segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Indo eu, indo eu, a caminho de Espinho

José Sócrates é um político e governante com prioridades bem definidas. Entre um congresso do PS de onde já sabe que vai sair reeleito como líder do partido e uma cimeira europeia convocada de urgência para afinar a resposta à actual crise, o primeiro-ministro nem hesitou: Espinho, cá vou eu.

Primeiro, secretário-geral, depois, primeiro-ministro. Ou vice-versa, conforme a ocasião e as conveniências. Nem o facto de a reunião europeia durar apenas três horas o fez mudar de ideias ou, pelo menos, ponderar passar por Bruxelas antes de rumar à coroação de Espinho.

Mas, por outro lado, quem o pode censurar por preferir uma boa massagem ao ego em vez de mais conversa de crise?

Tão ou mais curioso do que isso é perceber que, a poucos dias da reunião, ainda não se sabe quem substituirá o primeiro-ministro em Bruxelas. O seu gabinete informou que a tarefa estará a cargo de um dos ministros de estado: Luís Amado ou Teixeira dos Santos.

A Lusa fez uma notícia a explicar que Sócrates seria substituído por Amado, para depois a corrigir, afinal o escolhido seria Teixeira dos Santos. Acontece que o ministro das finanças preside nos dias 1 e 2 de Março a uma reunião com os seus homólogos ibero-americanos, no Porto.

Do seu gabinete dizem que não sabem de nada. Luís Amado acaba de afirmar que Sócrates será representado “pelo ministro das finanças ou por mim próprio. Depois veremos”.

Eu diria que já está tudo visto.

2 comentários:

Luis Melo disse...

Em Espinho estarão: Partido Socialista Unido da Venezuela, de Hugo Chavez, o Partido Comunista Chinês e o MPLA de José Eduardo dos Santos.

Depois de Sócrates vencer por mais de 90%... convém estar presente para a consagração... e para os seus "amigos" ditadores verem...

André Couto disse...

Parece-me de facto que ninguém tem dúvidas que começou a campanha eleitoral...
Além disso o Primeiro Ministro de Portugal já disse tudo o que tinha dizer sobre a crise:
"O Governo já tomou todas as medidas que achou convenientes e portanto não vale a pena estar sempre a falar do mesmo".
Com esta maravilhosa frase que citei livremente e de cabeça, José Sócrates define assim toda a sua capacidade de actuação, inevitavelmente limitada pela capacidade de raciocínio que transparece das suas palavras: Não só considera esta crise algo estático, previsível e bem conhecida, como ainda pensa que as parcas e casuísticas medidas que tomou são suficientes para conter todos os aspectos negativos que inevitavelmente atingirão o nosso país.
Posto tudo isto não havia, de facto, necessidade de comparecer a uma palestra sobre algo tão insignificante como a crise que afecta todo o mundo, excepto Portugal.

Cumprimentos.