sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Jornalismo imaginativo

O jornal "Expresso" tratou de contar que a Cruz Vermelha enviou uns inspectores para o terrível Campo do Tarrafel, concluíndo que era um "paraíso". O jornal baseou-se num trabalho do sociólogo cabo-verdiano José Vicente Lopes para destacar as conclusões e o próprio título da peça. Afinal, não se tratou nada disso. O próprio Vicente Lopes, em entrevista ao jornal angolano "O País", desmonta a peça e chama-a de "golpe publicitário". Mas não um "golpe" feito por ele, mas pelo "Expresso". O jornal angolano fez aquilo que devia ser a obrigação do semanário português: em vez de entrar em delírios, entrevistou o autor. E assim evitou a idiotice. Parte da entrevista é bem elucidativa de determinadas mentes que pairam no "Expresso". José Vicente Lopes esclarece-a:

"Não sei em concreto quais são os comentários produzidos aí em Angola a partir do texto do JPCastanheira, o que é mau para todos nós. Ele, enquanto português, pegou nos aspectos que lhe pareceram mais relevantes. Um angolano, lendo o meu livro, destacará outros aspectos, tenho a certeza. O “golpe publicitário” não é meu. E a intenção de criar polémica também não me pertence. Em relação à frase “Tarrafal um paraíso”, tirada do contexto em que a mesma foi produzida, choca qualquer um. Nenhuma prisão, por mais suave que seja, é um paraíso".

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Com amigos destes...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Vida infeliz a de Cavaco Silva

Cavaco Silva deve viver no cargo de Presidente da República completamente infeliz. É rara a lei ou diploma que ele não promulgue "contrariado". Aconteceu com o casamento homossexual, com a lei do divórcio, com o estatuto dos Açores, com o novo código contributivo e com o código de execução de penas. E ainda vai ter mais uma contrariedade para aceitar: a abertura dos hipermercados ao domingo. Hoje promulgou o diploma que altera a lei das uniões de facto, mostrando "reservas". Portanto, de novo, contrariado. Quererá continuar assim "contrariado" por mais cinco anos?

sábado, 14 de agosto de 2010

Férias

Graças a este blog, descobri esta capa. De Sócrates, o luxuoso, não podiam ter arranjado fotografia pior. No artigo Passos Coelho, o poupadinho, aparece até a passar pelo balneário municipal. Mas o Expresso deixou-me hoje mais descansada. A casa humilde da vila piscatória onde o líder do PSD está de férias tem piscina (pelo menos assim dá a entender a foto do artigo que eu não encontro na net. Ou será do vizinho ?) Certo, certo é que pelo menos espreguiçadeira e chapéu de sol não faltaram...






Ora cá estamos outra vez

Pouco depois de se saber que o PS decidiu expulsar Narciso Miranda, foi conhecido o local escolhido para a rentrée socialista: Matosinhos.
O ano político de José Sócrates promete ...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A Josefa, o Bebé e o jornalismo que engana a todos

Um jogador português salta para do Vitória de Guimarães para o Manchester United. A viagem de sonho custa aos ingleses quase 10 milhões de euros e foi o maior negócio de sempre dos vimaranense. Mas o jogador, Bebé de seu nome, foi um sem-abrigo. Por cá, os jornais portugueses destacam o negócio. Pelo Brasil, os jornais contam que o rapaz era, até há pouco tempo, um "sem teto". É pena que ninguém, nestas redacções, se preocupe a contar a história humana do Bebé.
Tal como nunca ninguém contou da Josefa - de tantas outras e outros como a Josefa - que foi bombeira, estudante e trabalhadora. Tudo ao mesmo tempo. Só entrou para as páginas dos jornais porque morreu. Ferreira Fernandes (FF) tenta fazer-lhe uma homenagem, que bem poderia ser um acto de contrição.
A propósito deste artigo de FF um grande jornalista (infelzmente retirado das lides, mas não da atenção e da memória) Paulo Caetano escreveu isto:

"O Ferreira Fernandes, como bem sabemos, é um mestre a jogar com as palavras. Por isso, presta uma tão bonita homenagem a uma miúda que morreu por que estava onde não devia: a combater um fogo que devia ser combatido por sapadores profissionais e com formação em vez de miudos que se dão como voluntários enquanto os comandantes dos seus quartéis "voluntários" cobram ao Estado cada saída que fazem. Daí, se pensarmos um pouco, pode estar uma das explicações possíveis para tantos misteriosos reacendimentos de fogos dados como extintos. Mas, o mais importante desta crónica, era responder à questão que o FF coloca no fim do texto: 'porque não conhecíamos nós a Josefa?' Pensava que, com a experiência de tantos anos a fazer jornais e a dirigi-los, o FF saberia responder a isso. É simples: porque os donos dos jornais - e as direcções que eles contratam - só falariam da Josefa se ela fosse "famosa", se aparecesse em programas televisivos ou frequentasse festas 'in'. E, se numa qualquer redacção por onde o FF passou nos últimos anos, um simples jornalista desse a ideia de escrever uma história com a Josefa que é estudante e bombeira, logo receberia um rotundo 'Não!!' Afinal de contas: andamos a enganar quem?"

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Posso mandar os parabéns por um blogue?

Barack Obama celebra hoje o seu 49º aniversário. Não haveria nada de especial, se a mulher, Michele, e uns amigos não quisessem presenteá-lo com cartões a desejar o tal "happy birthday". Enviaram mails para todos os que estão inscritos na base de dados da campanha de Obama às presidenciais pedindo que se enviasse um cartão e que isso seria uma surpresa para o presidente. No final, deste simpático e comovente pedido, vinha a obrigação, para quem quisesse assinar o cartão, de se pagar, no mínimo, cinco dólares. Tal qual como na campanha eleitoral. Ainda assim, mesmo nas vésperas do aniversário, já mais de um milhão de pessoas tinha assinado. A, repito, cinco dólares cada um!
Como tenho uma grande simpatia por Barack Obama não me custa nada desejar-lhe, nesta data querida, muitas felicidades e muitos anos de vida. Mas apenas pelo blogue que os dólares fazem falta.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Choque de titãs




De acordo com várias páginas na internet, Armando Vara deverá estar a caminho da poderosa construtora civil brasileira Carmargo Corrêa. Uma das que mais investe em Angola e Moçambique. Portanto, uma rival da Mota-Engil de.... Jorge Coelho. As duas combatem pelos mesmos interesses: no fabrico de cimentos, na reconstrução de estradas e pontes, nas barragens e na influência junto de Luanda. No braço-de-ferro, desconfio que a empresa brasileira vai levar a melhor.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A sinfonia de Kinshasa

Sentem a música como se fosse uma "segunda oração", outros ficam "mais fortes" quando se encontram na Orquestra Sinfónica de Kinhasa, na República Democrática do Congo. A cidade mais louca de África tem uma orquestra de música clássica num dos bairros mais pobres. E são os músicos que fabricam os seus próprios instrumentos. O documentário é imperdível.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Freeport: falta um baraço ao pescoço


Alguns jornalistas e jornais e televisões deviam pedir-lhe desculpa... pessoalmente. De corda no pescoço como Egas Moniz (o aio, não o professor). Pelo massacre que o sujeitaram.
Esses mesmos jornalistas e jornais e televisões deviam pedir desculpas ao... Jornalismo. De corda no pescoço como Egas Moniz (o aio, não o professor) . Pelo massacre que o sujeitaram e pela vergonha que o fizeram passar. Ao jornalismo.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Relíquias...

Na sede central do PCP, em Lisboa, corre-se o risco de alguém morrer de... calor. O equipamento de ar condicionado avariou. Quando se liga para o frio sai quente. Também não admira. Os equipamentos ainda são os mesmos que foram instalados nos tempos "gloriosos" da FNAC, a Fábrica Nacional de Ar Condicionado, do "Barão Vermelho". Ou seja, do tempo da União Soviética.

Carta a Passos Coelho

O Conselho Económico e Social (CES), que junta organizações controladas pelo PCP, PS, PSD e CDS e que conta com a participação do Governo, fez uma análise, nesta segunda-feira, à situação da Zona Euro, considerando que "não pode ser colocado em risco o modelo social europeu", correndo-se, caso contrário, o risco de "desmoronar" a União Europeia. O recado não estava direccionado, mas ninguém duvidou que a carta, antes de seguir para Bruxelas, faz uma paragem na São Caetano à Lapa.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Orgulhosamente tacanhos

Anda por aí uma fúria anti-adesão de outros países à CPLP que, apesar de não ser surpreendente, não deixa de ser intrigante. A começar pelo (ainda) pragmático Cavaco Silva que insistiu na tecla que os outros países não falam português. Mas foi suficientemente franco para colocar Portugal no seu devido canto, ao sublinhar que “Portugal não é como a França”, referindo-se às ambições francesas em África. Nada mais verdade. Portugal vai continuar orgulhosamente tacanho. Enquanto isso, pode ir assistindo à Guiné-Bissau a integrar sistemas económicos da África francófona. E Moçambique mais preocupado com a Commonwealth do que propriamente o que faz a mesquinhez lusófona.
De repente, os portugueses – e não só – descobriram que a Guiné Equatorial vive debaixo de uma tenebrosa ditadura. Isto anos depois dos mesmos guineenses participarem nas cimeiras da CPLP como observadores, onde o “tenebroso” Theodore Obiang teve assento de primeira e até foi recebido em Lisboa com as honras e pompa devidas a um chefe de Estado. Excepto alguns blogues, ninguém se lembrou que o homem comandava uma feroz ditadura.
Nessa altura, até se pensou que o pragmatismo tinha vencido a tacanhez: que importa a ditadura se o país tem petróleo? Pelos vistos, durou pouco. Portugal, a dar sinais que rejeita a entrada da Guiné-Equatorial, demonstra bem que não aprendeu nada, nem com Paris, nem com Londres. Bem poderia olhar para os franceses que, ainda nos idos 1960, começaram a praticar as relações de boa convivência com todos os países desde que isso salvaguardasse os seus interesses. Há quem lhe chame neo-colonialismo, como é o caso de Cavaco Silva, mas Paris usa apenas o pragmatismo numa política conhecida pela Françáfrica. E, tirando alguns engulhos pelo caminho, ninguém se dá mal.
Com esta teimosia, resta a Portugal ser um mero comissionista em África, cumprindo, provavelmente, um desígnio histórico. O restante mundo lusófono deve apenas confiar no pragmatismo do Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde. Sobre a entrada da Guiné Equatorial, Pedro Pires já mostrou a intenção de ser pragmático e Lula da Silva assinou, recentemente, durante a sua visita oficial, 25 acordos comerciais com Obiang.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

O primeiro dia do resto da campanha

Como já tinha previsto em Abril, Cavaco Silva não deixou mesmo escapar a oportunidade para ter um grande momento de campanha. Em Angola, claro, que lhe serve sempre de paliativo para os males que tem na sua terra. Ah.. e como essas imagens irão ser usadas daqui a uns meses...

Labor de uns para uma medalha presidencial


Em Angola, Cavaco Silva ouviu o presidente José Eduardo dos Santos a anunciar que o país estava disposto a pagar as dívidas a começar pelas pequenas e médias empresas". E logo os jornalistas - tanto os que acompanham a visita do chefe de Estado e os outros que ficaram por Lisboa - trataram de traçar loas aio sucesso de Cavaco Silva. Mas infelizmente o jornalismo vive de memórias curtas. Curtíssimas.

O plano da dívida angolana foi traçado em Março deste ano por Luanda e acordado com Teixeira dos Santos, em Abril, durante a visita do governante português a Luanda. Nesse plano, constava o pagamento em três fases. A primeira destinava-se precisamente às PME portuguesas. O anúncio foi feito por Carlos Feijó (na foto), ministro de Estado e Chefe da Casa Civil da Presidência, um dos homens com verdadeiro poder em Angola.

Mas ainda antes, Teixeira dos Santos anunciava a criação de uma linha de crédito a Angola para pagar as dívidas às PME portuguesas.

O que é curioso é a forma como se faz passar a mensagem que Cavaco Silva foi cobrar as dívidas, conseguindo um retumbante sucesso.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Uma certa esquerda em violenta troca de insultos

Não sobraram mimos na RTP-N, ontem à noite, entre o deputado socialista Strecht Ribeiro e o dirigente do Bloco de Esquerda, João Teixeira Lopes. Coube (quase) tudo: mentiroso, grosseirão, mal-educado, demagogo, ordinário, mal-criado, sem calibre, etc, etc. Foram quatro minutos que terminaram com uma inevitável saída de estúdio e uma confissão de incompetência da moderadora. A partir dos 41 minutos. O resto é composto pelos argumentos de sempre. O sucesso dos dois já está garantido, via you tube.

De férias com tudo na mesma

É esquisito. Ao fim de duas semanas de férias aterrei num noticiário sem evolução nos temas que tinha deixado (SCUT, PT/Telefónica). A novidade parece ser a revisão constitucional. Uau. Vou continuar de férias.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

As crendices que mastigam miolos*

A crendice, os mitos, a feitiçaria (quimbandice), as histórias fantásticas, o uso e o abuso da alegoria dominam, em grande parte, a cultura africana e, claro, a angolana. Conta-se, por exemplo, que só se pode ser feiticeiro se matar alguém da família; que os cérebros dos albinos têm uma substância que permite curar a sida; que se a sombra de um pássaro pára na cabeça de alguém, deixa-o louco; e tantas outras que variam conforme a região. Durante a guerra, era mato o surgimento de história de heróis imunes às balas ou simplesmente que com capacidade para se desviarem delas. Mas sobretudo há sempre explicações para fenómenos novos. Agora chegou a vez da "fúria" da crença se abater sobre os chineses, numa história muito bem desmistificada pelo Luís Rainha no (acho) novo projecto Vias de Facto. E de uma forma que só ele sabe contar.
* Título semi-roubado ao próprio Rainha.

domingo, 18 de julho de 2010

Tudo sobre Angola

Como vamos ter uma semana a falar de Angola, por força da visita de Cavaco Silva, recomendo a quem queira saber mais sobre Angola, sem ser pelas penas confusas dos jornais e jornalistas, este blogue: tudosobreangola. E especialmente para quem queira conhecer uma boa parte da História de Angola e, inevitavelmente, de Portugal.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Sócrates ressuscitou-o!

É o oásis! É o oásis!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Cavaco, o "angolano", em visita de apoteose

A visita de Cavaco Silva a Angola vai ser, antes de mais, um “corolário” da sua carreira política. Em Luanda, é visto como um amigo “para a vida”, numa amizade que chegou a ser crucial para o actual regime angolano.
Quando o PSD ganhou as eleições, em 1985, José Eduardo dos Santos foi o primeiro chefe de Estado a enviar um telegrama, felicitando essa vitória. Mal terminou a cerimónia de posse do primeiro governo de Cavaco Silva, Lisboa recebia um convite formal do presidente José Eduardo dos Santos para que Portugal se fizesse representar nas cerimónias oficiais que assinalavam mais um aniversário da independência.
Em 10 anos, era a primeira vez que as autoridades de Luanda manifestavam, com dois gestos, uma abertura a Lisboa que nos anos anteriores tinha sido impossível de alcançar. Mas não foi unicamente a intenção de Luanda que provocou os gestos de José Eduardo dos Santos. Mesmo antes de chegar ao poder, Cavaco Silva vinha manifestando a vontade de alterar substancialmente as relações entre os dois países e, de uma forma geral, o relacionamento com os países africanos de expressão portuguesa. A “marca” que se viria a colar-lhe à pele, de ser um pragmático, serviria também nas questões internacionais, em particular, com Angola. A postura de Cavaco Silva constituiu, na política portuguesa, uma absoluta novidade e causou uma ruptura das políticas anteriores. E que viria a ter o seu auge na liderança de Lisboa no processo de paz alcançado em Angola, com a assinatura dos acordos de Bicesse.
Como ninguém, Cavaco Silva soube capitalizar essa política: além de ter um papel principal, entre os actores que influenciavam a política angolana, o actual presidente português foi um dos principais responsáveis pelo regresso dos empresários a Angola, com os benefícios que hoje se conhece, pelo significativo aumento nas relações comerciais entre os dois países e pelo desanuviamento das relações com os EUA.
Além disso, essa mesma política serviu para lançar o nome de Durão Barroso como um grande estadista. Curiosamente, o actual presidente da Comissão Europeia foi apenas o executor – mas com mérito – da estratégia desenhada por Cavaco Silva e respectivos assessores, em que se destacavam os embaixadores António Monteiro e Martins da Cruz.
Se por um lado, Cavaco Silva ajudou na projecção de Durão Barroso, por outro, o presidente português foi um extraordinário aliado para o MPLA: primeiro, no fim ao apoio à UNITA e na condenação do regime sul-africano, em tempos de guerra, mas sobretudo na influência que exerceu os EUA, que iria terminar no estabelecimento de relações diplomáticas sólidas com Angola.
Seguindo a mesma lógica, Cavaco Silva viaja para Angola com o pragmatismo na lapela: espera ser “coroado”, mas aproveita para levar uma longa comitiva de empresários - são 100 - a enfatizando a necessidade de serem aprofundadas as relações comerciais e empresariais entre Angola e Portugal.
Em Luanda, Cavaco Silva vai encontrar uma “passerelle” de políticos dispostos a estender-lhe o tapete vermelho, como já contei aqui, mas não lhe prestam vassalagem. Angola sempre tem exigido igualdade de oportunidades e boa vontade na entrada de angolanos nas empresas portuguesas. O que até agora tem acontecido, mas com timidez. E, de novo, essa é a questão central que vai estar em cima da mesa e que foi sublinhada por José Eduardo dos Santos na visita oficial que fez a Portugal, o ano passado. Afinal, Luanda tem nos negócios o “alfa” e o “ómega” de toda a sua estratégia. Em tempos de crise, Cavaco Silva vai ser, desta vez, apenas mais um catalisador de umas relações que, depois de ele ter dado o mote, têm sido, de ano para ano, melhoradas.
*A análise completa da visita de Cavaco Silva pode ser lida aqui, na PNN

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A crise derrete-os

Na Assembleia da República, a principal sala - principal por ser a maior e a mais bem apetrechada - onde se realizam as comissões parlamentares não tem ar condicionado. O calor dos últimos tempos vai sendo amenizado por duas ventoinhas, colocadas num dos extremos da sala. Mas só estão dirigidas para a mesa de honra, onde se senta o presidente e eventualmente o membro do Governo que esteja a ser fiscalizado. Os deputados recorrem aos leques feitos de papel.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Neologismos

Com o encerramento do Rádio Clube Português e de uma fábrica da Merck, no Cacém, descobri como, cada vez mais, a língua portuguesa ganhou novas expressões: descontinuidade, descontinuação, descontinuar. São sinónimos de fechar, encerrar e despedir.
Curiosamente, as expressão são usadas pela empresa, a Agência Lift, que gere as contas(tradução: que trata da imagem) da Media Capital, dona da rádio, e da Farmacêutica Merck.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

É bué da fixe, meu, vou poupar 3 cêntimos por dia

Garante o 'Diário Económico', em letras garrafais, que o "valor das propinas vai baixar pela primeira vez em cinco anos". Contas feitas, desce de 996,85 para os 986,88. Ou seja, menos de 10 euros por ano. Quer dizer, em 10 meses, um euro por mês. Ou melhor: três cêntimos por dia.
Ah.. a euforia que deve andar por essas festas estudantis com tanto guito para guardar.
Uma euforia estragada pelo mesmo 'Diário Económico' que, mais baixinho, em letras mais pequenas, acrescenta que "este é o primeiro ano em que todas as universidades públicas se preparam para cobrar a propina máxima". A tal que baixou 10 euros por ano, 3 cêntimos por dia.

sábado, 3 de julho de 2010

É verdade, eu ouvi

Há muito que não se ouvia a Internacional no Largo do Rato. Aconteceu sexta-feira à tarde, numa homenagem a Tito de Morais. Um momento histórico. José Sócrates estava lá, ouviu mas não se juntou ao coro ... Será que já não se lembra da letra ?

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Bem prega Frei Tomás...

Não deixa de ser curioso ver vários responsáveis do mundo empresarial e político espanhol aos saltos por o governo português ter inviabilizado a venda da vivo à Telefónica.

Sobretudo se tivermos em conta a forma como Madrid bloqueou há 10 anos a fusão da mesma Telefónica com a holandesa KPN, episódio que o Publico (espanhol) recorda aqui.

Cadê o Valter?

Quando no final de Maio o Eurostat anunciou que o desemprego em Portugal tinha atingido os 10,8%, o secretário de estado do emprego saltou imediatamente a desancar o organismo europeu e a garantir que aquela projecção iria ser revista em baixa.

Valter Lemos deve ter pensado que bastava um telefonema para que a metodologia inconveniente fosse devidamente “corrigida”.

É verdade que o Eurostat tem feito bastantes disparates (veja-se a forma como sempre validaram as contas gregas…), mas face às afirmações do secretário de estado os seus responsáveis lá explicaram por A + B como é que tinham chegado àquele números.

Entretanto, o Eurostat divulgou hoje os dados do desemprego de Maio, que atinge um novo máximo (10,9%), mantendo a projecção anterior de Abril nos 10,8%.

Alguém sabe onde pára o secretário de estado?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Baralha e volta a dar


De acordo com o ministro Pedro Silva Pereira, a Telefónica deveria ter comunicado ao Governo português a intenção de comprar a Vivo, um activo (e que activo da PT!). Pois, o mesmo Governo, através de ministros, do primeiro-ministro e, já agora, do partido que o apoia, jura que a PT não deveria ter comunicado nada ao executivo sobre a intenção de comprar um activo chamado TVI. Confusos? Também eu.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Ao 24, na hora da gratidão*

Eras para ser uma TSF em papel: de notícias curtas, incisivas e em actualização permanente. Foi com este argumento que me convenceram a ajudar-te a nascer. A ilusão não demorou muito tempo a ser morta. Foste um bebé numa incubadora. E como metaforizava alguém, levaste pontapés. Desde o primeiro número que fizeste questão em obedecer a um velho ditado: quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Infelizmente, foi assim. Mas tal como uma criança, também me ensinaste muita coisa. Contigo aprendi a paginar, a ver a fotografia por outros ângulos, a contar os caracteres, a fintar a língua em malabarismos para caber a estória, a “ver” o outro lado da notícia. Aprendi, com a gente que te fez, a criar a primeira página, a sentir os limites das horas – a gráfica, a gráfica! – a percorrerem-me o corpo. Deixei-te por muitas razões. Mas ficaste sempre guardado, aqui. Afinal, contigo tornei-me mais jornalista, mais homem. E com a tua morte, morre também um bocado de mim. As muitas horas, que te dediquei, não as perdi: ganhei-as.

*Texto escrito para a última edição do 24horas

terça-feira, 29 de junho de 2010

Mentira! Cavaco NÃO esteve nos Açores

Afinal, Cavaco Silva não foi passar uns dias de férias aos Açores, como muita gente andou, insidiosamente, a dizer. A página na internet do Presidente da República que, como se sabe é a única que diz a verdade, não faz uma única referência às férias presidencais.
É mentira, portanto, que Cavaco Silva prometera à família, em especial aos netos, um passeio pelas furnas. É mentira que Cavaco Silva tenha dito que Saramago não era "um amigo", nem sequer "conhecido". É mentira que Cavaco Silva tenha faltado ao funeral do escritor. Os jornalistas são todos mentirosos, inventam férias e desculpas e teatralizam declarações.
Só se pode confiar, de facto, na página que fala verdade e nada mais do que a verdade.

domingo, 27 de junho de 2010

A verdade, nada mais do que a verdade, em nova versão

Já houve a versão "a verdade é só uma, a Rádio Moscovo não fala verdade". Depois foi a vez de "O Diário: a verdade a que temos direito". Agora chegou o Pravda de Belém, via Cavaco Silva:
"Quem quiser conhecer a verdade, repito a verdade, insisto a verdade, sobre o diz e faz o Presidente da República, basta ir à página da internet da Presidência da República. Lá está a verdade".
Na verdade de Cavaco Silva poderia haver algumas vantagens. Sendo que só a página da Presidência informa a verdade, bem que ele poderia dispensar os comunicados lidos na TV, os recados ditos a toda a comunicação social, as visitas comemorativas a clubes e associações e a organização de roteiros da juventude, roteiros sociais e encontros públicos com economistas, jovens empresários e crianças. Fazia-os e depois relatava tudo na internet. Afinal, está lá a verdade a que Cavaco Silva tem direito.

sábado, 26 de junho de 2010

"Atitude construtiva" ou a memória selectiva

Comentando as declarações de Cavaco Silva, sobre a situação "insustentável", Mário Soares veio reivindicar que um "presidente deve dar sugestões construtivas". Esta candura de Mário Soares até poderia dar ideia de que ele nunca esteve em Belém. Mas, para os mais desmoriados, é preciso lembrar que ele andou por lá durante 10 anos e a "atitude construtiva", com Cavaco Silva a primeiro-ministro, resumia-se a isto:
- presidências abertas;
- veto aos projectos de erradicação de barracas
- veto à redução de número de oficiais nas Forças Armadas
- obstáculos às relações do Governo português com Angola, quando se pretendia atingir a paz , praticando até uma diplomacia paralela.
- organização de um congresso para "bater no Governo" que, vá lá, serviu para Cavaco Silva mostrar o Pulo do Lobo ao país e com Jorge Lacão (hoje ministro) a escrever que Soares queria "imiscuir-se na vida do PS" e "ajustar contas com Cavaco Silva".
- ameaça de dissolução do Parlamento que tinha maioria absoluta do PSD, feita num jantar no restaurante Avis, no Chiado
- defesa do "direito à indignação", logo a seguir ao bloqueio da Ponte 25 de Abril
- aceitar e depois rejeitar nomeações nas Forças Armadas
- tentativa de rejeitar a alterações na composição do Governo
- apoio público a cidadãos estrangeiros que ficaram retidos no aeroporto por tentarem entrar ilegalmente em Portugal
Eis, num resumo, algumas "atitudes construtivas" seguindo a cartilha de Mário Soares.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Uma aventura...no grupo parlamentar do PS

Depois de se explicar aos autarcas do PS, na semana passada, Isabel Alçada foi ontem à noite ao Parlamento discutir com os deputados socialistas o polémico encerramento das escolas com menos de 21 alunos.
A reunião estava marcada para as 21h. A ministra da educação chegou quinze minutos mais tarde. Se soubesse, ter-se-ia atrasado muito mais. É que àquela hora, não havia quórum. Não estava quase ninguém no auditório novo da AR. Nem deputados nem líder da bancada. Isabel Alçada esperou, esperou, e só às 21.40 h alguém fechou a porta sinalizando o início da reunião. Sem Francisco Assis que chegou já a discussão ia a meio...

sábado, 19 de junho de 2010

Regresso à plasticina

Freitas do Amaral anunciou hoje que apoia "incondicionalmente" a candidatura de Cavaco Silva a novo mandato, em Belém. Bom, bom é ouvir as razões do antigo ministro socialista por não ter estado à 'direita' contra Jorge Sampaio e depois contra Mário Soares.
O anúncio de Freitas do Amaral foi feito à porta da Universidade de Verão organizada pelo... PS.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Na hora da morte de Saramago




Vale a pena ler todo o trabalho do "El País": entrevistas, reacções, memórias e todos os "ensaios" de Saramago.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Viram por aí o Pacheco Pereira ?

Nem Agostinho Branquinho, nem o líder parlamentar, nem Pacheco Pereira, nem Francisca Almeida, nem "o filho da Filomena"*...Não apareceu ninguém. E sózinho, Pedro Duarte, na sala de conferências de imprensa da AR, lá anunciou o voto a favor do relatório de João Semedo.
Da última vez que os deputados sociais-democratas da comissão de inquérito aonegócio PT-TVI convocaram os jornalistas para uma declaração, apareceram todos ao lado de Pacheco Pereira. Esta tarde, abandonaram Pedro Duarte à sua sorte. Não houve ninguém para fazer coro a "a comissão podia ter ido mais longe, mas foi no sentido correcto, não teve conclusões categóricas, mas nós votamos a favor".
À porta Emídio Guerreiro ainda espreitou para dentro mas esse não faz parte deste campeonato.


*foi assim que, numa bela tarde de comissão, Osvaldo de Castro, a presidir aos trabalhos, se dirigiu ao deputado Nuno Encarnação (filho de Carlos Encarnação) questionando-o se não era o filho da Filomena

CROMOS

Andava o pessoal "distraído" com a hipótese de aparecer mais um candidato presidenciável à direita vai daí no Ps houve quem se entusiasmasse. Defensor Moura de sua graça. É deputado socialista, antigo presidente da câmara de Viana do Castelo. E garante que tem sido : " incentivado por muitos colegas da bancada rosa". Só deixo uma observação e é mesmo sincera. Podem incentivá-lo mas olhe que não são seus amigos!

Já alguém descobriu os gravadores ?

Ricardo Rodrigues foi o porta-voz da reunião de hoje do grupo parlamentar do PS. Enquanto os repórteres de imagem acertavam posições, o deputado comentava "Vocês é que sabem a melhor técnica...Não me ponham é muitos gravadores à frente !"

grande rebaldaria

o governo vai retirar uma série de apoios sociais a quem tenha dinheiro ou acções de valor igual ou superior a cem mil euros. os agregados familiares com tais posses deixam de ter direito, por exemplo, ao subsídio social de desemprego, ao abono de família, ao apoio social escolar ou à comparticipação extra dos medicamentos. com estas medidas, o governo diz que vai poupar cerca de 100 milhões de euros este ano e 200 milhões no próximo. tendo em conta que todas estas prestações se destinam, à partida, a pessoas de muito baixos rendimentos, dá para ver a rebaldaria que para aí vai em matéria de prestações sociais.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Esta tarde, na AR

http://www.youtube.com/watch?v=I0r5iFqzL8k


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Todos iguais

No El Pais

terça-feira, 15 de junho de 2010

Ou 8 ou 80

No Parlamento, enquanto decorre o Portugal-Costa de Marfim, há uma comissão reunida. A de educação e cultura. Começou às 15 h . E está a ouvir o secretário de estado do desporto, Laurentino Dias...

quarta-feira, 9 de junho de 2010

cavaco duplamente reformado

o presidente da república esclareceu ontem que só recebe duas e não três pensões de reforma. sempre pensei que, estando no activo e recebendo um salário, cavaco silva tivesse suspendido as pensões de reforma. isso, sim, faria sentido. afinal, o presidente da república mantém no activo a sua condição de duplamente reformado.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Alô Lisboa, daqui Luanda

Na tentativa de "furar" o caótico trânsito da cidade de Luanda, uma empresa teve a feliz ideia de criar o barco-táxi. Bem pode ser um exemplo a seguir por outras cidades. Não seria nada mau, por exemplo, atravessar Lisboa, da Expo a Belém, de barco, sem ter de passar pelo caos do Terreiro do Paço-Cais do Sodré.

Indirecta a Belmiro?

Notícia do jornal "Público" na edição de hoje com o título ""Le Monde" em busca de novo dono para resolver dificuldades financeiras":
O "Le Monde, um dos mais influentes jornais em língua francesa, que era detido pelos próprios jornalistas há 60 anos, poderá estar prester a perder a sua independência".
Ou o jornalista e editor, responsáveis por esta prova, acreditam que só os jornalistas-proprietários podem garantir a indepedência de um jornal, ou é um recado subtil da redacção do "Público", dirigido a Belmiro de Azevedo.

Manipulaçõezinhas

Assim que a Comissão Europeia tornou público que deixava cair o processo de infracção contra Portugal por causa da adjudicação directa dos computadores Magalhães, o secretário de estado das comunicações não perdeu tempo a congratular-se com a boa notícia e a concluir que os trabalhos da comissão eventual de inquérito da Assembleia da República que investiga o negócio "não são para o apuramento da verdade", mas sim "uma arma de arremesso político".

O que Paulo Campos não explica é que Bruxelas apenas arquivou o processo depois de Portugal, pressionado, ter acedido a alterar as regras do jogo ao lançar em Janeiro deste ano um concurso público para a aquisição de novos computadores, recuando em toda a linha sem no entanto assumir abertamente o erro. O que não é a mesma coisa que reconhecer que tudo foi feito com a lisura que se impunha. Até porque a Comissão Europeia acompanha a notícia que tanto agradou ao governante com uma explicação detalhada sobre a forma como a versão inicial do negócio representava uma "distorção da concorrência" e podia levar ao "desperdício do dinheiro dos contribuintes".

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O almirante que mudou a História de Angola


Considerado vilão e herói, Rosa Coutinho entra para a História por ter sido um homem que, em seis meses, mudou o rumo de um país: Angola. Sem o almirante a presidir à então Junta Governativa, Angola não seria hoje o que é. Os angolanos - e muitos portugueses que dependem de Angola para viver - bem podem agradecer os seis meses que Rosa Coutinho dirigiu os destinos da província que caminhava para a Independênmcia. Logo que aterrou em Luanda, Rosa Coutinho apercebeu-se que só poderia apoiar o MPLA, evitando que o país fosse dividido em dois, com traços bem definidos: a Sul, governado pela UNITA e pelo regime racista da África do Sul; a Norte, governado por Holden Roberto que não era mais do que um fantoche do louco presidente zairense Mobutu Sese Seko. No meio disto, encontrava-se um MPLA desfeito militarmente, quase derrotado na mata, mas com influência nalgumas cidades, sobretudo junto de intelectuais.
Na altura, o MPLA era o único movimento com quadros formados, muitos na antiga União Soviética e países do Leste europeu e outros, também bastantes, nas faculdades portuguesas. E Rosa Coutinho fez uma opção clara que ele próprio não teve dúvidas em reconhecer. Em seis meses mudou Angola: entregou 10 mil contos ao MPLA, enquanto fez os outros movimentos esperar; atraiu mais de dois mil catangueses para, mais a norte de Luanda, ajudarem o movimento de Agostinho Neto a enfrentar a ofensiva do Zaire, oferecendo até o mercedes do governo-geral ao general M'Bumba; travou, várias vezes e várias frentes, as intenções de muitos colonos que queriam formar governo, conseguindo a independência "branca"; afastou antigos membros da PIDE, que ainda restavam em Luanda, de cargos dirigentes; manobrou, como põde, Mobutu e as suas intenções, promovendo conversações apenas para dar tempo ao MPLA de se reorganizar; manteve frequentes contactos com dirigentes do MPLA dando até conselhos. E ele nunca se furtou em ajudar, como reconheceu nesta entrevista:
"O MPLA não tinha forças militares e passou a ter a melhor infantaria que estava em Angola. Na altura, o MPLA tinha apoios duvidosos da URSS. Os soviéticos não sabiam se haviam de apoiar o MPLA, porque aquilo tudo era um saco de gatos. Só Cuba dava um apoio sólido"*
Por tudo isso, Angola deve-lhe muito. É evidente que nunca se pode imaginar o que seria o destino de Angola, caso Rosa Coutinho não tivesse tomado as posições que tomou. Mas facilmente se conclui que o país teria vivido, pelo menos durante longos anos, completamente dividido, além, claro,da inevtitável guerra civil.
Rosa Coutinho foi voluntarioso, polémico, abnegado, persistente, impetuoso e corajoso. Não hesitava em subir a mesas para enfrentar manifestantes furiosos. No primeiro dia de trabalho, na Junta Governativa, o jornal "Província de Angola" intitulava: "Chegou o Almirante Vermelho". A partir daí, Rosa Coutinho passou a assinar todos os despachos a tinta... vermelha. Morreu hoje uma figura ímpar na História de Portugal e de Angola. E entrou para essa história graças a seis meses verdadeiramente alucinantes, dignos de serem transpostos em filme.
*"O último adeus português", Fernando, Emídio, Oficina do Livro

domingo, 30 de maio de 2010

Só te vim dizer que a coisa por lá está preta...


...mas estão jogando muito futebol.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Já não há saída

Perante a inevitabilidade, Mário Soares abriu o jogo. O PS anda assim por estes dias. Satisfeitos os que apoiam Manuel Alegre. "Rendidos" ao óbvio os que não perdoam ao candidato. Ou como dizia um deputado na reunião de terça-feira :"Temos imaginação suficiente para encontrar virtudes no Alegre. Havemos de inventar algumas !"

* Vale a pena ler o post de Vital Moreira. Gosto particularmente do terceiro ponto.

Posturas*


* Foto de uma peça do artesão Joaquim Esteves, de Barcelos.

Jornalismo à portuguesa II

Depois de ouvir Pedro Passos Coelho a defender a revisão do Orçamento da Assembleia da Republica, num almoço do American Club, percebi o alcance da manchete de ontem do Correio da Manhã...Há notícias que, "descobertas", de repente, são um trampolim para os salvadores da pátria.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A certeza de as coisas estarem bem entregues



“Como é que se controla a idade entre os 16 e os 15 anos quando hoje em dia os jovens são quase todos eles parecidos?”

António Nunes, presidente da ASAE, na RTP, a explicar porque é que a fiscalização da venda de álcool a menores é ineficaz

Um com culpa, outro com máxima desculpa

Se um rapaz surripiasse uns gravadores, numa qualquer rua, seria motivo para o CDS pedir agravamento de penas, clamar pelo respeioto da propriedade privada e exigir video-vigilância que inibisse actos destes.
Mas um deputado "sacar", à descarada, dois gravadores a dois jornalistas, em plena Assembleia da República, merece uma complacência de quem passa legislaturas a pedir mais segurança. Eis o CDS com um único peso, mas com duas medidas. Vá lá que o acto teve video-vigilância. Só nisso resultou a exigência do CDS.

Bem prega Frei Tomás

Numa entrevista a um influente jornal alemão, Durão Barroso atirou-se à postura assumida pela Alemanha ao longo da actual crise. Num exercício que alguns qualificam de “emancipação” (outros dirão que está a morder a mão que lhe deu de comer), o presidente da Comissão Europeia afirmou que, se a Grécia “falsificou e manipulou” as suas contas, “também a Alemanha nem sempre se comportou em conformidade com o espírito do Pacto de Estabilidade e Crescimento”.

É verdade. Mais precisamente isso aconteceu em 2003, quando a Alemanha e a França violaram pela primeira vez o limite dos 3% para o défice orçamental estipulado pelo PEC (PEC esse desenhado de acordo com as exigências de Berlim). Na altura a Comissão Europeia, presidida por um tal Romano Prodi, fez o que lhe competia e abriu um procedimento por défice excessivo contra os dois países. Cujo andamento foi travado por uma votação dos governos dos países da zona euro, ilibando os dois infractores.

Foi uma votação renhida, em que a posição assumida por Portugal fez os pratos pender decisivamente para o lado de Berlim e de Paris. Uma posição assumida por Manuela Ferreira Leite e que causou estranheza, até porque Portugal estava na altura a braços com um procedimento idêntico por ter deixado derrapar o défice. À estranheza juntou-se o surrealismo da explicação dada alguns dias depois pelo então primeiro-ministro, Durão Barroso, num jantar com emigrantes portugueses, em Paris. A quem explicou a atitude assumida com a necessidade de defender o bem-estar das comunidades portuguesas nos dois países visados (não fossem alemães e franceses, desvairados, desencadear um pogrom anti-lusitano…).

Mas se o mundo mudou em três semanas, imagine-se o que não lhe terá acontecido nestes quase sete anos…

Anti-parlamentarismo primário


Pela manchete de ontem do Correio da Manhã, parece que, enquanto os eleitores fazem contas à vida, os eleitos aprovam orçamentos despesistas em casa. Mas o Orçamento da AR foi aprovado dia 5 de Fevereiro. Com publicação em Diário da Republica, cinco dias depois. Pode ser consultado aqui desde essa altura.

Imaginem se chegar a Belém...

Um dos momentos da reunião da bancada socialista com José Sócrates foi protagonizado por Maria Antónia Almeida Santos e José Lello. A deputada manifestou apoio a Manuel Alegre "apesar dos momentos difíceis" por que este já fez passar o PS. Remate irónico de Lello "e ainda não era Presidente da Republica..."

Deixai-os falar

António José Seguro esteve na reunião do grupo parlamentar mas não manifestou opinião. O candidato a candidato a líder preferiu ouvir...tal como o secretário-geral.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Nem bem temperado, engole-se

Está quente a reunião dos deputados socialistas. Juntaram-se para discutir o apoio à candidatura presidencial de Manuel Alegre. Mas, pelo que conta a agência Lusa e o que se diz por aí, ainda não é desta que Alegre consegue recolher algum apoio. O jantar com sapo na ementa deverá ser agendado para mais tarde.

A gastar é que a gente se entende

Pode ser da latitude. Ou talvez do petróleo. Mas as coisas lá por Angola devem ser mesmo muito diferentes. A avaliar pelo anúncio de um banco que a RTPi repete incessantemente desde há algumas semanas, o que não falta é dinheiro para gastar em família. Dinheiro que, obviamente, o dito banco encoraja que se gaste o mais depressa possível. E, se faltar, há sempre um rectângulo de plástico para satisfazer os caprichos de cada um.

Basta querer para poder ter. Ou, como eles dizem, quem tudo quer, tudo tem. O resto logo se vê. Vá-se lá saber por quê, mas a coisa cai estranhamente mal nos tempos que correm.

Ouvir quando está tudo decidido

Desabafo de um deputado socialista à entrada da reunião de José Sócrates com o grupo parlamentar: " Sócrates é um grande democrata. Agora ouve toda a gente por causa das presidenciais..."

Um mistério por obliterar


As notícias davam como certo o aumento das tarifas dos transportes públicos. Apesar da informação estar a circular desde ontem à noite, o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações emitiu um comunicado, através do gabinete de imprensa, apenas às 18.27, com o título "Comunicado - Tarifas dos transportes públicos":

"... reafirma-se (...) que não existe, neste momento, qualquer decisão sobre esta matéria, não estando a mesma na agenda das decisões do Governo"

Ficou assim esclarecido que o Governo não está a pensar no aumento do preço dos transportes. Mas as certezas têm pernas curtas. Curtíssimas. Precisamente um minuto depois, às 18.28, o mesmo ministério emitia outro comunicado bem mais lacónico:

"Gab Imprensa MOPTC gostaria de resgatar a mensagem "Comunicado - Tarifas dos transportes públicos".

Entre dois comunicados, fica-se sem saber se os bilhetes vão ficar mais caros, ou não. Ah... o mesmo gabinete avisa que não tem mais comentários. Os anteriores, ao que parece, são esclarecedores.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mira, cariño, nuestro Sócrates en portuñol

El primer ministro de Portugal, José Sócrates, en los Desayunos de TVE


Índice do jornalismo lindo

Pacheco Pereira, sempre à caça do (mau ?) jornalismo, podia escrever um dia sobre os pés de microfone que são um descanso para os politicos - os jornalistas convocados para uma declaração sem direito a perguntas. Podia até começar por dar o exemplo da declaração desta tarde na Assembleia da Republica feita por ... Pacheco Pereira. Com honra de directos televisivos. E com um aviso claro: "é só uma declaração, não respondo a perguntas"...

(só falta mesmo criticar o PS que depois fez a mesma coisa)

Jornalismo à portuguesa

Num rigoroso exclusivo e citando "fontes bem colocadas junto do executivo", o Correio Preto vai avançar amanhã, sexta-feira, com a notícia de que o Governo tem plnaos para reforçar os investimentos públicos, planeando a construção de uma estação espacial a ser instalada na Ota.
Obviamente, o Correio Preto conta, com esta notícia, ser citado pelas rádios, televisões e sites, provocando que a notícia dure umas horas. Para isso, conta ainda com a colaboração de todos os partidos que tratarão de comentar, criticar e pedir a presença na Assembleia da República, com carácter de urgência, do ministro das Obras Públicas. Assim, a notícia vive mais umas horas e anima a vida dos portugueses.
Depois, a meio da tarde, José Sócrates irá desmenti-la até usando o argumento de que, nesta altura, esse tipo de investimento seria rídiculo e impensável. Mas à noite, via telejornais, a notícia irá manter-se, baseando-se, antes de mais, na notícia do Correio Preto. E com as óbvias reacções dos partidos. E só depois o desmentido oficial.
No sábado, logo pela manhã, o mesmo Correio Preto conta fazer outra manchete, não pedindo desculpa aos leitores, não admitindo que foi um erro, mas com a história "completa": o Governo tinha mesmo intenções de construir a estação espacial, mas foi a notícia do Correio Preto que obrigou José Sócrates a recuar. E para apimentar a coisa, acrescentaremos que sob pressão de Cavaco , de acordo com "fontes em Belém", e de Pedro Passos Coelho que até admitiu romper o acordo com o Governo.
E assim andará o Correio Preto feliz e contente até, daqui a umas semanas e perante a queda de audiência, tenha mais criatividade para outra grande "cacha": citada, comentada e desmentida. Mas o que importa? A audiência sobe, não sobe?

No rescaldo das últimas entrevistas

terça-feira, 18 de maio de 2010

Rapidez

Apenas cinco dias depois de, sentado ao seu lado, José Sócrates garantir que o aumento de impostos então anunciado era para vigorar até ao final de 2011, Teixeira dos Santos vem esclarecer que, afinal, as medidas em causa vão durar “enquanto for necessário” para assegurar que a redução do défice é “sustentável e duradoura”. O que pelas contas do próprio governo só deverá acontecer lá para 2013.

O que vale é que as contradições e os ditos que são dados por não ditos são tantos, que praticamente já não fazem mossa. E depois há sempre “a situação dramática do país” para justificar qualquer malabarismo (até serviu a Cavaco para promulgar a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo!).

Já era má, o Papa só a deixou K.O.

No "Prós e Contras", da RTP, António Nogueira Leite, do PSD, ensaia uma discordância com o ministro Vieira da Silva. E é logo interrompido pela "argúcia" e "perspicácia" de Fátima Campos Ferreira:

"Não se zanguem aqui por favor"

Já se sabia que o programa não é mesmo para estimular o debate ou colocar frente-a-frente ideias diferentes. Ela escusava de ser tão evidente.

Ainda o sapo

O que é irónico é que o que vai ficar para a história é que Cavaco Silva, no dia internacional contra a homofobia, fez uma declaração ao país para anunciar a promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo...

sábado, 15 de maio de 2010

Recados para quem? A opção é sua...

André Figueiredo, membro do secretariado do Partido Socialista, acordou com uma fúria de se fazer ouvir em todo o país e escreveu isto, na sua página no facebook:

"Numa altura decisiva como a que vivemos, ter alguém a olhar para o seu umbigo e a querer mostrar, apenas, que existe e que ninguém lhe liga é um sinal de incapacidade, de falta de cultura política e de solidão do seu pensamento e acção."

Resta saber a quem se dirige este mimo. É uma questão de escolha:
A - A António José Seguro por que, este sábado, dá uma entrevista ao Expresso em que admite poder candidatar-se a líder do PS.
B - A Marco António Costa por sugerir que Francisco Assis se demita dos cargos políticos por ser incapaz de pedir desculpas
C - A Eduardo Martins, deputado do PSD, por não ter gostado de ver o seu líder, Pedro Passos Coelho, a ser muleta do Governo.
D - A António José Seguro por ameaçar, lá mais para frente, discutir e analisar quem colocou o país nesta situação.
E - A Bruna Real, professora de Mirandela, por ter saído do anonimato de uma aldeia para o estrelato graças ao umbigo nú mostrado numa revista.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O que os distingue agora ?

Não resisto a partilhar a fotografia que o Pedro Figueiredo pôs no Facebook.


"Não é só a água, é tambem a coca-cola, a pepsi-cola"

A Pepsi "atacou" esta noite com anúncios na televisão e outdoors em Lisboa. Coincidência ou uma marca atenta à conferência de imprensa de José Sócrates ?

Governo TV

I ACTO - José Sócrates recebe Pedro Passos Coelho em S. Bento

Truz-Truz
- Quem é ?
- A Rádio
- Não pode entrar
- Não posso entrar ?
- São as ordens que tenho
- Mas a Televisão e a Lusa não estão lá dentro ?
- Estão.
- Então...
- ... a senhora não pode entrar
- Porquê ?
- Porque não
- Mas se há jornalistas lá dentro, porque é que eu não posso entrar ?
- Não pode
- Mas só estando lá dentro é que poderei saber (como os outros) quando é que o encontro acaba
- Mas os seus colegas estão a fazer directos
- Eu tambem vou fazer directo...se puder entrar
- Mas não pode

Resultado: Ninguém mais entrou. Saiu a Lusa...


II ACTO - Conferencia de imprensa de José Sócrates no Conselho de Ministros

Sala cheia
- O Sr.PM só responde a três perguntas
- Três ?!!!!!!
- Uma por cada televisão em directo...

Alguns jornalistas abandonam a sala...
...e cada televisão faz uma pergunta com vááááááááárias questões lá dentro.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Durante uma arrumação de papéis...

...ressuscita esta oportuna edição do Expresso, de 9 de Outubro de 2009. Há apenas sete meses o ministro das finanças dizia coisas como esta:
Pergunta: Consolidar as contas no próximo ano seria um erro?
Resposta: É cedo demais. O problema mais complicado nesta conjuntura não é a situação do défice, é ter uma situação de descontrolo. Neste momento, temos um défice mais elevado, mas controlado.
PS: o défice do ano passado ficou em 9,4%...

Euforia incontrolável

Paulo Portas está tão entusiasmado com as cedências de Pedro Passos Coelho que até resolveu antecipar a conferência de imprensa. Estava marcada para as 17, começou um quarto de hora antes. Logo ele que é conhecido por ter um relógio sempre atrasado. O aumento de impostos empurrou-lhe os ponteiros.

Saudável inspiração de Vital Moreira

O eurodeputado socialista, Vital Moreira, não poupa a política de saúde da ministra Ana Jorge:

"Só a distração ou a imprudência política pode ignorar os sinais preocupantes de deterioração da situação financeira do serviço nacional de saúde".

O resto do ataque é uma pequena bomba-relógio

Ah, se é assim está bem

"Vais pagar mais impostos, mas sais daqui mais rico!" , disse Fátima a Marco. A Fátima era a Campos Ferreira, da RTP, o Marco era o Paulo, o cantor que, a estragar o guião da iluminada apresentadora, atreveu-se a aludir o choque fiscal que aí vem. Há instantes, em directo no Jornal da Tarde, a partir de Fátima.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A crise sopra sempre para o mesmo lado


Em 1985, portanto há 25 anos, os títulos dos jornais eram, em quase tudo, idênticos aos títulos de...2010. E descreviam bem o retrato do país. Por exemplo, Janeiro, início do ano, o "Diário de Lisboa" já indicava o que por aí vinha:

2 de Janeiro:
"Novos e mais pesados sacríficios vão ser exigidos/Pouca esperança para 85"

5 de Janeiro:
"Poder de compra dos portugueses continuará a diminuir este ano"

8 de Janeiro:
"Salários reais vão descer ainda mais em 1985"

12 de Janeiro:
"Os preços disparam"

E agora reparem bem nos títulos da capa do dia 11 de Janeiro, que está na foto.

Mastiga e deita fora


Usaram-no, magoaram-no, abusaram dele para recolher mais uns dinheiros dentro e fora de Portugal, exploraram-no até ao limite. Já não precisam dele e agora pensam deitá-lo fora. Ingrata gente essa que anda por aí.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Isto já só lá vai com muita fé

De acordo com a agenda de amanhã do Primeiro-Ministro, José Sócrates assiste à Celebração Eucarística no Terreiro do Paço.

E o burro é quem?


Graças ao El País ficamos com uma ideia do que está por trás do clube de futebol do Uzbequistão que contratou os serviços do ex-seleccionador nacional. De como a equipa do pontapé na bola é apenas um dos muitos negócios obscuros da filha do dono do país, cujos encantos financeiros levaram vários figurões internacionais a fazer como Scolari (desde o FC Barcelona a Sting).

Um fenómeno fácil de encontrar por outras paragens do mundo, mas porventura menos falado, e onde não faltam os habituais ingredientes: enriquecimento à custa dos recursos do país, perseguição e tortura de opositores políticos, acusações de exploração de mão de obra infantil na colheita de algodão, a principal matéria-prima nacional.

Há mesmo sapo para o jantar?

Tenho quase a certeza que os dirigentes socialistas, membros do secretariado do PS, vão fazer tudo por tudo, esta tarde, para discutir todos os assuntos menos... o da candidatura presidencial.

Foge, Sócrates!

Uns 10 ministros, responsáveis pelo actual estado da Economia portuguesa, foram a Belém dar sugestões e querem dar conselhos. Não lhes chega a desgraça que construíram.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Um taxista mais erudito

Medina Carreira foi, na noite de sexta-feira, à Feira do Livro apresentar mais uma profecia da desgraça, agora editada em livro. Perante uma audiência que o ouviu religiosamente, o antigo - muito antigo - ministro das Finanças encontrou terreno fértil para espalhar 'mimos' por todos os lados:

- enganam a malta, só ganham os que têm mais lata, os latosos (sobre os políticos)
- aldrabice, gatunagem, país desorganizado, é uma ladroeira, vigaristas, burlões (expressões mais usadas sobre os políticos)
- queremos arranjar uma casa e demoramos anos a ter os papéis a não ser que se pague a alguém debaixo da mesa
- não sei se na China se rouba menos ou mais do que cá
- Portugal é uma burla
- a ministra da Educação que surgiu com um sorriso e pintada já perdeu a pintura
- nem há militares (sobre a hipótese de haver uma ditadura militar(!))

Ouvindo bem, é dificil perceber a diferença entre as opiniões de um economista, ex-ministro e com lugar cativo num órgão de comunicação social e as opiniões de um taxista que, mal tem o cliente sentado, zurze nos políticos, no país, enfim, na "choldra" (só faltou esta expressão a Medina Carreira).

Interpretar os sinais

Em Setembro do ano passado, em plena campanha eleitoral, o TGV também andava na berlinda.

Na altura Sócrates aproveitou a ida a um Conselho Europeu em Bruxelas, via Paris, para fazer a viagem entre as duas cidades de… TGV. Garantiu que era coincidência, mas não deixou de aproveitar a ocasião para defender as virtudes do projecto.

O primeiro-ministro acaba de chegar a Bruxelas para nova reunião europeia. Vindo de Paris. Mas desta vez viajou de avião, ao mesmo tempo que, em Lisboa, Vieira da Silva explica que "é normal" adiar investimentos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O gesto é tudo

Ao princípio da tarde, corria que Ricardo Rodrigues tinha sido aplaudido na reunião do grupo parlamentar do PS. Afinal, Ricardo Rodrigues não esteve na reunião. Aplausos houve, é certo, mas para saudar a intervenção de outros parlamentares socialistas que quiseram prestar solidariedade ao colega de bancada, perante os acontecimentos tornados públicos na véspera.

O caso da "posse indevida" dos gravadores dos jornalistas da "Sábado". Posso até compreender a solidariedade do grupo. Sim, um deputado, ou outra qualquer pessoa noutro cargo, que dá uma entrevista não é, de facto, obrigado a responder a tudo. Pode mesmo, e deve, se assim o entender, indignar-se e dar por terminada a entrevista. Se Ricardo Rodrigues tivesse feito isso, e nada mais, não haveria nem "caso" nem processo. Exercia um direito.

Aqui chegados, o que me espanta é não haver entre os socialistas uma voz, uma que seja, capaz de condenar o "acto irreflectido" (para usar a expressão do próprio). Antes pareça que o subscrevem. Em rigor, duas vozes. Porque Vital Moreira, lá das Europas já blogou sobre o episódio, dizendo ao sr. deputado o óbvio: "Só se responde ao que se quer." Mas foi o único a considerar a atitude "injustificável".

Posto isto, estou em crer, mas é um "supônhamos", que se Ricardo Rodrigues tivesse estado na reunião da bancada, teria sido aplaudido. Mesmo. Não estando, comprovou ser afinal capaz de um gesto "reflectido". Poupando o grupo parlamentar do PS ao ridículo. .

"andava o desgraçadinho no gamanço..."

se não visse não acreditava. aliás, quando ouvi, na sic, a primeira frase: "os jornalistas da sábado acusam o deputado de furto...." pensei "isto é demais. furto? um deputado?". afinal, era mesmo verdade. um representante do povo furta, perante uma camara de televisão, dois gravadores, com a mestria de um profissional. e como se isso não bastasse, os seus pares vêm declara-se solidários com o deputado, logo, com o seu acto. depois disso, que credibilidade tem o deputado, os seus pares e, por arrasto, a instituição da qual fazem parte. eu, que já por várias vezes aqui fui acusada de ser anti-parlamentar (que não sou), não consigo pensar em gesto de maior atentado contra o parlamento do que o de um deputado a furtar gravadores perante o apoio cúmplice dos seus pares.

É só fazer as contas, como diria o outro

Na reunião da concertação social de ontem, o governo entregou três simulações com base nas novas regras do subsídio de desemprego. Duas estavam erradas. A que apontava para uma redução de 29, 64 € , afinal, devia registar uma descida de 37,34 €. A que falava em 1,51 € , devia apontar 2,01 €. Quem se apercebeu disto ? Os jornalistas que enquanto esperavam pelo fim da reunião, fizeram as contas.

Confessionário ?!!!

"A relação entre qualquer deputado e qualquer jornalista é uma relação tão íntima, directa e insondável como a do confessionário. "

Jaime Gama, esta tarde, a comentar o caso Ricardo Rodrigues.

Piadolas na comissão de inquérito PT-TVI

- Tenho que ir lá fora. Achas que posso deixar aqui o meu computador ?
- Vai à vontade. O Ricardo Rodrigues não está cá...

À cautela...

...é melhor começar a usar um destes, não vá mais algum ricardorodrigues qualquer ter um ataque de cleptomania.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Há dias que deviam acabar de manhã

A manhã tinha corrido bem ao PS. Na comissão parlamentar de inquérito ao negócio PT-TVI, Pedro Silva Pereira arrasara João Semedo do BE. Na sala ao lado, Teixeira dos Santos sublinhava o tom positivo das previsões económicas da Comissão Europeia.

A crise começou depois do almoço. A Sábado preparava-se para pôr no site o vídeo de Ricardo Rodrigues a abandonar uma entrevista com os gravadores dos jornalistas nos bolsos.

O deputado começa a preparar uma declaração apostando na antecipação. O PS anuncia-a para as 17.45 h: "sem período de perguntas e respostas".

Com jornalistas já na sala de imprensa, começam a aparecer assessores jurídicos do PS. Depois, chega Ricardo Rodrigues e não vem sózinho: Francisco Assis, Sérgio Sousa Pinto, Ana Catarina Mendes manifestam o apoio da direcção parlamentar.

Ricardo Rodrigues, vice-presidente da bancada do PS, coordenador da área da justiça e da comissão de inquérito ao negócio PT-TVI, é acusado pela Sábado de furto e de atentado à liberdade de expressão...um tema, que por sinal, tem sido bastante discutido na Assembleia da Republica nos últimos tempos.

Cuidado com os gravadores !

" Porque a pressão exercida sobre mim constituiu uma violência psicológica insuportável, porque não vislumbrei outra alternativa para preservar o meu bom nome, exerci acção directa e, irreflectidamente, tomei posse de dois equipamentos de gravação digital, os quais hoje são documentos apensos à Providência Cautelar que corre termos no Tribunal Cível de Lisboa."

Ricardo Rodrigues, vice-presidente do grupo parlamentar do PS, coordenador da área da justiça, justificou assim isto.

Hipocrisia

Numa assembleia praticamente às moscas, os eurodeputados efectuaram hoje uma breve discussão sobre a situação na Grécia e a “ajuda” europeia (leia-se empréstimo, em que os 15 “ajudantes” da zona euro ainda vão conseguir fazer algum dinheiro à custa dos gregos).

Daniel Cohn-Bendit, o tal do Maio de 68, eleito pelos Verdes, chamou a atenção para um pequeno detalhe que tem ficado de fora dos sucessivos pacotes de “ajustamento” (leia-se reduções de salários e de prestações sociais, aumentos de impostos, etc) que o governo grego tem vindo a adoptar: o orçamento de defesa da Grécia.

A Grécia é o país da União Europeia que, de longe, mais dinheiro gasta em armamento: cerca de 4,3% do PIB em 2005.

E, segundo Cohn-Bendit, nos últimos meses fechou vários negócios com a Alemanha e a França para a aquisição de submarinos, fragatas, helicópteros e aviões, que estimou em mais de 4 mil milhões de euros e que serão pagos ao longo dos próximos anos: “Somos hipócritas, damos-lhes dinheiro para comprarem as nossas armas”.

Cohn-Bendit sugere que, se a União Europeia quer mesmo « ajudar » a Grécia, deve promover um pacto de desarmamento na região, que envolva a Turquia.

Pensamento positivo

Depois de serem conhecidas as previsões económicas da Primavera da Comissão Europeia, José Sócrates manifestou-se “muito confiante relativamente à evolução da economia portuguesa”, porque Portugal “viu revisto em alta o seu crescimento”.

Esqueceu-se de acrescentar que a dita “revisão em alta” de Bruxelas é em relação às suas próprias previsões (0,5%, quando em Novembro dizia esperar um crescimento de 0,3%) e que ainda assim ficam abaixo das previsões do próprio governo (0,7% em 2010).

E também não mencionou que, para 2011, além de estarem novamente abaixo das previsões do governo, as da Comissão apontam para um crescimento de 0,7%, o segundo mais baixo da zona euro, apenas superior ao esperado para… a Grécia.

Sócrates podia ter igualmente referido que em ambos os anos a economia portuguesa continuará a divergir da média europeia, mas isso já não é novidade.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Dia 10, há sapo para o jantar

Secretariado do PS discute presidenciais na próxima segunda-feira.

sábado, 1 de maio de 2010

santas férias

dentro de dez dias, quem tiver consultas marcadas no hospital é melhor ficar em casa. o mesmo para as cirurgias, para os assuntos nas finanças ou outros organismos públicos. quem tem filhos, o melhor é começar a pensar em alternativas porque no dia 11, em lisboa, as escolas estão fechadas de tarde,no dia 12 estão fechadas em fátima, no dia 13 estão fechadas em todo o país e no dia 14 estão fechadas, de manhã, no porto. decisões muito pouco católicas, digo eu...

Estranhas obsessões com os investimentos públicos

Ainda Marcelo Caetano era primeiro-ministro e já Portugal projectava construir um novo aeroporto para... 2010. E, nessa altura, a opção seria Rio Frio. Depois disso, passaram governos provisórios e constitucionais e de todas as formações possíveis: comunistas nos governos, PSD e PS a liderar sozinhos, coligações PS/CDS e PSD/CDS e bloco central e maiorias absolutas do PSD, de Cavaco Silva, e do PS, de José Sócrates.
Nenhum governo pensou em abandonar a construção do novo aeroporto mesmo tendo, muitos deles, as garras do FMI e sem as indispensáveis verbas comunitárias que lhes confortasse os desejos. E com a inflação a ultrapassar os 15 por cento, o desemprego superior aos 25 por cento, com greve, com o ouro a ser penhorado, greves gerais e empresas a fechar quase todos os dias.
Em meados de 1981, os jornais faziam manchetes garantindo que, cada português, devia ao estrangeiro 70 contos. No início de 1983, essa dívida individual subia para os 120 contos. E assim sucessivamente, sempre a subir.
E nenhum governo pensou em abandonar a construção do novo aeroporto.

Já viram o autocarro de Nick Clegg ?





(Fotos The Guardian)