quarta-feira, 20 de outubro de 2010
PARA QUEM AINDA DUVIDAVA...
Eis, o professor, desta vez himself, o próprio, Aníbal Cavaco Silva a confirmar o que o outro professor, Marcelo Rebelo de Sousa, já tinha anunciado.
Dia 26, CCB, às 20h...anúncio de recandidatura..
Dia 26, CCB, às 20h...anúncio de recandidatura..
A vergonha

Os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) acabam de divulgar a versão de 2010 da classificação dos países relativamente ao respeito da liberdade de imprensa. Constatam que, no espaço de um ano, a Europa “caiu do pedestal”. Portugal caiu dez lugares nos últimos 12 meses e 33 (!!!) no espaço de uma década, ou seja, desde que esta avaliação começou a ser publicada. É o 40º da lista.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Esta semana, a cor da hipocrisia é o azul

Nos corredores do PE, em Estrasburgo, há umas bancas a distribuir lacinhos azuis que muitos eurodeputados e funcionários ostentam na lapela. Parece que a euro-semana é dedicada à erradicação da pobreza.
Porquê? Porque da agenda consta um relatório (meramente político, sem qualquer tipo de consequência prática) sobre o rendimento mínimo no combate à pobreza. Que até defende que deve existir em todos os países um subsídio equivalente ao rendimento de inserção social português. E que até defende que o dito deve corresponder a 60% do rendimento médio de cada país, o que no caso português seria qualquer coisa como 420 euros (actualmente são 189 euros e o salário mínimo 475).
Mas como nada disto tem qualquer consequência prática, pode aprovar-se o relatório à vontade, com uma maioria confortavelmente apaziguadora de consciências, enquanto se debitam umas banalidades sobre os pobrezinhos e se decide se o laço azul fica melhor do lado esquerdo ou direito.
E deixa-se para outro dia a reflexão populista e demagoga sobre os ordenados dos eurodeputados (7.807,12 euros/mês), a que acresce o subsídio de “despesas gerais” para apetrechar o escritório (4.2020 euros/mês, apesar de o PE providenciar algumas coisas, tipo computadores), o subsídio anual de viagem (4.148 euros/ano), o subsídio de estadia pela “comparência em reuniões oficiais” (298 euros/dia, basicamente para fazer aquilo que a maior parte das pessoas faz, que é ir trabalhar) e o recentemente auto-aumentado subsídio para contratação de colaboradores (19.364 euros/mês). Sim, tudo isto para cada um dos 736 eurodeputados e não a distribuir por todos. Para já não falar das incompreensíveis deslocações mensais do euro-circo a Estrasburgo (200 milhões de euros/ano), os subsídios de reinserção, os esquemas de reforma e a pensão de aposentação aos 63 anos. Nem para referir os igualmente compreensivos salários e regalias dos eurocratas que, dia sim, dia não, lembram aos marotos dos portugueses, dos gregos ou dos irlandeses que a austeridade, o congelamento dos salários ou o aumento da idade da reforma é para o seu próprio bem.
Enfim. Vou ali buscar o meu lacinho e já venho.
Porquê? Porque da agenda consta um relatório (meramente político, sem qualquer tipo de consequência prática) sobre o rendimento mínimo no combate à pobreza. Que até defende que deve existir em todos os países um subsídio equivalente ao rendimento de inserção social português. E que até defende que o dito deve corresponder a 60% do rendimento médio de cada país, o que no caso português seria qualquer coisa como 420 euros (actualmente são 189 euros e o salário mínimo 475).
Mas como nada disto tem qualquer consequência prática, pode aprovar-se o relatório à vontade, com uma maioria confortavelmente apaziguadora de consciências, enquanto se debitam umas banalidades sobre os pobrezinhos e se decide se o laço azul fica melhor do lado esquerdo ou direito.
E deixa-se para outro dia a reflexão populista e demagoga sobre os ordenados dos eurodeputados (7.807,12 euros/mês), a que acresce o subsídio de “despesas gerais” para apetrechar o escritório (4.2020 euros/mês, apesar de o PE providenciar algumas coisas, tipo computadores), o subsídio anual de viagem (4.148 euros/ano), o subsídio de estadia pela “comparência em reuniões oficiais” (298 euros/dia, basicamente para fazer aquilo que a maior parte das pessoas faz, que é ir trabalhar) e o recentemente auto-aumentado subsídio para contratação de colaboradores (19.364 euros/mês). Sim, tudo isto para cada um dos 736 eurodeputados e não a distribuir por todos. Para já não falar das incompreensíveis deslocações mensais do euro-circo a Estrasburgo (200 milhões de euros/ano), os subsídios de reinserção, os esquemas de reforma e a pensão de aposentação aos 63 anos. Nem para referir os igualmente compreensivos salários e regalias dos eurocratas que, dia sim, dia não, lembram aos marotos dos portugueses, dos gregos ou dos irlandeses que a austeridade, o congelamento dos salários ou o aumento da idade da reforma é para o seu próprio bem.
Enfim. Vou ali buscar o meu lacinho e já venho.
O grande recreio

É difícil decidir o que é mais ridículo e/ou pueril: a ideia ou a sua justificação.
O Parlamento Europeu vota esta quarta-feira o relatório de Edite Estrela sobre o alargamento da licença de maternidade. A Verde holandesa Marije Cornelissen enviou um mail aos demais colegas a anunciar a sua ideia brilhante: que os eurodeputados que apoiam as propostas do relatório (aumentar a licença de maternidade para 20 semanas, com pagamento integral do ordenado… a partir de 2020) apareçam no plenário com um destes bonitos balões (os Verdes encarregam-se da distribuição dos ditos à entrada do plenário).
Balões esses que “não têm o logo de nenhum grupo, pois o momento é de unidade”. Em contrapartida têm “a imagem de um bebé feliz, pois no fundo é disso que se trata”.
Quinta-feira é votado um relatório sobre política marítima. Que irá a Marije distribuir desta vez? Barbatanas?
O Parlamento Europeu vota esta quarta-feira o relatório de Edite Estrela sobre o alargamento da licença de maternidade. A Verde holandesa Marije Cornelissen enviou um mail aos demais colegas a anunciar a sua ideia brilhante: que os eurodeputados que apoiam as propostas do relatório (aumentar a licença de maternidade para 20 semanas, com pagamento integral do ordenado… a partir de 2020) apareçam no plenário com um destes bonitos balões (os Verdes encarregam-se da distribuição dos ditos à entrada do plenário).
Balões esses que “não têm o logo de nenhum grupo, pois o momento é de unidade”. Em contrapartida têm “a imagem de um bebé feliz, pois no fundo é disso que se trata”.
Quinta-feira é votado um relatório sobre política marítima. Que irá a Marije distribuir desta vez? Barbatanas?
"O Fernando Medina já ligou ?"
Normalmente, para facilitar a comunicação com os jornalistas, os partidos arranjam um porta-voz. Este, ao ser escolhido, já sabe (?) ao que vai. Os jornalistas, quando precisam de um on, já sabem com quem falar.
Mas quando um porta-voz dá ordens no Rato para que não seja divulgado o seu número, a coisa complica-se até porque os seus antecessores (Vitalino Canas e João Tiago Silveira) se mostraram sempre acessíveis.
Não poderá o PS, mesmo em tempos de austeridade, arranjar um telemóvel de serviço a Fernando Medina ?
PS Já agora, se não fôr pedir muito : o telemóvel do assessor de imprensa do grupo parlamentar, Vasco Ribeiro, avariou...
Mas quando um porta-voz dá ordens no Rato para que não seja divulgado o seu número, a coisa complica-se até porque os seus antecessores (Vitalino Canas e João Tiago Silveira) se mostraram sempre acessíveis.
Não poderá o PS, mesmo em tempos de austeridade, arranjar um telemóvel de serviço a Fernando Medina ?
PS Já agora, se não fôr pedir muito : o telemóvel do assessor de imprensa do grupo parlamentar, Vasco Ribeiro, avariou...
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Não se fala de outra coisa mas...
Em Belém, nem uma palavra sobre o anúncio (?) de Marcelo Rebelo de Sousa. Na cerimónia de homenagem aos pioneiros da transplantação, esta manhã, cumpriu-se o protocolo. Cavaco Silva discursou, ouviu os agradecimentos, tirou a fotografia de família (com as preciosas indicações de Maria Cavaco Silva sentada na primeira fila da Sala das Bicas - "Ninguém atrás, ninguém atrás", "Façam um arco"- para o grupo (PR e especialistas em transplantes) que tentava posicionar-se no curto estrado para o flash) e ofereceu um porto de honra...longe dos jornalistas.
domingo, 17 de outubro de 2010
O porta-voz
Cavaco Silva não precisa de assessores, nem de comunicados de imprensa, nem de telefonemas para os jornalistas, nem de publicidade. Na TVI, o comentador/conselheiro de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, revelou o anúncio da recandidatura marcado para 26/10/2010, às 20h, no CCB, em Lisboa.
sábado, 16 de outubro de 2010
Suspiros (portugueses) de alívio
O Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, prometeu completar o pagamento de todas as dívidas até o primeiro trimestre do próximo ano. No discurso na Assembleia Nacional, sobre o Estado da Nação, ficou ainda a garantia de haver mais investimentos públicos, em todos os sectores, nos próximos anos. Quem pode, pode. E fica a atenção de todos os queiram investir. O discurso na íntegra pode ser lido aqui.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Não há quem aguente...
Minutos depois da pen ter sido entregue pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, a Jaime Gama, a página da internet do Parlamento caiu. Sinais...
No Rato...
Está tudo à espera do Orçamento e, no Largo do Rato, Pedro Silva Pereira e Jorge Lacão reunem-se com deputados que integram o grupo de trabalho da revisão constitucional. Sem dúvida, um tema pertinente nos dias que correm. Os ministros não contavam era com a presença de jornalistas por causa de outra reunião (Sócrates com autarcas) ...
Barroso, maçon sem avental?
Depois das confissões religiosas, Durão Barroso abriu hoje as portas da Comissão Europeia às “organizações filosóficas e não-confessionais”, vulgo lojas maçónicas e mais uma panóplia de organizações laicas, ateístas e humanistas. O importante é dialogar.
Na conferência de imprensa final, Barroso foi questionado directamente sobre se pertence a alguma organização maçónica.
Ao seu melhor estilo, começou por explicar que “Uma pessoa tem o direito de dizer se é ou não membro, mas também se pode recusar fazê-lo”, com alguns jornalistas já a esfregarem as mãos de contentes (naquela lógica do ‘se não nega, é porque se calhar até é’). Mas lá acrescentou: “dito isto, e para evitar mal entendidos, eu não sou membro e não recebi nenhum convite para ser”, no que foi secundado pelo presidente do Conselho Europeu, igualmente presente (“eu também não!”).
Estava a conferência de imprensa prestes a terminar quando um dos muitos participantes no encontro pega no microfone e atira: “na franco-maçonaria dizemos que quando alguém se identifica com as nossas ideias e as aceita, então é um franco-maçon sem avental e esse é provavelmente o caso de ambos os presidentes”.
Na conferência de imprensa final, Barroso foi questionado directamente sobre se pertence a alguma organização maçónica.
Ao seu melhor estilo, começou por explicar que “Uma pessoa tem o direito de dizer se é ou não membro, mas também se pode recusar fazê-lo”, com alguns jornalistas já a esfregarem as mãos de contentes (naquela lógica do ‘se não nega, é porque se calhar até é’). Mas lá acrescentou: “dito isto, e para evitar mal entendidos, eu não sou membro e não recebi nenhum convite para ser”, no que foi secundado pelo presidente do Conselho Europeu, igualmente presente (“eu também não!”).
Estava a conferência de imprensa prestes a terminar quando um dos muitos participantes no encontro pega no microfone e atira: “na franco-maçonaria dizemos que quando alguém se identifica com as nossas ideias e as aceita, então é um franco-maçon sem avental e esse é provavelmente o caso de ambos os presidentes”.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Realpolitik a quanto obrigas
Antes de chegar a Portugal, Hugo Chavez vai passar pela Russia, Bielorrussia, Ucrânia, Irão e Síria. Vale a pena ler aqui o pedido de autorização enviado pelo presidente venezuelano à Assembleia Nacional com a justificação da visita a cada país...
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
A melhor imagem
O "Prós&Contras" da RTP discute "Portugal em busca do futuro". Caiu a energia a meio.
De pé, ó vítimas dos golpes na credibilidade
Se o PCP acreditasse, de facto, nos hinos que canta e o que defende em Portugal, nunca escreveria isto a propósito da atribuição do Prémio Nobel da Paz, Liu Xiaobo:
«A decisão da atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo – inseparável das pressões económicas e políticas dos EUA à República Popular da China - é, na linha da atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2009 ao Presidente dos EUA, Barack Obama, mais um golpe na credibilidade de um galardão que deveria contribuir para a afirmação dos valores da paz, da solidariedade e da amizade entre os povos.»
Verdadeiro golpe na credibilidade seria o Nobel da Economia ser atribuído ao regime chinês, que promove a escravatura; num país onde não há leis laborais, nem sindicatos que defendam trabalhadores e "conquistas" parecidas com as de Abril; em que há gente exportada como se fosse gado a viver em contentores num sistema rotativo chamado "cama quente". Só por isso o PCP e os comunistas deveriam ter contenção - para não chamar vergonha - de se aproximarem sequer de uma posição chinesa.
O PCP tem a arte de simultaneamente apoiar dois regimes que, de comum, só têm o facto de um exportar a mão-de-obra e outro importá-la: China e Angola.
«A decisão da atribuição do Prémio Nobel da Paz a Liu Xiaobo – inseparável das pressões económicas e políticas dos EUA à República Popular da China - é, na linha da atribuição do Prémio Nobel da Paz de 2009 ao Presidente dos EUA, Barack Obama, mais um golpe na credibilidade de um galardão que deveria contribuir para a afirmação dos valores da paz, da solidariedade e da amizade entre os povos.»
Verdadeiro golpe na credibilidade seria o Nobel da Economia ser atribuído ao regime chinês, que promove a escravatura; num país onde não há leis laborais, nem sindicatos que defendam trabalhadores e "conquistas" parecidas com as de Abril; em que há gente exportada como se fosse gado a viver em contentores num sistema rotativo chamado "cama quente". Só por isso o PCP e os comunistas deveriam ter contenção - para não chamar vergonha - de se aproximarem sequer de uma posição chinesa.
O PCP tem a arte de simultaneamente apoiar dois regimes que, de comum, só têm o facto de um exportar a mão-de-obra e outro importá-la: China e Angola.
De mestre
O PS não precisa de dizer ou de fazer mais nada. Já conseguiu pôr boa parte do PSD a defender "este Orçamento ou o Caos".
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
E tudo o Evento levou
Além da Anacom - alguém já a chama "anacome" -, há outros gastos do Estado de arrepiar. Festas e eventos, árvores de natal, decoração de pavilhões, medalhas comemorativas, assessorias de imprensa, postais, brindes. Tudo a ultrapassar os milhares, nalguns casos, os milhões de euros. Está tudo em base.gov.pt. E aqui um resumo dos mais "saborosos".
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Do que Saramago se livrou...
Finalmente, em Mafra, ficam explicadas as tropelias a José Saramago.**foto roubada ao Delito de Opinião
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
O "show" encolhido

Em Junho, já se sentia um calor abrasador e meio Portugal fervia com os fogos, três ministros decidiram avançar com o projecto de colocar desempregados a limpar as matas. Diz o povo que em "casa arrombada, tracam-se as portas". Decisão tomada, o Governo não se limita a colocar em papel e de proceder aos mecanismos para que a ideia fosse colocada em marcha.
Três ministros (3) - Rui Pereira, António Serrano e Helena André - juntaram-se no Salão Nobre do Ministério da Administração Interna, acompanhados de um exército de assessores e mais uns governadores civis e outros directores-gerais (enfim, casa cheia), e anunciaram a medida, com direito a três discursos e mais entrevistas no final da cerimónia.
Soube-se hoje que afinal a medida pariu um rato. Nem um único desempregado está inscrito no programa. À notícia, seguiu-se uma cortina de silêncio. Ninguém quis explicar o que acontecera: o Ministério da Agricultura (de António Serrano) remeteu para o Ministério da Administração Interna (MAI). O Ministério do Trabalho (de Helena André) atirou para o MAI. O MAI (de Rui Pereira) optou por silêncio. Agora, a voz, a pompa e o estilo falharam.
Num episódio de "yes minister", o chefe de gabinete recomenda a um assessor que opte sempre pelo silêncio até que os jornalistas desistam. A escola, por cá, tem sido bem aplicada.
Na sessão solene de 6 de Outubro
Para a sessão solene comemorativa do centenário da implantação da República, a Assembleia da Republica, à semelhança do que sempre acontece, mandou imprimir uma brochura com todo o cerimonial. No hemiciclo, às três da tarde, em cada lugar havia uma. Excepto na bancada de imprensa. Por incrível que pareça, os jornalistas, em especial aqueles que iam transmitir a sessão em directo, os principais interessados no "programa das festas", por razões óbvias, não tinham. Quem pedia, lá conseguia uma, mas quase em segredo. Na bancada do governo, todos os ministros tinham a sua. O problema é que só compareceram quatro ( Jorge Lacão, Isabel Alçada, Mariano Gago e Gabriela Canavilhas).
O ridículo é que três horas depois de acabar a cerimónia, ainda há brochuras espalhadas pelas mesas do governo... A tiragem indica 600 exemplares.
O ridículo é que três horas depois de acabar a cerimónia, ainda há brochuras espalhadas pelas mesas do governo... A tiragem indica 600 exemplares.
Esperteza saloia? Talvez. Desleixo? Certamente.
A recusa em bloco dos três candidatos apresentados por Portugal para o cargo de juiz no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem deu origem a mais um psicodrama de penico. Talvez a coincidência com o centenário da república ajude a perceber a dimensão da indignação perante tamanho crime lesa-pátria.
No entanto há dois pormenores curiosos. O primeiro é que a decisão de chumbar os três nomes e “recomendar” a apresentação de uma nova lista foi tomada no dia 10 de Setembro, ou seja, há quase um mês. Sem que ninguém tivesse reparado ou considerado importante.
A decisão foi tomada por uma sub-comissão da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, cuja responsabilidade é apenas essa (entrevistar e escolher um juiz entre os candidatos propostos pelos diferentes países), e de cuja composição não faz parte nenhum deputado português (porque deve ser uma chatice e não deve ter importância nenhuma).
Só quando chegaram descansadamente a Estrasburgo, na passada segunda-feira, para mais uma tranquila sessão da dita Assembleia, é que os representantes lusos “descobriram” a afronta (já agora, o que andará a fazer o representante permanente de Portugal junto do Conselho da Europa, responsável por acompanhar estes processos?). Alguém andou a dormir ou a ver se a coisa passava despercebida.
Nesse mesmo dia, o social-democrata Mendes Bota tentou salvar a honra da nação propondo uma votação, mas a recomendação da dita sub-comissão acabou por ser endossada pelo plenário.
De Estrasburgo a Lisboa choveram reacções, do género a-minha-indignação-é-mais-indignada-que-a-tua, deputados, bastonários, ministros, comentadores, treinadores, etc, quase abafando o segundo pormenor curioso.
No debate que antecedeu o voto, o presidente da comissão jurídica (de quem depende a referida sub-comissão), explicou sem papas na língua o motivo da decisão. Quando querem impor o seu candidato, os governos de alguns países apresentam um nome forte e dois fracos, o que é visto pela Assembleia Parlamentar como uma manobra para condicionar a sua decisão, que acaba por esvaziar o seu papel. Pelo que quando consideram estar perante uma situação dessas fazem o que já fizeram em ocasiões anteriores, envolvendo outros países: vai tudo para trás.
“Portugal pode fazer muito melhor e apresentar uma lista com três excelentes candidatos”, afirmou o presidente da comissão jurídica, o cipriota Pourgourides.
No entanto há dois pormenores curiosos. O primeiro é que a decisão de chumbar os três nomes e “recomendar” a apresentação de uma nova lista foi tomada no dia 10 de Setembro, ou seja, há quase um mês. Sem que ninguém tivesse reparado ou considerado importante.
A decisão foi tomada por uma sub-comissão da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, cuja responsabilidade é apenas essa (entrevistar e escolher um juiz entre os candidatos propostos pelos diferentes países), e de cuja composição não faz parte nenhum deputado português (porque deve ser uma chatice e não deve ter importância nenhuma).
Só quando chegaram descansadamente a Estrasburgo, na passada segunda-feira, para mais uma tranquila sessão da dita Assembleia, é que os representantes lusos “descobriram” a afronta (já agora, o que andará a fazer o representante permanente de Portugal junto do Conselho da Europa, responsável por acompanhar estes processos?). Alguém andou a dormir ou a ver se a coisa passava despercebida.
Nesse mesmo dia, o social-democrata Mendes Bota tentou salvar a honra da nação propondo uma votação, mas a recomendação da dita sub-comissão acabou por ser endossada pelo plenário.
De Estrasburgo a Lisboa choveram reacções, do género a-minha-indignação-é-mais-indignada-que-a-tua, deputados, bastonários, ministros, comentadores, treinadores, etc, quase abafando o segundo pormenor curioso.
No debate que antecedeu o voto, o presidente da comissão jurídica (de quem depende a referida sub-comissão), explicou sem papas na língua o motivo da decisão. Quando querem impor o seu candidato, os governos de alguns países apresentam um nome forte e dois fracos, o que é visto pela Assembleia Parlamentar como uma manobra para condicionar a sua decisão, que acaba por esvaziar o seu papel. Pelo que quando consideram estar perante uma situação dessas fazem o que já fizeram em ocasiões anteriores, envolvendo outros países: vai tudo para trás.
“Portugal pode fazer muito melhor e apresentar uma lista com três excelentes candidatos”, afirmou o presidente da comissão jurídica, o cipriota Pourgourides.
Saber lidar com o imprevisto
O que fazer quando a realidade ultrapassa o teleponto.
http://video.ap.org/?f=AP&pid=z7JkpxPZvgxDtcy1Ezxc4kkTlrO2glhI
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terça-feira, 5 de outubro de 2010
Sem dúvida, um dos momentos do dia
" Lisboa, 05 out (Lusa) – O primeiro ministro disse hoje que a laicidade do Estado não é um princípio anti religioso, mas o garante da liberdade religiosa, no dia em que se comemoram 100 anos da implantação da República.
“Quis vir aqui no 5 de outubro para assinalar aquilo que é um princípio estruturante do nosso Estado republicano, o princípio da laicidade e para afirmar que este não é anti-religioso”, afirmou José Sócrates na inauguração da igreja de Alfragide.
Segundo o primeiro ministro, a laicidade do Estado “é garante da liberdade religiosa, de todos os cultos e todas as confissões”.
Depois de assistir à missa celebrada pelo cardeal patriarca de Lisboa, o primeiro ministro destacou que “o Estado Republicano trata todas as confissões por igual, com igual respeito, delicadeza e carinho”.
José Sócrates admitiu também que a sua presença na inauguração da igreja teve uma motivação pessoal: “partilhar o contentamento da comunidade católica”, de Alfragide, e que o fez “com alegria e com luz no coração”.
CC.
“Quis vir aqui no 5 de outubro para assinalar aquilo que é um princípio estruturante do nosso Estado republicano, o princípio da laicidade e para afirmar que este não é anti-religioso”, afirmou José Sócrates na inauguração da igreja de Alfragide.
Segundo o primeiro ministro, a laicidade do Estado “é garante da liberdade religiosa, de todos os cultos e todas as confissões”.
Depois de assistir à missa celebrada pelo cardeal patriarca de Lisboa, o primeiro ministro destacou que “o Estado Republicano trata todas as confissões por igual, com igual respeito, delicadeza e carinho”.
José Sócrates admitiu também que a sua presença na inauguração da igreja teve uma motivação pessoal: “partilhar o contentamento da comunidade católica”, de Alfragide, e que o fez “com alegria e com luz no coração”.
CC.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Os riscos da Política 2.0
Pedir ao povo propostas para cortar a despesa antes de apresentar o seu próprio plano, dá um bocadinho a ideia de que afinal ainda pouco se sabe o que se vai fazer na São Caetano. Ou se ganhar as eleições, o PSD tambem abrirá um site a pedir ideias para o Orçamento de Estado antes de apresentar uma proposta ao Parlamento ?
Um ajuste de contas com Afonso Costa
No centenário da República, que ditou a separação do Estado das Igrejas, José Sócrates vai inaugurar a Igreja de Alfragide...
Aqui ao lado...
Com a derrota da ministra Trinidad Jiménez, a aposta pessoal do chefe do governo espanhol, nas primárias do PSOE em Madrid, já há quem fale em PosZapaterismo
domingo, 3 de outubro de 2010
Políticos-Comentadores
Há uns anos, quando Pacheco Pereira recusava respostas aos jornalistas para depois perorar na SIC, uma amiga minha dizia com toda a razão "pois, só fala com quem lhe paga !"
Marcelo Rebelo de Sousa era uma excepção. Muitas vezes - e para irritação de quem fazia o programa - não guardava para domingo o que podia dizer durante a semana ao microfone que lhe aparecia pela frente.
Vem isto a propósito da reacção de António José Seguro, sexta-feira passada, na Assembleia da Republica, aos jornalistas que o interpelaram sobre as novas medidas de austeridade do governo. Seguro faltara às reuniões da comissão política e do grupo parlamentar e pretendia-se conhecer a sua posição. "Já falei ontem na SIC-Noticias"...mas importa-se de repetir ?..."Veja a gravação da Sic-Noticias", acrescentou o deputado justificando as ausências com as aulas que tinha à mesma hora das reuniões.
Seguro sublinhou o compromisso que tinha com os seus alunos. E um compromisso com os eleitores que o elegeram, não terá ? Ou terão esses eleitores de ver a Sic-Noticias para conhecerem a posição do seu deputado ?
(Na véspera,tambem António Costa que recusara fazer declarações no final da comissão política, expôs na Quadratura do Círculo a sua opinião sobre as novas medidas.)
É óbvio que cada político fala sobre o que quer com quem quer e quando quer.
Mas ao limitar o seu discurso a uma tribuna mediática paga, quando o interesse é geral, não estará o político apenas a condicionar a forma de transmissão da mensagem, dificultando o seu conhecimento por parte de quem o elegeu e com quem tem (ou deve ter) um compromisso maior ?
Marcelo Rebelo de Sousa era uma excepção. Muitas vezes - e para irritação de quem fazia o programa - não guardava para domingo o que podia dizer durante a semana ao microfone que lhe aparecia pela frente.
Vem isto a propósito da reacção de António José Seguro, sexta-feira passada, na Assembleia da Republica, aos jornalistas que o interpelaram sobre as novas medidas de austeridade do governo. Seguro faltara às reuniões da comissão política e do grupo parlamentar e pretendia-se conhecer a sua posição. "Já falei ontem na SIC-Noticias"...mas importa-se de repetir ?..."Veja a gravação da Sic-Noticias", acrescentou o deputado justificando as ausências com as aulas que tinha à mesma hora das reuniões.
Seguro sublinhou o compromisso que tinha com os seus alunos. E um compromisso com os eleitores que o elegeram, não terá ? Ou terão esses eleitores de ver a Sic-Noticias para conhecerem a posição do seu deputado ?
(Na véspera,tambem António Costa que recusara fazer declarações no final da comissão política, expôs na Quadratura do Círculo a sua opinião sobre as novas medidas.)
É óbvio que cada político fala sobre o que quer com quem quer e quando quer.
Mas ao limitar o seu discurso a uma tribuna mediática paga, quando o interesse é geral, não estará o político apenas a condicionar a forma de transmissão da mensagem, dificultando o seu conhecimento por parte de quem o elegeu e com quem tem (ou deve ter) um compromisso maior ?
Europa a várias vozes


Portugal é visto como sendo "Brazil", ou fazendo parte de uma União de Agricultores Subsidiados, ou como "english allies", ou a "oceania", ou ainda estranhamente como "oranges". Só depende do ponto de vista de quem desenha o mapa da Europa.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Grão a grão
Quanto pode custar fotocopiar um documento de identificação pessoal numa banal folha A4 e decorar a dita com um carimbo? Depende. Na embaixada portuguesa em Bruxelas, por exemplo, custa a módica quantia de 20 euros. Para justificar a roubalheira, à quantia cobrada chamam “emolumento” e à folhinha de papel “cópia certificada do passaporte” (ainda bem que não era o BI, senão fotocopiá-lo dos dois lados era coisa para custar uns 40 euros). E assim contribuímos para o “esforço de todos” que é reduzir o défice, o novo passatempo preferido de José Sócrates.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Vale tudo
A manchete do DN de hoje é a verdadeira prova de que, se quisermos, 2+2 pode mesmo ser igual a 5.Parte das considerações que o assunto merece pode ser substituída pela transcrição de algumas passagens do desmentido entretanto feito pela delegação da Comissão Europeia em Lisboa.
Publicou o Diário de Notícias na sua edição de hoje (23 de Setembro) uma noticia intitulada "Equipa da UE vem fiscalizar orçamento antes de ser apresentado", com destaque na primeira página.
Gostaríamos de chamar a atenção para o facto de que esta informação não corresponde à realidade.
De facto, o Comissário Janusz Lewandoski estará em Portugal entre os dias 12 e 15 de Outubro no âmbito de uma tour de capital (à semelhança do que aconteceu recentemente com a Lituânia e a França) para discutir as perspectivas financeiras da União Europeia pós-2013, e não o orçamento português, porque não são essas as suas competências.
Esta visita em nada está relacionada com o chamado "Semestre Europeu".
No quadro da repartição interna de competências no colégio de comissários, a análise dos orçamentos nacionais dos Estados-membros compete ao Comissário europeu para os assuntos económicos e monetários, Olli Rehn.
Todas estas informações e explicações foram dadas por mim própria ontem ao telefone ao jornalista HFC.
Daí estranharmos que o DN tenha publicado a informação de partida do jornalista e não tenha tido em conta as informações fornecidas.
E termina:
Esperamos poder contar com a continuação do interesse e disponibilidade do jornal às iniciativas da Comissão Europeia e à promoção do debate sobre os assuntos europeus junto dos seus leitores.
O que prova que até os eurocratas têm sentido de humor.
A estória tem por base informação facultada por “fontes parlamentares”, soma alguns factos (vai passar a haver um visto prévio europeu aos orçamentos nacionais, mas não importa que seja só a partir do próximo ano; o comissário europeu responsável pelo orçamento vai a Lisboa, mas não importa que ele seja apenas responsável pelo orçamento comunitário e não pelos nacionais; o comissário responsável pelas finanças por acaso até falou sobre Portugal esta semana), agita-se tudo muito bem e o resultado é uma espectacular e exclusiva manchete.
Só é pena não corresponder à realidade.
Intoxicação das “fontes parlamentares”? Vender papel a todo o custo? Talvez os cientistas da outra notícia da mesma primeira página do DN de hoje sejam capazes de descortinar as verdadeiras razões.
Podia dizer-se que bastava terem ligado para alguém na Comissão para perceber que talvez a estória não fosse bem assim, mas pelos vistos até o fizeram. No entanto, prevaleceu a célebre filosofia do “não deixes que a realidade te estrague uma boa estória”.
Talvez não mudasse grande coisa, mas e que tal se arranjassem um correspondente em Bruxelas?
Notícias de uma demissão (talvez) anunciada
Talvez Manuel Maria Carrilho tenha assinado a sua demissão a 21 de Março de 2009, quando escreveu sobre uma "cegueira tragicamente irresponsável". A dúvida que me assalta é esta: pode um embaixador, em funções no estrangeiro, criticar tão severamente o governo do Estado que representa? É uma mera dúvida, não passa disso mesmo.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Mário Soares e o FMI: um amor antigo
Fala a experiência de quem, de finanças, percebe tanto como Fernando Pessoa: "Não era uma desgraça se o FMI viesse".
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Andamos a sustentar alguém
Só no mês de Setembro, vou pagar, de impostos 930 euros. Assim divididos: 420 de pagamento por conta, inventado por Manuela Ferreira Leite e mantido por José Sócrates, 290 de IMI e 220 de IRS, relativo ao ano passado. Este ano, já paguei outros 420 de pagamento por conta e mais 290 de IMI. Contas feitas, 2010 já me custou 1640 euros. E hoje descobri para onde vai esse dinheiro: para cobrir as despesas primárias do Estado que sobem, sobem, sobem, sobem, sobem, sobem....
O preço da fama

A polícia finlandesa procura um indivíduo suspeito de ter levado a cabo uma série de burlas. Para facilitar a detenção, lançou um apelo público e divulgou uma série de características do artista, sublinhando que apresenta uma enorme semelhança física com alguém que, aparentemente, os finlandeses conhecem de gingeira: o presidente da Comissão Europeia.
Mais do que ficar incomodado com a comparação ou com o atrevimento da polícia finlandesa (que presta assim uma bela homenagem ao fino humor que caracteriza este país), Durão Barroso bem pode começar a tentar perceber o segredo da sua popularidade por aquelas paragens e tentar exportar a receita para o resto da Europa.
Mais do que ficar incomodado com a comparação ou com o atrevimento da polícia finlandesa (que presta assim uma bela homenagem ao fino humor que caracteriza este país), Durão Barroso bem pode começar a tentar perceber o segredo da sua popularidade por aquelas paragens e tentar exportar a receita para o resto da Europa.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
O estudo como desporto do cérebro, O-U-V-I-R-A-M ?!!!
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terça-feira, 14 de setembro de 2010
Não mata, mas enoja
É arrepiante a forma fácil e leviana que alguns jornais tentam assassinar o carácter de alguém. Com a ajudinha de quem faz da política, um mero jogo de interesses pessoais. A mais recente vítima é André Figueiredo, dirigente nacional do PS, que tem a ‘veleidade’ de ser também chefe de gabinete de José Sócrates e de estar no topo da organização do partido. E isso custa-lhe caro. Já houve, em tempos, uma leve tentativa de o envolver em processos do tempo em que era um jovenzito. Agora, tentam colar-lhe, através de uma suposta notícia, o carimbo do rapaz que inventa ter uma licenciatura.
A dita notícia, publicada pelo mesmo jornal que já sentenciou Duarte Lima, nem sequer tem o cuidado de respeitar as regras mais básicas do jornalismo: ouvir todos os envolvidos e, já agora, consultar alguns arquivos. O dito “jornalista”, autor do libelo, ficou tão embevecido em contar a estória que lhe sopraram ao ouvido que nem sequer se apercebeu da verdadeira notícia. Mas não serei eu que o vou ajudar. Há, por aí, algumas escolas de jornalismo com capacidade para o fazer.
Quem contou ao jornal o que contou, por acaso, nem tinha intenção de beliscar mais alguém se não apenas André Figueiredo. Mas a forma como o dito jornal “pegou” na estória, temo o pior: que venha por aí um chorrilho de mentiras, inventado à secretária da redacção. Não só para atingir o próprio André Figueiredo, como especialmente para apontar um outro alvo: José Sócrates.
Basta aliás ler uns blogues e a facilidade com que relacionam as licenciaturas de um e de outro. E todos comentam com uma facilidade estonteante, sem se perguntarem se aquilo tem alguma consistência. Ou se, pelo menos, ao lerem a notícia, não repararem que faltam elementos essenciais.
Declaração de interesses que não muda uma vírgula ao que penso sobre a "notícia": sou amigo do André Figueiredo, frequento a casa dele, conheço os pais dele (e a integridade deles todos) e sei bem o que estas notícias indignam e o que devem estar a sentir.
A dita notícia, publicada pelo mesmo jornal que já sentenciou Duarte Lima, nem sequer tem o cuidado de respeitar as regras mais básicas do jornalismo: ouvir todos os envolvidos e, já agora, consultar alguns arquivos. O dito “jornalista”, autor do libelo, ficou tão embevecido em contar a estória que lhe sopraram ao ouvido que nem sequer se apercebeu da verdadeira notícia. Mas não serei eu que o vou ajudar. Há, por aí, algumas escolas de jornalismo com capacidade para o fazer.
Quem contou ao jornal o que contou, por acaso, nem tinha intenção de beliscar mais alguém se não apenas André Figueiredo. Mas a forma como o dito jornal “pegou” na estória, temo o pior: que venha por aí um chorrilho de mentiras, inventado à secretária da redacção. Não só para atingir o próprio André Figueiredo, como especialmente para apontar um outro alvo: José Sócrates.
Basta aliás ler uns blogues e a facilidade com que relacionam as licenciaturas de um e de outro. E todos comentam com uma facilidade estonteante, sem se perguntarem se aquilo tem alguma consistência. Ou se, pelo menos, ao lerem a notícia, não repararem que faltam elementos essenciais.
Declaração de interesses que não muda uma vírgula ao que penso sobre a "notícia": sou amigo do André Figueiredo, frequento a casa dele, conheço os pais dele (e a integridade deles todos) e sei bem o que estas notícias indignam e o que devem estar a sentir.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
'Good news' também significam, de facto, 'good news'
Rui Cardoso Martins venceu o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), com a romance Deixem Passar o Homem Invisível. Ricardo Costa foi nomeado director do Expresso. Duas excelentes notícias, que têm o mérito de 'só' colocarem no local certo dois grandes jornalistas (um deles hoje mais escritor). E 'limpam' a imagem de uma geração que, nos últimos tempos, no jornalismo, só tem causado desgostos (para usar uma palavra mais simpática).
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
HORTA e CALHA
Na véspera da reunião da Federação, em que se diz que Carlos Queiroz vai cair, Miranda Calha(antigo secretário de estado do desporto)-o Laurentino Dias de há uns anitos- e Luis Horta (esse mesmo, o sr.anti-dopagem) almoçaram. Hoje, portanto.
Foi uma espécie de briefing sobre os acontecimentos que já são públicos. Sim, ouvi parte da conversa, sem esforço, diga-se. E não vou contar o que ouvi. Rgisto apenas que os dois trocaram umas ideias sobre o ASSUNTO. Calhando, pode ter sido apenas uma conversa entre dois amigos, conhecidos. Who cares? Mas como há uns anos se falava no nome de Miranda Calha para suceder a Gilberto Madaíl, quem sabe? Diz-se( quem se mexe nestes bastidores) que mudanças na FPF só depois da candidatura ibérica a um dos próximos campeonatos, depois de Dezembro!
Fica o registo d0 encontro para memória futura . E já agora, sem registo de calão que valha qualquer inconfidência.
Foi uma espécie de briefing sobre os acontecimentos que já são públicos. Sim, ouvi parte da conversa, sem esforço, diga-se. E não vou contar o que ouvi. Rgisto apenas que os dois trocaram umas ideias sobre o ASSUNTO. Calhando, pode ter sido apenas uma conversa entre dois amigos, conhecidos. Who cares? Mas como há uns anos se falava no nome de Miranda Calha para suceder a Gilberto Madaíl, quem sabe? Diz-se( quem se mexe nestes bastidores) que mudanças na FPF só depois da candidatura ibérica a um dos próximos campeonatos, depois de Dezembro!
Fica o registo d0 encontro para memória futura . E já agora, sem registo de calão que valha qualquer inconfidência.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Em vésperas de abertura de um novo ano lectivo
Segunda-feira, 31 de Outubro
"Aproveitei a ocasião para lhe dizer que era muito imprudente querer que o Euan fosse para o Oratory (...) Disse-me que eles tinham chegado à conclusão que essa era a melhor escola para o Euan e ponto final. Sentia que ele ia ter um problema político com essa escolha (...) A imprensa diria que essa escolha não era coerente com as suas ideias sobre a educação. Mas insistiu que tendo ou não tendo subvenção do Estado , era a escola em que ele deveria entrar, e achava que o publico compreenderia que queria o melhor para os seus filhos. «Não vou sacrificar a educação dos meus filhos em nome do politicamente correcto. Ainda por cima não é um colégio privado. É uma escola apoiada pelo Estado». «Até certo ponto» disse eu. Pedi-lhe para imaginar o discurso de Heseltine sobre o líder trabalhista que queria que as crianças comuns fossem para as escolas locais, mas que fazia os seus filhos atravessar Londres inteira para frequentarem uma escola subvencionada pelo Estado, exactamente o tipo de escola a que o seu partido se opunha. Ele disse que os conservadores mandavam os filhos para escolas privadas. Respondi que eles acreditavam na educação privada,mas nós não. Perguntei-lhe se as escolas locais eram assim tão más, e disse-me que tudo o que ele sabia era que a Oratory era a melhor escola para o Euan. Imagine como seria exaltante para a escola local se os seus filhos a frequentassem, disse eu. Ele afirmou que esse era o meu primeiro argumento persuasivo, mas não ia mudar de opinião. Já tinham feito a sua escolha."
Alastair Campbell, "Os anos Blair", pág. 48
"Aproveitei a ocasião para lhe dizer que era muito imprudente querer que o Euan fosse para o Oratory (...) Disse-me que eles tinham chegado à conclusão que essa era a melhor escola para o Euan e ponto final. Sentia que ele ia ter um problema político com essa escolha (...) A imprensa diria que essa escolha não era coerente com as suas ideias sobre a educação. Mas insistiu que tendo ou não tendo subvenção do Estado , era a escola em que ele deveria entrar, e achava que o publico compreenderia que queria o melhor para os seus filhos. «Não vou sacrificar a educação dos meus filhos em nome do politicamente correcto. Ainda por cima não é um colégio privado. É uma escola apoiada pelo Estado». «Até certo ponto» disse eu. Pedi-lhe para imaginar o discurso de Heseltine sobre o líder trabalhista que queria que as crianças comuns fossem para as escolas locais, mas que fazia os seus filhos atravessar Londres inteira para frequentarem uma escola subvencionada pelo Estado, exactamente o tipo de escola a que o seu partido se opunha. Ele disse que os conservadores mandavam os filhos para escolas privadas. Respondi que eles acreditavam na educação privada,mas nós não. Perguntei-lhe se as escolas locais eram assim tão más, e disse-me que tudo o que ele sabia era que a Oratory era a melhor escola para o Euan. Imagine como seria exaltante para a escola local se os seus filhos a frequentassem, disse eu. Ele afirmou que esse era o meu primeiro argumento persuasivo, mas não ia mudar de opinião. Já tinham feito a sua escolha."
Alastair Campbell, "Os anos Blair", pág. 48
Uma Festa de contradições
Quem visitou a Festa do Avante, que decorreu neste domingo, não pode acreditar nas ferozes críticas comunistas à situação do país: em crise, dizem eles, com gente a passar fome. Só se for no resto do país, menos na Atalaia. Em tempos da tal crise apregoada, os preços praticados pelo PCP eram assustadores. Um simples pratinho, em versão reduzida, comido no chão e servido em caixas de plásticos, custava o mesmo que uma refeição completa num restaurante médio e servida à mesa. A tradicional imperial rivalizava com os preços usados em hotéis. A feira do livro tinha tinha os ditos mais caros ou ao mesmo preço de uma livraria. Havia DVDs a cinco e 10 euros, mesmo que tenham custado, nas promoções do jornal "Público" uns 1,95 euros.
O PCP pode argumentar que a Festa serve de fonte de receita. E é e ainda bem para o PCP. Mas é bem capaz de haver um exagero na recolha da dita receita. Ou então, o PCP, bem no seu íntimo, acredita que o país não está assim tão em crise.
No mapa das contradições, há outras que chocam. Ter na Festa um "stand" do MPLA é o mesmo que ter um do PS ou do PSD. Basta aliás ler a nova Constituição de Angola, aprovada pelo mesmo MPLA, para se perceber que, há muito, o partido governamental angolano é liberal, com uma ideologia a milhares quilómetros/luz do que o PCP diz defender. A História e o passado não justificam manter um "casamento" falso. É para isso que servem as rupturas, que só poderiam reforçar alguma coerência. O que também não se percebe o MPLA estar enfileirado com o partido da Coreia do Norte. Enfim, opções, entre outras, que fazem da Festa, uma festa (também) de contradições.
O PCP pode argumentar que a Festa serve de fonte de receita. E é e ainda bem para o PCP. Mas é bem capaz de haver um exagero na recolha da dita receita. Ou então, o PCP, bem no seu íntimo, acredita que o país não está assim tão em crise.
No mapa das contradições, há outras que chocam. Ter na Festa um "stand" do MPLA é o mesmo que ter um do PS ou do PSD. Basta aliás ler a nova Constituição de Angola, aprovada pelo mesmo MPLA, para se perceber que, há muito, o partido governamental angolano é liberal, com uma ideologia a milhares quilómetros/luz do que o PCP diz defender. A História e o passado não justificam manter um "casamento" falso. É para isso que servem as rupturas, que só poderiam reforçar alguma coerência. O que também não se percebe o MPLA estar enfileirado com o partido da Coreia do Norte. Enfim, opções, entre outras, que fazem da Festa, uma festa (também) de contradições.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
EU COMENTO...

E no entanto, que outra coisa pode ocorrer a uma mulher que não seja fazer limpezas, estando próxima do padre Lino Maia?
Que me perdoe o senhor, mas é mesmo o único comentário que me ocorre e que apesar de tudo, ainda (julgo eu) mantêm uma certa, vá lá, elegância!
Vem isto a propósito do que nos re-conta a Susana-dois posts abaixo- " o padre disse que as mulheres faziam muita falta na igreja, para fazer...limpezas"e que ainda me deixa outra interrogação. E entre os jovens laranjinhas da Universidade de Verão não há mulheres, jovens que em vez de rir lhe respondessem. A ver se o padre dava a outra face!
A propósito da cobertura jornalística da Casa Pia
A VERDADE, por Luís Fernando Veríssimo
Uma donzela estava um dia sentada à beira de um riacho deixando a água do riacho passar por entre os seus dedos muito brancos, quando sentiu seu anel de diamante ser levado pelas águas. Temendo o castigo do pai, a donzela contou em casa que fora assaltada por um homem no bosque e que ele arrancara o anel de diamante do seu dedo e a deixara desfalecida sobre um canteiro de margaridas.
O pai e os irmãos da donzela foram atrás do assaltante e encontraram um homem dormindo no bosque, e o mataram, mas não encontraram o anel de diamante. E a donzela disse:
- Agora me lembro, não era um homem, eram dois.
- E o pai e os irmãos da donzela saíram atrás do segundo homem e o encontraram, e o mataram, mas ele também não tinha o anel. E a donzela disse:
- Então está com o terceiro!
Pois se lembrara que havia um terceiro assaltante. E o pai e os irmãos da donzela saíram no encalço do terceiro assaltante, e o encontraram no bosque. Mas não o mataram, pois estavam fartos de sangue. E trouxeram o homem para a aldeia, e o revistaram e encontraram no seu bolso o anel de diamante da donzela, para espanto dela.
- Foi ele que assaltou a donzela, e arrancou o anel de seu dedo e a deixou desfalecida - gritaram os aldeões. - Matem-no!
- Esperem! - gritou o homem, no momento em que passavam a corda da forca pelo seu pescoço. - Eu não roubei o anel. Foi ela que me deu!
E apontou para a donzela, diante do escândalo de todos.
O homem contou que estava sentado à beira do riacho, pescando, quando a donzela se aproximou dele e pediu um beijo. Ele deu o beijo. Depois a donzela tirara a roupa e pedira e pedira que ele a possuísse, pois queria saber o que era o amor. Mas como era um homem honrado, ele resistira, e dissera que a donzela devia ter paciência, pois conheceria o amor do marido no seu leito de núpcias. Então a donzela lhe oferecera o anel, dizendo "Já que meus encantos não o seduzem, este anel comprará o seu amor". E ele sucumbira, pois era pobre, e a necessidade é o algoz da honra.
Todos se viraram contra a donzela e gritaram: "Rameira! Impura! Diaba!" e exigiram seu sacrifício. E o próprio pai da donzela passou a forca para o seu pescoço.
Antes de morrer, a donzela disse para o pescador:
- A sua mentira era maior que a minha. Eles mataram pela minha mentira e vão matar pela sua. Onde está, afinal, a verdade?
O pescador deu de ombros e disse:
- A verdade é que eu achei o anel na barriga de um peixe. Mas quem acreditaria nisso? O pessoal quer violência e sexo, não histórias de pescador.
Uma donzela estava um dia sentada à beira de um riacho deixando a água do riacho passar por entre os seus dedos muito brancos, quando sentiu seu anel de diamante ser levado pelas águas. Temendo o castigo do pai, a donzela contou em casa que fora assaltada por um homem no bosque e que ele arrancara o anel de diamante do seu dedo e a deixara desfalecida sobre um canteiro de margaridas.
O pai e os irmãos da donzela foram atrás do assaltante e encontraram um homem dormindo no bosque, e o mataram, mas não encontraram o anel de diamante. E a donzela disse:
- Agora me lembro, não era um homem, eram dois.
- E o pai e os irmãos da donzela saíram atrás do segundo homem e o encontraram, e o mataram, mas ele também não tinha o anel. E a donzela disse:
- Então está com o terceiro!
Pois se lembrara que havia um terceiro assaltante. E o pai e os irmãos da donzela saíram no encalço do terceiro assaltante, e o encontraram no bosque. Mas não o mataram, pois estavam fartos de sangue. E trouxeram o homem para a aldeia, e o revistaram e encontraram no seu bolso o anel de diamante da donzela, para espanto dela.
- Foi ele que assaltou a donzela, e arrancou o anel de seu dedo e a deixou desfalecida - gritaram os aldeões. - Matem-no!
- Esperem! - gritou o homem, no momento em que passavam a corda da forca pelo seu pescoço. - Eu não roubei o anel. Foi ela que me deu!
E apontou para a donzela, diante do escândalo de todos.
O homem contou que estava sentado à beira do riacho, pescando, quando a donzela se aproximou dele e pediu um beijo. Ele deu o beijo. Depois a donzela tirara a roupa e pedira e pedira que ele a possuísse, pois queria saber o que era o amor. Mas como era um homem honrado, ele resistira, e dissera que a donzela devia ter paciência, pois conheceria o amor do marido no seu leito de núpcias. Então a donzela lhe oferecera o anel, dizendo "Já que meus encantos não o seduzem, este anel comprará o seu amor". E ele sucumbira, pois era pobre, e a necessidade é o algoz da honra.
Todos se viraram contra a donzela e gritaram: "Rameira! Impura! Diaba!" e exigiram seu sacrifício. E o próprio pai da donzela passou a forca para o seu pescoço.
Antes de morrer, a donzela disse para o pescador:
- A sua mentira era maior que a minha. Eles mataram pela minha mentira e vão matar pela sua. Onde está, afinal, a verdade?
O pescador deu de ombros e disse:
- A verdade é que eu achei o anel na barriga de um peixe. Mas quem acreditaria nisso? O pessoal quer violência e sexo, não histórias de pescador.
Na Universidade de Verão do PSD
O padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, saiu-se com esta "anedota" há dias em Castelo de Vide: "Costumo dizer q a igreja precisa mto das mulheres... senão quem é q fazia as limpezas?!" Os jovens laranjinhas aplaudiram.
Sem comentários...
(contado no Facebook pela Celia de Sousa, jornalista na Antena 1)
Sem comentários...
(contado no Facebook pela Celia de Sousa, jornalista na Antena 1)
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Angustiado e pobre inocente Blair
Finalmente, o livro de memórias de Tony Blair vai ser lançado. Alguma imprensa britânica já tratou de antecipar alguns excertos. Ao que parece, o homem anda angustiado com o número de mortes no Iraque e por não ter previsto "o pesadelo" que aquilo iria transformar-se. Deveria sofrer de alguma infantilidade: pensava que as guerras não matavam e que seriam combates com pistolas de plástico. Sempre tive essa curiosidade de saber o que sentem os políticos quando sujam as mãos com sangue. Como foi o caso. Um dia, perguntei, de gravador ligado, a Durão Barroso como se sentia quando ouvia e lia as notícias dos atentados e sucessivas mortes diárias. Como resposta, obtive um longo silêncio e um empurrão de um segurança.
Picante, picante é ainda Tony Blair classificar o comportamento de Gordon Brown como "mafioso" e detentor de uma "inteligência emocional nula". Quem leu o livro de Alastair Campbel, o ex-assessor de imprensa de Blair, deve estar a "ferver" à espera da resposta do antigo primeiro-ministro que agora garante diz querer alcançar a paz no Médio Oriente.
Picante, picante é ainda Tony Blair classificar o comportamento de Gordon Brown como "mafioso" e detentor de uma "inteligência emocional nula". Quem leu o livro de Alastair Campbel, o ex-assessor de imprensa de Blair, deve estar a "ferver" à espera da resposta do antigo primeiro-ministro que agora garante diz querer alcançar a paz no Médio Oriente.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Uma relação conflituosa
O secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, não se entende com o Eurostat. Hoje, com a subida de desemprego, os números revelam "oscilações" e o que vale mesmo são os "dados do INE". O mês passado, o Eurostat dava "boas notícias" a Valter Lemos. Em Junho, fazia uma profissão de fé no gabinete estatístico da União Europeia, convencido que iria rever os números. Em Janeiro, elogiava o ranking feito pelo Eurostat.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
sábado, 28 de agosto de 2010
Como Pedro Passos Coelho deve ter o telemóvel desligado...
Cavaco Silva interrompeu as férias, foi até Ourique, enviar alguns recados:
"Não está em curso nenhum processo de revisão constitucional"
"Não vale a pena fazer nem dramatismos em relação ao Orçamento - a porque não se conhece ainda nenhum orçamento - nem à revisão constitucional"
"Não está em curso nenhum processo de revisão constitucional"
"Não vale a pena fazer nem dramatismos em relação ao Orçamento - a porque não se conhece ainda nenhum orçamento - nem à revisão constitucional"
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Para os comunistas recordarem em 2011...
Resultados dos candidatos do PCP, nas duas últimas eleições presidenciais:
Em 2001, António Abreu obteve 221.971 votos, numa eleição ganha por Jorge Sampaio e que ainda concorreram Ferreira do Amaral, Garcia Pereira e Fernando Rosas. Ou seja, mais três à 'esquerda' e um à 'direita'
Em 2006, Jerónimo de Sousa alcançou 466.507 votos, no acto que elegeu Cavaco Silva, logo à primeira volta. Os outros adversários foram Manuel Alegre, Mário Soares, Francisco Louçã e Garcia Pereira. Ou seja, mais quatro à 'esquerda' e um à 'direita'.
Como se vê, nem sempre o PCP consegue convencer o seu eleitorado. Agora é que se vai ver a força de Francisco Lopes, o homem do aparelho, dentro da organização. Apesar dos votos não contarem para nada: só conta o que pensam (alguns) do Comité Central.
Em 2001, António Abreu obteve 221.971 votos, numa eleição ganha por Jorge Sampaio e que ainda concorreram Ferreira do Amaral, Garcia Pereira e Fernando Rosas. Ou seja, mais três à 'esquerda' e um à 'direita'
Em 2006, Jerónimo de Sousa alcançou 466.507 votos, no acto que elegeu Cavaco Silva, logo à primeira volta. Os outros adversários foram Manuel Alegre, Mário Soares, Francisco Louçã e Garcia Pereira. Ou seja, mais quatro à 'esquerda' e um à 'direita'.
Como se vê, nem sempre o PCP consegue convencer o seu eleitorado. Agora é que se vai ver a força de Francisco Lopes, o homem do aparelho, dentro da organização. Apesar dos votos não contarem para nada: só conta o que pensam (alguns) do Comité Central.
Um andor pagão
Francisco Lopes foi apresentado como o candidato do PCP às próximas eleições presidenciais. Jerónimo de Sousa, na hora de justificar a escolha, argumentou, entre outras coisas como sendo defensor das "conquistas de Abril", que Francisco Lopes tem "uma grande capacidade de argumentação". Depois viu-se. Duas horas depois, o candidato apresentou-se aos jornalistas, mas sem direito a perguntas e com um texto copiado, quase vírgula a vígula, do texto do comité central lido pelo líder do PCP. Foi só fazer Ctrl C + Ctrl V, como é hábito no PCP. A campanha promete. Vejam as diferenças:
Francisco Lopes:
"Esta é uma candidatura vinculada aos valores de Abril, a um projecto de democracia política, económica, social e cultural, a um Portugal soberano e independente. Uma candidatura patriótica e de esquerda, coerente e determinada, portadora de um projecto de ruptura e mudança"
Comité central, lido por Jerónimo de Sousa:
"Esta é uma candidatura que estará inquestionavelmente vinculada aos valores de Abril, a um projecto de democracia política, económica, social e cultural, a um Portugal soberano e independente. Uma candidatura patriótica e de esquerda, coerente e determinada, dirigiad aos trabalhadores, aos jovens a todos os democratas e patriotas."
Esta parte - "portadora de um projecto de ruptura e mudança - aparece mais três vezes em cada um dos textos. O resto é só baralhar uma frase e colá-la ali.
Francisco Lopes:
"Esta é uma candidatura vinculada aos valores de Abril, a um projecto de democracia política, económica, social e cultural, a um Portugal soberano e independente. Uma candidatura patriótica e de esquerda, coerente e determinada, portadora de um projecto de ruptura e mudança"
Comité central, lido por Jerónimo de Sousa:
"Esta é uma candidatura que estará inquestionavelmente vinculada aos valores de Abril, a um projecto de democracia política, económica, social e cultural, a um Portugal soberano e independente. Uma candidatura patriótica e de esquerda, coerente e determinada, dirigiad aos trabalhadores, aos jovens a todos os democratas e patriotas."
Esta parte - "portadora de um projecto de ruptura e mudança - aparece mais três vezes em cada um dos textos. O resto é só baralhar uma frase e colá-la ali.
Uma para encher o ego
Um dos blogues, Delito de Opinião, que faz parte da minha restrita lista de blogues favoritos fez uma elogiosa referência ao Correio Preto. Foi simpático e o ego agradece.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
O maniqueísta primário, com humor de múmia
O Carlos Vidal (CV), do 5dias, resolveu meter-se comigo por causa de uma alegada defesa de José Sócrates. Na sua cabeça maniqueísta, sou acusado de ser um socrático, apenas por manifestar desagrado por haver jornalistas que se armam em juizes, acusadores, torquemadas, para acusar, julgar e condenar. Não só por que gostariam de ser isso, mas por que sofrem pressões para "vender", a palavra mais estúpida e mais perniciosa que pode pairar na cabeça de um jornalista.
Não, não gostei de ver José Sócrates aparecer, repetidamente, na praça pública, como se tivesse sido julgado e condenado. Nem ele, nem Duarte Lima que hoje aparece, nas capas de jornais até dos chamados de referência como um assassino. Ainda por cima, um homicida estúpido que resolveu levar de bandeja a sua presa. E, daqui a uns tempos - tenho quase a certeza - vou sugerir a alguns jornais e jornalistas que peçam desculpas a Duarte Lima. Já o deveriam fazer. Por que, tal como Sócrates, Duarte Lima já está acusado, condenado e carimbado pelos... jornalistas. E por condenar tais práticas, não fazem de mim um fã de Sócrates, nem de Duarte Lima.
Caso CV não saiba - ou não compreenda, o que eu até posso entender - jornalista não é apenas um tipo que paga um cartão anual. Jornalista é aquele que dá notícias, conta estórias, relata factos, mas com responsabilidade e respeitando as regras básicas da ética e da deontologia. Tão simples quanto isso.
Por isso, indignei-me com a suja campanha que se fez (ou que se faz) a José Sócrates, por causa do Freeport. Já o tinha escrito antes, quando admiti que poderia haver tréguas. Enganei-me. Reafirmo que muitos jornalistas deveriam hoje pedir desculpas a José Sócrates.
Por isso, CV acusa-me do que acusa. Mas até compreendo a sua reacção. Primeiro porque foi epidérmica, em reacção a um comentário que escrevi às notáveis observações de Luís Rainha. E depois também compreendo as suas observações: afinal, Luís Rainha, que se deu ao trabalho de o ler, classifica-o como um "filósofo de badana" e com um "humor da múmia de Lénine". E outra leitora atenta de CV chama-o de "primário". E esses leram-no, repito, atentamente. Quem sou eu para não concordar que nunca o li nem o pretendo fazer? Confio no Luís. E detesto malta com humor de múmias, ainda por cima primária.
Não, não gostei de ver José Sócrates aparecer, repetidamente, na praça pública, como se tivesse sido julgado e condenado. Nem ele, nem Duarte Lima que hoje aparece, nas capas de jornais até dos chamados de referência como um assassino. Ainda por cima, um homicida estúpido que resolveu levar de bandeja a sua presa. E, daqui a uns tempos - tenho quase a certeza - vou sugerir a alguns jornais e jornalistas que peçam desculpas a Duarte Lima. Já o deveriam fazer. Por que, tal como Sócrates, Duarte Lima já está acusado, condenado e carimbado pelos... jornalistas. E por condenar tais práticas, não fazem de mim um fã de Sócrates, nem de Duarte Lima.
Caso CV não saiba - ou não compreenda, o que eu até posso entender - jornalista não é apenas um tipo que paga um cartão anual. Jornalista é aquele que dá notícias, conta estórias, relata factos, mas com responsabilidade e respeitando as regras básicas da ética e da deontologia. Tão simples quanto isso.
Por isso, indignei-me com a suja campanha que se fez (ou que se faz) a José Sócrates, por causa do Freeport. Já o tinha escrito antes, quando admiti que poderia haver tréguas. Enganei-me. Reafirmo que muitos jornalistas deveriam hoje pedir desculpas a José Sócrates.
Por isso, CV acusa-me do que acusa. Mas até compreendo a sua reacção. Primeiro porque foi epidérmica, em reacção a um comentário que escrevi às notáveis observações de Luís Rainha. E depois também compreendo as suas observações: afinal, Luís Rainha, que se deu ao trabalho de o ler, classifica-o como um "filósofo de badana" e com um "humor da múmia de Lénine". E outra leitora atenta de CV chama-o de "primário". E esses leram-no, repito, atentamente. Quem sou eu para não concordar que nunca o li nem o pretendo fazer? Confio no Luís. E detesto malta com humor de múmias, ainda por cima primária.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Jornalismo imaginativo
O jornal "Expresso" tratou de contar que a Cruz Vermelha enviou uns inspectores para o terrível Campo do Tarrafel, concluíndo que era um "paraíso". O jornal baseou-se num trabalho do sociólogo cabo-verdiano José Vicente Lopes para destacar as conclusões e o próprio título da peça. Afinal, não se tratou nada disso. O próprio Vicente Lopes, em entrevista ao jornal angolano "O País", desmonta a peça e chama-a de "golpe publicitário". Mas não um "golpe" feito por ele, mas pelo "Expresso". O jornal angolano fez aquilo que devia ser a obrigação do semanário português: em vez de entrar em delírios, entrevistou o autor. E assim evitou a idiotice. Parte da entrevista é bem elucidativa de determinadas mentes que pairam no "Expresso". José Vicente Lopes esclarece-a:
"Não sei em concreto quais são os comentários produzidos aí em Angola a partir do texto do JPCastanheira, o que é mau para todos nós. Ele, enquanto português, pegou nos aspectos que lhe pareceram mais relevantes. Um angolano, lendo o meu livro, destacará outros aspectos, tenho a certeza. O “golpe publicitário” não é meu. E a intenção de criar polémica também não me pertence. Em relação à frase “Tarrafal um paraíso”, tirada do contexto em que a mesma foi produzida, choca qualquer um. Nenhuma prisão, por mais suave que seja, é um paraíso".
"Não sei em concreto quais são os comentários produzidos aí em Angola a partir do texto do JPCastanheira, o que é mau para todos nós. Ele, enquanto português, pegou nos aspectos que lhe pareceram mais relevantes. Um angolano, lendo o meu livro, destacará outros aspectos, tenho a certeza. O “golpe publicitário” não é meu. E a intenção de criar polémica também não me pertence. Em relação à frase “Tarrafal um paraíso”, tirada do contexto em que a mesma foi produzida, choca qualquer um. Nenhuma prisão, por mais suave que seja, é um paraíso".
terça-feira, 17 de agosto de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Vida infeliz a de Cavaco Silva
Cavaco Silva deve viver no cargo de Presidente da República completamente infeliz. É rara a lei ou diploma que ele não promulgue "contrariado". Aconteceu com o casamento homossexual, com a lei do divórcio, com o estatuto dos Açores, com o novo código contributivo e com o código de execução de penas. E ainda vai ter mais uma contrariedade para aceitar: a abertura dos hipermercados ao domingo. Hoje promulgou o diploma que altera a lei das uniões de facto, mostrando "reservas". Portanto, de novo, contrariado. Quererá continuar assim "contrariado" por mais cinco anos?
sábado, 14 de agosto de 2010
Férias
Graças a este blog, descobri esta capa. De Sócrates, o luxuoso, não podiam ter arranjado fotografia pior. No artigo Passos Coelho, o poupadinho, aparece até a passar pelo balneário municipal. Mas o Expresso deixou-me hoje mais descansada. A casa humilde da vila piscatória onde o líder do PSD está de férias tem piscina (pelo menos assim dá a entender a foto do artigo que eu não encontro na net. Ou será do vizinho ?) Certo, certo é que pelo menos espreguiçadeira e chapéu de sol não faltaram...
Ora cá estamos outra vez
Pouco depois de se saber que o PS decidiu expulsar Narciso Miranda, foi conhecido o local escolhido para a rentrée socialista: Matosinhos.
O ano político de José Sócrates promete ...
O ano político de José Sócrates promete ...
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
A Josefa, o Bebé e o jornalismo que engana a todos
Um jogador português salta para do Vitória de Guimarães para o Manchester United. A viagem de sonho custa aos ingleses quase 10 milhões de euros e foi o maior negócio de sempre dos vimaranense. Mas o jogador, Bebé de seu nome, foi um sem-abrigo. Por cá, os jornais portugueses destacam o negócio. Pelo Brasil, os jornais contam que o rapaz era, até há pouco tempo, um "sem teto". É pena que ninguém, nestas redacções, se preocupe a contar a história humana do Bebé.
Tal como nunca ninguém contou da Josefa - de tantas outras e outros como a Josefa - que foi bombeira, estudante e trabalhadora. Tudo ao mesmo tempo. Só entrou para as páginas dos jornais porque morreu. Ferreira Fernandes (FF) tenta fazer-lhe uma homenagem, que bem poderia ser um acto de contrição.
A propósito deste artigo de FF um grande jornalista (infelzmente retirado das lides, mas não da atenção e da memória) Paulo Caetano escreveu isto:
"O Ferreira Fernandes, como bem sabemos, é um mestre a jogar com as palavras. Por isso, presta uma tão bonita homenagem a uma miúda que morreu por que estava onde não devia: a combater um fogo que devia ser combatido por sapadores profissionais e com formação em vez de miudos que se dão como voluntários enquanto os comandantes dos seus quartéis "voluntários" cobram ao Estado cada saída que fazem. Daí, se pensarmos um pouco, pode estar uma das explicações possíveis para tantos misteriosos reacendimentos de fogos dados como extintos. Mas, o mais importante desta crónica, era responder à questão que o FF coloca no fim do texto: 'porque não conhecíamos nós a Josefa?' Pensava que, com a experiência de tantos anos a fazer jornais e a dirigi-los, o FF saberia responder a isso. É simples: porque os donos dos jornais - e as direcções que eles contratam - só falariam da Josefa se ela fosse "famosa", se aparecesse em programas televisivos ou frequentasse festas 'in'. E, se numa qualquer redacção por onde o FF passou nos últimos anos, um simples jornalista desse a ideia de escrever uma história com a Josefa que é estudante e bombeira, logo receberia um rotundo 'Não!!' Afinal de contas: andamos a enganar quem?"
Tal como nunca ninguém contou da Josefa - de tantas outras e outros como a Josefa - que foi bombeira, estudante e trabalhadora. Tudo ao mesmo tempo. Só entrou para as páginas dos jornais porque morreu. Ferreira Fernandes (FF) tenta fazer-lhe uma homenagem, que bem poderia ser um acto de contrição.
A propósito deste artigo de FF um grande jornalista (infelzmente retirado das lides, mas não da atenção e da memória) Paulo Caetano escreveu isto:
"O Ferreira Fernandes, como bem sabemos, é um mestre a jogar com as palavras. Por isso, presta uma tão bonita homenagem a uma miúda que morreu por que estava onde não devia: a combater um fogo que devia ser combatido por sapadores profissionais e com formação em vez de miudos que se dão como voluntários enquanto os comandantes dos seus quartéis "voluntários" cobram ao Estado cada saída que fazem. Daí, se pensarmos um pouco, pode estar uma das explicações possíveis para tantos misteriosos reacendimentos de fogos dados como extintos. Mas, o mais importante desta crónica, era responder à questão que o FF coloca no fim do texto: 'porque não conhecíamos nós a Josefa?' Pensava que, com a experiência de tantos anos a fazer jornais e a dirigi-los, o FF saberia responder a isso. É simples: porque os donos dos jornais - e as direcções que eles contratam - só falariam da Josefa se ela fosse "famosa", se aparecesse em programas televisivos ou frequentasse festas 'in'. E, se numa qualquer redacção por onde o FF passou nos últimos anos, um simples jornalista desse a ideia de escrever uma história com a Josefa que é estudante e bombeira, logo receberia um rotundo 'Não!!' Afinal de contas: andamos a enganar quem?"
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Posso mandar os parabéns por um blogue?
Barack Obama celebra hoje o seu 49º aniversário. Não haveria nada de especial, se a mulher, Michele, e uns amigos não quisessem presenteá-lo com cartões a desejar o tal "happy birthday". Enviaram mails para todos os que estão inscritos na base de dados da campanha de Obama às presidenciais pedindo que se enviasse um cartão e que isso seria uma surpresa para o presidente. No final, deste simpático e comovente pedido, vinha a obrigação, para quem quisesse assinar o cartão, de se pagar, no mínimo, cinco dólares. Tal qual como na campanha eleitoral. Ainda assim, mesmo nas vésperas do aniversário, já mais de um milhão de pessoas tinha assinado. A, repito, cinco dólares cada um!
Como tenho uma grande simpatia por Barack Obama não me custa nada desejar-lhe, nesta data querida, muitas felicidades e muitos anos de vida. Mas apenas pelo blogue que os dólares fazem falta.
Como tenho uma grande simpatia por Barack Obama não me custa nada desejar-lhe, nesta data querida, muitas felicidades e muitos anos de vida. Mas apenas pelo blogue que os dólares fazem falta.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Choque de titãs


De acordo com várias páginas na internet, Armando Vara deverá estar a caminho da poderosa construtora civil brasileira Carmargo Corrêa. Uma das que mais investe em Angola e Moçambique. Portanto, uma rival da Mota-Engil de.... Jorge Coelho. As duas combatem pelos mesmos interesses: no fabrico de cimentos, na reconstrução de estradas e pontes, nas barragens e na influência junto de Luanda. No braço-de-ferro, desconfio que a empresa brasileira vai levar a melhor.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
A sinfonia de Kinshasa
Sentem a música como se fosse uma "segunda oração", outros ficam "mais fortes" quando se encontram na Orquestra Sinfónica de Kinhasa, na República Democrática do Congo. A cidade mais louca de África tem uma orquestra de música clássica num dos bairros mais pobres. E são os músicos que fabricam os seus próprios instrumentos. O documentário é imperdível.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Freeport: falta um baraço ao pescoço

Alguns jornalistas e jornais e televisões deviam pedir-lhe desculpa... pessoalmente. De corda no pescoço como Egas Moniz (o aio, não o professor). Pelo massacre que o sujeitaram.
Esses mesmos jornalistas e jornais e televisões deviam pedir desculpas ao... Jornalismo. De corda no pescoço como Egas Moniz (o aio, não o professor) . Pelo massacre que o sujeitaram e pela vergonha que o fizeram passar. Ao jornalismo.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Relíquias...
Na sede central do PCP, em Lisboa, corre-se o risco de alguém morrer de... calor. O equipamento de ar condicionado avariou. Quando se liga para o frio sai quente. Também não admira. Os equipamentos ainda são os mesmos que foram instalados nos tempos "gloriosos" da FNAC, a Fábrica Nacional de Ar Condicionado, do "Barão Vermelho". Ou seja, do tempo da União Soviética.
Carta a Passos Coelho
O Conselho Económico e Social (CES), que junta organizações controladas pelo PCP, PS, PSD e CDS e que conta com a participação do Governo, fez uma análise, nesta segunda-feira, à situação da Zona Euro, considerando que "não pode ser colocado em risco o modelo social europeu", correndo-se, caso contrário, o risco de "desmoronar" a União Europeia. O recado não estava direccionado, mas ninguém duvidou que a carta, antes de seguir para Bruxelas, faz uma paragem na São Caetano à Lapa.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Orgulhosamente tacanhos
Anda por aí uma fúria anti-adesão de outros países à CPLP que, apesar de não ser surpreendente, não deixa de ser intrigante. A começar pelo (ainda) pragmático Cavaco Silva que insistiu na tecla que os outros países não falam português. Mas foi suficientemente franco para colocar Portugal no seu devido canto, ao sublinhar que “Portugal não é como a França”, referindo-se às ambições francesas em África. Nada mais verdade. Portugal vai continuar orgulhosamente tacanho. Enquanto isso, pode ir assistindo à Guiné-Bissau a integrar sistemas económicos da África francófona. E Moçambique mais preocupado com a Commonwealth do que propriamente o que faz a mesquinhez lusófona.
De repente, os portugueses – e não só – descobriram que a Guiné Equatorial vive debaixo de uma tenebrosa ditadura. Isto anos depois dos mesmos guineenses participarem nas cimeiras da CPLP como observadores, onde o “tenebroso” Theodore Obiang teve assento de primeira e até foi recebido em Lisboa com as honras e pompa devidas a um chefe de Estado. Excepto alguns blogues, ninguém se lembrou que o homem comandava uma feroz ditadura.
Nessa altura, até se pensou que o pragmatismo tinha vencido a tacanhez: que importa a ditadura se o país tem petróleo? Pelos vistos, durou pouco. Portugal, a dar sinais que rejeita a entrada da Guiné-Equatorial, demonstra bem que não aprendeu nada, nem com Paris, nem com Londres. Bem poderia olhar para os franceses que, ainda nos idos 1960, começaram a praticar as relações de boa convivência com todos os países desde que isso salvaguardasse os seus interesses. Há quem lhe chame neo-colonialismo, como é o caso de Cavaco Silva, mas Paris usa apenas o pragmatismo numa política conhecida pela Françáfrica. E, tirando alguns engulhos pelo caminho, ninguém se dá mal.
Com esta teimosia, resta a Portugal ser um mero comissionista em África, cumprindo, provavelmente, um desígnio histórico. O restante mundo lusófono deve apenas confiar no pragmatismo do Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde. Sobre a entrada da Guiné Equatorial, Pedro Pires já mostrou a intenção de ser pragmático e Lula da Silva assinou, recentemente, durante a sua visita oficial, 25 acordos comerciais com Obiang.
De repente, os portugueses – e não só – descobriram que a Guiné Equatorial vive debaixo de uma tenebrosa ditadura. Isto anos depois dos mesmos guineenses participarem nas cimeiras da CPLP como observadores, onde o “tenebroso” Theodore Obiang teve assento de primeira e até foi recebido em Lisboa com as honras e pompa devidas a um chefe de Estado. Excepto alguns blogues, ninguém se lembrou que o homem comandava uma feroz ditadura.
Nessa altura, até se pensou que o pragmatismo tinha vencido a tacanhez: que importa a ditadura se o país tem petróleo? Pelos vistos, durou pouco. Portugal, a dar sinais que rejeita a entrada da Guiné-Equatorial, demonstra bem que não aprendeu nada, nem com Paris, nem com Londres. Bem poderia olhar para os franceses que, ainda nos idos 1960, começaram a praticar as relações de boa convivência com todos os países desde que isso salvaguardasse os seus interesses. Há quem lhe chame neo-colonialismo, como é o caso de Cavaco Silva, mas Paris usa apenas o pragmatismo numa política conhecida pela Françáfrica. E, tirando alguns engulhos pelo caminho, ninguém se dá mal.
Com esta teimosia, resta a Portugal ser um mero comissionista em África, cumprindo, provavelmente, um desígnio histórico. O restante mundo lusófono deve apenas confiar no pragmatismo do Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde. Sobre a entrada da Guiné Equatorial, Pedro Pires já mostrou a intenção de ser pragmático e Lula da Silva assinou, recentemente, durante a sua visita oficial, 25 acordos comerciais com Obiang.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
O primeiro dia do resto da campanha
Como já tinha previsto em Abril, Cavaco Silva não deixou mesmo escapar a oportunidade para ter um grande momento de campanha. Em Angola, claro, que lhe serve sempre de paliativo para os males que tem na sua terra. Ah.. e como essas imagens irão ser usadas daqui a uns meses...
Labor de uns para uma medalha presidencial

Em Angola, Cavaco Silva ouviu o presidente José Eduardo dos Santos a anunciar que o país estava disposto a pagar as dívidas a começar pelas pequenas e médias empresas". E logo os jornalistas - tanto os que acompanham a visita do chefe de Estado e os outros que ficaram por Lisboa - trataram de traçar loas aio sucesso de Cavaco Silva. Mas infelizmente o jornalismo vive de memórias curtas. Curtíssimas.
O plano da dívida angolana foi traçado em Março deste ano por Luanda e acordado com Teixeira dos Santos, em Abril, durante a visita do governante português a Luanda. Nesse plano, constava o pagamento em três fases. A primeira destinava-se precisamente às PME portuguesas. O anúncio foi feito por Carlos Feijó (na foto), ministro de Estado e Chefe da Casa Civil da Presidência, um dos homens com verdadeiro poder em Angola.
Mas ainda antes, Teixeira dos Santos anunciava a criação de uma linha de crédito a Angola para pagar as dívidas às PME portuguesas.
O que é curioso é a forma como se faz passar a mensagem que Cavaco Silva foi cobrar as dívidas, conseguindo um retumbante sucesso.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Uma certa esquerda em violenta troca de insultos
Não sobraram mimos na RTP-N, ontem à noite, entre o deputado socialista Strecht Ribeiro e o dirigente do Bloco de Esquerda, João Teixeira Lopes. Coube (quase) tudo: mentiroso, grosseirão, mal-educado, demagogo, ordinário, mal-criado, sem calibre, etc, etc. Foram quatro minutos que terminaram com uma inevitável saída de estúdio e uma confissão de incompetência da moderadora. A partir dos 41 minutos. O resto é composto pelos argumentos de sempre. O sucesso dos dois já está garantido, via you tube.
De férias com tudo na mesma
É esquisito. Ao fim de duas semanas de férias aterrei num noticiário sem evolução nos temas que tinha deixado (SCUT, PT/Telefónica). A novidade parece ser a revisão constitucional. Uau. Vou continuar de férias.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
As crendices que mastigam miolos*
A crendice, os mitos, a feitiçaria (quimbandice), as histórias fantásticas, o uso e o abuso da alegoria dominam, em grande parte, a cultura africana e, claro, a angolana. Conta-se, por exemplo, que só se pode ser feiticeiro se matar alguém da família; que os cérebros dos albinos têm uma substância que permite curar a sida; que se a sombra de um pássaro pára na cabeça de alguém, deixa-o louco; e tantas outras que variam conforme a região. Durante a guerra, era mato o surgimento de história de heróis imunes às balas ou simplesmente que com capacidade para se desviarem delas. Mas sobretudo há sempre explicações para fenómenos novos. Agora chegou a vez da "fúria" da crença se abater sobre os chineses, numa história muito bem desmistificada pelo Luís Rainha no (acho) novo projecto Vias de Facto. E de uma forma que só ele sabe contar.
* Título semi-roubado ao próprio Rainha.
* Título semi-roubado ao próprio Rainha.
domingo, 18 de julho de 2010
Tudo sobre Angola
Como vamos ter uma semana a falar de Angola, por força da visita de Cavaco Silva, recomendo a quem queira saber mais sobre Angola, sem ser pelas penas confusas dos jornais e jornalistas, este blogue: tudosobreangola. E especialmente para quem queira conhecer uma boa parte da História de Angola e, inevitavelmente, de Portugal.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Cavaco, o "angolano", em visita de apoteose
A visita de Cavaco Silva a Angola vai ser, antes de mais, um “corolário” da sua carreira política. Em Luanda, é visto como um amigo “para a vida”, numa amizade que chegou a ser crucial para o actual regime angolano.
Quando o PSD ganhou as eleições, em 1985, José Eduardo dos Santos foi o primeiro chefe de Estado a enviar um telegrama, felicitando essa vitória. Mal terminou a cerimónia de posse do primeiro governo de Cavaco Silva, Lisboa recebia um convite formal do presidente José Eduardo dos Santos para que Portugal se fizesse representar nas cerimónias oficiais que assinalavam mais um aniversário da independência.
Em 10 anos, era a primeira vez que as autoridades de Luanda manifestavam, com dois gestos, uma abertura a Lisboa que nos anos anteriores tinha sido impossível de alcançar. Mas não foi unicamente a intenção de Luanda que provocou os gestos de José Eduardo dos Santos. Mesmo antes de chegar ao poder, Cavaco Silva vinha manifestando a vontade de alterar substancialmente as relações entre os dois países e, de uma forma geral, o relacionamento com os países africanos de expressão portuguesa. A “marca” que se viria a colar-lhe à pele, de ser um pragmático, serviria também nas questões internacionais, em particular, com Angola. A postura de Cavaco Silva constituiu, na política portuguesa, uma absoluta novidade e causou uma ruptura das políticas anteriores. E que viria a ter o seu auge na liderança de Lisboa no processo de paz alcançado em Angola, com a assinatura dos acordos de Bicesse.
Como ninguém, Cavaco Silva soube capitalizar essa política: além de ter um papel principal, entre os actores que influenciavam a política angolana, o actual presidente português foi um dos principais responsáveis pelo regresso dos empresários a Angola, com os benefícios que hoje se conhece, pelo significativo aumento nas relações comerciais entre os dois países e pelo desanuviamento das relações com os EUA.
Além disso, essa mesma política serviu para lançar o nome de Durão Barroso como um grande estadista. Curiosamente, o actual presidente da Comissão Europeia foi apenas o executor – mas com mérito – da estratégia desenhada por Cavaco Silva e respectivos assessores, em que se destacavam os embaixadores António Monteiro e Martins da Cruz.
Se por um lado, Cavaco Silva ajudou na projecção de Durão Barroso, por outro, o presidente português foi um extraordinário aliado para o MPLA: primeiro, no fim ao apoio à UNITA e na condenação do regime sul-africano, em tempos de guerra, mas sobretudo na influência que exerceu os EUA, que iria terminar no estabelecimento de relações diplomáticas sólidas com Angola.
Seguindo a mesma lógica, Cavaco Silva viaja para Angola com o pragmatismo na lapela: espera ser “coroado”, mas aproveita para levar uma longa comitiva de empresários - são 100 - a enfatizando a necessidade de serem aprofundadas as relações comerciais e empresariais entre Angola e Portugal.
Em Luanda, Cavaco Silva vai encontrar uma “passerelle” de políticos dispostos a estender-lhe o tapete vermelho, como já contei aqui, mas não lhe prestam vassalagem. Angola sempre tem exigido igualdade de oportunidades e boa vontade na entrada de angolanos nas empresas portuguesas. O que até agora tem acontecido, mas com timidez. E, de novo, essa é a questão central que vai estar em cima da mesa e que foi sublinhada por José Eduardo dos Santos na visita oficial que fez a Portugal, o ano passado. Afinal, Luanda tem nos negócios o “alfa” e o “ómega” de toda a sua estratégia. Em tempos de crise, Cavaco Silva vai ser, desta vez, apenas mais um catalisador de umas relações que, depois de ele ter dado o mote, têm sido, de ano para ano, melhoradas.
*A análise completa da visita de Cavaco Silva pode ser lida aqui, na PNN
Quando o PSD ganhou as eleições, em 1985, José Eduardo dos Santos foi o primeiro chefe de Estado a enviar um telegrama, felicitando essa vitória. Mal terminou a cerimónia de posse do primeiro governo de Cavaco Silva, Lisboa recebia um convite formal do presidente José Eduardo dos Santos para que Portugal se fizesse representar nas cerimónias oficiais que assinalavam mais um aniversário da independência.
Em 10 anos, era a primeira vez que as autoridades de Luanda manifestavam, com dois gestos, uma abertura a Lisboa que nos anos anteriores tinha sido impossível de alcançar. Mas não foi unicamente a intenção de Luanda que provocou os gestos de José Eduardo dos Santos. Mesmo antes de chegar ao poder, Cavaco Silva vinha manifestando a vontade de alterar substancialmente as relações entre os dois países e, de uma forma geral, o relacionamento com os países africanos de expressão portuguesa. A “marca” que se viria a colar-lhe à pele, de ser um pragmático, serviria também nas questões internacionais, em particular, com Angola. A postura de Cavaco Silva constituiu, na política portuguesa, uma absoluta novidade e causou uma ruptura das políticas anteriores. E que viria a ter o seu auge na liderança de Lisboa no processo de paz alcançado em Angola, com a assinatura dos acordos de Bicesse.
Como ninguém, Cavaco Silva soube capitalizar essa política: além de ter um papel principal, entre os actores que influenciavam a política angolana, o actual presidente português foi um dos principais responsáveis pelo regresso dos empresários a Angola, com os benefícios que hoje se conhece, pelo significativo aumento nas relações comerciais entre os dois países e pelo desanuviamento das relações com os EUA.
Além disso, essa mesma política serviu para lançar o nome de Durão Barroso como um grande estadista. Curiosamente, o actual presidente da Comissão Europeia foi apenas o executor – mas com mérito – da estratégia desenhada por Cavaco Silva e respectivos assessores, em que se destacavam os embaixadores António Monteiro e Martins da Cruz.
Se por um lado, Cavaco Silva ajudou na projecção de Durão Barroso, por outro, o presidente português foi um extraordinário aliado para o MPLA: primeiro, no fim ao apoio à UNITA e na condenação do regime sul-africano, em tempos de guerra, mas sobretudo na influência que exerceu os EUA, que iria terminar no estabelecimento de relações diplomáticas sólidas com Angola.
Seguindo a mesma lógica, Cavaco Silva viaja para Angola com o pragmatismo na lapela: espera ser “coroado”, mas aproveita para levar uma longa comitiva de empresários - são 100 - a enfatizando a necessidade de serem aprofundadas as relações comerciais e empresariais entre Angola e Portugal.
Em Luanda, Cavaco Silva vai encontrar uma “passerelle” de políticos dispostos a estender-lhe o tapete vermelho, como já contei aqui, mas não lhe prestam vassalagem. Angola sempre tem exigido igualdade de oportunidades e boa vontade na entrada de angolanos nas empresas portuguesas. O que até agora tem acontecido, mas com timidez. E, de novo, essa é a questão central que vai estar em cima da mesa e que foi sublinhada por José Eduardo dos Santos na visita oficial que fez a Portugal, o ano passado. Afinal, Luanda tem nos negócios o “alfa” e o “ómega” de toda a sua estratégia. Em tempos de crise, Cavaco Silva vai ser, desta vez, apenas mais um catalisador de umas relações que, depois de ele ter dado o mote, têm sido, de ano para ano, melhoradas.
*A análise completa da visita de Cavaco Silva pode ser lida aqui, na PNN
sexta-feira, 9 de julho de 2010
A crise derrete-os
Na Assembleia da República, a principal sala - principal por ser a maior e a mais bem apetrechada - onde se realizam as comissões parlamentares não tem ar condicionado. O calor dos últimos tempos vai sendo amenizado por duas ventoinhas, colocadas num dos extremos da sala. Mas só estão dirigidas para a mesa de honra, onde se senta o presidente e eventualmente o membro do Governo que esteja a ser fiscalizado. Os deputados recorrem aos leques feitos de papel.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Neologismos
Com o encerramento do Rádio Clube Português e de uma fábrica da Merck, no Cacém, descobri como, cada vez mais, a língua portuguesa ganhou novas expressões: descontinuidade, descontinuação, descontinuar. São sinónimos de fechar, encerrar e despedir.
Curiosamente, as expressão são usadas pela empresa, a Agência Lift, que gere as contas(tradução: que trata da imagem) da Media Capital, dona da rádio, e da Farmacêutica Merck.
Curiosamente, as expressão são usadas pela empresa, a Agência Lift, que gere as contas(tradução: que trata da imagem) da Media Capital, dona da rádio, e da Farmacêutica Merck.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
É bué da fixe, meu, vou poupar 3 cêntimos por dia
Garante o 'Diário Económico', em letras garrafais, que o "valor das propinas vai baixar pela primeira vez em cinco anos". Contas feitas, desce de 996,85 para os 986,88. Ou seja, menos de 10 euros por ano. Quer dizer, em 10 meses, um euro por mês. Ou melhor: três cêntimos por dia.
Ah.. a euforia que deve andar por essas festas estudantis com tanto guito para guardar.
Uma euforia estragada pelo mesmo 'Diário Económico' que, mais baixinho, em letras mais pequenas, acrescenta que "este é o primeiro ano em que todas as universidades públicas se preparam para cobrar a propina máxima". A tal que baixou 10 euros por ano, 3 cêntimos por dia.
Ah.. a euforia que deve andar por essas festas estudantis com tanto guito para guardar.
Uma euforia estragada pelo mesmo 'Diário Económico' que, mais baixinho, em letras mais pequenas, acrescenta que "este é o primeiro ano em que todas as universidades públicas se preparam para cobrar a propina máxima". A tal que baixou 10 euros por ano, 3 cêntimos por dia.
sábado, 3 de julho de 2010
É verdade, eu ouvi
Há muito que não se ouvia a Internacional no Largo do Rato. Aconteceu sexta-feira à tarde, numa homenagem a Tito de Morais. Um momento histórico. José Sócrates estava lá, ouviu mas não se juntou ao coro ... Será que já não se lembra da letra ?
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Bem prega Frei Tomás...
Não deixa de ser curioso ver vários responsáveis do mundo empresarial e político espanhol aos saltos por o governo português ter inviabilizado a venda da vivo à Telefónica.
Sobretudo se tivermos em conta a forma como Madrid bloqueou há 10 anos a fusão da mesma Telefónica com a holandesa KPN, episódio que o Publico (espanhol) recorda aqui.
Sobretudo se tivermos em conta a forma como Madrid bloqueou há 10 anos a fusão da mesma Telefónica com a holandesa KPN, episódio que o Publico (espanhol) recorda aqui.
Cadê o Valter?
Quando no final de Maio o Eurostat anunciou que o desemprego em Portugal tinha atingido os 10,8%, o secretário de estado do emprego saltou imediatamente a desancar o organismo europeu e a garantir que aquela projecção iria ser revista em baixa.
Valter Lemos deve ter pensado que bastava um telefonema para que a metodologia inconveniente fosse devidamente “corrigida”.
É verdade que o Eurostat tem feito bastantes disparates (veja-se a forma como sempre validaram as contas gregas…), mas face às afirmações do secretário de estado os seus responsáveis lá explicaram por A + B como é que tinham chegado àquele números.
Entretanto, o Eurostat divulgou hoje os dados do desemprego de Maio, que atinge um novo máximo (10,9%), mantendo a projecção anterior de Abril nos 10,8%.
Alguém sabe onde pára o secretário de estado?
Valter Lemos deve ter pensado que bastava um telefonema para que a metodologia inconveniente fosse devidamente “corrigida”.
É verdade que o Eurostat tem feito bastantes disparates (veja-se a forma como sempre validaram as contas gregas…), mas face às afirmações do secretário de estado os seus responsáveis lá explicaram por A + B como é que tinham chegado àquele números.
Entretanto, o Eurostat divulgou hoje os dados do desemprego de Maio, que atinge um novo máximo (10,9%), mantendo a projecção anterior de Abril nos 10,8%.
Alguém sabe onde pára o secretário de estado?
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Baralha e volta a dar

De acordo com o ministro Pedro Silva Pereira, a Telefónica deveria ter comunicado ao Governo português a intenção de comprar a Vivo, um activo (e que activo da PT!). Pois, o mesmo Governo, através de ministros, do primeiro-ministro e, já agora, do partido que o apoia, jura que a PT não deveria ter comunicado nada ao executivo sobre a intenção de comprar um activo chamado TVI. Confusos? Também eu.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Ao 24, na hora da gratidão*
Eras para ser uma TSF em papel: de notícias curtas, incisivas e em actualização permanente. Foi com este argumento que me convenceram a ajudar-te a nascer. A ilusão não demorou muito tempo a ser morta. Foste um bebé numa incubadora. E como metaforizava alguém, levaste pontapés. Desde o primeiro número que fizeste questão em obedecer a um velho ditado: quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Infelizmente, foi assim. Mas tal como uma criança, também me ensinaste muita coisa. Contigo aprendi a paginar, a ver a fotografia por outros ângulos, a contar os caracteres, a fintar a língua em malabarismos para caber a estória, a “ver” o outro lado da notícia. Aprendi, com a gente que te fez, a criar a primeira página, a sentir os limites das horas – a gráfica, a gráfica! – a percorrerem-me o corpo. Deixei-te por muitas razões. Mas ficaste sempre guardado, aqui. Afinal, contigo tornei-me mais jornalista, mais homem. E com a tua morte, morre também um bocado de mim. As muitas horas, que te dediquei, não as perdi: ganhei-as.
*Texto escrito para a última edição do 24horas
*Texto escrito para a última edição do 24horas
terça-feira, 29 de junho de 2010
Mentira! Cavaco NÃO esteve nos Açores
Afinal, Cavaco Silva não foi passar uns dias de férias aos Açores, como muita gente andou, insidiosamente, a dizer. A página na internet do Presidente da República que, como se sabe é a única que diz a verdade, não faz uma única referência às férias presidencais.
É mentira, portanto, que Cavaco Silva prometera à família, em especial aos netos, um passeio pelas furnas. É mentira que Cavaco Silva tenha dito que Saramago não era "um amigo", nem sequer "conhecido". É mentira que Cavaco Silva tenha faltado ao funeral do escritor. Os jornalistas são todos mentirosos, inventam férias e desculpas e teatralizam declarações.
Só se pode confiar, de facto, na página que fala verdade e nada mais do que a verdade.
É mentira, portanto, que Cavaco Silva prometera à família, em especial aos netos, um passeio pelas furnas. É mentira que Cavaco Silva tenha dito que Saramago não era "um amigo", nem sequer "conhecido". É mentira que Cavaco Silva tenha faltado ao funeral do escritor. Os jornalistas são todos mentirosos, inventam férias e desculpas e teatralizam declarações.
Só se pode confiar, de facto, na página que fala verdade e nada mais do que a verdade.
domingo, 27 de junho de 2010
A verdade, nada mais do que a verdade, em nova versão
Já houve a versão "a verdade é só uma, a Rádio Moscovo não fala verdade". Depois foi a vez de "O Diário: a verdade a que temos direito". Agora chegou o Pravda de Belém, via Cavaco Silva:
"Quem quiser conhecer a verdade, repito a verdade, insisto a verdade, sobre o diz e faz o Presidente da República, basta ir à página da internet da Presidência da República. Lá está a verdade".
Na verdade de Cavaco Silva poderia haver algumas vantagens. Sendo que só a página da Presidência informa a verdade, bem que ele poderia dispensar os comunicados lidos na TV, os recados ditos a toda a comunicação social, as visitas comemorativas a clubes e associações e a organização de roteiros da juventude, roteiros sociais e encontros públicos com economistas, jovens empresários e crianças. Fazia-os e depois relatava tudo na internet. Afinal, está lá a verdade a que Cavaco Silva tem direito.
"Quem quiser conhecer a verdade, repito a verdade, insisto a verdade, sobre o diz e faz o Presidente da República, basta ir à página da internet da Presidência da República. Lá está a verdade".
Na verdade de Cavaco Silva poderia haver algumas vantagens. Sendo que só a página da Presidência informa a verdade, bem que ele poderia dispensar os comunicados lidos na TV, os recados ditos a toda a comunicação social, as visitas comemorativas a clubes e associações e a organização de roteiros da juventude, roteiros sociais e encontros públicos com economistas, jovens empresários e crianças. Fazia-os e depois relatava tudo na internet. Afinal, está lá a verdade a que Cavaco Silva tem direito.
sábado, 26 de junho de 2010
"Atitude construtiva" ou a memória selectiva
Comentando as declarações de Cavaco Silva, sobre a situação "insustentável", Mário Soares veio reivindicar que um "presidente deve dar sugestões construtivas". Esta candura de Mário Soares até poderia dar ideia de que ele nunca esteve em Belém. Mas, para os mais desmoriados, é preciso lembrar que ele andou por lá durante 10 anos e a "atitude construtiva", com Cavaco Silva a primeiro-ministro, resumia-se a isto:
- presidências abertas;
- veto aos projectos de erradicação de barracas
- veto à redução de número de oficiais nas Forças Armadas
- obstáculos às relações do Governo português com Angola, quando se pretendia atingir a paz , praticando até uma diplomacia paralela.
- organização de um congresso para "bater no Governo" que, vá lá, serviu para Cavaco Silva mostrar o Pulo do Lobo ao país e com Jorge Lacão (hoje ministro) a escrever que Soares queria "imiscuir-se na vida do PS" e "ajustar contas com Cavaco Silva".
- ameaça de dissolução do Parlamento que tinha maioria absoluta do PSD, feita num jantar no restaurante Avis, no Chiado
- defesa do "direito à indignação", logo a seguir ao bloqueio da Ponte 25 de Abril
- aceitar e depois rejeitar nomeações nas Forças Armadas
- tentativa de rejeitar a alterações na composição do Governo
- apoio público a cidadãos estrangeiros que ficaram retidos no aeroporto por tentarem entrar ilegalmente em Portugal
Eis, num resumo, algumas "atitudes construtivas" seguindo a cartilha de Mário Soares.
- presidências abertas;
- veto aos projectos de erradicação de barracas
- veto à redução de número de oficiais nas Forças Armadas
- obstáculos às relações do Governo português com Angola, quando se pretendia atingir a paz , praticando até uma diplomacia paralela.
- organização de um congresso para "bater no Governo" que, vá lá, serviu para Cavaco Silva mostrar o Pulo do Lobo ao país e com Jorge Lacão (hoje ministro) a escrever que Soares queria "imiscuir-se na vida do PS" e "ajustar contas com Cavaco Silva".
- ameaça de dissolução do Parlamento que tinha maioria absoluta do PSD, feita num jantar no restaurante Avis, no Chiado
- defesa do "direito à indignação", logo a seguir ao bloqueio da Ponte 25 de Abril
- aceitar e depois rejeitar nomeações nas Forças Armadas
- tentativa de rejeitar a alterações na composição do Governo
- apoio público a cidadãos estrangeiros que ficaram retidos no aeroporto por tentarem entrar ilegalmente em Portugal
Eis, num resumo, algumas "atitudes construtivas" seguindo a cartilha de Mário Soares.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Uma aventura...no grupo parlamentar do PS
Depois de se explicar aos autarcas do PS, na semana passada, Isabel Alçada foi ontem à noite ao Parlamento discutir com os deputados socialistas o polémico encerramento das escolas com menos de 21 alunos.
A reunião estava marcada para as 21h. A ministra da educação chegou quinze minutos mais tarde. Se soubesse, ter-se-ia atrasado muito mais. É que àquela hora, não havia quórum. Não estava quase ninguém no auditório novo da AR. Nem deputados nem líder da bancada. Isabel Alçada esperou, esperou, e só às 21.40 h alguém fechou a porta sinalizando o início da reunião. Sem Francisco Assis que chegou já a discussão ia a meio...
A reunião estava marcada para as 21h. A ministra da educação chegou quinze minutos mais tarde. Se soubesse, ter-se-ia atrasado muito mais. É que àquela hora, não havia quórum. Não estava quase ninguém no auditório novo da AR. Nem deputados nem líder da bancada. Isabel Alçada esperou, esperou, e só às 21.40 h alguém fechou a porta sinalizando o início da reunião. Sem Francisco Assis que chegou já a discussão ia a meio...
sábado, 19 de junho de 2010
Regresso à plasticina
Freitas do Amaral anunciou hoje que apoia "incondicionalmente" a candidatura de Cavaco Silva a novo mandato, em Belém. Bom, bom é ouvir as razões do antigo ministro socialista por não ter estado à 'direita' contra Jorge Sampaio e depois contra Mário Soares.
O anúncio de Freitas do Amaral foi feito à porta da Universidade de Verão organizada pelo... PS.
O anúncio de Freitas do Amaral foi feito à porta da Universidade de Verão organizada pelo... PS.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Na hora da morte de Saramago

Vale a pena ler todo o trabalho do "El País": entrevistas, reacções, memórias e todos os "ensaios" de Saramago.
quinta-feira, 17 de junho de 2010
Viram por aí o Pacheco Pereira ?
Nem Agostinho Branquinho, nem o líder parlamentar, nem Pacheco Pereira, nem Francisca Almeida, nem "o filho da Filomena"*...Não apareceu ninguém. E sózinho, Pedro Duarte, na sala de conferências de imprensa da AR, lá anunciou o voto a favor do relatório de João Semedo.
Da última vez que os deputados sociais-democratas da comissão de inquérito aonegócio PT-TVI convocaram os jornalistas para uma declaração, apareceram todos ao lado de Pacheco Pereira. Esta tarde, abandonaram Pedro Duarte à sua sorte. Não houve ninguém para fazer coro a "a comissão podia ter ido mais longe, mas foi no sentido correcto, não teve conclusões categóricas, mas nós votamos a favor".
À porta Emídio Guerreiro ainda espreitou para dentro mas esse não faz parte deste campeonato.
*foi assim que, numa bela tarde de comissão, Osvaldo de Castro, a presidir aos trabalhos, se dirigiu ao deputado Nuno Encarnação (filho de Carlos Encarnação) questionando-o se não era o filho da Filomena
Da última vez que os deputados sociais-democratas da comissão de inquérito aonegócio PT-TVI convocaram os jornalistas para uma declaração, apareceram todos ao lado de Pacheco Pereira. Esta tarde, abandonaram Pedro Duarte à sua sorte. Não houve ninguém para fazer coro a "a comissão podia ter ido mais longe, mas foi no sentido correcto, não teve conclusões categóricas, mas nós votamos a favor".
À porta Emídio Guerreiro ainda espreitou para dentro mas esse não faz parte deste campeonato.
*foi assim que, numa bela tarde de comissão, Osvaldo de Castro, a presidir aos trabalhos, se dirigiu ao deputado Nuno Encarnação (filho de Carlos Encarnação) questionando-o se não era o filho da Filomena
CROMOS
Andava o pessoal "distraído" com a hipótese de aparecer mais um candidato presidenciável à direita vai daí no Ps houve quem se entusiasmasse. Defensor Moura de sua graça. É deputado socialista, antigo presidente da câmara de Viana do Castelo. E garante que tem sido : " incentivado por muitos colegas da bancada rosa". Só deixo uma observação e é mesmo sincera. Podem incentivá-lo mas olhe que não são seus amigos!
Já alguém descobriu os gravadores ?
Ricardo Rodrigues foi o porta-voz da reunião de hoje do grupo parlamentar do PS. Enquanto os repórteres de imagem acertavam posições, o deputado comentava "Vocês é que sabem a melhor técnica...Não me ponham é muitos gravadores à frente !"
grande rebaldaria
o governo vai retirar uma série de apoios sociais a quem tenha dinheiro ou acções de valor igual ou superior a cem mil euros. os agregados familiares com tais posses deixam de ter direito, por exemplo, ao subsídio social de desemprego, ao abono de família, ao apoio social escolar ou à comparticipação extra dos medicamentos. com estas medidas, o governo diz que vai poupar cerca de 100 milhões de euros este ano e 200 milhões no próximo. tendo em conta que todas estas prestações se destinam, à partida, a pessoas de muito baixos rendimentos, dá para ver a rebaldaria que para aí vai em matéria de prestações sociais.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
terça-feira, 15 de junho de 2010
Ou 8 ou 80
No Parlamento, enquanto decorre o Portugal-Costa de Marfim, há uma comissão reunida. A de educação e cultura. Começou às 15 h . E está a ouvir o secretário de estado do desporto, Laurentino Dias...
quarta-feira, 9 de junho de 2010
cavaco duplamente reformado
o presidente da república esclareceu ontem que só recebe duas e não três pensões de reforma. sempre pensei que, estando no activo e recebendo um salário, cavaco silva tivesse suspendido as pensões de reforma. isso, sim, faria sentido. afinal, o presidente da república mantém no activo a sua condição de duplamente reformado.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Alô Lisboa, daqui Luanda
Na tentativa de "furar" o caótico trânsito da cidade de Luanda, uma empresa teve a feliz ideia de criar o barco-táxi. Bem pode ser um exemplo a seguir por outras cidades. Não seria nada mau, por exemplo, atravessar Lisboa, da Expo a Belém, de barco, sem ter de passar pelo caos do Terreiro do Paço-Cais do Sodré.
Indirecta a Belmiro?
Notícia do jornal "Público" na edição de hoje com o título ""Le Monde" em busca de novo dono para resolver dificuldades financeiras":
O "Le Monde, um dos mais influentes jornais em língua francesa, que era detido pelos próprios jornalistas há 60 anos, poderá estar prester a perder a sua independência".
Ou o jornalista e editor, responsáveis por esta prova, acreditam que só os jornalistas-proprietários podem garantir a indepedência de um jornal, ou é um recado subtil da redacção do "Público", dirigido a Belmiro de Azevedo.
O "Le Monde, um dos mais influentes jornais em língua francesa, que era detido pelos próprios jornalistas há 60 anos, poderá estar prester a perder a sua independência".
Ou o jornalista e editor, responsáveis por esta prova, acreditam que só os jornalistas-proprietários podem garantir a indepedência de um jornal, ou é um recado subtil da redacção do "Público", dirigido a Belmiro de Azevedo.
Manipulaçõezinhas
Assim que a Comissão Europeia tornou público que deixava cair o processo de infracção contra Portugal por causa da adjudicação directa dos computadores Magalhães, o secretário de estado das comunicações não perdeu tempo a congratular-se com a boa notícia e a concluir que os trabalhos da comissão eventual de inquérito da Assembleia da República que investiga o negócio "não são para o apuramento da verdade", mas sim "uma arma de arremesso político".
O que Paulo Campos não explica é que Bruxelas apenas arquivou o processo depois de Portugal, pressionado, ter acedido a alterar as regras do jogo ao lançar em Janeiro deste ano um concurso público para a aquisição de novos computadores, recuando em toda a linha sem no entanto assumir abertamente o erro. O que não é a mesma coisa que reconhecer que tudo foi feito com a lisura que se impunha. Até porque a Comissão Europeia acompanha a notícia que tanto agradou ao governante com uma explicação detalhada sobre a forma como a versão inicial do negócio representava uma "distorção da concorrência" e podia levar ao "desperdício do dinheiro dos contribuintes".
O que Paulo Campos não explica é que Bruxelas apenas arquivou o processo depois de Portugal, pressionado, ter acedido a alterar as regras do jogo ao lançar em Janeiro deste ano um concurso público para a aquisição de novos computadores, recuando em toda a linha sem no entanto assumir abertamente o erro. O que não é a mesma coisa que reconhecer que tudo foi feito com a lisura que se impunha. Até porque a Comissão Europeia acompanha a notícia que tanto agradou ao governante com uma explicação detalhada sobre a forma como a versão inicial do negócio representava uma "distorção da concorrência" e podia levar ao "desperdício do dinheiro dos contribuintes".
quarta-feira, 2 de junho de 2010
O almirante que mudou a História de Angola

Considerado vilão e herói, Rosa Coutinho entra para a História por ter sido um homem que, em seis meses, mudou o rumo de um país: Angola. Sem o almirante a presidir à então Junta Governativa, Angola não seria hoje o que é. Os angolanos - e muitos portugueses que dependem de Angola para viver - bem podem agradecer os seis meses que Rosa Coutinho dirigiu os destinos da província que caminhava para a Independênmcia. Logo que aterrou em Luanda, Rosa Coutinho apercebeu-se que só poderia apoiar o MPLA, evitando que o país fosse dividido em dois, com traços bem definidos: a Sul, governado pela UNITA e pelo regime racista da África do Sul; a Norte, governado por Holden Roberto que não era mais do que um fantoche do louco presidente zairense Mobutu Sese Seko. No meio disto, encontrava-se um MPLA desfeito militarmente, quase derrotado na mata, mas com influência nalgumas cidades, sobretudo junto de intelectuais.
Na altura, o MPLA era o único movimento com quadros formados, muitos na antiga União Soviética e países do Leste europeu e outros, também bastantes, nas faculdades portuguesas. E Rosa Coutinho fez uma opção clara que ele próprio não teve dúvidas em reconhecer. Em seis meses mudou Angola: entregou 10 mil contos ao MPLA, enquanto fez os outros movimentos esperar; atraiu mais de dois mil catangueses para, mais a norte de Luanda, ajudarem o movimento de Agostinho Neto a enfrentar a ofensiva do Zaire, oferecendo até o mercedes do governo-geral ao general M'Bumba; travou, várias vezes e várias frentes, as intenções de muitos colonos que queriam formar governo, conseguindo a independência "branca"; afastou antigos membros da PIDE, que ainda restavam em Luanda, de cargos dirigentes; manobrou, como põde, Mobutu e as suas intenções, promovendo conversações apenas para dar tempo ao MPLA de se reorganizar; manteve frequentes contactos com dirigentes do MPLA dando até conselhos. E ele nunca se furtou em ajudar, como reconheceu nesta entrevista:
"O MPLA não tinha forças militares e passou a ter a melhor infantaria que estava em Angola. Na altura, o MPLA tinha apoios duvidosos da URSS. Os soviéticos não sabiam se haviam de apoiar o MPLA, porque aquilo tudo era um saco de gatos. Só Cuba dava um apoio sólido"*
Por tudo isso, Angola deve-lhe muito. É evidente que nunca se pode imaginar o que seria o destino de Angola, caso Rosa Coutinho não tivesse tomado as posições que tomou. Mas facilmente se conclui que o país teria vivido, pelo menos durante longos anos, completamente dividido, além, claro,da inevtitável guerra civil.
Rosa Coutinho foi voluntarioso, polémico, abnegado, persistente, impetuoso e corajoso. Não hesitava em subir a mesas para enfrentar manifestantes furiosos. No primeiro dia de trabalho, na Junta Governativa, o jornal "Província de Angola" intitulava: "Chegou o Almirante Vermelho". A partir daí, Rosa Coutinho passou a assinar todos os despachos a tinta... vermelha. Morreu hoje uma figura ímpar na História de Portugal e de Angola. E entrou para essa história graças a seis meses verdadeiramente alucinantes, dignos de serem transpostos em filme.
*"O último adeus português", Fernando, Emídio, Oficina do Livro
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