócrates por ter ignorado as minorias.
O Futebol Clube do Porto recuperou ontem o primeiro lugar na Liga Magalhães e abre a possibilidade de se sagrar pela 15ª vez campeão nacional, só neste século.
Israel voltou a atacar ontem a Faixa de Gaza. Foram mortas mais de 500 pessoas, metade da população daquele território. Todos os líderes mundiais, incluíndo a presidente dos EUA, Michelle Obama, pediram um cessar-fogo imediato.
A leitura do processo Casa Pia deverá ser feita esta semana.
O tribunal de Torres Vedras aceitou que "Esmeralda" casasse duas vezes para permitir que os dois pais, o biológico e adoptivo, pudessem estar presentes em cada uma das cerimónias.
O "Diário Económico" revela, na edição de hoje, que o "Governo vai criar mais 150 mil postos de trabalho" e que António José Seguro tem "feito a economia portuguesa crescer num ritmo elevado".
Contra qualquer tipo de avaliação, o Sindicato dos Professores anunciou, para este mês, uma manifestação nacional.
A filha do antigo presidente de Angola, Ana Paula Santos, comunicou hoje que comprou a GALP e a Caixa Geral de Depósitos, detendo, com outros parceiros angolanos, a maioria das grandes empresas portuguesas.

Europa unida jamais será entendida

O ministro dos Negócios Estrangeiros da República Checa, Karel Schwarzenberg, que preside à União Europeia, garante ter um plano para obter um cessar-fogo imediato em Gaza e vai apresentá-lo num périplo pelo Médio Oriente. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que já não preside à União Europeia, marcou uma série de encontros pelos países do Médio Oriente, à parte do checo e começou por tomar o pequeno almoço com o seu homólogo do Egipto. Javier Solana agendou também uma ronda negocial pelos países árabes. Tony Blair, que já não tem funções executivas, anda por lá a desenvolver contactos.
Cada um tem um plano, uma agenda e muitas conferências de imprensa para dar.

O melhor da diplomacia

Luís Amado hoje em declarações aos jornalistas sobre a guerra na Faixa de Gaza:

"Vai haver um cessar-fogo mais tarde ou mais cedo".

Tem razão o ministro português dos Negócios Estrangeiros. Até pode haver o cessar-fogo daqui a uns cinco anos. Ou mesmo quando não sobrar ninguém vivo em Gaza.

Quiosque em casa

Um quiosque muito útil: um único toque dá acesso às manchetes de todos o jornais e revistas que se publicam em Portugal.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Facadas jornalísticas

Em duas páginas da edição deste domingo do Diário de Notícias, três títulos para a posteridade:

“Esfaqueou a família e entregou-se na esquadra descalço e em cuecas”

“Mulher agredida em assalto por homem com faca”

“Percorreu 150 quilómetros com uma faca espetada no pescoço”


São os chamados títulos à facada, ou outra forma de contar a estória de alguém que, um dia, esfaqueou a família (incluindo a mulher), despiu-se, espetou a faca algures entre a própria traqueia e o esófago e ainda teve que percorrer 150 kms até chegar à esquadra mais próxima…

Dúvida



Alguém sabe o que é que o homem que ia/vai salvar o mundo pensa sobre o que se está a passar em Gaza?

sábado, 3 de janeiro de 2009

Ravel nas favelas




A Orquestra Juvenil Simon Bolívar foi criada por iniciativa de Hugo Chávez. O conceito é simples: colocar jovens a tocar música, todo o tipo de música. O recrutamento da orquestra é feito nos bairros pobres de Caracas e obedece a um esquema também simples. Cada jovem pode aparecer tocando o que sabe: viola, guitarra, latas, instrumentos tradicionais, o que for. Depois é dado a cada um deles a formação musical completamente gratuita. Os melhores são integrados na Orquestra que até participa em festivais internacionais, de Viena a Toronto.

Há também o recrutamento feito pelos próprios jovens músicos que estudam na orquestra. Vão aos bairros pobres em busca de talentos ou simplesmente desafiando outros jovens e miúdos a integrar a escola.
Os instrumentos, de violoncelo à harpa, passando pelo violino e saxofone, são grátis. Ninguém paga um único instrumento musical! É assim que a Orquestra é formada por jovens brancos, índios, negros, mestiços que reflectem a sociedade venezuelana. É emocionante ouvi-los tocar. Pela própria emoção, dedicação e entusiasmo que transmitem. Por exemplo, como neste concerto transmitido pela BBC: orgulhosos das suas origens, os jovens vestidos com as cores da bandeira da Venezuela. E reparem na alegria e na força do maestro Gustavo Dudamel (nas fotos).

Em cada concerto, além dos clássicos, como Ravel, Handel, Mozart e outros, a Orquestra Símon Bolívar faz questão de apresentar as obras de compositores latino-americanos, como o argentino Alberto Ginastera ou o mexicano Arturo Marquez.
O fundador José António Abreu explicou recentemente no canal Mezzo que houve uma ideia a presidir a criação da Orquestra:
"Vencer a pobreza material com a riqueza espiritual"
Também ao canal Mezzo, Gustavo Dudamel confessava ter o sonho de "pôr todos os jovens venezuelanos a tocar música" enquanto o director da Orquestra de Berlim concluía:
"Esta é escola de música mais extraordinára que alguma vez vi na vida. Se alguém quiser saber o que realmente se passa no mundo da música tem de vir à Venezuela".

Por Portugal, terra em que o ensino da música é um verdadeiro luxo destinado a uns poucos, já andou um dos músicos venezuelanos a tentar introduzir o mesmo conceito de criar uma orquestra a partir de gente que vive nos bairros mais pobres. Mas desconfio que falta o interesse e vontade.
Adenda: Fiquei a saber que a Orquestra Juvenil Simon Bolívar vai estar no Coliseu, de Lisboa, dia 25 de Abril. A não perder!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Promulgar ou a vã gloria de protestar!


E prontos lá passámos umas horas em ansiedade (à brava!) a espera do que tão importante tinha o nosso primeiro - ai perdão - presidente para dizer. Desta vez já sabíamos que não era sobre a resignação nem nenhuma doença maligna que soprava para os lados de Belém mas tão só o estatuto do imperador ming dos açores... pronto é só da região autonóma mas da maneira que Cavaco fala parece que é uma coisa proveniente das entranhas do mal.

Falou, ameaçou, falou, barafustou, ameaçou outra vez e no fim sempre o mesmo desfecho.. faz lembrar o Sr. Augusto da mercearia: - Ai menino isso é muito difícil de arranjar, mas vamos ver o que se arranja!

Chegados ao dia não falha... promulga sempre!

domingo, 28 de dezembro de 2008

Vírus ataca jornalistas

O Pedro Correia chama a atenção para um mal que ataca o jornalismo. Infelizmente, não é só com a gripe. O vírus estende-se a quase todas as notícias. Não há acontecimento passado em Portugal que não seja acompanhado com as expressões que mostram bem a pequenez mental do país. São do género "no nosso país", "o nosso presidente", "somos os mais... (qualquer coisa relacionada com sondagens)", e mais, muito mais.
O jornalismo, em Portugal, ainda não percebeu que o país é de imigrantes. E esses imigrantes lêem jornais, ouvem a rádio e escutam, com a devida atenção, as notícias na televisão. Muitos até votam, imagine-se, e têm nacionalidade portuguesa, apesar de se considerarem pertencentes a um outro país. Mas não são estranhos por cá. São apenas estrangeiros.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

A outra forma de não escrever "estagnação"

A agência Lusa noticiou que o governo espanhol vai aumentar o salário mínimo em 3,5 por cento. No mesmo "take", a agência noticiosa tratou de recordar que o Governo português também decidiu aumentar o salário mínimo, mas em 5,6 por cento.
A notícia seguinte da Lusa contava que Moscovo vai apoiar 295 empresas para "contrariar os efeitos da crise" e até já publicou a lista das contempladas. Mas, ao contrário do salário mínimo, a Lusa "esqueceu-se" de fazer a comparação com Portugal e nem sequer fez referência aos apoios do Governo português.
Nem só de "estagnação" se fazem "notícias" na Lusa.

O Mundo ao contrário

O PCP recusou-se a comentar, para a comunicação social, a mensagem de José Sócrates com o argumento que "estamos no natal e, por isso, não se fala de política".

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Os assessores de porra nenhuma - 2

A Câmara de Sines queixa-se ter solos contaminados e culpa o Ministério do Ambiente por ignorar o assunto. Resposta de uma assessora do ministro do Ambiente à pergunta de um jornalista da TSF:

"Vou saber o que se passa, ligue-me daqui a meia hora".

Meia hora depois, a assessora tinha o telemóvel desligado. Nas horas seguintes, continuava na mesma.
Um ordenado de um assessor anda à volta dos 3.500 euros/mês.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Os assessores de porra nenhuma

Os jornalistas brasileiros usam amiúde uma expressão sempre que se referem a um determinado assessor que só serve para empatar. Chamam-lhe ASPONE: Assessor de Porra Nenhuma.
Na série "Sim, sr Ministro", o chefe de gabinete defende a teoria que um bom assessor é aquele que nunca responde às questões dos jornalistas, provocando cansaço e, como consequência, uma desistência.
Isto vem a propósito do verdadeiro exército de assessores, quase todos ex-jornalistas, que formiga os ministérios. Esta noite, antes das 23horas, tentei falar com Manuel Pinho. Pensando que um assessor, no caso uma assessora, serviria para alguma coisa, tentei primeiro o contacto com ela. Simpática, prometeu falar com o ministro e depois daria uma resposta. Minutos depois voltei a ligar. Não atendeu. Fiz uma segunda tentativa, também sem sucesso. Tentei uma terceira vez e... nada. Decidi ligar directamente para o ministro. Sucesso. Manuel Pinho foi entrevistado, contou-me o que sabia, evitou falar sobre o que não lhe interessava. O normal, portanto.
A Aspone, a esta hora, deve estar, deleitada, a ver o "Sim, sr Ministro".

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Já é da casa

Pedro Silva Pereira esteve esta noite na SIC-Notícias. Desconfio que o ministro da Presidência conhece tão bem as cadeiras dos estúdios do canal de Carnaxide como as do seu gabinete.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Até Sócrates já foi uma criança

A partir de agora é assim: o primeiro-ministro apenas se pronuncia sobre um tema da actualidade depois de obrigar quem o escuta a ouvir uma reflexão íntima sua.

A meio do Jornal da Tarde da RTP a emissão passa para Sabrosa, em Vila Real, onde José Sócrates participa no lançamento da primeira pedra do centro de estudos Miguel Torga, com a apresentadora a dizer que “mais do que as inaugurações impõe-se um comentário do primeiro-ministro a questões de actualidade”.

Era bom, era. A bola passa para a repórter no local:

“Impõe-se naturalmente esse comentário a questões da actualidade, mas o primeiro-ministro aceitou falar em directo com a RTP mas fazendo essa homenagem a Miguel Torga (ou seja, Sócrates impôs como condição falar antes sobre Miguel Torga), o homem que (aqui ela vira-se para Sócrates), já o ouvi dizer, o marcou, o ajudou a conhecer-se a si próprio e a Portugal”.

“Sabe, Miguel Torga ensinou-me pela primeira vez a beleza que pode conter a palavra fraga. Eu vinha com o meu pai, na minha infância, para Trás-os-Montes…”, e lá prosseguiu a descoberta em directo do lado humano do PM, enquanto Pedro Sousa Pereira observava com o seu sorriso giocondiano.
Se Sócrates lhe toma o gosto ainda acabamos com um programa qualquer inspirado no "Aló Presidente", do seu amigo Hugo Chavez.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

E a Madeira aqui tão perto

Hoje foi um dia histórico na Assembleia da República. O PSD, ainda ferido por ter tido deputados faltosos a semana passada, resolveu pedir a votação imediata do estatuto dos Açores logo a seguir ao final do debate. Alguém do grupo pegou na aritmética e reparou que os deputados do PS não estavam todos presentes o que daria uma vitória estrondosa a quem já tinha anunciado a abstenção.
Aflitos com o que, de facto, poderia dar, os socialistas atrasados começaram a entrar aos magotes, em grupos de três, quatro e até seis. Para o espectáculo, o PSD optou pelo barulho. Resultado: os trabalhos foram suspensos e a mão protectora do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, permitiu a votação depois das 12horas, garantindo que o rebanho socialista estaria presente.
Mal recomeçou a sessão, Jaime Gama fez um dilacerante apelo:

"Senhores deputados, por favor, peço que não saiam da sala!"

Com a devida obediência, os deputados votaram, fila a fila para que não houvesse dúvidas e se acalmassem os nervos. O estatuto político-administrativo dos Açores foi aprovado. Desta vez, com a novidade de ter a abstenção do PSD quando antes tinha votado favoravelmente. As objecções do Presidente da República caíram assim em saco roto.
Para história, de facto, fica o dia do ano mais atribulado da Assembleia e a agitação transformada em espectáculo para se ver numa televisão mais logo à noite.

Os poetas vivem noutro mundo

Manuel Alegre em entrevista à RTP, ontem à noite:

"Ainda não sou o Presidente da República"

E acham mesmo que alguém daria pela diferença?

É «muito pouco provável» continuar deputado, diz Manuel Alegre.

Conhece o teu inimigo


A frase é atribuída ao sábio-guerreiro chinês Sun Tzu.

Uma máxima desenvolvida por Sócrates e pelo seu governo da seguinte forma: “se for fraquinho rebenta-o todo; se for maior que tu, finge que és mau, mas depois pede desculpa e explica-lhe que estavas a brincar”.

Com os professores e os trabalhadores por conta de outrem que tenham as contas com o fisco em atraso, o governo é implacável na réplica verbal, intransigente na postura política.

Com a banca, foi o que se viu. Teixeira dos Santos avisou que o governo podia retirar as linhas de crédito concedidas aos bancos, porque as mesmas tardam em chegar aos destinatários finais.

A banca franziu o sobrolho e Teixeira dos Santos não só recuou, como até prometeu mais apoios.

O cúmulo da parvoíce é...

...uma cidade onde praticamente não neva (e a pouca neva que cai derrete de seguida) pintar os passeios de branco. Parece rídiculo, mas acontece mesmo, naquela a que alguns chamam a "capital da Europa"...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A "lupa" está desfocada

O PSD, na Assembleia da República, quer ouvir o conselho de redacção da agência Lusa, por causa das declarações do director feitas ontem. Bem, não todo o PSD. Há pressões sociais-democratas feitas sobre os deputados para "esquerecem o assunto".
Há uma razão para isso: o que importa mesmo é assegurar, custe o que custar, a ordem perfeita. Hoje manda o PS, amanhã manda o PSD e o Tratado de Tordesilhas do Bloco Central não pode ser riscado. Há sempre muitos lugares para preencher.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Juntos na desgraça

O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, esteve mais de 15 minutos a explicar ao líder parlamentar do CDS, Diogo Feio, como se chefia uma equipa amputada de um elemento. Foi comovente ver a solidariedade do dirigente comunista, que o ano passado ficou sem a deputada Luísa Mesquita, transmitida ao dirigente centrista que, esta semana, viu "fugir" o deputado José Paulo Carvalho.

Importa-se de repetir?

A votação do Parlamento Europeu contra a semana laboral de 65 horas constituiu uma oportunidade para Vieira da Silva recordar orgulhosamente que, quando em Junho os governos dos 27 aprovaram o diploma, “a posição do governo português não foi favorável, não estivemos na maioria que aprovou este consenso”.

Repare-se na subtileza: Vieira da Silva não diz que Portugal esteve contra, diz apenas que não esteve a favor. “Como sabem, pelas regras do funcionamento do Conselho o que conta é a quantidade de votos a favor”, explicou o ministro em tom paternal. E tem toda a razão. Não obstante conhecerem estas regras tão bem como os representantes portugueses, a verdade é que as delegações espanhola e grega presentes naquela reunião votaram contra (apesar de o ministro dizer que "não, não é verdade"), tal como atesta um documento do Conselho da União Europeia, onde se pode ler igualmente que Portugal esteve entre os cinco países que se abstiveram.

O diploma que permite dilatar a semana de trabalho até às 65 horas e, em alguns casos, até às 78, tinha a aprovação assegurada, mas aqueles dois países não quiseram deixar de se demarcar de tal decisão.

Talvez por discordarem da tirada deixada por Vieira da Silva hoje em Bruxelas:

“Não há distinção nenhuma entre o voto contra e a abstenção”.

Olhe que há, olhe que há…

A agência pela "lupa" dos deputados

O director da Agência Lusa, Luís Miguel Viana, está a ser "apertado" pela oposição, numa comissão parlamentar, por causa da forma como a agência noticiosa - a única portuguesa - conta como andam as glórias do Mundo. Os deputados do PSD estiveram todos presentes, mas três deles passaram o tempo na conversa, a rir e a mascar pastilhas elásticas; os deputados do PS mantiveram-se calados quase todo o tempo e só interromperam o silêncio para "salvar" o director da agência. O deputado do PSD, Luìs Campos Ferreira, ameaça ir "fazer uma sesta" quando chegar a hora dos socialistas intervirem e ofereceu um dicionário à comissão onde estão definidas as palavras "estagnação" e "expansão".
Luís Miguel Viana não responde ao facto do computador "magalhães" ser o campeão das notícias da Lusa em 2008, mas reconhece ter falhado sobre os Açores e sobre a estagnação da economia. No entanto, o director da agência garante que nunca proibiu o uso da palavra "estagnação". E nega ter tido tratamento diferente nas entrevistas de José Sócrates e de Cavaco Silva.
Ah para que se saiba o que está em questão:
O computador Magalhães teve mais notícias do que os professores e o seu conflito com o Ministério da Educação.
A Lusa preferiu substituir a palavra "estagnação" económica por "expansão" perante um crescimento de 0,1 por cento.
Dois antes das eleições nos Açores, a Lusa descobriu que o desemprego tinha sido reduzido nas ilhas e pediu um comentário ao membro do Governo de Carlos César.
A entrevista de José Sócrates, à TSF e ao DN, teve um tratamento completamente diferente na agência do que a entrevista de Cavaco Silva, ao jornal Público".

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Só sei que nada sei

O presidente da Autoridade da Concorrência (AdC), Manuel Sebastião, está na Assembleia da República a apresentar um relatório preliminar. E com uma única conclusão: não há conclusões. Sobre alegados abusos de posição da Galp: zero; sobre o fenómeno da gasolina subir à velocidade do aumento do preço do crude e o contrário não se verificar: zero; sobre alegado cartel das empresas petrolíferas: zero; sobre os painéis nas auto-estradas, há uma notícia: a AdC verificou que há atrasos; sobre as queixas dos aumentos exagerados, há uma única resposta: nos outros países também há queixas idênticas. Em resumo, Manuel Sebastião foi à Assembleia da República apenas dizer isto:

" Tamos (sic) a olhar para os números, tamos (sic) a olhar para os lados, tamos (sic) a analisar, não gostaríamos de dizer nada neste momento. Observamos que realmente o mercado ten vindo a baixar e o preço do gasóleo está abaixo do um euro".

Bem, sem desprimor para a classe, acho que um taxista seria mais esclarecedor do que o presidente da AdC.
São belas as tardes na Assembleia da República

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Quem espera, desespera


Na Escola de Formação Profissional do Seixal há um cartaz (parecido com o de cima das Novas Oportunidades) com a foto de uma menina bonita e com esta frase: "Maria, 18 anos, acabou o 9º ano e optou por um curso de formação profissional". Na lista dos cursos, constam os de manicure, cabeleireiro, vendedor, empregada de loja, soldador, mecânico e outros mais que se encontram nas páginas dos classificados dos jornais.
Durante a cerimónia da entrega de diplomas, com a presença de José Sócrates, comentava-se que os pais da "Maria" apressaram o fim de estudo da filha porque se cansaram de esperar por um, ou dois, dos prometidos 150 mil novos postos de trabalho.
A "Maria" e "Ana Paula", com novos diplomas na mão, têm um largo futuro pela frente: com um pouco de sorte, começam a receber, por mês, uns 400 euros, daqui a uns 30 anos devem ter alcançado o salário de 600 euros.

Talvez alguém o queira

Luís Nobre Guedes deve ter caído do pedestal durante o fim-de-semana: não conseguiu ser eleito a um simples lugar de delegado ao congresso do CDS. E já culpa Paulo Portas por esse grante feito, como se o líder reconduzido tomasse nas suas mãos a consciência dos militantes. Mas Nobre Guedes pode estar descansado e até pode estar a desenhar-se um futuro brilhante: com um resultado destes ameaça ser candidato à Câmara de Lisboa.
A última vez que os militantes rejeitaram alguém - no caso Telmo Correia para a liderança - logo a seguir a direcção do CDS candidatou-o a Lisboa. O resultado foi o que se viu: nem a vereador conseguiu chegar.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Eu é que sou o presidente da agenda - 4

José Sócrates anunciou o plano de combate à crise, no sábado. Mas tratou de o divulgar 24horas antes. Neste domingo, faz mais um programa de descida ao país real numa iniciativa que o executivo deu o nome de "Governo presente". O que pode dar muitas interpretações sobre onde andará o Governo nos restantes dias. A visita governamental passa pelo Barreiro e pelo Seixal, depois de ter começado em Sines, ainda no sábado.
Hoje, Paulo Portas foi a "directas" no plebiscito esperado. E este domingo é o tal dia de encontro das esquerdas. De um lado, Manuel Alegre mais a malta do Bloco, todos desejosos de ter mais um pouco de protagonismo, e do outro a reunião do comité central do PCP.
Por mim, assuntos na segunda-feira e dias seguintes vão ser o plano do Governo e Sócrates em "terras vermelhas". Quem sabe, sabe.
(Bem, a não ser que Manuel Alegre se decida, de uma vez por todas, a criar um partido político e o anuncie no domingo. Mas isso dá tanto trabalho, credo!)

Um plano tão novo como a criação do Mundo

O Governo está a anunciar um pacote de medidas para enfrentar a crise, obedecendo às recomendações do plano de Durão Barroso. A RTP, no seu jornal da tarde, resolveu anunciar a conferência de imprensa do Conselho de Ministros com esta frase:

"O Governo vai anunciar um definitivo plano de medidas para enfrentar a crise".

O tom usado pelo jornalista de serviço fez-me acreditar que Portugal tinha chegado a Marte.
Mas não resisti em assistir aos primeiros pontos do dito plano.
O plano - "definitivo" - começou por José Sócrates anunciar a requalificação em mais de 100 escolas. Ora, que me lembro, pelo menos há mais de um ano que conheço este plano, divulgado pelo próprio Sócrates quando inaugurou uma escola em Torres Vedras.
A seguir passou para o Emprego com a promessa de ser "a prioridade das prioridades". Bem, desde a campanha eleitoral, de 2005, que não se ouve outra coisa da boca do primeiro-ministro, com a tal promessa de criar 150 mil novos postos de trabalho.
E para dourar o plano, lá surgiu a garantia de fazer um fortíssimo investimento em barragens. Eu, pelo menos, já cobri duas apresentações de projectos de barragens e ouvi, com a ajuda do belíssimo power-point, em tendas com luzes azuis ou viradas para o rio e com um "catering" de luxo, a exibição de um conjunto de planos de novas barragens a serem construídas até 2015.
A terminar, seguiram-se as promessas de apoio à exportação e às PMEs. Se escrevesse aqui as agendas do primeiro-ministro e de Manuel Pinho em que fizeram as mesmas promessas, só este ano, precisaria de um blogue à parte.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Tratado de Lisboa, mas só de nome - 2

O governo português demitiu-se totalmente da busca de uma solução para o impasse em torno da ratificação do Tratado de Lisboa (o tal, em relação ao qual Luís Amado dizia que Portugal tinha “uma palavra importante a dizer” e que José Sócrates considerou “fundamental” para a sua carreira política).

No final do Conselho Europeu, hoje em Bruxelas, Nicolas Sarkozy identificou os protagonistas deste processo: o primeiro-ministro irlandês (que foi “corajoso”), o primeiro-ministro britânico (que se revelou “um europeu extremamente construtivo”) e a chanceler alemã (que desempenhou “um papel essencial”).

Eu é que sou o presidente da agenda - 3

Ontem, em Lisboa, o ministro das obras públicas anunciou que o governo iria apresentar brevemente um plano global para enfrentar a crise. Mário Lino recusou avançar pormenores.

No mesmo dia, em Bruxelas, o primeiro-ministro escusou-se a desenvolver a ideia, com o argumento de que primeiro era necessário discutir e aprovar o plano europeu de resposta à crise.

Hoje, ainda em Bruxelas, depois de aprovado o plano europeu, Sócrates anuncia que o governo realiza amanhã, sábado, um conselho de ministros extraordinário parta aprovar o tal plano nacional. Do qual continua a não revelar quaisquer pormenores.

E assim, sem nada dizer, o governo consegue marcar a agenda durante três dias seguidos com a fórmula secreta que salvará o país da crise.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

As contas de Ferreira Leite

Manuela Ferreira Leite diz que concorda com o ‘Plano Barroso’ de relançamento da economia europeia, por o mesmo defender não os investimentos públicos, tão do agrado do governo, mas sim o “investimento inteligente”:

“Li com atenção a proposta da Comissão e não vi lá nenhuma vez investimento público, essa palavra não está lá, a que está lá são investimentos inteligentes. (…) Não vi lá a palavra investimento público”.

É verdade, a palavra investimentopúblico não aparece uma única vez, embora a expressão “investimento público” surja em duas ocasiões. Tantas quantas a expressão “investimento inteligente”.

Fica aqui o link para o Plano Barroso, caso a líder do PSD lhe queira dar outra vista de olhos.

Quem grita assim...


José Sócrates ficou furioso quando percebeu que a sua arenga aos deputados socialistas apareceu, "ipsis verbis", publicada nos jornais e nas rádios, apesar da reunião ter sido à porta fechada. Desconfiado, tratou logo de imaginar que havia deputados a "dar a língua" como, aliás, acontece muitas vezes. Mas não. O "correiopreto" pode garantir que todos os jornalistas que estavam, àquela hora, na Assembleia da República ouviram o discurso do primeiro-ministro. Por uma razão simples: José Sócrates não fala, grita. E então quando é contrariado... vocifera.

Já de joelhos, seu duende irlandês!


É assim que José Sócrates deverá tentar hoje, em Bruxelas, recuperar o protagonismo perdido por Portugal no resgate do Tratado de Lisboa da vontade dos atrevidos irlandeses, que ousaram dizer ‘Não’.

Pelo menos é o mínimo que se pode esperar depois de perceber como o primeiro-ministro ‘vergou’ a Polónia durante a presidência portuguesa da União, conforme o próprio relata, orgulhoso, no livro “O Menino de Ouro do PS”:

“E eles vieram cá e ajoelharam. Assinaram o acordo dois dias antes das eleições na Polónia".

Como diz o próprio, “isso é que é atitude!”.

Um tiro no mercado


A jura de Paulo Portas, feita na apresentação da sua recandidatura à liderança do CDS, para mais tarde recordar:

"Não somos anexos de ninguém, nem somos muleta de ninguém"

O PP, as ajudas do Estado e o Portas que não dá por eles

Paulo Portas discursou, esta noite, para 300 fiéis militantes, durante uma hora e 15 minutos, no antigo Cinema Roma, em Lisboa, que é sobretudo usado pelo PCP para os seus comícios mais modestos. Para naõ adormecer a plateia, Portas usou a técnica de elevar a voz como se implorasse por aplausos. Mas cansou e cansou-se. De tal forma, que, uma hora depois do início da homília, descobriu que estava "hoje, 20 de Maio" e fez uma revelação:

"Este partido sobrevive sem o Estado há 34 anos".

Ou seja, o CDS não recebe subvenções estatais e nem sequer tem militantes ou apoiantes - os "meus amigos e minhas amigas", repetidas dezenas de vezes por Portas - a gerir empresas que vivem de subsídios do Estado e de fundos europeus. E daí que o próprio CDS e os candidatos do CDS não recebam, desses militantes e amigos, ajudas para as campanhas eleitorais.
Curiosa é a forma como Paulo Portas, suavemente, matou o PP - o tal Partido Popular que ele próprio inventou quando o CDS era liderado pela sua marioneta. Agora, nos discursos, só entra "CDS". E mais: desapareceram os democratas-cristãos ou centristas, os "amigos e amigas" estão reduzidos apenas a "nós, os cêdê-ésses".

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Tratado de Lisboa, mas só de nome

"Nós teremos sempre uma palavra importante a dizer sobre as perspectivas para sairmos desta situação, uma vez que não deixamos de ter alguma responsabilidade na aprovação do compromisso de Lisboa" , afirmou Luís Amado no passado mês de Junho, apenas três dias depois de a Irlanda ter votado ‘Não’ ao Tratado de Lisboa.

Ou seja, depois de os irlandeses terem feito descarrilar o processo de ratificação do Tratado, o governo português estava convencido de que, uma vez que tinha baptizado o menino, teria um papel incontornável na busca de uma solução para o salvar.

Essa solução deverá ser conhecida hoje, em Bruxelas, mas não consta que José Sócrates (que chegou a afirmar que o Tratado de Lisboa “é fundamental na minha (dele) carreira política”) tenha sido visto nem achado em todo o processo.

Na ronda de algumas capitais que realizou na semana passada para ultimar os detalhes da solução encontrada, Paris foi o mais perto que o primeiro-ministro irlandês esteve de Lisboa…

Se Portugal tinha uma “palavra importante” a dizer, ninguém ficou a saber qual era e aquela “alguma responsabilidade” que Amado ‘modestamente’ reivindicou não parece, aos olhos dos demais parceiros, ter ido muito além da organização da cerimónia de assinatura do documento.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Manual georgiano de sobrevivência política


O presidente georgiano escolheu um novo ministro dos negócios estrangeiros (Grigol Vashadze) que tem a particularidade de ter dupla nacionalidade: georgiana e… russa.

De quem já deu o dito por não dito tantas vezes em tão pouco tempo e não hesitou em lançar os mais incríveis boatos e mentiras pouca coisa surpreenderia. Mas até esta tentativa de piscar o olho ao arqui-inimigo russo (que tanto gosta dele...) parece atingir um novo patamar de esforço pela sobrevivência política.

Talvez a escolha se torne menos surpreendente se se tiver em conta que, ao longo das últimas semanas, Saakashvilli deu ordem de marcha a todos os responsáveis governamentais (primeiro-ministro, e ministros dos negócios estrangeiros, defesa e interior) que tiveram algum tipo de envolvimento na guerra na Ossétia do Sul no passado mês de Agosto, além do comandante supremo das forças armadas do país.

Pelo caminho, perante a comissão do parlamento georgiano que está a investigar os acontecimentos do passado Verão, Misha reconheceu ter sido Tbilisi a desencadear as hostilidades e não a Rússia.

Tudo isto numa altura em que a oposição interna se reorganiza e ameaça seriamente a continuidade do menino bonito do Ocidente em funções. Que talvez até já não seja tão bonito e se tenha apercebido que de Washington e de outras capitais sopram ventos de mudança em relação à sua pessoa.

A suavidade e o chicote

António Costa, o presidente da Câmara de Lisboa, está a explicar aos deputados o que pretende fazer no porto de Lisboa, em especial, em Alcântara. E já garantiu que fez três exigências à empresa Liscont que vai gerir a gare marítima. Ainda não fez qualquer referência a Jorge Coelho. Ou seja, ainda não disse se as exigências camarárias serão duras ou suaves.
Efeito Manuela "Chicote" Leite: na reunião, estão presentes seis deputados do PSD (o total de efectivos).

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Dos fracos não reza a História. E de Amado, quem se lembrará?


Luís Amado garante que nunca disse o que Vuk Jeremic garante ter ouvido.

E até se socorre de Friedrich Nietzsche para explicar porque é que não pediu, nem nunca pediria desculpa:

“Não faz nenhum sentido pedir desculpas, Portugal não tem que pedir desculpas. Aliás, pedir desculpas é, na velha referência de Nietzsche, ser fraco duas vezes”.



Se, por acaso, o ministro português mudar de ideias e acabar por ter que dar razão ao seu homólogo sérvio, aqui fica mais uma dica nietzschiana:

“Tudo evolui; não há realidades eternas, tal como não há verdades absolutas”, in “Humano, demasiado humano”.

Atenção ao futuro


Samia Ghali nasceu na Argélia e há mais de 20 anos que se dedica à política em Marselha, França. É economista e autarca e, em seis eleições em que foi candidata, não perdeu uma. Alguma imprensa francesa e e muitos jornais africanos e pró-africanos apontam-na como uma "estrela" do Partido Socialista francês.

Apesar da França estar habituada a colocar políticos de origem africana em muitos lugares de topo, não deixa de ser significativo que o principal partido da oposição, agora a enfrentar uma crise - de resultados, valores e ideologia - se vire para os valores que nascem da imigração.

Samia Ghali é "rainha" nos principais bairros de Marselha e é muçulmana. Numa recente entrevista à revista "Jeune Afrique" confessa-se avisada. Sabe que "acumula todos os handicaps (mulher, muçulmana, africana)", admite ser "desejada" pelas elites políticas, mas tem consciência que pode ser usada como "um instrumento político". E, para já, só promete lutar para"acabar com os guetos" sobretudo nas escolas.

Amigos sérvios, desculpem qualquer coisinha...


Que a história da mudança de opinião do governo português em relação à independência do Kosovo não era clara (primeiro não reconhece sem explicar porquê e depois reconhece exactamente pelas mesmas razões) não é novidade.

Mas a franqueza do ministro dos negócios estrangeiros sérvio só veio complicar a candura das justificações portuguesas. Ontem à noite, no programa “Utisak Nedelje” (qualquer coisa como “Impressão da Semana”) da B92, o talk show mais visto da televisão sérvia, Vuk Jeremic contou que Luís Amado lhe ligou para dizer isto:

“Ouve, estou a sofrer pressões insuportáveis. Lamento, mas Portugal tem que reconhecer o Kosovo. Temos que fazê-lo na véspera da votação da Assembleia Geral (da ONU)”.

Algo que não difere muito do que Freitas do Amaral e outros já vinham dizendo. Mas já que estava em pleno assomo de sinceridade, o ministro sérvio podia também ter explicado por que razão Belgrado não chamou o seu embaixador em Lisboa, tal como fez com os demais países que reconheceram o Kosovo. Talvez Amado possa partilhar connosco alguma coisa que o ministro sérvio lhe tenha revelado?

sábado, 6 de dezembro de 2008

História verídica


Sabemos que o mediatismo costuma "inchar" o orgulho das nossas bravas forças policiais, e talvez por isso estas vão dando um ar que espelha bem toda a qualidade e formação que hoje em dia têm.

Bem longe vão (dirão alguns) as bordoadas com que presenteavam os opositores do regime. Mas de quando em quando vão surgindo umas mostras de outros tempos porque apesar de estes terem mudado as vontades continuam as mesmas.

Este episódio ocorreu numa destas operações de fiscalização num chamado bairro problemático. Um agente da autoridade manda parar uma viatura e perante um condutor de cor oposta à sua sai-se com a brilhante frase:
- O espreto tem carta?
-Como?
-Num percebe? O espreto tem carta?
-Tem carta e tem carton!
-Hã?
-Tem cartão de capitão da GNR e tu tás fodido!

Afinal ainda há esperança!

Do obscurantismo de São Bento para o anonimato europeu


Com eleições europeias marcadas para Junho do próximo ano, chegou a altura de começar a dar nas vistas para aparecer e tentar manter um lugarzinho nas próximas listas. E, para isso, todos os motivos são bons.

O gabinete de imprensa dos socialistas no PE difundiu esta semana um “comunicado de imprensa do deputado Armando França”, para avisar o mundo e o Largo do Rato de que o parlamentar aveirense (que teve uma passagem igualmente discreta pela AR no início desta legislatura) foi um dos 35 eurodeputados distinguidos com o prémio “EU Coherence”, seja lá isso o que for. Pelo meio do comunicado, lá se percebe que, entre os distinguidos, há também uma tal de Ana Gomes.

Uma distracção compreensível, vinda de alguém que, reagindo ao seu próprio comunicado, consegue em apenas três frases referir-se oito vezes à sua própria pessoa, não vá alguém não perceber de quem é que se está a falar:

Acompanhei activa e intensamente a Directiva "Blue Card" e apresentei propostas de emendas que tinham em vista precisamente impedir ou diminuir o impacto negativo para o desenvolvimento da chamada "fuga de cérebros" nos países menos desenvolvidos. Uma das minhas propostas foi, aliás, aprovada pelo Parlamento, o que poderá ser importante para o desenvolvimento desses países e me deixou muito satisfeito. Como socialista e parlamentar também fiquei satisfeito com este prémio que é uma honrosa compensação para o meu trabalho e anima-me a continuar com a persistência e o entusiasmo de sempre”.

Rua Sésamo no Telejornal

A confusão de géneros entre informação e entretenimento e... seja lá o que for, parece não ter limites.
Isto a propósito da cobertura feita pela RTP do convite feito pelo Presidente da República a famílias de militares portugueses em missão no estrangeiro.

No inevitável directo, a jornalista pergunta a uma criança de 10 anos a opinião sobre o gesto de Cavaco (“O que é que significa para ti o senhor presidente ter-se lembrado de chamar os filhos de militares que se encontram em teatros de operações?”), fala de forma grandiloquente sobre “os homens que partem para o exterior para representar a pátria”, a confundir presente com passado e factos com imaginação ao afirmar que Portugal tem tropas “na Bósnia, no Kosovo, no Afeganistão, no Congo, em Timor e no Iraque também(!!!) e acaba com mensagens das mulheres e crianças para os respectivos, com árvore de Natal em pano de fundo, ao melhor estilo “mãe, estou bem”.

Tudo isto recheado de expressões como “os filhotes dos militares” e “aqui o desdentadinho” (por causa de um puto a quem tinham caído os dentes da frente), mais adequadas a uma Rua Sésamo do que a um espaço de informação.

De certeza que nestas fornadas haverá alguém capaz de fazer melhor do que isto…

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Espanto, espanto é quando estão todos

Manuela Ferreia Leite deve ser muito ingénua. Ou pretende passar essa ideia. Ou então está muito afastada da realidade da vida política. A líder do PSD ficou indignada por ter constatado que 30 deputados do seu partido faltaram à votação que poderia determinar o fim do processo da avaliação dos professores. Caso não o tivessem feito, teriam provocado uma mossa política no PS que a própria direcção socialista seria obrigada a tirar as devidas ilações. E provocaria um sério hematoma na já mal-tratada ministra da Educação. Mas não. 30 deputados do PSD faltaram.
O que espanta nisto é a própria indignação de Manuela Ferreira Leite que até pediu explicações ao líder parlamentar como se se tratasse de um caso virgem e fazendo-o com estrondo. A novidade no Parlamento, a verdadeira notícia, é quando estão todos os deputados. Faltar aos debates e às votações; assinar nas comissões e depois fazer-se à vida para outros lados; chegar tarde aos debates; sair cedo; e entrar mudo e sair calado faz parte da rotina parlamentar da esmagadora maioria dos deputados sobretudo nos grupos do PS e do PSD.
Além disso, a bancada social-democrata foi escolhida, quase a dedo, por Pedro Santana Lopes. E essa escolha reflete bem o autor da selecção: é só vê-los - quando isso é possível - nas últimas bancadas: a rir, a ler jornais, em amenas e, deduz-se, divertidas cavaqueiras, e a sair e a entrar na sala. Só há uma regra sagrada que nenhum deles se esquece de cumprir: assinar o ponto.
Manuela Ferreira Leite deveria fazer um estágio no Parlamento. Em especial, assistindo, nas galerias e nas comissões, ao desempenho dos seus deputados. Se o tivesse feito, antes de se atirar à liderança, talvez tivesse ficado em casa. E poupava-se à vergonha.

Ninguém põe travões nisto

Recentemente, uma revista de turismo - dessas que se publica quando a publicidade quer - quis contratar um jornalista estagiário. Responderam ao anúncio 852 candidatos.
As universidades - na sua esmagadora maioria sem aulas práticas, sem meios e sem condições para ensinar jornalismo - continuam a "despejar" para o mercado de trabalho a média, por ano, de 1500 licenciados em comunicação social e outros cursos adjacentes. E ninguém trava o enorme embuste: forma-se gente para o desemprego, para as lojas das zaras e para os "call-centers". E as universidades, mesmo sabendo que colaboram no engano, continuam a seduzir com paraísos na terra, buscando apenas o lucro das propinas. Falta-lhes moral para, pelo menos, dar alternativas aos jovens iludidos. E ao Governo falta coragem para pôr travões nisto, impôr regras e sobretudo acabar com cursos mentirosos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Escrever à maluca

Vital Moreira não hesitou em escrever no seu blogue sobre o estatuto dos Açores, com críticas ao PS e defendendo as posições do Presidente da República. Esta manhã, quando questionado pelos jornalistas, o professor universitário começou logo por dizer que sobre isso "não percebo nada". Isso era coisa que já nos tinha passado pela cabeça, de facto.

Reforma? Ai, não, que horror!

O grupo parlamentar do PS organizou um debate sobre o sistema eleitoral, baseado num estudo de André Freire, Manuel Meirinho e Diogo Moreira. O estudo propõe uma profunda reforma eleitoral, abragendo quase todos os sectores, sobretudo na escolha de candidatos. O debate, que decorreu na Assembleia da República, contou com especialistas e alunos universitários e alguns deputados do PS. Ao todo, o número de parlamentares socialistas nem chegou aos 20!
Reforma do sistema eleitoral é coisa que interessa, vejamos, aos... agricultores.
No final da sessão, André Freire, o coordenador do estudo, terminou com esta frase lapidar:

"Os deputados não representam árvores"

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

É melhor nem falar no assunto

Depois de ter previsto fazer declarações aos jornalistas, no final da cerimónia com os representantes da indústria automóvel, José Sócrates recuou. Falou ao microfone - com um pé alto - sem direito a perguntas.
Os números da greve dos professores, com dados oficiais que chegaram ao gabinete do primeiro-ministro, ultrapassam os 80 por cento.

Eu é que sou o presidente da agenda - 2

Como previa, José Sócrates vai assinar um protocolo com a indústria automóvel, em plena residência oficial. A reunião estava marcada para as 10horas. Mas a cerimónia foi marcada por volta das 13horas. Na residência, há uma grande azáfama de cabos a serem puxados para as televisões terem condições para transmitir tão importantíssima cerimónia em directo.
O gabinete do primeiro-ministro já anunciou que o "senhor primeiro-ministro está disponível para responder a questões". A terminar um assessor sugere: "imagino que querem perguntar sobre a educação...".
Portanto, contra a greve, propagandear, propagandear!

Eu é que sou o presidente da agenda

No dia em que Manuela Ferreira Leite tinha marcado uma entrevista à RTP, José Sócrates lançou uma mini "bomba atómica": nacionalizou o BPN. Isto num domingo. Ao que parece a medida não poderia ser mais retardada. Resultado: eclipsou a entrevista da líder do PSD e hoje ninguém se lembra do que Manuela Ferreira Leite disse.
No sábado, em pleno congresso do PCP, José Sócrates convocou os professores socialistas para um debate/sessão de esclarecimento/puxão de orelhas para a sede do PS. Resultado: à noite e no dia a seguir, a liturgia comunista passou para o segundo plano político.
Hoje, os professores estão em greve em todo o país. José Sócrates convocou os representantes da indústria automóvel para anunciar apoios. E até aposto que, ao contrário do que é habitual nos encontros na residência oficial do primeiro-ministro, José Sócrates vai fazer umas declarações aos jornalistas. Só ainda não sei o que pretende anunciar para disfarçar a greve dos professores.

Filosofia superior

Frase inscrita numa parede da Faculdade de Letras, em Lisboa:
Deixa-te de fitas, queima os dogmas

Frase inscrita na parede da Faculdade de Direito, em Lisboa:
Só mantemos a cabeça erguida porque temos merda até ao pescoço

Frase inscrita numa parede do Ministério das Finanças, mesmo ao lado da porta principal:
Se ninguém pensa em ti, vota em ninguém

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Tudo está bem até tudo deixar de estar bem

06.10.2008 - “O sistema português tem resistido bem. E as instituições financeiras portuguesas têm desenvolvido esforços para enfrentarem as dificuldades que naturalmente a situação internacional impõe e têm desenvolvido esforços no sentido de assegurar que a sua situação é de estabilidade bem como também de assegurar liquidez às suas operações.” Teixeira dos Santos, Luxemburgo.

02.11.2008 - Governo anuncia nacionalização do BPN

02.12.2008 - Estado avaliza fundos de bancos para salvar o BPP

02.12.2008 - “Os momentos que estamos a viver são de grande incerteza, não podemos ter nada por certo nestas circunstâncias (…). O sistema no seu conjunto creio que continua a ter estabilidade e solidez para enfrentar esta situação, que não é uma situação fácil, como sabemos.” Teixeira dos Santos, Bruxelas.

Tendo em conta a cadência quase mensal que parece estar a guiar os acontecimentos, lá para o início de Janeiro o sistema financeiro português é capaz de dar mais uma prova da estabilidade de que o ministro tanto gosta de falar.

Chapéus há muitos!


Os jornalistas que acompanhavam a chegada dos ministros das finanças dos 27 à reunião de hoje em Bruxelas ficaram intrigados com aquele vulto, entre o Dick Tracy e o Al Capone, que saiu do carro em passo acelerado e entrou no edifício sem passar cavaco a ninguém.

Se no exterior o mau tempo ajudava a justificar a indumentária, no interior o mistério desfez-se: era Teixeira dos Santos, provavelmente a querer passar despercebido, na primeira vez que reuniu com os seus pares europeus desde que o Financial Times o classificou como o pior ministro das finanças da zona euro.