domingo, 30 de maio de 2010

Só te vim dizer que a coisa por lá está preta...


...mas estão jogando muito futebol.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Já não há saída

Perante a inevitabilidade, Mário Soares abriu o jogo. O PS anda assim por estes dias. Satisfeitos os que apoiam Manuel Alegre. "Rendidos" ao óbvio os que não perdoam ao candidato. Ou como dizia um deputado na reunião de terça-feira :"Temos imaginação suficiente para encontrar virtudes no Alegre. Havemos de inventar algumas !"

* Vale a pena ler o post de Vital Moreira. Gosto particularmente do terceiro ponto.

Posturas*


* Foto de uma peça do artesão Joaquim Esteves, de Barcelos.

Jornalismo à portuguesa II

Depois de ouvir Pedro Passos Coelho a defender a revisão do Orçamento da Assembleia da Republica, num almoço do American Club, percebi o alcance da manchete de ontem do Correio da Manhã...Há notícias que, "descobertas", de repente, são um trampolim para os salvadores da pátria.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

A certeza de as coisas estarem bem entregues



“Como é que se controla a idade entre os 16 e os 15 anos quando hoje em dia os jovens são quase todos eles parecidos?”

António Nunes, presidente da ASAE, na RTP, a explicar porque é que a fiscalização da venda de álcool a menores é ineficaz

Um com culpa, outro com máxima desculpa

Se um rapaz surripiasse uns gravadores, numa qualquer rua, seria motivo para o CDS pedir agravamento de penas, clamar pelo respeioto da propriedade privada e exigir video-vigilância que inibisse actos destes.
Mas um deputado "sacar", à descarada, dois gravadores a dois jornalistas, em plena Assembleia da República, merece uma complacência de quem passa legislaturas a pedir mais segurança. Eis o CDS com um único peso, mas com duas medidas. Vá lá que o acto teve video-vigilância. Só nisso resultou a exigência do CDS.

Bem prega Frei Tomás

Numa entrevista a um influente jornal alemão, Durão Barroso atirou-se à postura assumida pela Alemanha ao longo da actual crise. Num exercício que alguns qualificam de “emancipação” (outros dirão que está a morder a mão que lhe deu de comer), o presidente da Comissão Europeia afirmou que, se a Grécia “falsificou e manipulou” as suas contas, “também a Alemanha nem sempre se comportou em conformidade com o espírito do Pacto de Estabilidade e Crescimento”.

É verdade. Mais precisamente isso aconteceu em 2003, quando a Alemanha e a França violaram pela primeira vez o limite dos 3% para o défice orçamental estipulado pelo PEC (PEC esse desenhado de acordo com as exigências de Berlim). Na altura a Comissão Europeia, presidida por um tal Romano Prodi, fez o que lhe competia e abriu um procedimento por défice excessivo contra os dois países. Cujo andamento foi travado por uma votação dos governos dos países da zona euro, ilibando os dois infractores.

Foi uma votação renhida, em que a posição assumida por Portugal fez os pratos pender decisivamente para o lado de Berlim e de Paris. Uma posição assumida por Manuela Ferreira Leite e que causou estranheza, até porque Portugal estava na altura a braços com um procedimento idêntico por ter deixado derrapar o défice. À estranheza juntou-se o surrealismo da explicação dada alguns dias depois pelo então primeiro-ministro, Durão Barroso, num jantar com emigrantes portugueses, em Paris. A quem explicou a atitude assumida com a necessidade de defender o bem-estar das comunidades portuguesas nos dois países visados (não fossem alemães e franceses, desvairados, desencadear um pogrom anti-lusitano…).

Mas se o mundo mudou em três semanas, imagine-se o que não lhe terá acontecido nestes quase sete anos…

Anti-parlamentarismo primário


Pela manchete de ontem do Correio da Manhã, parece que, enquanto os eleitores fazem contas à vida, os eleitos aprovam orçamentos despesistas em casa. Mas o Orçamento da AR foi aprovado dia 5 de Fevereiro. Com publicação em Diário da Republica, cinco dias depois. Pode ser consultado aqui desde essa altura.

Imaginem se chegar a Belém...

Um dos momentos da reunião da bancada socialista com José Sócrates foi protagonizado por Maria Antónia Almeida Santos e José Lello. A deputada manifestou apoio a Manuel Alegre "apesar dos momentos difíceis" por que este já fez passar o PS. Remate irónico de Lello "e ainda não era Presidente da Republica..."

Deixai-os falar

António José Seguro esteve na reunião do grupo parlamentar mas não manifestou opinião. O candidato a candidato a líder preferiu ouvir...tal como o secretário-geral.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Nem bem temperado, engole-se

Está quente a reunião dos deputados socialistas. Juntaram-se para discutir o apoio à candidatura presidencial de Manuel Alegre. Mas, pelo que conta a agência Lusa e o que se diz por aí, ainda não é desta que Alegre consegue recolher algum apoio. O jantar com sapo na ementa deverá ser agendado para mais tarde.

A gastar é que a gente se entende

Pode ser da latitude. Ou talvez do petróleo. Mas as coisas lá por Angola devem ser mesmo muito diferentes. A avaliar pelo anúncio de um banco que a RTPi repete incessantemente desde há algumas semanas, o que não falta é dinheiro para gastar em família. Dinheiro que, obviamente, o dito banco encoraja que se gaste o mais depressa possível. E, se faltar, há sempre um rectângulo de plástico para satisfazer os caprichos de cada um.

Basta querer para poder ter. Ou, como eles dizem, quem tudo quer, tudo tem. O resto logo se vê. Vá-se lá saber por quê, mas a coisa cai estranhamente mal nos tempos que correm.

Ouvir quando está tudo decidido

Desabafo de um deputado socialista à entrada da reunião de José Sócrates com o grupo parlamentar: " Sócrates é um grande democrata. Agora ouve toda a gente por causa das presidenciais..."

Um mistério por obliterar


As notícias davam como certo o aumento das tarifas dos transportes públicos. Apesar da informação estar a circular desde ontem à noite, o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações emitiu um comunicado, através do gabinete de imprensa, apenas às 18.27, com o título "Comunicado - Tarifas dos transportes públicos":

"... reafirma-se (...) que não existe, neste momento, qualquer decisão sobre esta matéria, não estando a mesma na agenda das decisões do Governo"

Ficou assim esclarecido que o Governo não está a pensar no aumento do preço dos transportes. Mas as certezas têm pernas curtas. Curtíssimas. Precisamente um minuto depois, às 18.28, o mesmo ministério emitia outro comunicado bem mais lacónico:

"Gab Imprensa MOPTC gostaria de resgatar a mensagem "Comunicado - Tarifas dos transportes públicos".

Entre dois comunicados, fica-se sem saber se os bilhetes vão ficar mais caros, ou não. Ah... o mesmo gabinete avisa que não tem mais comentários. Os anteriores, ao que parece, são esclarecedores.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mira, cariño, nuestro Sócrates en portuñol

El primer ministro de Portugal, José Sócrates, en los Desayunos de TVE


Índice do jornalismo lindo

Pacheco Pereira, sempre à caça do (mau ?) jornalismo, podia escrever um dia sobre os pés de microfone que são um descanso para os politicos - os jornalistas convocados para uma declaração sem direito a perguntas. Podia até começar por dar o exemplo da declaração desta tarde na Assembleia da Republica feita por ... Pacheco Pereira. Com honra de directos televisivos. E com um aviso claro: "é só uma declaração, não respondo a perguntas"...

(só falta mesmo criticar o PS que depois fez a mesma coisa)

Jornalismo à portuguesa

Num rigoroso exclusivo e citando "fontes bem colocadas junto do executivo", o Correio Preto vai avançar amanhã, sexta-feira, com a notícia de que o Governo tem plnaos para reforçar os investimentos públicos, planeando a construção de uma estação espacial a ser instalada na Ota.
Obviamente, o Correio Preto conta, com esta notícia, ser citado pelas rádios, televisões e sites, provocando que a notícia dure umas horas. Para isso, conta ainda com a colaboração de todos os partidos que tratarão de comentar, criticar e pedir a presença na Assembleia da República, com carácter de urgência, do ministro das Obras Públicas. Assim, a notícia vive mais umas horas e anima a vida dos portugueses.
Depois, a meio da tarde, José Sócrates irá desmenti-la até usando o argumento de que, nesta altura, esse tipo de investimento seria rídiculo e impensável. Mas à noite, via telejornais, a notícia irá manter-se, baseando-se, antes de mais, na notícia do Correio Preto. E com as óbvias reacções dos partidos. E só depois o desmentido oficial.
No sábado, logo pela manhã, o mesmo Correio Preto conta fazer outra manchete, não pedindo desculpa aos leitores, não admitindo que foi um erro, mas com a história "completa": o Governo tinha mesmo intenções de construir a estação espacial, mas foi a notícia do Correio Preto que obrigou José Sócrates a recuar. E para apimentar a coisa, acrescentaremos que sob pressão de Cavaco , de acordo com "fontes em Belém", e de Pedro Passos Coelho que até admitiu romper o acordo com o Governo.
E assim andará o Correio Preto feliz e contente até, daqui a umas semanas e perante a queda de audiência, tenha mais criatividade para outra grande "cacha": citada, comentada e desmentida. Mas o que importa? A audiência sobe, não sobe?

No rescaldo das últimas entrevistas

terça-feira, 18 de maio de 2010

Rapidez

Apenas cinco dias depois de, sentado ao seu lado, José Sócrates garantir que o aumento de impostos então anunciado era para vigorar até ao final de 2011, Teixeira dos Santos vem esclarecer que, afinal, as medidas em causa vão durar “enquanto for necessário” para assegurar que a redução do défice é “sustentável e duradoura”. O que pelas contas do próprio governo só deverá acontecer lá para 2013.

O que vale é que as contradições e os ditos que são dados por não ditos são tantos, que praticamente já não fazem mossa. E depois há sempre “a situação dramática do país” para justificar qualquer malabarismo (até serviu a Cavaco para promulgar a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo!).

Já era má, o Papa só a deixou K.O.

No "Prós e Contras", da RTP, António Nogueira Leite, do PSD, ensaia uma discordância com o ministro Vieira da Silva. E é logo interrompido pela "argúcia" e "perspicácia" de Fátima Campos Ferreira:

"Não se zanguem aqui por favor"

Já se sabia que o programa não é mesmo para estimular o debate ou colocar frente-a-frente ideias diferentes. Ela escusava de ser tão evidente.