Além das viagens a Angola, Brasil e Moçambique, o ato mais significativo de Paulo Portas, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros português, foi reconhecer o Conselho Nacional de Transição da Libia, vulgo "os rebeldes líbios", como as autoridades legítimas daquele país. Seguiu aliás as pisadas dos EUA e da Grã-Bretanha. Os britânicos até se apressaram a colocar um líbio exilado no cargo de embaixador. Pois o novo "governo" líbio, carimbado pelas democracias ocidentais, já reconheceu ter executado, a tiro, o general Abdel Younes, que comandava as operações militares dos rebeldes. A revelação foi feita pelo próprio ministro dos Petróleos do governo rebelde. Tudo gente fina e de fino trato. Nada melhor portanto do que receber uns assassinos nos corredores das diplomacias. São estes os novos democratas. amigos de Paulo Portas e do mundo ocidental.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Os novos "amigos" de Paulo Portas e da diplomacia ocidental
Além das viagens a Angola, Brasil e Moçambique, o ato mais significativo de Paulo Portas, enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros português, foi reconhecer o Conselho Nacional de Transição da Libia, vulgo "os rebeldes líbios", como as autoridades legítimas daquele país. Seguiu aliás as pisadas dos EUA e da Grã-Bretanha. Os britânicos até se apressaram a colocar um líbio exilado no cargo de embaixador. Pois o novo "governo" líbio, carimbado pelas democracias ocidentais, já reconheceu ter executado, a tiro, o general Abdel Younes, que comandava as operações militares dos rebeldes. A revelação foi feita pelo próprio ministro dos Petróleos do governo rebelde. Tudo gente fina e de fino trato. Nada melhor portanto do que receber uns assassinos nos corredores das diplomacias. São estes os novos democratas. amigos de Paulo Portas e do mundo ocidental.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Ordem para despedir
"É mais do que evidente que uma das reformas que será levada a cabo nos próximos tempos é a reforma das leis laborais. E não, não estou a falar de somente de tornar os despedimentos mais baratos. Estou mesmo a pensar (oh heresia!) numa maior flexibilização dos despedimentos individuais. A verdade é que, para o bem ou para o mal, uma flexibilização das leis laborais é simplesmente inevitável, quer seja com este governo (se assim for forçado pelos nossos parceiros europeus), quer seja com o próximo governo (o mais provável)."
O artigo completo, com análise filosófica sobre os despedimentos, as medidas que devem ser tomadas e respetivas propostas, pode ser lido aqui: sem mitos, de facto.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Variações sobre uma explicação colossal
Humildemente, deixo aqui mais sugestões para apimentar a imaginação do Governo e que podem servir para futuras intervenções:
- Detetados colossos, mas os desvios dão trabalho
- Detetado trabalho para desvios colossais
- Desvios do trabalho provocam colossais deteções
- Trabalhos colossais para desvios detetados
- Trabalhos desviados dão desvios colossais
e por aí adiante que, depois de criar impostos, bem que o Governo vai precisar de mais imaginação.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
O companheiro de estrada no aumento de impostos
E as rejeições ao aumento de impostos não se fica por aqui... Até à posse do Governo, claro.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Passos Coelho e os impostos que devem descer, perdão, subir, perdão, descer, perdão, subir
A 21 de Março 2011: A descida dos impostos era obrigatória, por que Portugal "tem uma carga excessiva".
A 24 de Março 2011: Passos Coelho defende aumento de impostos, em Bruxelas. Os deputados dos PSD não gostam da ideia
A 5 de Maio de 2011 (a um mês das eleições): Passos Coelho garante que não vai aumentar os impostos e que isso é uma invenção do PS.
A 11 de Maio: Passos Coelho, no twitter, aumento de impostos assinado com troika é suficiente.
A 14 de Outubro de 2010 chegava o aviso: "impostos que sobem, nunca mais descem".
Se publicasse aqui as declarações de Passos Coelho, nos últimos meses, sobre impostos iria precisar de um blogue extra.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Daniel Cohn(traditório)-Bendit
O co-presidente do grupo dos Verdes no Parlamento Europeu começou hoje por reconhecer que os preparativos para a passagem de Rui Tavares do grupo da Esquerda Unitária Europeia (que integrava na qualidade de independente eleito pelo Bloco de Esquerda) para o grupo ecologista começaram há dois meses:
“Há muito tempo que discutíamos com ele e diferentes pessoas, eu próprio discuti com ele, era algo que se estava a preparar. (…) Digamos que se preparava desde há uns dois meses.”
Confrontado com esta informação, Rui Tavares garantiu que falou com os Verdes “pela primeira vez na segunda-feira” (20 de Junho) para se mostrar “interessado” em trabalhar com eles, rotulando de “absolutamente falso” o que Cohn-Bendit acabara de dizer.
Poucas horas depois, interpelado por um grupo de jornalistas portugueses, o líder dos Verdes corrigiu o tiro e reduziu o início dos contactos em várias semanas:
“Eu disse ao vosso colega há pouco que foi há dois meses, mas o que digo é que se discute há meses não sobre mudar de grupo, mas sobre política. E na semana passada ele falou com o nosso grupo, falou comigo antes, dizendo que havia problemas no seu partido, eu disse-lhe, ‘ouve, a decisão é tua’, e foi na semana passada que ele disse que já estava farto (do Bloco de Esquerda). Houve um aumento de tensão que o levou a decidir-se”.
Mas nem assim. E ao fim da tarde Cohn-Bendit difundiu um comunicado com a seguinte “precisão”:
“Houve um mal-entendido em relação à vinda do eurodeputado Rui Tavares para o grupo dos Verdes. Foi só depois de segunda-feira, dia 20 de Junho, que nós fomos contactados pelo sr. Tavares, que nos transmitiu a sua vontade de integrar, como independente, o grupo dos Verdes”.
Depois de ter mostrado a sua coragem nas barricadas do Maio de 68, Dany Le Rouge continua a mostrar que não tem medo de nada. Nem mesmo do ridículo.
Dos independentes
Ninguém dá pior nome aos independentes do que os próprios independentes.
Depois de Fernando Nobre ter jurado a pés juntos que nunca (never! jamais!) aceitaria cargos políticos e partidários e ter acabado (ou começado) como se sabe, é a vez de Rui Tavares revelar o difícil que é ser independente (porque dizê-lo é relativamente simples).
Eleito pelo Bloco de Esquerda para o Parlamento Europeu, aproveita um desentendimento com o líder do partido para abandonar a respectiva delegação (que integrava na qualidade de “independente”, como o próprio não se cansava de sublinhar”) e anunciar que passa à condição de “deputado independente, integrado no grupo dos Verdes europeus”.
Uma decisão tomada por, passados três dias, Francisco Louçã ainda não lhe ter apresentado um (devido) pedido de desculpas por o ter associado a informações erróneas sobre a génese do Bloco.
O pretexto da sua saída parece ser precisamente isso, um pretexto. Porque acontece numa altura em que o Bloco atravessa a sua maior crise. E sobretudo porque, para poder anunciar no próprio dia em que sai do grupo do Bloco no PE (a Esquerda Unitária Europeia) que passa a integrar os Verdes, significa que estaria a negociar com estes últimos há bem mais de três dias. O que o próprio co-presidente dos Verdes, Daniel Cohn-Bendit, confirmou.
Além de que, podendo ou não concordar com isso, Tavares foi eleito por um partido e não individualmente. Pelo que seria da elementar decência que colocasse o lugar à disposição do partido que o elegeu.
Aliás, “independentes” é coisa que não falta no PE. O seu colega socialista romeno Adrian Severin foi recentemente expulso do respectivo partido e grupo depois de um jornal ter revelado que aceitara modificar propostas legislativas do PE a troco de dinheiro (que não chegou a receber), mas ficou agarrado que nem uma lapa ao cargo de eurodeputado, agora como “independente”, claro.
No fundo, esta forma de ser “independente” é apenas uma maneira de não assumir qualquer compromisso (seja com um partido, seja com o eleitorado) e de poder tomar em proveito próprio a decisão que mais convém em cada momento.
E assim cresce a confiança dos portugueses no sistema político, em geral, e na classe política, em particular.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Volta, Zé Manel, estás perdoado!
Sete anos depois de ter trocado Lisboa por Bruxelas, Durão Barroso admitiu hoje que a culpa do estado a que chegou o país é sua. Claro que não o fez de uma forma tão directa e até foi obrigado a “amassar” alguns números para sustentar a sua tese.
Um jornalista italiano perguntou a Barroso se as receitas da Comissão Europeia, do BCE e do FMI para a Grécia seriam a solução certa. E recordou que, enquanto primeiro-ministro (entre 2002 e 2004), o próprio Durão implementou em Portugal medidas da mesma natureza e, quase 10 anos depois, o país “não está em grande forma”.
E Durão explicou pacientemente que, quando se foi embora, deixou a casa toda arrumadinha: “Quando era primeiro-ministro, no dia em que terminei o meu mandato, o défice estava, de facto, abaixo dos 3,0 por cento e a dívida, se me recordo bem, estava nos 57 ou 58 por cento, portanto abaixo do limite” de 60 por cento do PIB, referindo-se aos limites impostos pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento.
E acrescentou que “Nessa altura (2004) eu estava a tentar que o meu país fizesse esforços e algumas pessoas não concordavam com esses esforços”, para concluir que “o problema aparece quando esse caminho não tem continuação”. Ou seja, se a Europa não tivesse chamado por ele, nada disto tinha acontecido.
A verdade é que se em relação aos números da dívida Durão até tem razão, a parte sobre o défice é bem mais discutível. Começou por rever em alta o défice de 2001 (um truque muito em voga durante algum tempo em vários países europeus, como Portugal e a Grécia, que permite aos governos recém-empossados dramatizar a situação, acusar o antecessor e mostrar serviço mais depressa) para 4,3%. Fechou 2002 com 2,9%, mas em 2003 o valor final já foi de 3% e o ano de 2004 acabou nos 3,4%.
Quando Sócrates chegou ao governo, em 2005, a primeira coisa que este fez foi… rever em alta os valores do défice (atirando as culpas para Durão e Santana), que nesse ano acabaria por atingir os 5,9%.
Como diria o outro, é só fazer as contas. Ou talvez não.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Estado à bomba
Parte da entrevista de Nuno Crato à Rádio Ecclesia, em Fevereiro deste ano:Serviço público via blogosfera
O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, escreve aqui: desmitos; O ministro da Saúde é profusamente citado no Jumento; o da Educação e Ensino Superior andou pelo Divulgar Ciência.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
A forma e a lei
- Não só existe como já ganhou força de lei, diz alguém
- Já faz jurisprudência, avança outro.
Mesmo sem a resposta concreta deu jeito para explicar a batota - ou o roubo? - dos futuros magistrados e juízes no exame.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Um verdadeiro amor errante
Amor distante/ Por quem eu espero /Contando o tempo /A cada instante /Para sempre hás-de errar / Onde o vento soprar / Amor errante / Por quem demoras / Há tanto tempo?
terça-feira, 14 de junho de 2011
É na Síria, não é? Uma mentira a mais ou a menos não incomoda
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Jornalismo de bola de cristal
Francisco Sócrates Assis
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Vida dura a de autarca
segunda-feira, 6 de junho de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
Fatalismo ibérico ou novo "território comanche"?
Arturo Pérez Reverte, escritor e antigo jornalista, em entrevista ao jornal Público
terça-feira, 24 de maio de 2011
Quando o cheiro a poder emana de um ovo kinder
"(PPC) teve o arrojo e coragem de aceitar um desafio para o qual, à partida, dificilmente reúne condições pessoais e políticas" (sobre ser PM)
"É difícil de acreditar que aos 46 anos Passos Coelho não tenha nenhuma obra para mostrar"
"A táctica (de PPC) é absolutamente gratuita"
"É desprestigiante para o PSD o caminho que está a fazer. É errado e estúpido"
E, para terminar, a cereja em cima do bolo de Passos Coelho:
"Ainda é um ovo Kinder. Não tem provas dadas".
Falta agora perceber as verdadeiras intenções de Nuno Morais Sarmento para este zigue-zague. Deve estar a aquecer alguma cadeira a pensar no dia 6.

