segunda-feira, 21 de março de 2011

Ironias...

Pela primeira vez, o Governo apresenta um PEC, sem "martelar" nos números para dourar a pílula. Pela primeira vez, é realista, evitando anunciar uns "oásis" que se aproximam. É verdadeiro nas previsões e agora arrisca-se a... cair.

O verdadeiro valor das coisas

Há mais dirigentes do topo do PS, secretários de Estado e ministros a participar na campanha interna socialista de José Sócrates, que concorre a secretário-geral, do que participaram na campanha de Manuel Alegre na corrida à Presidência da República.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Enquanto são crianças, podem...




domingo, 13 de março de 2011

E tudo volta ao mesmo no reino da Líbia


Depois de uns intensos bombardeamentos, em pouco mais de três dias, Muammar Kadhafi está quase a recuperar, na totalidade, o controlo do território líbio. Em breve, vai acabar a aventura de uns tipos que, convencidos da boleia de umas manifestações, conseguiriam derrubar um ditador com quase 42 anos de experiência activa a mandar a seu bel-prazer. Os ditos rebeldes juntaram umas tropas fandangas e pensaram enfrentar um poderio militar, adquirido anualmente em França, Estados Unidos, Rússia e China. Tramaram-se. A Líbia vai ficar exatamente como estava há três semanas. Os homens que, por essa Europa e América fora, descobriram que Muammar Kadhafi é um ditador violento, assassino, louco e mais uns mimos vão ter de o engolir. E bem podem ter a mesma atitude que tinham há três semanas: bajulá-lo, visitá-lo e estender-lhe a mão (com pragmatismo, como defende Luís Amado, ou sem ele). Afinal, há muitos negócios para fazer e muita arma para vender.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Deve haver uma frota larga de C-130

Ando muito divertido a ler e a ouvir muitos portugueses a desejarem que Angola entre em convulsões sociais idênticas às do Médio Oriente. Além de ser divertido pela absoluta ignorância nas comparações entre países e regiões, há um lado perverso: vivem em Angola (registados) mais de 92 mil portugueses que transferiram, em 2010, para Portugal mais de 132 milhões de euros. Nada mau para um país que, como se sabe, está em crise.
E uma convulsão social pode provocar mais uma ponte aérea para trazer os portugueses todos que por lá fazem pela vida. Não sei se Portugal - e, já agora, a União Europeia - tem assim tantos aviões C-130.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O tribunal da Polónia é que lhe topa os truques

Lesto a detetar "truques" dos políticos em Portugal - daqueles que não apoia, naturalmente - Alexandre Soares Santos, líder do Grupo Jerónimo Martins, é mais lento a falar dos problemas do grupo na Polónia. Os truques foram julgados e detetados pelos tribunais polacos, desde a primeira instância ao Supremo. Há dois anos, o jornal I relatava as decisões do Supremo tribunal numa notícia que aqui se reproduz parte:

Apoiando-se em depoimentos de testemunhas e em relatórios da Inspecção-Geral do Trabalho (IGT), o Tribunal de Primeira Instância confirmou que existiam infracções massivas aos direitos dos trabalhadores, como colaboradores com salário e contrato de part-time que eram obrigados a fazer horário completo. Deu também como provado que raramente eram pagas horas extraordinárias, eram proibidas idas à casa-de-banho nas horas laborais, havia ameaças de despedimento, entre outros exemplos. A IGT polaca confirmou ainda que a Biedronka mantinha o registo de horas de trabalho de forma desonesta e que as regras de higiene e segurança eram recorrentemente infringidas.

Destes truques da Biedronka, pertencente à Jerónimo Martins, é que o empresário Alexandre Soares dos Santos se "esquece". Ou apenas omite quando despeja certezas inabaláveis, como esta:

"Ele [os políticos] é que gostam de truques. O nosso sucesso assenta em trabalho."

Esse trabalho foi bem descrito pela Inspeção-Geral da Polónia.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O centro do centro, mas honesto

Como se sabe e se sente, há muito tempo que o MPLA abandonou o "socialismo científico", apregoado durante décadas, para assumir, na prática, uma outra postura ideológica. Só que, na teoria, essa outra postura ainda não constava do programa do partido. Até este fim-de-semana. Dirigentes do MPLA estão reunidos em Luanda para redifinir a sua posição ideológica e, de acordo com os seus principais dirigentes, a linha traçada chama-se "socialismo democrático". E foi esse socialismo que motivou a realização de uma mesa redonda. Na abertura da cimeira coube ao presidente do grupo parlamentar, Virgílio de Fontes Pereira, explicar aos delegados o que é o socialismo democrático abraçado pelo MPLA:

"Um partido do socialismo democrático anda mais para esquerda quando defende mais os princípios da igualdade, da liberdade, da socialização da produção, entre outros. Vai mais para direita quando apregoa uma maior intervenção no mercado”.

Este zigue-zague do MPLA serve de lições a muita gente. Primeiro para aqueles que andam à procura do "Centro" que podem encontrar aqui um modelo; depois para aqueles que se dizem comunistas e vêem no MPLA um partido "camarada" de percurso e aliado de todas as horas; e, por fim, para os partidos de direita que, por esse mundo fora, não se cansam de "piscar os olhos" (de mão estendida ou apenas com cumplicidade ideológica) ao MPLA. O partido no poder em Angola tem assim braços largos e um colo quente.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Ataque aos hipócritas

A propósito das loas que se ouve e lê por aí à música dos Deolinda, vale muito - mas mesmo muito - ler o que escreve Rui Pelejão Marques sobre os hipócritas que não têm vergonha de falar da "geração lixada".

sábado, 12 de fevereiro de 2011

O que seria do Mundo sem esta clarividência?

Luís Amado, ministro dos Negócios Estrangeiros, em declarações a diversos órgãos de comunicação social:
"A situação no Egito ainda é muito complexa"

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Quando o povo é empurrado...

O Líder Supremo do Irão, aitollah Ali Kamenei, já festejou a queda de Hosni Mubarak, considerando que foi uma "vitória do povo egípcio". As garras, há muito, que estavam afiadas. Agora, já as mostram. Daqui a nada, têm-nas no poder.

Facada no Durão

Miguel Relvas, secretário-geral do PSD, disse hoje numa entrevista à SIC-Notícias que "todos os primeiros-ministros, eleitos depois de 1995, falharam" justificando a análise com o facto de ter havido "aumento de impostos, aumento do défice e aumento do desemprego"., em cada um desses governos.
Depois de 1995, foram eleitos António Guterres, DURÃO BARROSO e José Sócrates. Pelo meio, houve outro primeiro-ministro, mas não eleito: Pedro Santana Lopes.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Quem desassossega, amigo é

Agora que aumenta o 'suspense' no Egito, sobre o futuro do país e sobre o destino de Hosni Mubarak, é altamente recomendável que se leia este Prémio Pulitzer, de Lawrence Wright. Fica-se a perceber, antes de mais, as origens da Al-Qaeda e do radicalismo islâmico: escolas, faculdades e mesquitas no... Egito. E fica-se a perceber que aquelas manifestações não são, de todo, espontâneas. Desconfio que a comunidade internacional (essa vasta agência de interesses vários) vai ter muitas saudades do ditador Mubarak, caso ele caia.

As motivações para uma liderança

Conversa ouvida entre dois responsáveis do PS sobre o que se poderá no próximo congresso socialista:
- Achas que o Carrilho se candidata?
- Só se houvesse uma alteração estatutária em que o secretário-geral passasse a ganhar 10 mil euros por mês, mais cartão de crédito 'gold' e carro preto.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Crónica de duas estranhas demissões

A agência Lusa anuncia que Paulo Machado, diretor-geral da Administração Interna, Paulo Machado, e o diretor da Administração Eleitoral, Jorge Miguéis, tinham pedido a demissão.
De imediato, a TSF fala com Jorge Miguéis que nega, rematando que essa hipótese "não fazia sentido nenhum" e que aguardava pela conclusão do inquérito.
Minutos depois desta conversa, a assessoria do Ministério da Administração Interna fazia chegar um comunicado às redações dando conta que o "director-geral da Administração Interna, Professor Paulo Machado, e o director da Administração Eleitoral, Dr. Jorge Miguéis, apresentaram o pedido de demissão na sequência dos factos ocorridos no acto eleitoral de 23 de Janeiro de 2011".
Ou seja, Jorge Miguéis tinha pedido a demissão, mas não sabia.
Ou então, foi nomeado voluntário para sair e a comunicação social soube primeiro.
Ou isto tudo não faz sentido nenhum.

Nota: Apesar deste Governo ter assinado o Acordo Ortográfico, os assessores do mesmo Governo continuam sem saber o que isso significa.

domingo, 23 de janeiro de 2011

A Madeira não esquece o "senhor Silva"

Se fosse pela Madeira, Cavaco Silva não conseguiria ser reeleito à primeira volta. E José Manuel Coelho fica em segundo lugar.

A instabilidade mora ao lado

José Sócrates confessou o que lhe sempre esteve na alma: "Os portugueses optaram pela estabilidade política".

Não foi precisa, Fernando Nobre não chega mesmo a Belém


Um dos derrotados da noite

Francisco Louçã diz que houve uma "aliança popular" que se juntou para levar Manuel Alegre à segunda volta. Uma aliança popular contra "a especulação e a ganância". Não são precisamente estas críticas que Louçã e o Bloco de Esquerda fazem aos parceiros da tal "Aliança Popular", ou seja, José Sócrates e o PS?

Entre a vitória, a derrota e o alívio

Alguns socialistas sentem-se derrotados com estas eleições. Muitos - entre eles, dirigentes nacionais do PS - festejam os resultados. A maioria respira de alívio.

Democracia clara

Para se validar um referendo, é necessário que mais de 50 por cento vote. Para se eleger um presidente da República, basta alguém ir votar. Até podia haver uma abstenção de 99,9 por cento.