segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Com o credo na boca

Paulo Portas está quase afónico, horas antes do debate com Jerónimo de Sousa na televisão. O líder do CDS está a discursar na AIP e prometeu ser breve para poupar a voz. Há quase uma hora que não se cala. Até fala em "luta de classes" e nos impostos que todos pagam, como se os grandes empresários não soubessem disso.
Rocha de Matos, o eterno presidente da AIP, só quer saber o que Portas pensa sobre a política para as.... PMEs. O que só lhe fica bem, isto dos grandes andarem preocupados com os pequenos.

domingo, 6 de setembro de 2009

Convenção apimentada

Carlos Pimenta, ex-dirigente social-democrata, ex-secretário de Estado e especialista em questões ambientais, apareceu num vídeo na Convenção do PS, a falar em energias renováveis. Só que ele não deu autorização para a utilização dessas imagens em iniciativas partidárias e, por isso, fala em ética. Oiçam-no na TSF. Ou leiam-no no online da TSF

Braga desligada

Afinal, António José Seguro não veio à Convenção socialista por se encontrar doente e, por causa de um conselho médico, ficou retido em Braga. O dirigente do PS até avisou a organização socialista para esse impedimento. Mas, na lista entregue aos jornalistas, constava o nome dele como orador e até com hora marcada: 18.55.
Se alguém avisasse, teria sido evitada a relação entre o que disse António Costa e a ausência de António José Seguro. E será que Costa sabia ou sabe da impossibilidade do cabeça-de-lista por Braga?

"Inimigos" na convenção

Na convenção do PS, já falaram os "independentes" Jerónimo Sousa e José Manuel Fernandes, ambos empresários. Não há por aí uma independente que se chame Manuela? Pode ser Moura Guedes ou mesmo Ferreira Leite.

Alô, Braga

Um recado de António Costa, deixado na Convenção do PS, em Lisboa:

Em todas as batalhas do meu partido eu estou aqui por que não seria capaz de estar noutro lugar, nem sentado em casa a assistir aos meus camaradas a lutarem enquanto ficava à espera de ver qual era o meu resultado eleitoral (...). Um socialista não faz cálculos de conveniência.

Na convenção, estão presentes todos os cabeças-de-lista das próximas eleições legislativas. Todos? Não. Falta o de Braga: António José Seguro.

Níveis de confiança em baixo

António Costa, presidente da Câmara de Lisboa e dirigente socialista, veio à convenção do PS apelar ao voto com este argumento:

"Nós sabemos que quando o voto da esquerda se divide nas eleições não se une a seguir às eleições. Quer o Bloco quer o PC já disseram que não querem governar com o PS, não querem fazer nenhum acordo eleitoral com o Partido Socialista. É por isso muito claro que quem não quer um governo da direita, só tem uma opção na actual conjuntura político-partidária: votar no Partido Socialista".

Sinais socialistas

Um écran gigante mostra os candidatos do PS às câmaras municipais. No aplaudómetro, António Costa é líder destacado: colheu o maios entusiasmo da tarde. Mas Elisa Ferreira, Joaquim Mourão e José Apolinário (sem bigode) também foram recebidos com grande entusiasmo. E três participantes bateram palmas a Mesquita Machado.

Pouca resistência

Não sei se é do calor, ou se dos discursos "animados" de Jorge Lacão, Alberto Martins e do empresário Jorge Armindo, mas os socialistas continuam a abandonar a sala do Coliseu de Lisboa.

Almoço aziago

O almoço derrotou muitos socialistas. De repente, o Coliseu de Lisboa ficou mais vazio. Deve haver outros interesses por outros lados. Quem não está perde Jorge Lacão a zurzir em Pacheco Pereira.

A convenção socialista num minuto

Formaram-se filas para entrar no Coliseu de Lisboa, mas a sala não está cheia. Parte da sala foi cortada para que os participantes fiquem mais aconchegados. Para provar que há sempre uns mais do que outros, Carlos Zorrinho colocou-se no meio da fila, ultrapassando umas dezenas de camaradas dele.
A Convenção socialista deveria começar às 11, mas só se iniciou pouco depois do meio-dia. Os oradores são tantos - e cada um com direito a cinco minutos de palco - que esta reunião de auto-elogio pode terminar amanhã.
Há um filme sobre os méritos da educação do Governo, mas aparece por lá um dissidente: um miúdo usa um 'toshiba' e não um 'magalhães'. No filme, uma professora, feliz, diz que "a recuperação das escolas é notório (sic)".
Na lista dos intervenientes, consta... Jerónimo Sousa". É outro.
A escritora Isabel Alçada não poupa elogios à política de Educação. Fixem o nome, por favor, para depois de 27 de Setembro.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A suspensão, o nojo, a distracção e... Joana D'Arc

Todos aqueles que estão preocupados com a "asfixia democrática" e a "falta de liberdade de imprensa" deveriam escrever o que pensam sobre um certo tipo de jornalismo que a (alguma) TVI produz. Ou bastava que assumissem as críticas que fazem nos cafés ou em corredores. Só o que se assistiu esta noite, no "defunto" Jornal da Sexta, justificava a suspensão de qualquer noticiário. Na Páscoa, escrevi isto a propósito da insidiosa campanha contra José Sócrates:

Aquilo que assisti durante um ou outro fim-de-semana, com início nas noites de sexta-feira, enoja-me como jornalista. E envergonha-me. A Páscoa trouxe umas tréguas, mas desconfio que foi apenas um intervalo. A campanha começa dentro de momentos. Se não for com o freeport, há-de ser com outra coisa qualquer.

Como previa, eis o regresso da campanha, feita de uma forma irresponsável. Como o uso dos nomes do grupo de José Sócrates já estava esgotado, foram agora buscar André Figueiredo, membro do secretariado nacional do PS, por, alegadamente, estar envolvido na campanha de 2001. Bastava uma pequeníssima investigação, ou apenas espreitar o currículo do jovem André Figueiredo, para se concluir pela inverosimilhança de tal informação. Seria tão simples.
Assim se faz o jornalismo da TVI.
Os mesmos que clamam a tal "liberdade de imprensa" poderiam fazer um exercício contabílistico e rapidamente saberiam quanto é que pode custar, aos cofres da TVI, o pagamento de indemnizações.
E os mesmos que clamam pela "liberdade de imprensa" distraiem-se com a TVI. E nem reparam que, por outros lados, essa liberdade tem sido posta em causa todos os dias. Com atropelos sucessivos aos princípios básicos do jornalismo. E nem por isso se ouvem declarações inflamadas de políticos ou apelos patéticos de... jornalistas.
Mas não. Em dois dias, transformou-se uma potencial assassina do jornalismo em Joana D'Arc.

Manuela quê?!

Manuela Ferreira Leite queria ser recebida por Angela Merkel na chancelaria, em Berlim. O conteúdo do encontro era irrelevante, o importante era, no arranque da campanha eleitoral, obter as valiosas imagens televisivas ao lado da mulher mais poderosa da Europa.

O encontro está a decorrer neste preciso momento em Berlim. Mas Merkel só confirmou a sua disponibilidade ao fim de longas e incansáveis diligências por parte do PSD. A reunião acontece na sede da CDU e não na residência oficial da chefe do governo. O lado alemão proibiu as filmagens e apenas distribuirá fotografias do encontro. Ferreira Leite teve que apanhar uma seca de meia hora à espera de Merkel. Mais tempo do que os escassos 25 minutos de audiência que estão previstos.

É que a chancelerina tem mais que fazer: além de um país para governar, tem umas eleições para disputar no dia… 27 de Setembro. Além de que é difícil imaginar o que é que as duas terão para conversar. Por isso, a líder do PSD, além da foto para o álbum de recordações, bem pode agradecer a crise em torno da TVI, para poder ter alguma coisa para dizer às televisões que a acompanharam à capital alemã.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Um dia para esquecer

Antes de entrar para a sala da comissão do Parlamento Europeu onde ia apresentar o relatório da actividade do Eurojust em 2008, Lopes da Mota falou brevemente aos jornalistas e, já com os microfones desligados, aproveitou para se queixar.

Queixou-se mais ou menos de tudo e de todos (políticos, jornalistas, magistrados) e, sobretudo, da falta de reconhecimento em Portugal da importância do seu trabalho “lá fora” em contraste com o prestígio de que goza junto dos seus pares europeus. Ideias que repetiria perante a comissão parlamentar (“gostaria de ser respeitado em Portugal, como sou respeitado no Eurjust”).

E lá foi falar de coisas sérias com os eurodeputados. O primeiro solavanco surgiu quando Nuno Melo, de forma um pouco forçada (“tentei fazê-lo na AR mas os socialistas não deixaram…”), o interpelou sobre o caso Freeport. O presidente do Eurojust irritou-se, respondeu longamente e até voltou ao assunto mais tarde. Os outros eurodeputados ouviam entediados, o presidente da comissão pedia que não se perdesse muito tempo com aquela “questão nacional” que, obviamente, não era para ali chamada.

Mas o pior foi quando, de onde esperava reconhecimento do seu trabalho pelo seu devido valor e, quiçá, algum carinho e compreensão, surgiram críticas simplesmente… demolidoras. Um parlamentar espanhol afirmou que o relatório apresentado mostrava que o Eurojust “não funciona”, faz “muito poucas coisas” e apresenta uma “estatística muito pobre”. Pelo que se impõe “rever tudo”, desde o orçamento, às competências, passando pelo organigrama, etc. Em suma, deitar abaixo e voltar a fazer de novo.

Lopes da Mota, que havia puxado dos galões de uma década com funções de responsabilidade no Eurojust, nomeadamente na sua criação, lá se defendeu atirando a culpa para os governos nacionais: “é o melhor que podemos fazer”, “dependemos dos Estados-Membros e dos recursos que temos”…

Como disse o treinador do Vitória de Setúbal depois da recente derrota por 8-1 com o Benfica, “há dias em que um tipo não devia sair de casa”.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Eu conto-vos como foi

Durão Barroso divulgou hoje uma declaração a assinalar o 70º aniversário do início da Segunda Guerra Mundial. Além de conseguir não mencionar a palavra “Alemanha” uma única vez no texto, Barroso ousa mesmo uma incursãozita pela análise histórica para explicar que este “capítulo negro aberto há 70 anos, só conheceu o seu verdadeiro fim com o colapso das ditaduras comunistas e a reunificação da Europa décadas mais tarde”. E não em 1945, como defende a generalidade dos especialistas.

Esclareça-se ainda que em europês “reunificação da Europa” refere-se à adesão dos países de Leste à União Europeia, em 2004, como se a Europa alguma vez tivesse sido uma entidade unida e harmoniosa. Mas isso são pormenores.

É um verdadeiro corta e cola de factos históricos que são depois ajustados por medida a uma determinada forma de querer ver a realidade.

O Correio Preto sabe que, embalado por esta experiência, Barroso prepara-se para publicar vários trabalhos, o primeiro dos quais demonstrará que as armas de destruição maciça iraquianas estão escondidas na Coreia do Norte.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Os pratos servem-se frios

José Sócrates deve ter aprendido a lição. Quando um presidente de uma empresa for um ex-ministro e lhe exigir uma audiência urgente, Sócrates não deve recusar. Tem de o receber imediatamente mesmo que tenha assuntos mais importantes a tratar. E não pode mandar a secretária simplesmente comunicar que o "primeiro-ministro só o poderá receber na próxima semana, se tiver agenda para isso". Se o fizer, Sócrates já sabe. Mais tarde ou mais cedo, cruza-se com um prato que se serve frio.

Obrigado, Dra Manuela

Chegou o papelinho das Finanças para pagar o Pagamento por Conta. São mais 152 euros, em mais uma prestação do ano. É sempre nestes momentos que mais me lembro de Manuela Ferreira Leite. Tenho até ao dia 21 de Setembro para fazer o pagamento. Vão ser três semanas com a líder do PSD no coração.
Ah... e chegou a notificação para pagar também o Imposto Municipal sobre Imóveis. Mais 309, 44 euros. Obrigado, Dra Manuela, obrigado. Vou registar solenemente as suas palavras quando prometer não criar mais impostos. A realidade depois desmente os desejos da minha bolsa.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Abaixo o Rei, viva o humor!

O "Correio Preto" esteve representado no "grande jantar da Liberdade" de desagravo aos "quatro bravos do 31 da Armada". Não foi pela jantarada (fraquinha, por sinal, e sem serviçais como se exigiria a bons monárquicos) e nem pela ideia de ter um líder "eleito" pelo gene (como lembrou o Nuno Ramos de Almeida) que este blogue se fez representar. Mas sim pelo gesto de bom-humor e pelo acto de liberdade. Nos tempos que correm, conhecer gente que fala em Liberdade com Humor e tê-los como amigos é um duplo prazer. Alguns pormenores estão filmados. A notificação para responder por "cumplicidade a acto ílicito" pode ser endereçada para este blogue.

Lanchando com o inimigo

Manuela Ferreira Leite convidou, na tarde de terça-feira, o presidente da Associação Nacional de Empreiteiros das Obras Públicas, Filipe Soares Franco, para um encontro na sede do PSD. Os sociais-democratas até convidaram os jornalistas a estarem presentes no final da reunião para, como é habitual, recolherem as respectivas declarações dos dois protagonistas.
Mas as coisas correram mal à líder do PSD, como se comprovou nos minutos a seguir à reunião. Enquanto Filipe Soares Franco defendia os grandes investimentos públicos com o argumento de que não acredita que algum "partido tenha alguma vez rejeitado a importância das obras públicas e, sobretudo, das infraestruturas de transporte", Manuela Ferreira Leite furtava-se aos jornalistas.
Aliás, a líder do PSD é mestre na arte de fugir ao contacto com os jornalistas sempre que o tema não traga motivos para criticar José Sócrates. Estranho mesmo foi a agenda do PSD ter marcado um encontro destes em vésperas de ser apresentado o programa do PSD, o tal "minimalista" ou em folha A4.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

À atenção do governo do Egipto

Manuel Pinho, de férias no Algarve, deu uma entrevista a uma revista semanal e perde-se em revelações. Imperdíveis, por sinal. E com elas ficamos a saber que o ex-ministro adora viajar, mas a "convite do Governo":

P - Gosta de viajar?
R - As melhores férias que passei ultimamente, além do Algarve, foi na última passagem do ano. Estivemos mum arquipélago na Venezuela que se chama Los Roques, a convite do Governo (...)
P - Viaja quantas vezes por ano?
R - Quando estava no Governo viajava seis vezes por mês, em trabalho. (...) Depois dos EUA vou tirar uma semana com a minha mulher aos Emirados, a convite do Governo
P - Qual é a primeira viajem que vão fazer?
R - Não sei. (...) Gostava de ir ao Egipto, é um país que gostava muito de conhecer e é uma viagem que anda há muito tempo a ser estudada. Eu conheço quase todo o mundo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O quarteto merecia uma estátua

É nestes momentos que mais me lembro de Durão Barroso, Tony Blair, José Maria Aznar e do Bush: 95 mortos num único atentado.