sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Vacinas, sim! Salários, não!

Que os políticos tentem por vezes evitar algumas perguntas dos jornalistas, é algo que faz parte do jogo. Uma das habilidades usada vezes sem conta pelos que passam por Bruxelas é dizer que “não se fala de assuntos nacionais fora do país”.

Ferreira Leite recorreu ontem a este brilhante argumento para não responder às últimas notícias sobre Armando Vara. José Sócrates foi ainda menos subtil. Depois de responder a algumas perguntas “europeias”, teve lugar o diálogo seguinte:

Jornalista 1 - O presidente da CIP disse ontem que não há espaço para aumentar o salário mínimo no próximo ano, com o risco de…

Primeiro-ministro – Eu gostaria de falar sobre a Europa, se têm mais alguma pergunta sobre a Europa eu responder-vos-ei, senão, deixem-me ir almoçar se faz favor que tou um pouco atrasado. Muito obrigado

Jornalista 2 – Senhor primeiro-ministro, já foi vacinado?

Primeiro-ministro (que já se afastava, pára e responde) – Não, ainda não, mas tenho muita esperança que o seja assim que estiver disponível essa vacina fá-lo-ei imediatamente…

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Sócrates e a Checoslováquia

Mário Lino já tinha cometido a mesma gaffe quando foi discutir as prioridades da presidência portuguesa da UE com o Parlamento Europeu, no início de 2007. Hoje, ao chegar a Bruxelas para a reunião do Conselho Europeu, José Sócrates voltou a fazer o mesmo, ao ressuscitar o "povo checoslovaco":


Uma gaffe cometida com o requinte de estarmos em plenas comemorações do 20º aniversário da queda do Muro de Berlim (nas quais o primeiro-ministro do povo lusitano estará presente, em Berlim, na próxima semana) e da Revolução de Veludo, que pôs fim à dita união entre checos e eslovacos, seguindo o destino de outras.

Soares ainda é fixe

À entrada da reunião dos líderes socialistas europeus, um jornalista austríaco interpela um grupo de repórteres portugueses e espanhóis:

-Vocês estão à espera de quem?

-Do primeiro-ministro espanhol e do português.

-Ah!, o Zapatero e o… o Soares, não é?

Uma das melhores missões do mundo

Houve, em tempos, quem sugerisse que "melhor do que ser ministro é ser ex-ministro". Há muitos que andam por aí que podem carimbar esta sentença com largos sorrisos nos lábios. Mas a primeira etapa para se chegar a esse patamar é ser... ex-comunista. E acumular as duas funções - ex-comunista e ex-ministro - é a cereja no topo do bolo. Daqui uns tempos, veremos o quanto isso é verdade.
Antes disso, dá para ver como ex-comunistas se instalaram neste governo (como já o tinham feito nos anteriores). A começar pelo Ministério da Justiça...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O segredo está na confiança

Seguro, seguro mesmo é a continuidade de João Tiago Silveira e Idália Moniz no Governo. Mas com outras pastas e mais responsabilidades. E não posso dizer mais. É que há uma frase que José Sócrates repete a quem convida que estraga todas as notícias: "Se surgir uma notícia sobre este convite, sinta-se automaticamente desconvidado".

O próximo ministro da Agricultura

Xô Dr. Camilo Alves ... também não há-de ser pior que o último!

Afinal a culpa foi dos liberais?

Segundo o votewatch.eu, que costuma escrutinar as diferentes votações levadas a cabo pelo Parlamento Europeu, os responsáveis pelo chumbo da resolução que criticava Silvio Berlusconi são quatro parlamentares do grupo liberal que se afastaram da linha de voto do seu grupo (um votou contra e três abstiveram-se):

On 21 October 2009, a proposal by the centre-left in the European Parliament to pass a Resolution on Freedom of Information in Italy, which was primarily designed to criticise Berlusconi, fell by 335 votes in favour to 338 votes against. A centre-left bloc of S&D, ALDE, Greens, and EUL/NGL had dominated voting during the day, rejecting several amendments to the proposed resolution by a centre-right bloc of EPP, ECR, and EFD, with almost 100% of MEPs voting along these party lines in every vote. But when it came down to the final vote, four MEPs broke away from the ALDE group line, and were decisive in giving a narrow victory to the centre-right. One of these ALDE rebels (Vincenzo Iovine, from Italia dei Valori-Lista di Pietro) voted against the resolution, while the other three (Liam Aylward, Brian Crowley, and Pat the Cope Gallagher, all from Ireland’s Fianna Fail) voted to Abstain.

Os detalhes do voto estão aqui.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Coincidências, tecnologia duvidosa e bodes expiatórios

Silvio Berlusconi livrou-se à justa de ver o Parlamento Europeu aprovar uma resolução a condená-lo pela falta de liberdade de informação em Itália. Mais concretamente, por uma diferença de 3 votos, num universo de 686 deputados (335 a favor, 338 contra, 13 abstenções). Entre os portugueses, PSD e CDS votaram contra a resolução, enquanto PS e BE votaram a favor.

Acontece que, embora Ilda Figueiredo tenha apresentado uma declaração de voto a explicar o apoio à resolução, os nomes dos dois eurodeputados do PCP não constam da lista de voto final do texto, apesar de um ter participado em 15 e o outro em 13 dos votos anteriores relacionados com este tema.

Uma ausência explicada pelos comunistas com... uma falha dos respectivos aparelhos de votação electrónica. Ana Gomes garante que os comunistas "foram vistos por colegas seus do GUE e muito mais gente a, pura e simplesmente, NÃO VOTAR" (o GUE é o Grupo da Esquerda Unitária Europeia e os atentos "colegas" presume-se que são os eurodeputados do Bloco de Esquerda, que fazem parte desse mesmo grupo). Falha da máquina ou falha de reflexos, certo é que os comunistas procuraram corrigir a situação logo após a votação, pelo que só por isso a alteração foi a tempo de constar das actas, mas já não foi incluída nas contas da votação. Ou seja, o seu voto não contou para nada.

Não se sabe se também devido a falhas de natureza electrónica, mas outros dois parlamentares “acrescentaram” os seus nomes a esta votação final (a socialista romena Silvia-Adriana Ticau e o conservador francês Alain Codec), enquanto um terceiro (o liberal italiano Vincenzo Iovine) corrigiu o seu sentido de voto. A romena para apoiar a resolução, o francês para a rejeitar e o italiano para corrigir o seu voto da rejeição para o apoio à resolução.

O mais curioso é que com todas estas modificações a resolução teria sido aprovada por 339 votos, contra 338…

Os amigos são para as ocasiões

Os três eurodeputados do Bloco de Esquerda votaram hoje ao lado do PS na rejeição da proposta do PSD que afirmava haver "suspeitas graves de interferência nos meios de comunicação por parte do primeiro-ministro português e do Partido Socialista relativamente às edições de jornais e canais de TV (por exemplo, o cancelamento do programa noticioso nacional mais popular - o “Jornal Nacional” - alguns dias antes das eleições legislativas), bem como de acções judiciais intentadas contra jornalistas com opiniões discordantes do governo".

Isto apesar de Francisco Louçã (que por acaso até andou por Estrasburgo esta semana) ter dito a propósito desta história que “o primeiro-ministro disse que não há interferências, mas algumas ocorreram".

Ainda segundo a acta da referida votação, PSD e CDS votaram a favor (obviamente) e o PCP absteve-se. A proposta acabou por ser rejeitada, tal como as demais resoluções sobre “Liberdade de informação em Itália e na UE” que suscitaram este debate.

Que se lixe a Europa

Esta semana houve reuniões europeias dos ministros da agricultura, finanças, ambiente, justiça e administração interna.

Dos portugueses apenas o ministro da agricultura saiu do país para se deslocar ao Luxemburgo (local onde decorrem estas reuniões nos meses de Abril, Junho e Outubro).

Provavelmente Jaime Silva deu aqui uma prova de realismo, ao dar como adquirido o facto de que não fará parte do próximo governo, aproveitando a deslocação para passar por Bruxelas e ligar já o aquecimento da casa que sempre manteve na capital belga.

E os outros? Estarão à espera do "tal" telefonema ou aproveitaram para, à custa da representação do país ao nível europeu, começar a esvaziar as gavetas dos respectivos gabinetes?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ontem a Inqusição, hoje a estupidez


Nalguns reinos dos Céus, nada muda: Mário David exorta Saramago a renunciar à cidadania. Sorte a do escritor que as piras não estão activas. Não escapava.

domingo, 18 de outubro de 2009

Avançar para trás


No dia em que a RTP celebra o 50º aniversário do Telejornal, é bom lembrar algumas ideias "inovadoras" que por lá pairam. Uma delas é transformar os jornalistas em qualquer coisa "todo-o-terreno": gravam imagens, perguntam, editam, escrevem os textos. Eis aqui um exemplo, de um jornalista em acção em plena campanha eleitoral. No caso, Hélder Silva, de microfone e câmara de telemóvel em punho.

sábado, 17 de outubro de 2009

O quarto do poder

Só faltou a Emídio Rangel, nesta análise, referir-se aos serventuários do poder e a alguns capatazes que por aí gravitam e estaria a crónica perfeita. Mas passou perto. Como diria o saudoso jornalista Júlio Pinto "os jornalistas deixaram de ser o quarto poder para serem o quarto do poder". E isso faz toda a diferença.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O parlamentar que antes de ser já era

Deus Pinheiro pode sair da Assembleia da República de cabeça erguida. Nos minutos que demorou até renunciar ao mandato de deputado, trabalhou tanto como durante os últimos cinco anos no Parlamento Europeu.

Mais um grande momento na carreira política de alguém que, quando era comissário europeu, foi considerado o segundo pior comissário pela revista Economist, que resumiu a sua actividade com um comentário do género: “o golfe vive graças a ele, os seus dossiers vivem apesar dele”.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Das Necessidades para São Bento

António Braga, até agora secretário de Estado das Comunidades, poderá ser o próximo ministro dos Assuntos Parlamentares.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Faltou o Casimiro Baltazar da Conceição a Aljustrel

"Lá na aldeia havia um homem que mandava
toda a gente, um por um, por-se na bicha
e votar nele e se votassem lá lhes dava
um bacalhau, um pão-de-ló, uma salsicha"

Ainda a propósito dos resultados nestas eleições, recordei-me da acção de Manuel Pinho por terras de Aljustrel. Tantas promessas semeou aos trabalhadores das minas, tanto cheque levou que lá conseguiu pôr o PS a roubar a câmara ao PCP. Agora percebe-se melhor a famosa zanga do líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, que provocou a tal cena do antigo ministro a mostrar corninhos.
E, como diz a canção de Sérgio Godinho, há sempre alguém atento às promessas. Por exemplo, o Casimiro:

"Mas... O Casimiro que era tudo menos burro
tinha um nariz que parecia um elefante
sentiu logo que aquilo cheirava a esturro
ser honesto não é só ser bem falante"

Faltou mesmo o Casimiro por terras de Aljustrel.

domingo, 11 de outubro de 2009

A que horas é o último voo para Bruxelas?

Ana Gomes e Elisa Ferreira já devem estar no aeroporto.

A estrela da noite



Este senhor derrotou Fátima Felgueiras, em Felgueiras. Chama-se Inácio Ribeiro.

Em tempo de eleições, os conselhos nunca são demais


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Coisas de uma política honesta

O Bloco de Esquerda, na ânsia de mostrar que tem gente em todo o lado, candidatou à presidência (repito, presidência!) da Câmara de Oliveira de Azeméis Cláudia Ribeiro, uma menina com apenas 18 anos. A motivação, o programa e o objectivo bloquista podem ser resumidos na entrevista que a Cláudia dá ao jornal I, na edição de hoje:

P - Quando começou o interesse pela política?
R - No 11º ano, através do meu gosto pela História, sobretudo do séc. XIX. Isso levou-me a interessar-me mais pela política e identifiquei-me com a ideologia do Bloco
P - Como surgiu o convite para o cargo?
R - Os líderes distritais do Bloco gostaram das minhas prestações nos eventos do partido e acharam que tinha capacidade para encabeçar a lista. Fiquei surpreendida, mas aceitei.

Ou seja, na ideologia do Bloco de Esquerda, basta alguém participar "em eventos" para se descobrir que tem capacidades para ser presidente de uma câmara. Mas reconheça-se a perspicácia da Cláudia: estudou o séc XIX, identificou-se logo com o Bloco.