quarta-feira, 22 de junho de 2011

Dos independentes

Ninguém dá pior nome aos independentes do que os próprios independentes.

Depois de Fernando Nobre ter jurado a pés juntos que nunca (never! jamais!) aceitaria cargos políticos e partidários e ter acabado (ou começado) como se sabe, é a vez de Rui Tavares revelar o difícil que é ser independente (porque dizê-lo é relativamente simples).

Eleito pelo Bloco de Esquerda para o Parlamento Europeu, aproveita um desentendimento com o líder do partido para abandonar a respectiva delegação (que integrava na qualidade de “independente”, como o próprio não se cansava de sublinhar”) e anunciar que passa à condição de “deputado independente, integrado no grupo dos Verdes europeus”.

Uma decisão tomada por, passados três dias, Francisco Louçã ainda não lhe ter apresentado um (devido) pedido de desculpas por o ter associado a informações erróneas sobre a génese do Bloco.

O pretexto da sua saída parece ser precisamente isso, um pretexto. Porque acontece numa altura em que o Bloco atravessa a sua maior crise. E sobretudo porque, para poder anunciar no próprio dia em que sai do grupo do Bloco no PE (a Esquerda Unitária Europeia) que passa a integrar os Verdes, significa que estaria a negociar com estes últimos há bem mais de três dias. O que o próprio co-presidente dos Verdes, Daniel Cohn-Bendit, confirmou.

Além de que, podendo ou não concordar com isso, Tavares foi eleito por um partido e não individualmente. Pelo que seria da elementar decência que colocasse o lugar à disposição do partido que o elegeu.

Aliás, “independentes” é coisa que não falta no PE. O seu colega socialista romeno Adrian Severin foi recentemente expulso do respectivo partido e grupo depois de um jornal ter revelado que aceitara modificar propostas legislativas do PE a troco de dinheiro (que não chegou a receber), mas ficou agarrado que nem uma lapa ao cargo de eurodeputado, agora como “independente”, claro.

No fundo, esta forma de ser “independente” é apenas uma maneira de não assumir qualquer compromisso (seja com um partido, seja com o eleitorado) e de poder tomar em proveito próprio a decisão que mais convém em cada momento.

E assim cresce a confiança dos portugueses no sistema político, em geral, e na classe política, em particular.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Volta, Zé Manel, estás perdoado!

Sete anos depois de ter trocado Lisboa por Bruxelas, Durão Barroso admitiu hoje que a culpa do estado a que chegou o país é sua. Claro que não o fez de uma forma tão directa e até foi obrigado a “amassar” alguns números para sustentar a sua tese.

Um jornalista italiano perguntou a Barroso se as receitas da Comissão Europeia, do BCE e do FMI para a Grécia seriam a solução certa. E recordou que, enquanto primeiro-ministro (entre 2002 e 2004), o próprio Durão implementou em Portugal medidas da mesma natureza e, quase 10 anos depois, o país “não está em grande forma”.

E Durão explicou pacientemente que, quando se foi embora, deixou a casa toda arrumadinha: “Quando era primeiro-ministro, no dia em que terminei o meu mandato, o défice estava, de facto, abaixo dos 3,0 por cento e a dívida, se me recordo bem, estava nos 57 ou 58 por cento, portanto abaixo do limite” de 60 por cento do PIB, referindo-se aos limites impostos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.

E acrescentou que “Nessa altura (2004) eu estava a tentar que o meu país fizesse esforços e algumas pessoas não concordavam com esses esforços”, para concluir que “o problema aparece quando esse caminho não tem continuação”. Ou seja, se a Europa não tivesse chamado por ele, nada disto tinha acontecido.

A verdade é que se em relação aos números da dívida Durão até tem razão, a parte sobre o défice é bem mais discutível. Começou por rever em alta o défice de 2001 (um truque muito em voga durante algum tempo em vários países europeus, como Portugal e a Grécia, que permite aos governos recém-empossados dramatizar a situação, acusar o antecessor e mostrar serviço mais depressa) para 4,3%. Fechou 2002 com 2,9%, mas em 2003 o valor final já foi de 3% e o ano de 2004 acabou nos 3,4%.

Quando Sócrates chegou ao governo, em 2005, a primeira coisa que este fez foi… rever em alta os valores do défice (atirando as culpas para Durão e Santana), que nesse ano acabaria por atingir os 5,9%.

Como diria o outro, é só fazer as contas. Ou talvez não.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Estado à bomba

Parte da entrevista de Nuno Crato à Rádio Ecclesia, em Fevereiro deste ano:

"Acho que o Ministério da Educação deveria quase que ser implodido, devia desaparecer, devia-se criar uma coisa muito mais simples, que não tivesse a Educação como pertença mas tivesse a Educação como missão, uma missão reguladora muito genérica e que sobretudo promovesse a avaliação do que se está a passar."

O resto resume-se a isto: Menos Estado, melhor educação. Já se prevê dias muito agitados nas escolas e nas... ruas

Serviço público via blogosfera

Quem quiser saber as opiniões, propostas, ideias e percursos de alguns ministros (independentes) do novo governo português é só seguir estas páginas:
O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, escreve aqui: desmitos; O ministro da Saúde é profusamente citado no Jumento; o da Educação e Ensino Superior andou pelo Divulgar Ciência.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A forma e a lei

A dúvida assalta a redação da TSF: a palavra 'copianço' existe? E não houve dúvidas, imediatas, que sim, existe e está reforçada:
- Não só existe como já ganhou força de lei, diz alguém
- Já faz jurisprudência, avança outro.
Mesmo sem a resposta concreta deu jeito para explicar a batota - ou o roubo? - dos futuros magistrados e juízes no exame.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Um verdadeiro amor errante

A notícia já corre por aí e foi difundida pelo jornal "Público": Francisco Ribeiro de Menezes, diplomata, será o chefe de gabinete de Pedro Passos Coelho. Já trabalhou com os socialistas Luís Amado e Jaime Gama e, em tempos, avisara, através de uma letra para o 'Sétima Legião' que o amor é errante. No amor e na política a julgar pela letra:

Amor distante/ Por quem eu espero /Contando o tempo /A cada instante /Para sempre hás-de errar / Onde o vento soprar / Amor errante / Por quem demoras / Há tanto tempo?

terça-feira, 14 de junho de 2011

É na Síria, não é? Uma mentira a mais ou a menos não incomoda

Afinal a desgraçada síria, lésbica e activista, perseguida pelo regime de Damasco, vive na Escócia e é... homem. Como uma mentira, tantas vezes repetida, é quase uma verdade. Falta saber quantas mentiras mais não foram contadas na Tunísia, no Egito, na Líbia, na....

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Jornalismo de bola de cristal

Desconfio sinceramente que muitos jornais - incluíndo os ditos de referência - vão 'apanhar' uma bolite crónica: desatar a inventar, na hora do defeso, o futuro de José Sócrates. Tal como o Benfica que, em cada verão, contrata uns 500 futebolistas, também José Sócrates deverá ter uns 500 empregos até o início da próxima época. A arte de adivinhação já começou. Até já antecipo as "fontes": hoje no Brasil, amanhã em Angola, depois de amanhã na ONU, para a semana no FMI, na outra numa empresa de computadores, na seguinte numa indústria automóvel, depois numa de energias renováveis...

Francisco Sócrates Assis

Já dá para adivinhar quem vai apoiar Francisco Assis na corrida à liderança do PS: José Lello, António Braga, Fernando Serrasqueiro, Jaime Gama, Renato Sampaio, Pedro Silva Pereira, Marcos Perestrelo, João Tiago Silveira, Vieira da Silva, Fernando Medina, Paulo Campos.... Onde é que já os vi? Falta apenas arranjarem a Assis um "petit nom" como aquele que deram ao "menino".

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Vida dura a de autarca

António Costa rejeita ser candidato à liderança do PS por "não ser possível conciliar" esse cargo com o de presidente da Câmara de Lisboa. Mas é curioso que, no entanto, sempre foi (e é) possível conciliar o mesmo cargo com o de primeiro-ministro. Trabalha-se mais nas câmaras do que nos governos, está visto.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Foi você que pediu um pau-de-cabeleira?



Pedro Passos Coelho bem não queria...

Grupo da Toyota Hiace



Os deputados do Bloco de Esquerda cabem todos aqui.

domingo, 29 de maio de 2011

Fatalismo ibérico ou novo "território comanche"?

"Espanha é um país frustrado. (...) Espanha teve reis incapazes, aristocratas corruptos e bispos fanáticos. E a classe política é analfabeta e medíocre. Os jovens do meu país (...) ou aprendem inglês para sair de Espanha ou aprendem a fazer um 'cocktail' molotov".

Arturo Pérez Reverte, escritor e antigo jornalista, em entrevista ao jornal Público

terça-feira, 24 de maio de 2011

Quando o cheiro a poder emana de um ovo kinder

Nuno Morais Sarmento entrou na campanha do PSD para dar um abraço a Pedro Passos Coelho, levando esta sentença: "tenho a certeza de que Pedro Passos será o próximo primeiro-ministro". O antigo ministro de Durão Barroso deve estar agora num dilema: ou não gosta muito de Portugal ou tem uma fé inabalável na aprendizagem "fast-food" (como diria Manuel Maria Carrilho). O mesmo Morais Sarmento deu uma entrevista ao Jornal de Notícias, a 6 de novembro de 2010, em que não mostrava dúvidas sobre os atributos de Pedro Passos Coelho. Daí que tenha lançado estas pérolas:
"(PPC) teve o arrojo e coragem de aceitar um desafio para o qual, à partida, dificilmente reúne condições pessoais e políticas" (sobre ser PM)
"É difícil de acreditar que aos 46 anos Passos Coelho não tenha nenhuma obra para mostrar"
"A táctica (de PPC) é absolutamente gratuita"
"É desprestigiante para o PSD o caminho que está a fazer. É errado e estúpido"
E, para terminar, a cereja em cima do bolo de Passos Coelho:
"Ainda é um ovo Kinder. Não tem provas dadas".
Falta agora perceber as verdadeiras intenções de Nuno Morais Sarmento para este zigue-zague. Deve estar a aquecer alguma cadeira a pensar no dia 6.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Fome para o almoço

Além de assistirem a um comício de José Sócrates, em Évora, os imigrantes - paquistaneses, indianos, chineses e africanos -, arregimentados em autocarros, tiveram direito a um almoço, como aliás as televisões trataram de reportar com detalhes. Foi uma sorte, no fundo. No dia anterior, já tinham estado em Beja, mas tiveram azar: só havia carne para a refeição! Muitos deles passaram fome.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Andamos a discutir pintassilgos obscuros

Eduardo Catroga acusou, esta noite, em entrevista à SIC-Notícias, os jornalistas de ignorarem as verdadeiras questões que devem preocupar o país:
"(...) a discutir as grandes questões que podem mudar o país, andam a discutir, passe a expressão, pintelhos".
É difícil perceber o que exatamente o putativo ministro das Finanças quis dizer. Para quem não perceba esta linguagem política, "pintelho", de acordo com o Dicionário da Bertrand, de Cândido Figueiredo, é uma "espécie de pintassilgo (puffinus obscurus)".

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O CDS já garantiu um "ministério"

Pedro Passos Coelho anda, há dias, a clamar que não pretende fazer qualquer coligação ou acordo com o PS. Aliás, repetiu-o vezes sem conta: "ou eles ou nós". É sabido que é impossível qualquer entendimento com o PCP ou com o Bloco de Esquerda. Resta portanto o CDS que o próprio líder social-democrata reconhece ser o parceiro ideal. Esta noite, em Guimarães, Passos Coelho definiu, numa única frase, o papel de cada um:
"Quero uma maioria clara que não pode ficar dependente de nenhum pau de cabeleira".
Num futuro governo reduzido, haverá lugar para um ministro que segure na vela?

domingo, 8 de maio de 2011

A mão que embala (ou) as revoltas no Magrebe

A organização radical islâmica do Magrebe, ou melhor, a Al-Qaida no Magrebe Islâmico (AQMI) resolveu revelar que, afinal, esteve por detrás das revoltas no Egito e na Tunísia. Nada de novo para quem minimamente anda atento às actividades dos radicais islâmicos. Por aqui, por este blogue, já se tinha adivinhado qualquer coisa do género aqui e aqui. As garras, há muito, que estão afiadas. Mas há líderes políticos, de Portugal aos Estados Unidos, passando por França e Itália, que teimam em não entender isso. Ou então entendem bem demais e encolhem os ombros.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Um governo pior do que Sporting ou a confissão de um ministro

Na noite das eleições no Sporting - as tais que resultaram em ameaças de impugnação e numa mini-batalha campal - José Sócrates estava no estrangeiro. Ainda assim, preocupado com o que se passava em Portugal, mandou um sms para um dos seus ministros, sportinguista convicto, a perguntar se o seu clube "precisava da ajuda do FMI".
Resposta do ministro:
- Não. Nós somos capazes de resolver internamente os nossos problemas.
Lendo bem, fica-se a saber que há um ministro que acha que o Sporting é capaz de resolver "internamente" os seus problemas. Isto foi em Março. O FMI chegou para resolver os problemas de um governo que não é (foi) capaz de ser como o Sporting. E o ministro tem mais confiança no clube que no governo.
Att: a estória do sms foi contada pelo próprio José Sócrates no programa "5 para a Meia-Noite".

quinta-feira, 5 de maio de 2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fontes e fontanários

As medidas que, afinal, não fazem parte do pacote de ajustamento negociado entre Portugal e a troika, correspondem mais ou menos às notícias, muitas vezes em manchete, que vários jornais, televisões e rádios foram anunciando ao longo das últimas semanas sobre os planos da troika para Portugal.

Toda a gente teve acesso a informação privilegiada de “fontes” ligadas às negociações ou, muitas vezes, rematada com o ainda mais tranquilizador, “o XXX sabe”, ou “o XXX apurou”, ou muitas outras vezes, sem qualquer referência ou mera alusão acerca da respectiva origem. O XXX sabe e publica, logo, o leitor pode acreditar à vontade.

Pena que a esmagadora maioria dessas informações se tenha revelado falsa. Como a que ainda ontem, dia em que se dava como certo o fim das negociações, antecipava cortes nas pensões a partir de 600 euros, ou a que garantia que o valor da ajuda seria de 105 mil milhões de euros, muito longe dos 75-80 mil milhões avançados por diferentes responsáveis europeus. Isto no mesmo dia em que outro jornal atirou para o ar o número de 60 mil milhões de euros. Tudo em televisões e jornais de referência, claro.

E sobra sempre a explicação de que, apesar de muitas dessas informações não terem batido certo com a realidade, na altura em que o XXX as publicou, elas estavam mesmo em cima da mesa das negociações, mas as coisas entretanto evoluíram… Sobretudo é preciso evitar que a realidade possa estragar uma boa estória.

Não se percebe se é a necessidade de mostrar serviço às chefias e administrações, vender papel e insuflar audiências, ou a vontade de agradar às ditas fontes, que se sobrepuseram à necessidade de rigor, de cruzar informações ou de simples bom senso. Ainda por cima tendo em conta o clima eleitoral em que tudo isto acontece(u) e o interesse redobrado dos vários protagonistas/fontes veicularem as suas teses ou difundirem os seus boatos (basta ver como PS e PSD tentam capitalizar com a dramatização anterior). É duvidoso que os jornalistas que escreveram essas informações e os jornais que as publicaram as tenham inventado (todas). Mas não é justificável que muitas vezes as tenham reproduzido de forma acrítica.

Certo é que o que foi feito não foi bom nem para o jornalismo, nem para o país. E, infelizmente, praticamente ninguém sai bem desta história.

Os habilidosos

O não-anúncio das medidas de austeridade associadas ao pedido de ajuda financeira, tal como feito na terça-feira à noite por José Sócrates, é como ir ao médico sabendo de antemão que se sofre de uma doença muito grave e ouvir o clínico desfiar todos os outros males, ainda mais graves, que não fazem parte da ficha clínica do paciente. É como explicar a um tuberculoso que tem todos os motivos para estar satisfeito, uma vez que não sofre da doença de Creutzfeldt-Jakob.

Mas cuidado com as segundas opiniões. Eduardo Catroga, que se fartou de escrever nas últimas semanas para se queixar do governo, que andava a omitir informação e a deixar o PSD de fora das negociações, vem agora reivindicar a paternidade do que há de “bom” no acordo. Neste mundo da medicina, o negociador do PSD é o clínico que tem a parede forrada de diplomas reluzentes, mas falsos e de universidades obscuras.

Deve ser a primeira vez que um governo anuncia um pacote de austeridade sem o anunciar, com a cumplicidade do partido da oposição que garante a implementação desse mesmo acordo. Mas tendo em conta que as eleições são daqui a um mês, afinal, quem os pode censurar… Espera-se que a conferência de imprensa da troika seja mais esclarecedora.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Antes vivo do que morto

O mais difícil com a morte de Osama bin Laden é não conseguir perceber a euforia que vai pelo mundo ocidental. E não conseguir encontrar razões por que gente avisada como funciona a Al-Qaida aplauda com entusiasmo o seu desaparecimento.
Vivo, bin Laden, há muito, que não tinha qualquer papel relevante na estrutura e na ação da organização que ele ajudou a criar. Era apenas um homem acossado, a fintar alguns agentes dos Serviços Secretos paquistaneses que não simpatizam com a Al-Qaida, a refugiar-se em casas no único país que, de facto, o poderia acolher, a viver com medo da própria sombra e sem sequer poder usar comunicações. A Al-Qaida, mesmo em menor escala, continou a funcionar da forma como foi idealizada pelo seu "pai", o egípcio Sayyid Qutb, e colocada em prática por bin Laden: a exportar a "revolução", apoiando, com gente e com dinheiro, organizações terroristas islâmicas pelo mundo.
Morto, bin Laden transformou-se num herói, num mártir e, acima de tudo, numa razão acrescida para mais atentados. A vingança será um prato poderá ser servido banhado de sangue. Bin Laden, morto, vai conseguir acender mais a fé radical islâmica do que fez nestes últimos anos. A semente do radicalismo continua inamovível e até, nalguns casos, sempre a dar frutos: nas escolas e faculdadades islâmicas do Egito, nas 'madrassas' do Paquistão, nalgumas escolas e rádios da Tunísia, em muitas mesquistas da Bósnia, da Síria, do Iraque, da Nigéria, do Iémen...
Morto, bin Laden serve apenas para o mundo ocidental como um troféu, uma bandeira, um símbolo. E nada mais do que isso. O terrorismo islâmico não foi decapitado. Retiraram-lhe apenas o alfinete da lapela. E nem sequer conseguiram sugar-lhe o espírito.

sábado, 30 de abril de 2011

Que parte do 'é um bocado tarde para isso' é que não perceberam?

Depois de, à semelhança do PCP, ter recusado reunir com a troika, o Bloco de Esquerda solicitou uma reunião com o governo para expor as suas posições antes de Portugal assumir qualquer compromisso com as instituições internacionais com que está a negociar o pacote de ajustamento que terá que implementar, em troca do financiamento para os próximos anos.

Dias antes o negociador do PSD escreveu ao governo a manifestar a disponibilidade do seu partido para encontrar um entendimento com o executivo nas negociações.

Pouco antes José Sócrates apresentou o programa eleitoral do PS até 2015.

Todos estes actos parecem ignorar o simples facto de as ditas negociações estarem a decorrer há várias semanas, de estarem prestes a ser concluídas e de o anúncio do seu resultado ser esperado o mais tardar até à próxima quarta-feira.

E o que vai ser anunciado não será um conjunto de ideias para reflexão dos partidos portugueses. Mas sim um pacote definitivo com medidas concretas e metas temporais específicas para as alcançar e que, quando vir a luz do dia, já terá o acordo do governo e o apoio do PSD e do CDS. E não um acordo do género, ‘ok, depois logo vemos o que fazemos com isso’, mas um acordo escrito na pedra (com cartas de conforto, declarações unilaterais, sem fotos de grupo ou o que quer que seja) que o próximo governo terá que implementar, seja qual for a sua composição. Pois essa implementação será monitorizada periodicamente e qualquer desvio levará ao fecho imediato da torneira dos milhões da União Europeia e do FMI de que Portugal precisa.

Os traços gerais do que aí vem estão na edição de hoje do Expresso e vão desde a reestruturação da administração pública e a reforma da justiça, a um vasto programa de privatizações, passando pela flexibilização do mercado laboral e mexidas nos impostos. Entre outras coisas. Austeridade e reformas a sério. Em alguns casos será mais do mesmo que sucessivos governos têm vindo a fazer ao longo dos últimos 10 anos, mas com a ênfase no ‘mais’.

E é isto que vai ser anunciado brevemente e que não foi minimamente discutido pelos partidos portugueses nas últimas semanas. Nem isso, nem outras coisas, como por exemplo, que taxa de juro vai a Europa exigir a Portugal pelo dinheiro que emprestará, e que se sabe à partida que não será nenhuma prenda, e que estratégia negocial poderia seguir o país para obter um resultado menos penalizador.

Mas não. As energias e atenções foram gastas em trocas de acusações, insultos, birras e tretas, com a preciosa ajuda da generalidade da comunicação social, mais interessada nestes epifenómenos, nas partidas e chegadas vazias de conteúdo dos ‘homens do FMI’ ao ministério das finanças e do respectivo pequeno-almoço do que na necessidade de tentar levar o debate para as questões de fundo. Tudo a culminar na apresentação de um surreal programa de governo que pretende ignorar que o verdadeiro programa do próximo governo será o anunciado não por nenhum dos partidos portugueses, mas pelos representantes da Comissão Europeia, do FMI e do Banco Central Europeu. A bem da democracia, claro.

Algo que é óbvio e que tanto Sócrates, como Passos Coelho sabem e que o próprio Francisco Louçã não ignora, o que faz com que, conduzido desta forma, o debate político nacional se assemelhe a uma enorme farsa, com uma classe política mais preocupada com os seus interesses de curto prazo do que com um qualquer interesse nacional. Seja lá isso o que for.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

(in)Tolerâncias de ponto

Consta que, além de Pedro Passos Coelho, também a "troika" está indignada (chocada, mesmo) pelo facto de os mandriões dos funcionários públicos portugueses terem direito a meio dia de tolerância de ponto. Só se for por os diligentes e hiperactivos eurocratas (que correspondem a 1/3 da troika, ou até mesmo a 2/3 se estas regras se aplicarem ao BCE) não trabalharem durante três dias inteirinhos (hoje, amanhã e segunda-feira). É que nestas coisas de feriados é preciso sempre encontrar o máximo denominador comum entre as 27 tradições europeias.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Alôôô? Posso elogiar?

Uma senhora telefona para a redação da TSF pouco depois das 21h de segunda-feira. Eis o diálogo:
- Boa noite, olhe, recebi uma mensagem do PSD para me inscrever no Fórum da TSF. Queria me inscrever...
- Bem, enganou-se. As inscrições não são feitas agora. Só amanhã...
- Ah... desculpe. Disseram-me que era às nove. Pensei que fosse da noite.

Nota: o Fórum da TSF, de terça-feira, teve como convidado Pedro Passos Coelho.

Jornalismo sobre nada

Enquanto os técnicos do FMI, do Banco Central e da Comissão Europeia fazem o seu trabalho de rotina, em reuniões sucessivas para avaliar o estado de Portugal, os jornalistas fazem o outro trabalho que infelizmente se tornou a rotina da comunicação social: plantam-se às portas, com diretos sucessivos para falar de... coisa nenhuma. É extraordinário como reuniões - apenas reuniões - merecem tanta atenção. E os jornalistas relatam os grandes "acontecimentos": saiu o carro do FMI, entrou o carro do FMI, chegou o ministro Teixeira dos Santos, saiu o carro dos técnicos, entrou o dirigente sindical....
Enquanto durar o trabalho dos técnicos das contas, as redações têm muito por onde se entreter: enchem as "notícias" de nadas e os telejornais de coisa nenhuma.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Caro amigo, a coisa tá preta é aqui

Carta de um alegado artista português, anónimo, que aproveitou um voo da TAP sem avarias para enviar uma carta gravada, escrita depois do Benfica-Porto, a um amigo a viver no Brasil: "Meu caro amigo, me perdoe, por favor, se não lhe faço uma visita. Mas como agora apareceu um portador, mando notícias nesse CD. Aqui na terra tão jogando muito futebol. Tem muito fado, muito choro e muito rock'n roll. Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta. Muita mutreta para levar a situação. Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça. É pirueta para ganhar o ganha-pão, que a genta vai ganhando só de birra, só de sarro. E a gente vai fumando que também sem um cigarro, ninguém segura esse rojão. Meu caro amigo, eu quis até telefonar, mas a tarifa não tem graça. Aqui na terra, tão jogando muito futebol, muito fado, muito choro e rock'n roll. Uns dias chove, noutros dias bate o sol. Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta". * Este blogue agradece o contributo de Chico Buarque, que ajuda a explicar a situação portuguesa.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Ironias...

Pela primeira vez, o Governo apresenta um PEC, sem "martelar" nos números para dourar a pílula. Pela primeira vez, é realista, evitando anunciar uns "oásis" que se aproximam. É verdadeiro nas previsões e agora arrisca-se a... cair.

O verdadeiro valor das coisas

Há mais dirigentes do topo do PS, secretários de Estado e ministros a participar na campanha interna socialista de José Sócrates, que concorre a secretário-geral, do que participaram na campanha de Manuel Alegre na corrida à Presidência da República.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Enquanto são crianças, podem...




domingo, 13 de março de 2011

E tudo volta ao mesmo no reino da Líbia


Depois de uns intensos bombardeamentos, em pouco mais de três dias, Muammar Kadhafi está quase a recuperar, na totalidade, o controlo do território líbio. Em breve, vai acabar a aventura de uns tipos que, convencidos da boleia de umas manifestações, conseguiriam derrubar um ditador com quase 42 anos de experiência activa a mandar a seu bel-prazer. Os ditos rebeldes juntaram umas tropas fandangas e pensaram enfrentar um poderio militar, adquirido anualmente em França, Estados Unidos, Rússia e China. Tramaram-se. A Líbia vai ficar exatamente como estava há três semanas. Os homens que, por essa Europa e América fora, descobriram que Muammar Kadhafi é um ditador violento, assassino, louco e mais uns mimos vão ter de o engolir. E bem podem ter a mesma atitude que tinham há três semanas: bajulá-lo, visitá-lo e estender-lhe a mão (com pragmatismo, como defende Luís Amado, ou sem ele). Afinal, há muitos negócios para fazer e muita arma para vender.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Deve haver uma frota larga de C-130

Ando muito divertido a ler e a ouvir muitos portugueses a desejarem que Angola entre em convulsões sociais idênticas às do Médio Oriente. Além de ser divertido pela absoluta ignorância nas comparações entre países e regiões, há um lado perverso: vivem em Angola (registados) mais de 92 mil portugueses que transferiram, em 2010, para Portugal mais de 132 milhões de euros. Nada mau para um país que, como se sabe, está em crise.
E uma convulsão social pode provocar mais uma ponte aérea para trazer os portugueses todos que por lá fazem pela vida. Não sei se Portugal - e, já agora, a União Europeia - tem assim tantos aviões C-130.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O tribunal da Polónia é que lhe topa os truques

Lesto a detetar "truques" dos políticos em Portugal - daqueles que não apoia, naturalmente - Alexandre Soares Santos, líder do Grupo Jerónimo Martins, é mais lento a falar dos problemas do grupo na Polónia. Os truques foram julgados e detetados pelos tribunais polacos, desde a primeira instância ao Supremo. Há dois anos, o jornal I relatava as decisões do Supremo tribunal numa notícia que aqui se reproduz parte:

Apoiando-se em depoimentos de testemunhas e em relatórios da Inspecção-Geral do Trabalho (IGT), o Tribunal de Primeira Instância confirmou que existiam infracções massivas aos direitos dos trabalhadores, como colaboradores com salário e contrato de part-time que eram obrigados a fazer horário completo. Deu também como provado que raramente eram pagas horas extraordinárias, eram proibidas idas à casa-de-banho nas horas laborais, havia ameaças de despedimento, entre outros exemplos. A IGT polaca confirmou ainda que a Biedronka mantinha o registo de horas de trabalho de forma desonesta e que as regras de higiene e segurança eram recorrentemente infringidas.

Destes truques da Biedronka, pertencente à Jerónimo Martins, é que o empresário Alexandre Soares dos Santos se "esquece". Ou apenas omite quando despeja certezas inabaláveis, como esta:

"Ele [os políticos] é que gostam de truques. O nosso sucesso assenta em trabalho."

Esse trabalho foi bem descrito pela Inspeção-Geral da Polónia.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O centro do centro, mas honesto

Como se sabe e se sente, há muito tempo que o MPLA abandonou o "socialismo científico", apregoado durante décadas, para assumir, na prática, uma outra postura ideológica. Só que, na teoria, essa outra postura ainda não constava do programa do partido. Até este fim-de-semana. Dirigentes do MPLA estão reunidos em Luanda para redifinir a sua posição ideológica e, de acordo com os seus principais dirigentes, a linha traçada chama-se "socialismo democrático". E foi esse socialismo que motivou a realização de uma mesa redonda. Na abertura da cimeira coube ao presidente do grupo parlamentar, Virgílio de Fontes Pereira, explicar aos delegados o que é o socialismo democrático abraçado pelo MPLA:

"Um partido do socialismo democrático anda mais para esquerda quando defende mais os princípios da igualdade, da liberdade, da socialização da produção, entre outros. Vai mais para direita quando apregoa uma maior intervenção no mercado”.

Este zigue-zague do MPLA serve de lições a muita gente. Primeiro para aqueles que andam à procura do "Centro" que podem encontrar aqui um modelo; depois para aqueles que se dizem comunistas e vêem no MPLA um partido "camarada" de percurso e aliado de todas as horas; e, por fim, para os partidos de direita que, por esse mundo fora, não se cansam de "piscar os olhos" (de mão estendida ou apenas com cumplicidade ideológica) ao MPLA. O partido no poder em Angola tem assim braços largos e um colo quente.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ataque aos hipócritas

A propósito das loas que se ouve e lê por aí à música dos Deolinda, vale muito - mas mesmo muito - ler o que escreve Rui Pelejão Marques sobre os hipócritas que não têm vergonha de falar da "geração lixada".

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O que seria do Mundo sem esta clarividência?

Luís Amado, ministro dos Negócios Estrangeiros, em declarações a diversos órgãos de comunicação social:
"A situação no Egito ainda é muito complexa"

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Quando o povo é empurrado...

O Líder Supremo do Irão, aitollah Ali Kamenei, já festejou a queda de Hosni Mubarak, considerando que foi uma "vitória do povo egípcio". As garras, há muito, que estavam afiadas. Agora, já as mostram. Daqui a nada, têm-nas no poder.

Facada no Durão

Miguel Relvas, secretário-geral do PSD, disse hoje numa entrevista à SIC-Notícias que "todos os primeiros-ministros, eleitos depois de 1995, falharam" justificando a análise com o facto de ter havido "aumento de impostos, aumento do défice e aumento do desemprego"., em cada um desses governos.
Depois de 1995, foram eleitos António Guterres, DURÃO BARROSO e José Sócrates. Pelo meio, houve outro primeiro-ministro, mas não eleito: Pedro Santana Lopes.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Quem desassossega, amigo é

Agora que aumenta o 'suspense' no Egito, sobre o futuro do país e sobre o destino de Hosni Mubarak, é altamente recomendável que se leia este Prémio Pulitzer, de Lawrence Wright. Fica-se a perceber, antes de mais, as origens da Al-Qaeda e do radicalismo islâmico: escolas, faculdades e mesquitas no... Egito. E fica-se a perceber que aquelas manifestações não são, de todo, espontâneas. Desconfio que a comunidade internacional (essa vasta agência de interesses vários) vai ter muitas saudades do ditador Mubarak, caso ele caia.

As motivações para uma liderança

Conversa ouvida entre dois responsáveis do PS sobre o que se poderá no próximo congresso socialista:
- Achas que o Carrilho se candidata?
- Só se houvesse uma alteração estatutária em que o secretário-geral passasse a ganhar 10 mil euros por mês, mais cartão de crédito 'gold' e carro preto.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Crónica de duas estranhas demissões

A agência Lusa anuncia que Paulo Machado, diretor-geral da Administração Interna, Paulo Machado, e o diretor da Administração Eleitoral, Jorge Miguéis, tinham pedido a demissão.
De imediato, a TSF fala com Jorge Miguéis que nega, rematando que essa hipótese "não fazia sentido nenhum" e que aguardava pela conclusão do inquérito.
Minutos depois desta conversa, a assessoria do Ministério da Administração Interna fazia chegar um comunicado às redações dando conta que o "director-geral da Administração Interna, Professor Paulo Machado, e o director da Administração Eleitoral, Dr. Jorge Miguéis, apresentaram o pedido de demissão na sequência dos factos ocorridos no acto eleitoral de 23 de Janeiro de 2011".
Ou seja, Jorge Miguéis tinha pedido a demissão, mas não sabia.
Ou então, foi nomeado voluntário para sair e a comunicação social soube primeiro.
Ou isto tudo não faz sentido nenhum.

Nota: Apesar deste Governo ter assinado o Acordo Ortográfico, os assessores do mesmo Governo continuam sem saber o que isso significa.

domingo, 23 de janeiro de 2011

A Madeira não esquece o "senhor Silva"

Se fosse pela Madeira, Cavaco Silva não conseguiria ser reeleito à primeira volta. E José Manuel Coelho fica em segundo lugar.

A instabilidade mora ao lado

José Sócrates confessou o que lhe sempre esteve na alma: "Os portugueses optaram pela estabilidade política".

Não foi precisa, Fernando Nobre não chega mesmo a Belém


Um dos derrotados da noite

Francisco Louçã diz que houve uma "aliança popular" que se juntou para levar Manuel Alegre à segunda volta. Uma aliança popular contra "a especulação e a ganância". Não são precisamente estas críticas que Louçã e o Bloco de Esquerda fazem aos parceiros da tal "Aliança Popular", ou seja, José Sócrates e o PS?

Entre a vitória, a derrota e o alívio

Alguns socialistas sentem-se derrotados com estas eleições. Muitos - entre eles, dirigentes nacionais do PS - festejam os resultados. A maioria respira de alívio.

Democracia clara

Para se validar um referendo, é necessário que mais de 50 por cento vote. Para se eleger um presidente da República, basta alguém ir votar. Até podia haver uma abstenção de 99,9 por cento.

Criatura ultrapassou o criador*

Se as projecções das televisões estiverem correctas, nestas eleições presidenciais, já se pode concluir que o criatura ultrapassou o criador (não é sempre assim?). Fernando Nobre deverá ter maior percentagem do que... Mário Soares. Resta saber se também terá mais votos, de facto.
*Primeira conclusão "roubada" a uma amiga

sábado, 15 de janeiro de 2011

Um nobre "genocídio"

No tempo de antena da sua campanha, Fernando Nobre esclarece que, se for eleito Presidente da República, vai defender a língua portuguesa falada por "200 milhões de pessoas". Ora, o Brasil, de acordo com o censos de 2010, tem 190 732 694 habitantes. Se juntarmos as populações de Portugal (mais emigrantes), Angola, Moçambique, São Tomé e Princípe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, alguma de Macau, pode-se concluir que Fernando Nobre fez desaparecer quase 50 milhões de pessoas.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Evidentemente, poderá não ser óbvio

Quando Barack Obama decidiu candidatar-se à presidência dos EUA, enfrentou um dilema: se, tal como tinha acontecido com os outros candidatos negros, em especial Jesse Jackson, destacaria, ou não, as questões raciais no seu discurso. A dúvida, entre outras plausíveis razões, ficou definitivamente resolvida com um conselho de um dos seus assessores:

"Não vale a pena a falar da raça. Não é preciso realçar o que já é óbvio".

Este sábio conselho vem a propósito da entrevista de Cavaco Silva à RTP. Em pouco mais de 20 minutos, o presidente/candidato disse quatro vezes que defendia "o rigor", ora sobre as contas públicas, ora sobre a venda das acções da SLN. E ainda voltou a dizer que era "rigoroso". E isto tudo depois de ter desafiado alguém a nascer duas vezes para ser mais honesto do que ele.
Cavaco Silva deve estar a precisar de assessores "à Obama". Se há quase 30 anos defende que é "rigoroso", fazendo disso mesmo uma bandeira, já não deveria estar na cara? Ou ainda não é assim tão óbvio?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Aviso

A partir de hoje, andarei na estrada com Manuel Alegre. Quem quiser pode ler-me aqui. Prometo regresso a 24.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

TENHO UM ADOLESCENTE EM CASA...e não sabia!

Uma das minhas primeiras tarefas do ano é tratar do cartão de cidadão do meu filho. Obrigatório para todas as crianças a partir do mês de Fevereiro. Liguei para marcar dia e hora , para conferir os documentos necessários e , já no fim, por descargo quis confirmar o valor a pagar: 7,50 julgava eu, depois de escutar o Exmo. secretário de estado José Magalhães a debitar este número( era grátis) justificando a necessidade do pagamento com a inefável crise. Mas não. Idade da criança? perguntam-me. 8 anos, respondo. Então são 15 euros. Desculpe? 7,5 é só até aos 6 anos. A conversa terminou aqui porque a senhora do call center fez o seu trabalho.
Mas desculpem-me lá o desabafo. Então a criança de 8 anos, que por acaso é a minha, já não é criança aos 8 anos . Para efeitos de pagamento a criança deixa de ser criança aos 6 anos. Para efeitos de MAIS pagamento, entenda-se. Já tenho portanto um adolescente em casa, um adulto porque não? Paga como tal.
Nem é pelo dinheiro, quer dizer, também é mas o que aborrece mesmo é o engano.

Depois o Estado e o Ps que não se queixem do que se vai dizendo sobre a mensagem que passam. Passam mal enganando o cidadão. Dizia José Magalhães, o ano passado no Parlamento, perante as críticas da oposição( por causa do fim da gratuitidade da emissão do documento para as crianças) que tinha de ser e tal e que afinal o valor, os tais 7,5 correspondiam a metade do valor de um pacote de fraldas.
Pois eu que já tinha largado as fraldas vai para uns anos volto agora a pagar mais um pacotinho. Inteiro!
E não consigo entender a lógica de uma criança deixar de o ser aos 8 anos de idade

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O ano começa a chicote


Os bilhetes dos eléctricos lisboetas, comprados a bordo, aumentaram de 1,45 euros para os 2,50 (como diz a minha mãe, são 500 escudos). O aumento é de apenas 72 p0r cento. Coisa pouca, portanto.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

"Nós não queremos explorar a pobreza para benefício político"*

Esta quarta-feira, dois secretários de Estado, Laurentino Dias e Manuel Pizarro, entregam computadores 'magalhães' a crianças internadas no Instituto Português de Oncologia, em Lisboa, no âmbito do programa “Um Sorriso com as TIC – Nova Geração” - Unidades de Pediatria ligadas à Internet". O projecto pretende, lê-se no comunicado governamental, "implementar em todos os hospitais públicos infra-estruturas tecnológicas que permitam às crianças internadas momentos de lazer e o acompanhamento pela família ou amigos".
A ideia até parece excelente. O que se dispensava mesmo, sobretudo em vésperas de Natal, é que dois secretários de Estado dessem razão ao primeiro-ministro. Pelas piores razões, entenda-se.
*José Sócrates a 18-12-2010, durante as Jornadas Parlamentares do PS

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Cada povo tem o wikileaks que merece

Aconteceu em São Pedro de Rates, concelho da Póvoa de Varzim, mas poderia ter ocorrido em qualquer parte deste país. Um jornalista assistiu à conversa, num café, de dois homens a queixarem-se das amarguras que a acção política lhes trouxe. Eis a parte final do diálogo dos dois homens em conversa à boa maneira do Norte:
- E já viste esse Júlio Henriques que agora quer f... o Sócrates?
- Júlio Henriques? Nem sei de que estás a falar..
- O Júlio Henriques, esse gajo que anda a pôr os telegramas cá pra fora pra f.. o Sócrates.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Se não nos despacharmos, o debate já acabou...

Já conhecíamos a reacção pós-debate na Assembleia da Republica. Hoje, o PSD inaugurou a antecipação minutos-antes-do-debate...Com 3 projectos sobre genéricos agendados para esta tarde (BE,PCP,PSD), os sociais-democratas marcaram para as 16:15 uma conferencia de imprensa para apresentação do seu diploma. Para cumulo, quando deputados e jornalistas regressaram ao plenário, o debate já tinha começado. Teria o PSD receio de que o seu projecto - incluído na discussão parlamentar - passasse despercebido ?!!!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Quem conta um conto...

A Wikileaks começa a divulgar os telegramas "sacados" na embaixada dos Estados Unidos em Lisboa. Um deles conta a transmissão de uma informação de um diplomata norte-americano dando conta de uma alegada manifestação de vontade de Carlos Santos Ferreira, o presidente do Millennium-BCP, em prestar informações sobre o Irão. O jornal "El País" conta a história tal e qual ela é: uma informação de um diplomata, escrita num telegrama, a contar que o presidente do banco se tinha oferecido....Pois, em Portugal, as televisões, as rádios e as páginas na internet já transformaram a dita informação numa certeza. Assim, já se ouve e já se lê que o BCP "tinha actividades" no Irão. E com uma pequena ajuda da política: o BE já pede explicações ao Banco de Portugal sobre as actividades do BCP no Irão.
O que é curioso, de facto, é que o telegrama (origem da notícia) só fala mesmo numa alegada intenção (e não escrita) de Santos Ferreira. A propósito destas informações veiculadas por diplomatas, dá para recordar o livro de Tim Weiner, "História da CIA - um legado de cinzas", e o resumo dele feito pelo "The Boston Globe":

"Tim Weiner desmascara décadas de enganos e demonstra na perfeição como a CIA falhou quase sempre no seu principal objectivo: reunir e analisar a informação que permitisse ao presidente compreender o que se passava no Mundo. Em vez disso, centrou-se mais em manipular e ajustar a informação de acordo com os preconceitos de quem habitava a Casa Branca".

Quem lê "CIA" pode perfeitamente ler "diplomatas norte-americanos" por que, como se sabe, é difícil distinguir onde começam uns e acabam outros.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Atrasados, mas ainda a tempo - Portugal visto pelos EUA

Os segredos bem guardados dos Estados Unidos continuam a chegar às páginas dos jornais, sempre pela mão "amiga" da Wilileaks. Desta vez, os telegramas confidenciais têm um assunto: Portugal. O jornal espanhol "El País" publica-os e o Correio apenas encaminha os leitores com a devida vénia: lá estão, as relações privilegiadas entre José Sócrates, um líder "carismático e que não gosta de partilhar o poder", e Hugo Chávez; o desagrado de Cavaco Silva por não ter sido recebido na Casa Branca, relatos sobre a oposição interna no PSD e ainda telegramas com comentários dos diplomatas norte-americanos sobre Cavaco Silva e José Sócrates.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Cooperação estratégica precisa-se para uma simples conversa com jornalistas...

Na cimeira ibero-americana...


Os jornalistas iam a caminho do aeroporto de Mar del Plata esperar José Sócrates, quando foram informados pela assessoria de Cavaco Silva que o Presidente falaria duas horas depois no Hotel onde está hospedado.

No aeroporto, apesar de prevista uma declaração, o PM acabou por entrar logo no carro, remetendo a dita conversa para mais tarde.

De regresso ao mini-autocarro, que o gabinete do PM arranjou para a imprensa (desta vez, é S. Bento que organiza a viagem), o destino era o hotel do Presidente. Mas o apertadíssimo cordão de segurança montado à volta dos locais da cimeira, impedia a circulação dos jornalistas. Nem a pé, podiamos andar sózinhos pela área fechada.

Já estava na hora de Belém, e nem um microfone com o Presidente. Nessa altura, já se sabia que Sócrates também falaria no mesmo hotel. O problema continuava a ser o chegar lá. O objectivo cumpriu-se quando os assessores do PM foram ter com o grupo ao centro de imprensa para nos "escoltarem" ao hotel. Nessa altura, a presidência da republica informava que Cavaco já não falaria, tinha um compromisso.

À porta do hotel, somos informados que Sócrates vai descer para falar com os jornalistas. Enquanto desce-e-não desce, surge a comitiva presidencial já com os automóveis prontos para sair mas que anuncia então que Cavaco pode falar naquele momento mas numa sala do hotel.

Perante o espanto da equipa de Sócrates, os jornalistas que estão na rua, à espera do PM, entram para ir ao encontro do PR. Depois de Cavaco falar, os jornalistas abandonam o hotel e à porta são informados que Sócrates foi correr…Declarações só depois…Foi o que aconteceu…Cavaco conseguiu mesmo falar primeiro...

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A verdade e o jornalismo

Numa discussão, em final de turno, na TSF, por causa das notícias que foram - e as que não -dadas, ouve-se esta frase do editor, João Paulo Baltazar:

"Eu acredito na verdade. Mas só se chega à verdade ouvindo todas as versões"

Depois de lhe pedir autorização para o citar, ele próprio tratou de lembrar que, no jornalismo, a frase é uma simples evidência. E é. Pois, mas há, por aí, muito sítio que acham que a evidência afinal é um mero... capricho.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Um "ditador", perdão, um "autoritário", perdão, um "prepotente" para Belém

No início do ano, Belmiro de Azevedo, em entrevista à revista Visão, chamava "ditador" a Cavaco Silva. A declaração foi tão polémica que o sr. Sonae resolveu esclarecer, em carta dirigida à mesma revista, o que exactamente quis dizer. Foi pior a emenda que o soneto:

"Ninguém pode razoavelmente pensar que o Prof. Cavaco Silva seja realmente um "ditador", ou pretender que é esse o juízo que faço a seu respeito. Usei a palavra com o significado figurado que ela também tem, como sinónimo de "autoritário" ou "prepotente", mais precisamente como adjectivo com que se qualifica quem exerce o poder de forma implacável ou desapiedada, sem revelar pelas outras pessoas sentimentos ou consideração. Recordo que o termo aparece a propósito da demissão compulsiva de quatro ministros, que entendo ter sido feita sem a cortesia que os visados mereciam.".

Esta sexta-feira, Belmiro de Azevedo anuncia o apoio formal ao "ditador", "prepotente", "autoritário", "implacável" à Presidência da República.

Nem as sondagens os arrefecem?

Luís Filipe Menezes resolveu lançar um aviso aos dirigentes do PSD: que se "unam à volta do líder", que travem "afirmações que não são felizes e prejudicam o PSD"; que "sejam cautelosos e coloquem de parte pequenas vaidades, pequenas presunções individuais, pequenas vontades pessoais".
Ou seja, o antigo líder do PSD, conhecedor dos meandros, bastidores e, como ele próprio dizia, "das bases", sentiu necessidade de arrefecer alguns ânimos e já está a adivinhar o que vem aí: o cheiro a poder afia as garras.

Tudo sobre Angola

Há imagens como esta, há mapas, há gráficos, há livros, há dados estatísticos, há comparações, há Angola inteira e África, há geografia, sociologia e antropologia, há fontes bem identificadas. Pelo blogue "Angola do outro lado do tempo" não falta (quase nada). Está lá a História de Angola, dos primórdios até aos nossos dias e subjectiva como qualquer História que se preza. É um verdadeiro serviço público o que este blogue faz, sobretudo, por ser uma área onde há pouca coisa publicada. Imperdível por quem se interessar pela História de Angola (e de África).

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um papelinho verde que explica muita coisa

A ministra do Trabalho, Helena André, concluiu que a adesão ao trabalho foi altamente significativa especialmente "nos têxteis, na cortiça e nas grandes superfícies comerciais". E que o consumo da electricidade registado "foi o mesmo de ontem".

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Momento tuga da cimeira: "Papá, leva-me a ver o Obama"

Na comitiva da recepção a Barack Obama, constava a jovem Carolina Amado, filha de... Luís Amado. Não é diplomata, não faz parte do corpo diplomático, não é membro da Força Aérea, não trabalha no aeroporto de Figo Maduro. É filha de ministro.
A história está contada pela TVI.

Da série: "Frases que impõem respeito"*

"Foi uma barbaridade que o Governo de José Sócrates, só em 2010, com dois anos de atraso e apesar de estar escrito na parede, tenha reconhecido que a crise internacional ia atingir em cheio o nosso país. Não se percebe como foi possível uma barbaridade dessas. Os caminhos, agora, serão duríssimos para Portugal".

João Cravinho, ex-ministro de um governo do PS e antigo colega de José Sócrates no mesmo governo.
*Ideia roubada ao Câmara Corporativa e frase sugerida ao Câmara Corporativa

Momentos de jornalismo superlativo

Após ouvir durante poucos minutos a emissão especial da RTP sobre a Cimeira da NATO ficamos a saber que não se trata apenas de uma “mega-Cimeira histórica”, mas sim de “um dos acontecimentos mais importantes da NATO na última década”. E que depois de Barack Obama ter efectuado “a aterragem mais aguardada”, entrou para “o carro mais seguro do mundo” e dirigiu-se para o hotel, “um dos locais mais bem protegidos do planeta”, pois toda a gente sabe que o “perigo máximo” tem que ser enfrentado com “segurança máxima”.

Começam a esgotar-se as opções...

“A situação portuguesa é diferente da Grécia” – Luís Amado, 26.04.2010

“Portugal não é a Irlanda” – Teixeira dos Santos, 15.11.2010

A propósito dos "merecidos" salários dos gestores

O Tribunal de Contas divulga hoje a auditoria à contratação externa de serviços médicos pelas unidades hospitalares e conclui, entre o enorme arraso que faz à gestão dos dinheiros públicos, que denotou "incapacidade negocial por parte de vários conselhos de administração" e lança uma dúvida: "se o défice da gestão dos hospitais se deve à falta de autonomia ou a eventuais incapacidades dos gestores hospitalares".
O relatório conclui ainda que "há uma gestão pouco eficaz dos recursos humanos, um controlo deficiente da assiduidade; deficiente planeamento e eventuais concessões a grupos de interesse; exagero nos ajustes directos; gestão pouco criteriosa dos dinheiros públicos; decréscimo de produção nos serviços de urgência; e um mercado dos médicos distorcido, com aplicação de preços superiores à realidade.
Vale a pena recordar o Bloco Central que criou e apadrinhou a ideia de contratar externamente médicos: primeiro, Luís Filipe Pereira, depois, Correia de Campos.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Até os comemos!

Os ministros das finanças da zona euro estão reunidos em Bruxelas para discutir a situação na Irlanda e o eventual recurso por parte deste país à ajuda europeia, para fazer face à crise da dívida.

Presente no encontro, Teixeira dos Santos reza para que Portugal passe despercebido.

Antes, foi almoçar num restaurante das imediações, deleitando-se com um suculento bife… irlandês: Irish Prime Beef Sirloin, segundo a ementa.

“Até os comemos!”, ouviu um transeunte ao ministro que entrava no restaurante.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sinais dos tempos

O Clube de Jornalistas entregou os prémios Gazeta de Jornalismo esta noite a João Paulo Guerra e a Miguel Carvalho. A entrega foi feita no restaurante, do salão nobre da Caixa Geral de Depósitos, num ambiente requintado. Talvez para mostrar como o jornalismo está cada vez mais de fato e gravata e...sentado. E este ano, nem houve Prémio Revelação.

domingo, 14 de novembro de 2010

A (nova) magistratura de influência activa

Com o ensino particular e cooperativo em pé de guerra por causa dos cortes anunciados pelo governo, o Presidente da Republica inaugurou esta tarde as novas instalações de dois colégios privados: o Colégio Pedro Arrupe e o Externato João XXIII, em Lisboa.

sábado, 13 de novembro de 2010

"Eu compreendo as declarações do sr ministro dos negócios estrangeiros" José Sócrates

No dia em que, em entrevista ao Expresso, Luis Amado defende "uma grande coligação", o Câmara Corporativa posta isto e isto. Elucidativo.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Reis

A Escola EB 2,3 António Gedeão em Odivelas juntou hoje Mário Soares e Duarte Pio num debate sobre o centenário da República. Quando o pretendente ao trono chegou, já Soares falava. Comentário do ex-PR "Primeira diferença: a Republica chega a horas. A Monarquia atrasa-se..."

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Importa-se de repetir ?!!!

Discurso de José Barata Moura no jantar desta noite do candidato presidencial Francisco Lopes, no mercado da Ribeira: "Há momentos em que o momento requer que o rasgar de alternativas abandone as paragens da abstracção dos princípios para ganhar corpo e respiração no enunciado concreto das politicas que os podem materializar."

O candidato comunista agradeceu as "palavras sábias" do seu mandatário.


P.S. Blogado com a devida autorização de quem postou isto no facebook (para comentadores mais preocupados com a assinatura do post do que com o post em si)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Há quem ache por aqui que o pedido de desculpas devia seguir para a SIC...

Ao chegar esta noite ao Altis para a primeira reunião da sua comissão política, Manuel Alegre tinha um directo à sua espera. Da RTP. O candidato até esperou que o repórter entrasse no ar para começar a falar. A meio da declaração, Alegre brindou a estação publica com um elogio à concorrencia :"Olhe, estava lá uma estação de televisão, posso dizer qual era, a SIC, fez uma excelente reportagem..." Mais tarde, Alegre acabaria por se dirigir ao repórter da RTP a lamentar a gaffe em directo...

Cavaquistas somos todos nós

António Vitorino, dirigente socialista, mentor de tantas ideias e estratégias do PS, responde às inquietações de Manuel Alegre sobre a participação do PS na campanha eleitoral:

"Acredito que Cavaco Silva terá um desempenho mais interventivo".

E, para sublinhar que, no Largo do Rato, já se sabe quem continuará em Belém, Vitorino dá a estocada final:

"Aqueles que quiserem ficar com o ónus de terem dividido votos a contar com uma segunda volta - que muito provavelmente não se realizará - terão de ponderar se irão levar a sua candidatura até ao fim. Isto se Manuel Alegre conseguir fazer essa pedagogia".

Esta referência a Manuel Alegre é aliás a única em toda a entrevista dada à edição de hoje do Diário Económico

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O pai já liga, está em pré-campanha !

Fernando Nobre esteve hoje na Faculdade de Ciências e Tecnologia e saiu-se com um argumento de peso para ser Presidente da Republica: "Sou cirurgião. Para salvar vidas já tive que amputar muitos braços e pernas. Se tiver que cortar, sei como e onde cortar. "

(melhor do que isto só a a imagem dos pontapés à incubadora com que Pedro Santana Lopes nos brindou nos seus gloriosos tempos de menino-guerreiro)

Antes, o encontro com estudantes e professores no anfiteatro da Faculdade tinha sido interrompido pelo toque do telemóvel "É a minha filha... Tá?! Isabel?!... O pai já liga. "

Esta campanha promete.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Não se esqueceram da revisão constitucional, pois não ?

Mesa ou mesa ? A Comissão apresenta, sugere ou submete ao plenário ? Qual a melhor palavra para designar os artigos: preceitos, normas ou disposições ? Depois de tentar responder a estas magnas questões, a Comissão Eventual de Revisão Constitucional decidiu, esta tarde, que não voltará a reunir-se enquanto o Parlamento estiver a discutir o Orçamento de Estado. Depois vem o Natal. E as Presidenciais. Portanto...Continue-se...Mesa ou mesa ?

Vemo-nos em Marte

Mensagem de Manuel Alegre, esta tarde, ao anunciar a lista de mandatários fora de Portugal: "Sinto-me honrado com os mandatários que aceitaram colocar o seu empenho na defesa da minha candidatura, dando-lhe assim uma dimensão planetária."

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Quando discurso e acção não jogam...

Se não nos tivessem mostrado as assinaturas de sexta-feira à noite e a fotografia tirada com o telemóvel, alguem acreditaria que governo e PSD tinham chegado a acordo ?

O debate do primeiro dia do Orçamento de Estado foi mais um exercício bipolar de todo o processo de negociação que decorreu nas últimas semanas. Apesar de terem anunciado um entendimento, governo e PSD passaram esta terça-feira pelo hemiciclo como dois parceiros desavindos e desconfiados mostrando que o clima de guerrilha vai continuar. Temos portanto Orçamento mas tambem uma crise política. Nem um nem outro quer assumir o "contrato". Mas a inevitabilidade tem (ou devia ter) consequências. Não parece. E, neste caso, as aparências não iludem.

Enquanto isto...

Os juros da dívida, que subiam "porque não havia acordo", continuam a subir quando já há acordo...

Um candidato presidencial queixa-se nas redes sociais "do espectáculo público de cinismo ou de agressividade" e mostra "muita apreensão [com]o desprestígio da classe política e a impaciência com que os cidadãos assistem a alguns debates"...

Os bancos anunciam milhões de lucros...


Sigamos, pois, para o 2º dia do Orçamento.