segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Parece que não há asfixia democrática no Reino do CDS


Com Deus e Portas no coração

Paulo Portas esquivou-se, esta tarde, a responder claramente se poderia dar num bom ministro da Agricultura. Mesmo com a insistência dos jornalistas. Ao lado, Telmo Correia - lembram-se, aquele candidato à liderança do CDS que foi rejeitado pelo próprio partido e depois nem conseguiu ser eleito vereador em Lisboa? - dizia que, seguindo a lógica de qualidade, Paulo Portas deveria "ser ministro das Finanças, da Economia....".
Imagine-se portanto um Governo criado por Telmo Correia:
Primeiro-ministro: Paulo Portas
Ministro da Defesa: Paulo Portas
Ministro da Economia: Paulo Portas
Ministro adjunto do PM: Telmo Correia (ajuda o PM).
O restante executivo: Paulo Portas

Na feira, mas com brilho


Estes sapatos já percorreram muitas mihas em feiras, incluíndo com passagens por amostras de gado. O que é curioso é que não perdem o brilho. Há quem diga, na campanha do CDS, que os ditos têm um ar pouco agrícola.

O novo Jesus

domingo, 13 de setembro de 2009

Portas em ritmo brando

Em campanha eleitoral, Paulo Portas resolveu cancelar uma arruada - aquelas iniciativas terceiro-mundistas em que os dirigentes partidários resolvem incomodar as pessoas nas ruas - em Vila Pouca de Aguiar. O caso não era para menos: não havia povo nas ruas.
Só na cervejaria "Defacto" e no café "Muletas" é que se via vivalma. À espera do Benfica...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Pronto, ficamos quites

Depois de ter entalado José Sócrates com a decisão de suspender o JN6 da TVI, a Prisa decidiu emendar a mão.

Fê-lo através de um artigo de análise da campanha eleitoral publicado na edição de hoje do El País, ao longo do qual se limita a fazer eco da caricatura que José Sócrates faz de si próprio (o modernizador progressista) e da sua adversária (a conservadora fascizóide), para concluir que dia 27 os portugueses terão que escolher entre as duas únicas direcções possíveis do seu destino: para a frente ou para trás, com o progre ou a facha (diminutivos carinhosos utilizados em espanhol para designar fascistas e progressistas).

Uma análise tão profunda que não deixa escapar o facto de Sócrates ser benfiquista e Ferreira Leite (“a senhora…”) sportinguista, Ferreira Leite ter tido um bisavô monárquico e Sócrates um tio-bisavô republicano, concluindo que em comum têm apenas o facto de serem divorciados e de não lidarem bem com as críticas.

Nem o Acção Socialista faria melhor.

Prognósticos

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Gama leninista

Jaime Gama, num discurso vigoroso, repetiu a receita do PS para fazer uma boa política, citando um pensador frnncês:

"A primeira questão da política é a educação, a segunda questão política é a educação, a terceira questão política é a educação".

Se Neima Gama fosse mais poupado nas palavras, citaria Lenine: "aprender, aprender sempre"

E o Costa?

No comício/jantar do PS, a decorrer na FIL, em Lisboa, António Costa foi o primeiro orador a ser chamado ao palco. Minutos depois, alguém repara que o presidente da Câmara de Lisboa ainda não tinha chegado. Jaime Gama substituiu-o à pressa. Na sala, houve quem sugerisse que António Costa ficou preso no trânsito lisboeta. Provavelmente, entalado nas obras do Terreiro do Paço.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Um director da TVI mais do agrado de Sócrates?




Sentidos de oportunidade

Os cabeças de lista do PSD e do CDS nas eleições europeias continuam de corpo e alma em Portugal. Pelo menos enquanto dura a campanha eleitoral. Ontem Paulo Rangel questionou o patriotismo de “alguns socialistas portugueses” por não apoiarem a candidatura de Barroso a um segundo mandato. Corajosamente, não referiu quais. Logo a seguir foi a vez de Nuno Melo, cheio de originalidade, a dizer exactamente a mesma coisa. E lá apontou o dedo a Elisa Ferreira e Ana Gomes.

Se é verdade que Ana Gomes nunca escondeu o ódio de estimação que nutre por Durão, também é certo que nunca se pronunciou de forma declarada contra a sua reeleição. Ao contrário de Vital Moreira, que depois lá acabou por “clarificar” a situação. Quanto a Elisa Ferreira, não são conhecidas nenhumas posições públicas sobre o assunto.

Curiosamente, nenhum dos três esteve presente na reunião que o grupo socialista realizou hoje com Durão Barroso para discutir o seu programa para os próximos cinco anos…

Sintonia socialista

Durão Barroso foi hoje recebido pelo grupo socialista do Parlamento Europeu, no âmbito da sua candidatura a mais um mandato à frente da Comissão Europeia. Depois de duas horas a chefe da delegação portuguesa, Edite Estrela, garantiu que os socialistas portugueses apoiarão Barroso “sem ambiguidades” e manifestou-se confiante que mesmo o grupo socialista “não vai votar contra” e que talvez até “possa apoiar” Durão ou abster-se.

Depois de considerar que as suas propostas para sair da crise são "totalmente inadequadas", o presidente do partido, o dinamarquês Poul Nyrup Rasmussen garantiu que o grupo iria “abster-se ou votar contra” Barroso.

O presidente do grupo, o alemão Martin Schulz esclareceu que pessoalmente é contra Durão, mas que vai seguir a linha do grupo. Se a conseguir encontrar, claro.

Sentido de Estado... torpe

Se um deputado angolano insinuasse que Cavaco Silva era proprietário de umas empresas, dona de umas rádios e de uma produtora musical, cairia, em Lisboa, o carmo, a trindade e com sismos em São Bento e Belém. E o embaixador português, em Luanda, faria o devido protesto. E, de facto, o genro de Cavaco Silva (e por conseguinte a filha) é um empresário.
Mas ontem, na RTP, um deputado português, Francisco Louçã, insinuou que José Eduardo dos Santos, presidente de Angola, é co-proprietário da GALP, juntamente com Américo Amorim. E mais: na torpeza, acrescentou-lhe a malévola sugestão que foi o próprio José Sócrates que inspirou e facilitou a operação de venda de parte da GALP a José Eduardo dos Santos.
Ou Francisco Louçã tem provas que o presidente angolano é empresário - e deve ser o único a tê-las - ou revela pouco sentido de Estado para um deputado. Ou então Louçã confunde José Eduardo dos Santos com os ditadorzecos que ele e os seus acólitos andaram a apoiar durante tantos anos.
Mas Louçã até tem uma desculpa: ficou tão atrapalhado no debate com José Sócrates, sobretudo com o programa do Bloco de Esquerda que ele próprio parece não ter lido e com aquela brilhante ideia de retirar deduções fiscais a toda a classe média, que falou em "knock-out".

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Reunião

importa-se de repetir?

"Região da Madeira é bastião da democracia em Portugal" Manuela Ferreira leite dixit.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Aerodeputados

Até há pouco tempo era frequente encontrar os eurodeputados portugueses em classe económica nas viagens entre Portugal e Bruxelas ou Estrasburgo. Seria uma forma de os parlamentares estarem mais próximos do “povo”? Nem por isso. É que mesmo viajando em económica e pagando a tarifa mais baixa, recebiam posteriormente do Parlamento Europeu (PE) um montante correspondente ao bilhete mais caro nessa viagem, podendo meter ao bolso a diferença. O que era uma forma simpática de arredondar o fim do mês.

Mas isso acabou com a entrada em vigor nesta legislatura do novo estatuto dos deputados PE que, além de criar um salário único, procura tornar mais transparente o sistema de reembolso de despesas. Uma das formas encontradas, qual ovo de Colombo, foi passar a pagar aos deputados o montante exacto que gastem nas viagens (parece elementar, mas foram necessários anos e anos para fazer os eleitos europeus aceitar esta alteração).

E agora é ver os eurodeputados portugueses todos a viajar em primeira classe. O Correio Preto confirmou que PS, PSD e PCP já efectuaram o confortável upgrade. Do CDS não há notícias, mas é de esperar que imitem os anteriores. A excepção é o Bloco. Na passada sexta-feira os três eleitos do partido fizeram a viagem entre Bruxelas e Lisboa em classe económica. Falta saber se é por opção ideológica ou se ainda não estão a par das mudanças no sistema de pagamento das viagens.

Com o credo na boca

Paulo Portas está quase afónico, horas antes do debate com Jerónimo de Sousa na televisão. O líder do CDS está a discursar na AIP e prometeu ser breve para poupar a voz. Há quase uma hora que não se cala. Até fala em "luta de classes" e nos impostos que todos pagam, como se os grandes empresários não soubessem disso.
Rocha de Matos, o eterno presidente da AIP, só quer saber o que Portas pensa sobre a política para as.... PMEs. O que só lhe fica bem, isto dos grandes andarem preocupados com os pequenos.

domingo, 6 de setembro de 2009

Convenção apimentada

Carlos Pimenta, ex-dirigente social-democrata, ex-secretário de Estado e especialista em questões ambientais, apareceu num vídeo na Convenção do PS, a falar em energias renováveis. Só que ele não deu autorização para a utilização dessas imagens em iniciativas partidárias e, por isso, fala em ética. Oiçam-no na TSF. Ou leiam-no no online da TSF

Braga desligada

Afinal, António José Seguro não veio à Convenção socialista por se encontrar doente e, por causa de um conselho médico, ficou retido em Braga. O dirigente do PS até avisou a organização socialista para esse impedimento. Mas, na lista entregue aos jornalistas, constava o nome dele como orador e até com hora marcada: 18.55.
Se alguém avisasse, teria sido evitada a relação entre o que disse António Costa e a ausência de António José Seguro. E será que Costa sabia ou sabe da impossibilidade do cabeça-de-lista por Braga?

"Inimigos" na convenção

Na convenção do PS, já falaram os "independentes" Jerónimo Sousa e José Manuel Fernandes, ambos empresários. Não há por aí uma independente que se chame Manuela? Pode ser Moura Guedes ou mesmo Ferreira Leite.

Alô, Braga

Um recado de António Costa, deixado na Convenção do PS, em Lisboa:

Em todas as batalhas do meu partido eu estou aqui por que não seria capaz de estar noutro lugar, nem sentado em casa a assistir aos meus camaradas a lutarem enquanto ficava à espera de ver qual era o meu resultado eleitoral (...). Um socialista não faz cálculos de conveniência.

Na convenção, estão presentes todos os cabeças-de-lista das próximas eleições legislativas. Todos? Não. Falta o de Braga: António José Seguro.

Níveis de confiança em baixo

António Costa, presidente da Câmara de Lisboa e dirigente socialista, veio à convenção do PS apelar ao voto com este argumento:

"Nós sabemos que quando o voto da esquerda se divide nas eleições não se une a seguir às eleições. Quer o Bloco quer o PC já disseram que não querem governar com o PS, não querem fazer nenhum acordo eleitoral com o Partido Socialista. É por isso muito claro que quem não quer um governo da direita, só tem uma opção na actual conjuntura político-partidária: votar no Partido Socialista".

Sinais socialistas

Um écran gigante mostra os candidatos do PS às câmaras municipais. No aplaudómetro, António Costa é líder destacado: colheu o maios entusiasmo da tarde. Mas Elisa Ferreira, Joaquim Mourão e José Apolinário (sem bigode) também foram recebidos com grande entusiasmo. E três participantes bateram palmas a Mesquita Machado.

Pouca resistência

Não sei se é do calor, ou se dos discursos "animados" de Jorge Lacão, Alberto Martins e do empresário Jorge Armindo, mas os socialistas continuam a abandonar a sala do Coliseu de Lisboa.

Almoço aziago

O almoço derrotou muitos socialistas. De repente, o Coliseu de Lisboa ficou mais vazio. Deve haver outros interesses por outros lados. Quem não está perde Jorge Lacão a zurzir em Pacheco Pereira.

A convenção socialista num minuto

Formaram-se filas para entrar no Coliseu de Lisboa, mas a sala não está cheia. Parte da sala foi cortada para que os participantes fiquem mais aconchegados. Para provar que há sempre uns mais do que outros, Carlos Zorrinho colocou-se no meio da fila, ultrapassando umas dezenas de camaradas dele.
A Convenção socialista deveria começar às 11, mas só se iniciou pouco depois do meio-dia. Os oradores são tantos - e cada um com direito a cinco minutos de palco - que esta reunião de auto-elogio pode terminar amanhã.
Há um filme sobre os méritos da educação do Governo, mas aparece por lá um dissidente: um miúdo usa um 'toshiba' e não um 'magalhães'. No filme, uma professora, feliz, diz que "a recuperação das escolas é notório (sic)".
Na lista dos intervenientes, consta... Jerónimo Sousa". É outro.
A escritora Isabel Alçada não poupa elogios à política de Educação. Fixem o nome, por favor, para depois de 27 de Setembro.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A suspensão, o nojo, a distracção e... Joana D'Arc

Todos aqueles que estão preocupados com a "asfixia democrática" e a "falta de liberdade de imprensa" deveriam escrever o que pensam sobre um certo tipo de jornalismo que a (alguma) TVI produz. Ou bastava que assumissem as críticas que fazem nos cafés ou em corredores. Só o que se assistiu esta noite, no "defunto" Jornal da Sexta, justificava a suspensão de qualquer noticiário. Na Páscoa, escrevi isto a propósito da insidiosa campanha contra José Sócrates:

Aquilo que assisti durante um ou outro fim-de-semana, com início nas noites de sexta-feira, enoja-me como jornalista. E envergonha-me. A Páscoa trouxe umas tréguas, mas desconfio que foi apenas um intervalo. A campanha começa dentro de momentos. Se não for com o freeport, há-de ser com outra coisa qualquer.

Como previa, eis o regresso da campanha, feita de uma forma irresponsável. Como o uso dos nomes do grupo de José Sócrates já estava esgotado, foram agora buscar André Figueiredo, membro do secretariado nacional do PS, por, alegadamente, estar envolvido na campanha de 2001. Bastava uma pequeníssima investigação, ou apenas espreitar o currículo do jovem André Figueiredo, para se concluir pela inverosimilhança de tal informação. Seria tão simples.
Assim se faz o jornalismo da TVI.
Os mesmos que clamam a tal "liberdade de imprensa" poderiam fazer um exercício contabílistico e rapidamente saberiam quanto é que pode custar, aos cofres da TVI, o pagamento de indemnizações.
E os mesmos que clamam pela "liberdade de imprensa" distraiem-se com a TVI. E nem reparam que, por outros lados, essa liberdade tem sido posta em causa todos os dias. Com atropelos sucessivos aos princípios básicos do jornalismo. E nem por isso se ouvem declarações inflamadas de políticos ou apelos patéticos de... jornalistas.
Mas não. Em dois dias, transformou-se uma potencial assassina do jornalismo em Joana D'Arc.

Manuela quê?!

Manuela Ferreira Leite queria ser recebida por Angela Merkel na chancelaria, em Berlim. O conteúdo do encontro era irrelevante, o importante era, no arranque da campanha eleitoral, obter as valiosas imagens televisivas ao lado da mulher mais poderosa da Europa.

O encontro está a decorrer neste preciso momento em Berlim. Mas Merkel só confirmou a sua disponibilidade ao fim de longas e incansáveis diligências por parte do PSD. A reunião acontece na sede da CDU e não na residência oficial da chefe do governo. O lado alemão proibiu as filmagens e apenas distribuirá fotografias do encontro. Ferreira Leite teve que apanhar uma seca de meia hora à espera de Merkel. Mais tempo do que os escassos 25 minutos de audiência que estão previstos.

É que a chancelerina tem mais que fazer: além de um país para governar, tem umas eleições para disputar no dia… 27 de Setembro. Além de que é difícil imaginar o que é que as duas terão para conversar. Por isso, a líder do PSD, além da foto para o álbum de recordações, bem pode agradecer a crise em torno da TVI, para poder ter alguma coisa para dizer às televisões que a acompanharam à capital alemã.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Um dia para esquecer

Antes de entrar para a sala da comissão do Parlamento Europeu onde ia apresentar o relatório da actividade do Eurojust em 2008, Lopes da Mota falou brevemente aos jornalistas e, já com os microfones desligados, aproveitou para se queixar.

Queixou-se mais ou menos de tudo e de todos (políticos, jornalistas, magistrados) e, sobretudo, da falta de reconhecimento em Portugal da importância do seu trabalho “lá fora” em contraste com o prestígio de que goza junto dos seus pares europeus. Ideias que repetiria perante a comissão parlamentar (“gostaria de ser respeitado em Portugal, como sou respeitado no Eurjust”).

E lá foi falar de coisas sérias com os eurodeputados. O primeiro solavanco surgiu quando Nuno Melo, de forma um pouco forçada (“tentei fazê-lo na AR mas os socialistas não deixaram…”), o interpelou sobre o caso Freeport. O presidente do Eurojust irritou-se, respondeu longamente e até voltou ao assunto mais tarde. Os outros eurodeputados ouviam entediados, o presidente da comissão pedia que não se perdesse muito tempo com aquela “questão nacional” que, obviamente, não era para ali chamada.

Mas o pior foi quando, de onde esperava reconhecimento do seu trabalho pelo seu devido valor e, quiçá, algum carinho e compreensão, surgiram críticas simplesmente… demolidoras. Um parlamentar espanhol afirmou que o relatório apresentado mostrava que o Eurojust “não funciona”, faz “muito poucas coisas” e apresenta uma “estatística muito pobre”. Pelo que se impõe “rever tudo”, desde o orçamento, às competências, passando pelo organigrama, etc. Em suma, deitar abaixo e voltar a fazer de novo.

Lopes da Mota, que havia puxado dos galões de uma década com funções de responsabilidade no Eurojust, nomeadamente na sua criação, lá se defendeu atirando a culpa para os governos nacionais: “é o melhor que podemos fazer”, “dependemos dos Estados-Membros e dos recursos que temos”…

Como disse o treinador do Vitória de Setúbal depois da recente derrota por 8-1 com o Benfica, “há dias em que um tipo não devia sair de casa”.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Eu conto-vos como foi

Durão Barroso divulgou hoje uma declaração a assinalar o 70º aniversário do início da Segunda Guerra Mundial. Além de conseguir não mencionar a palavra “Alemanha” uma única vez no texto, Barroso ousa mesmo uma incursãozita pela análise histórica para explicar que este “capítulo negro aberto há 70 anos, só conheceu o seu verdadeiro fim com o colapso das ditaduras comunistas e a reunificação da Europa décadas mais tarde”. E não em 1945, como defende a generalidade dos especialistas.

Esclareça-se ainda que em europês “reunificação da Europa” refere-se à adesão dos países de Leste à União Europeia, em 2004, como se a Europa alguma vez tivesse sido uma entidade unida e harmoniosa. Mas isso são pormenores.

É um verdadeiro corta e cola de factos históricos que são depois ajustados por medida a uma determinada forma de querer ver a realidade.

O Correio Preto sabe que, embalado por esta experiência, Barroso prepara-se para publicar vários trabalhos, o primeiro dos quais demonstrará que as armas de destruição maciça iraquianas estão escondidas na Coreia do Norte.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Os pratos servem-se frios

José Sócrates deve ter aprendido a lição. Quando um presidente de uma empresa for um ex-ministro e lhe exigir uma audiência urgente, Sócrates não deve recusar. Tem de o receber imediatamente mesmo que tenha assuntos mais importantes a tratar. E não pode mandar a secretária simplesmente comunicar que o "primeiro-ministro só o poderá receber na próxima semana, se tiver agenda para isso". Se o fizer, Sócrates já sabe. Mais tarde ou mais cedo, cruza-se com um prato que se serve frio.

Obrigado, Dra Manuela

Chegou o papelinho das Finanças para pagar o Pagamento por Conta. São mais 152 euros, em mais uma prestação do ano. É sempre nestes momentos que mais me lembro de Manuela Ferreira Leite. Tenho até ao dia 21 de Setembro para fazer o pagamento. Vão ser três semanas com a líder do PSD no coração.
Ah... e chegou a notificação para pagar também o Imposto Municipal sobre Imóveis. Mais 309, 44 euros. Obrigado, Dra Manuela, obrigado. Vou registar solenemente as suas palavras quando prometer não criar mais impostos. A realidade depois desmente os desejos da minha bolsa.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Abaixo o Rei, viva o humor!

O "Correio Preto" esteve representado no "grande jantar da Liberdade" de desagravo aos "quatro bravos do 31 da Armada". Não foi pela jantarada (fraquinha, por sinal, e sem serviçais como se exigiria a bons monárquicos) e nem pela ideia de ter um líder "eleito" pelo gene (como lembrou o Nuno Ramos de Almeida) que este blogue se fez representar. Mas sim pelo gesto de bom-humor e pelo acto de liberdade. Nos tempos que correm, conhecer gente que fala em Liberdade com Humor e tê-los como amigos é um duplo prazer. Alguns pormenores estão filmados. A notificação para responder por "cumplicidade a acto ílicito" pode ser endereçada para este blogue.

Lanchando com o inimigo

Manuela Ferreira Leite convidou, na tarde de terça-feira, o presidente da Associação Nacional de Empreiteiros das Obras Públicas, Filipe Soares Franco, para um encontro na sede do PSD. Os sociais-democratas até convidaram os jornalistas a estarem presentes no final da reunião para, como é habitual, recolherem as respectivas declarações dos dois protagonistas.
Mas as coisas correram mal à líder do PSD, como se comprovou nos minutos a seguir à reunião. Enquanto Filipe Soares Franco defendia os grandes investimentos públicos com o argumento de que não acredita que algum "partido tenha alguma vez rejeitado a importância das obras públicas e, sobretudo, das infraestruturas de transporte", Manuela Ferreira Leite furtava-se aos jornalistas.
Aliás, a líder do PSD é mestre na arte de fugir ao contacto com os jornalistas sempre que o tema não traga motivos para criticar José Sócrates. Estranho mesmo foi a agenda do PSD ter marcado um encontro destes em vésperas de ser apresentado o programa do PSD, o tal "minimalista" ou em folha A4.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

À atenção do governo do Egipto

Manuel Pinho, de férias no Algarve, deu uma entrevista a uma revista semanal e perde-se em revelações. Imperdíveis, por sinal. E com elas ficamos a saber que o ex-ministro adora viajar, mas a "convite do Governo":

P - Gosta de viajar?
R - As melhores férias que passei ultimamente, além do Algarve, foi na última passagem do ano. Estivemos mum arquipélago na Venezuela que se chama Los Roques, a convite do Governo (...)
P - Viaja quantas vezes por ano?
R - Quando estava no Governo viajava seis vezes por mês, em trabalho. (...) Depois dos EUA vou tirar uma semana com a minha mulher aos Emirados, a convite do Governo
P - Qual é a primeira viajem que vão fazer?
R - Não sei. (...) Gostava de ir ao Egipto, é um país que gostava muito de conhecer e é uma viagem que anda há muito tempo a ser estudada. Eu conheço quase todo o mundo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O quarteto merecia uma estátua

É nestes momentos que mais me lembro de Durão Barroso, Tony Blair, José Maria Aznar e do Bush: 95 mortos num único atentado.

Uns mais iguais do que outros ou quem manda, manda


Se um operador de telefones tiver a responsabilidade de responder a 10 chamadas por dia, mas só atender três, é despedido. Com justa causa apesar de ter uma taxa de produção de 30 por cento.

Se uma empresa se comprometer a dar resposta a 10 mil chamadas, mas só cumprir com três mil, tem direito a renegociar, ninguém rasga o contrato e até é recebida pelos altos responsáveis do Ministério da Saúde.

Férias a trabalhar sete vezes mais do que os outros

Paulo Portas, em 37 dias de verão, alguns dias de Julho e outros de Agosto, percorreu 32 localidades e visitou 21 feiras e mercados. Pelo meio, deu uma conferência de imprensa, participou em duas apresentações de candidatos, festejou o aniversário do partido e passou pela sede do CDS. Nem teve tempo para alourar o cabelo.

PCP aristocrata?

Nas listas do PCP, candidatas às próximas eleições legislativas, constam os nomes de Diogo d'Ávila da Costa, de Inês da Nóbrega Guilherme Pimenta d'Aguiar e Antero Jerónimo Moniz Arruda Quental.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Estamos todos sob escutas

Não são só os assessores de Cavaco Silva - alguns deles militantes do PSD - que têm estado sob escutas telefónicas, como conta o jornal "Público" numa das mais estranhas manchetes que alguma vez Portugal produziu.
Há muito mais gente nas mesmas condições "indignas", como se refere uma "fonte" de Belém. Por exemplo, Carlos Carvalhas e Octávio Teixeira, que já tiveram altas responsabilidades no PCP, ajudaram na elaboração do programa dos comunistas. Como sei? Graças a uma escuta telefónica.
Há uns independentes, não filiados no PS, que colaboraram no programa do PS. Como sei? Escutas, escutas.
Conheço ex-dirigentes do CDS, empresários, quadros superiores e ex-ministro que dão uma ajudazinha a Paulo Portas no programa do partido dele. Como sei? Ah.. então, as escutas!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Percebem tanto de Economia como eu de física quântica

O mais surpreendente nos resultados divulgados pelo INE é a... surpresa dos economistas. Quase todos que se prestaram a comentarem não escondem terem ficado admirados com a recuperação da Economia portuguesa, neste último trimestre. À partida, pensava-se que eles - os economistas - conseguiam analisar, prever e até arranjar soluções. Afinal não. A Economia, para os economistas, é assim uma obra do acaso. O que demonstra como andam longe da realidade.
Agora entendo as previsões catastróficas de Medina Carreira. Pois, se bem me lembro, quando houve um "crash" na Argentina, em 2001, o mesmo Medina Carreira previa um cenário igual em Portugal "dentro de três anos". Já lá vão oito. Tempos a tempos, vai repetindo as previsões da desgraça. Não admira portanto que também ele possa estar admirado.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Ctrl C + Ctrlv - 2

Para quem manifeste dúvidas sobre a vida relaxada de quem escreve os discursos de Jerónimo de Sousa.
Parte do programa eleitoral do PCP, apresentado ontem:

O PCP será governo, se e quando o povo português quiser. Força política com trabalho e obra reconhecida no poder local, o PCP está em condições de assumir as mais elevadas responsabilidades no país quando a ruptura e a mudança de políticas forem impostas pela vontade popular com o reforço do PCP e com a ampliação decisiva da sua influência social, política e eleitoral. É nesse sentido que nos dirigimos aos trabalhadores e ao povo para com o seu voto contribuirem para a alteração da correlação de forças no plano institucional favorável ao PCP, que acabará por ditar uma outra política e um outro governo, patriótico e democrático, ao serviço dos trabalhadores e dos interesses nacionais.

Parte do discurso de Jerónimo de Sousa:

O PCP será governo, se e quando o povo português quiser. Força política com trabalho e obra reconhecida no poder local, o PCP está em condições de assumir as mais elevadas responsabilidades no país quando a ruptura e a mudança de políticas forem impostas pela vontade popular com o reforço do PCP e com a ampliação decisiva da sua influência social, política e eleitoral. É nesse sentido que nos dirigimos aos trabalhadores e ao povo para com o seu voto contribuirem para a alteração da correlação de forças no plano institucional favorável ao PCP, que acabará por ditar uma outra política e um outro governo, patriótico e democrático, ao serviço dos trabalhadores e dos interesses nacionais.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Ctrl C + Ctrl V

O autor dos discursos, lidos por Jerónimo de Sousa, deve ter o trabalho mais fácil e mais relaxante do mundo.

Dúvida espanhola


Uns amigos espanhóis de uma jornalista, curiosos com um determinado cartaz que viram nas ruas portuguesas, não hesitaram em esclarecer as suas dúvidas com esta pergunta:
"Quien és aquella mujer que parece de la família Adams"?

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

De água espanhola escaldada, qualquer Moniz tem medo

José Eduardo Moniz, no remate de um discurso escrito, na hora de se apresentar como vice-presidente da Ongoing:

"Já é tempo de defender os Media em mãos portuguesas. Já é tempo de abandonar a tendência subserviente e reverente a tudo o que vem de fora, na maior parte das vezes, sem trazer ao País e aos negócios qualquer valor acrescentado".

Como se dirá isto tudo em castelhano?

José Eduardo Moniz, na sua apresentação como vice-presidente da Ongoing, deixando definitivamente - ou talvez não - a TVI:

"Ao fim de muitos anos, senti-me verdadeiramente querido por parte de alguém com responsabilidades empresariais, sem reservas, subterfúgios ou jogos ocultos, (....) confesso que não estava habituado a tal tratamento"

Mais vale tarde do que nunca

Depois de ter passado pela direcção da governamentalizada RTP e de ter sido director da TVI, José Eduardo Moniz, aos 57 anos de idade, descobriu que andou enganado:

"Sempre achei que Portugal se encontra demasiado dependente do Estado e atribui uma excessiva importância aos governos, acabando, por isso mesmo, vítima dos imobilismos que lhes são próprios, das suas perspectivas eleitoralistas e das lógicas tentaculares que os acompanham e que os impelem a tudo e todos querer controlar e condicionar."

Não deve ser uma empresa portuguesa, com certeza

A Ongoing Media apresentou hoje, em conferência de imprensa num hotel em Lisboa, a nova contratação: José Eduardo Moniz. A conferência estava marcada para as 10horas. Começou às 10horas.
O hotel é, por acaso, o favorito dos homens de negócios de... Angola.

sábado, 8 de agosto de 2009

Cavaco Silva mete uma cunha ou outra forma de compreender as notícias

As versões possíveis do folhetim Lobo Antunes pela pena, sempre inspirada, do Rodrigo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Nada como ter um filho no lugar certo

Luís Filipe Menezes está, na SIC-Notícias, a elogiar as escolhas de Manuela Ferreira Leite, considerando-as "legítimas" ao mesmo tempo que desvaloriza as críticas dentro do PSD.
Longe vão os tempos que o ex-líder do PSD acusava Manuela Ferrreira Leite de "arrastar pelo país uma candidatura triste e cinzenta"; ou quando perguntava, em artigos de opinião, por que razão Manuela Ferreira Leite "não se calava"; ou até quando atacava o silêncio da mesma Manuela Ferreira Leite.
Mais dócil, Luís Filipe Menezes até jura fidelidade e promete ficar satisfeito se o PSD vencer as próximas eleições "nem que seja por um voto".
É difícil entender a repentina simpatia de Luís Filipe Menezes pela actual direcção do PSD que ele chegou a apelidar de uma "certa canalha". Mas talvez ajude olhar com atenção para a lista social-democrata do distrito do Porto. Em oitavo lugar, numa posição elegível, consta o militante Luís Filipe Valenzuela Menezes. O filho, o filho...

Nem a Acção Socialista se lembraria disso

Um jornal de ECONOMIA entrevista um jogador de FUTEBOL e fala-lhe de POLÍTICA para ele responder que apoia SÓCRATES. E o jornal de ECONOMIA faz disso assunto de primeira página.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O homem mais feliz do mundo, pelo menos há 24 horas


Em apenas num único dia e em férias, José Sócrates virou um homem feliz: assistiu, de sofá, ao "hara-kiri" do PSD e viu José Eduardo Moniz a ser afastado da TVI. A cereja agora seria a Manuela....

Dinastia social-democrata

O que têm em comum Emídio Guerreiro, Luís Filipe Menezes, Nuno Encarnação, Tiago Vasconcelos, Fernando Ribeiro? São todos filhos de dirigentes do PSD e actuais deputados e/ou futuros deputados.

Não falta ninguém?

Estão lá Couto dos Santos, João de Deus Pinheiro, Mota Amaral, Pacheco Pereira, Luís Marques Guedes, Manuela Ferreira Leite, Luís Capoulas, Costa Neves, entre outros. A renovação recuperou muitos que brilharam nos anos de Cavaco Silva, já lá vão 15 anos. Mas a renovação foi tanta que ficaram de fora Dias Loureiro, Arlindo de Carvalho, Oliveira e Costa, Isaltino Morais, entre outros.

Rescaldo da noite das listas "sectárias e más"

Já o relógio roçava as duas horas da manhã quando Pedro Passos Coelho dizia que as listas eram "más, sectárias e mesquinhas" e que o programa era "enxuto".
Miguel Relvas passou a noite ao telefone com... Marques Mendes. Ora porque ia exigir o voto secreto, ora tinha conseguido que o voto fosse mesmo secreto, ora porque alguém criticava as posições de Manuela Ferreira Leite. Marques Mendes deitou-se tarde.
A líder do PSD, a abrir a reunião, foi avisando que queria um grupo parlamentar "fiel". Ficou dado o recado.
Pedro Passos Coelho dizia, ainda dentro da sala, que o "poder ten que ter a sabedoria de unir". Também estava dado o recado.
Nos corredores do hotel, um dirigente desabafava, em resposta às perguntas de quem é quem:

"Esse é o problema das listas, ninguém os conhece".

José Pedro Aguiar Branco, vice-presidente do PSD e deputado, num intervalo forçado, lamentava-se:

"Infelizmente, só há 250 deputados no Parlamento".

Ninguém se lembrou de lhe corrigir o erro e ele lá seguiu, satisfeito, por ter dado uma pequena lição sobre a vida parlamentar.
Luís Filipe Menezes - o outro, o filho - era um dos nomes mais citados da noite. Entra na lista do Porto em lugar elegível.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Coincidências com sabor a propaganda

O Governo voltou a anunciar a remodelação do Tribunal de Vila Franca de Xira, prevendo que as obras comecem daqui a 18 meses. E escolheu um domingo para o fazer, com declarações do secretário de Estado da Justiça, José Conde Rodrigues, à agência Lusa. Curiosamente, a decisão foi tomada há seis meses, com um acordo entre o Governo e a Câmara, e voltou a ser anunciada há três semanas.
Mas, neste domingo, o próprio secretário de Estado resolveu repetir o anúncio. Foi certamente uma coincidência esta insistência do Governo, na divulgação de tão importante obra, precisamente na véspera da visita, há muito agendada, de Manuela Ferreira Leite ao Tribunal de Vila Franca.

domingo, 2 de agosto de 2009

Convergência no mel de Coimbra

O Bloco de Esquerda também andou a "namorar" militantes do PS para integrarem a sua lista de Coimbra. Mas isso, no entender de Francisco Louçã, não é "tráfico de influências" como acusou Sócrates, mas sim, deve ele dizer um destes dias, uma convergência à esquerda. E ninguém pergunta ao líder do Bloco o que ele quis dizer exactamente com o tal "tráfico de influências"? E ele pede desculpa a José Sócrates ou não precisamente por causa do "tráfico de influências"?

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Todos?!! Quem??

Paulo Campos, em entrevista à SIC-Notícias, depois de ter confirmado ter feito uma abordagem a Joana Amaral Dias:

"Lamento imenso esta figura que todos nós estamos a fazer"

Auto-cozinhado em lume brando


"Desminto ter convidado a dra Joana Amaral Dias", a 29 de Julho.

"Eu indaguei a dra Joana Amaral Dias da possibilidade de se candidatar nas listas do PS. Mas não foi um convite", a 31 de Julho.
Depois disto, percebe-se melhor as razões que levam Paulo Campos a não estar, ele próprio, em qualquer lista do PS candidata às próximas eleições.

Eis um membro do Governo atento à realidade

Paulo Campos, secretário de Estado, confessou hoje na SIC-Notícias que "nem sequer sabia o que era o IDT". Se alguém o encontrar por aí, ofereçam-lhe este endereço: http://www.idt.pt/PT/Paginas/HomePage.aspx.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Assalto à mão desarmada


Um contribuinte entrega a declaração do IRS com um dia de atraso e, por isso, é penalizado em 50 euros. Liquidada a multa, o mesmo contribuinte recebe outra notificação das Finanças, desta vez, a exigir novo pagamento de 125 euros. Por, justifica o papelinho do Fisco, ter entregue a declaração de IRS fora do prazo.

Um assalto destes só pode provocar um sentimento de solidariedade com outros assaltantes, os tais que Paulo Portas tanto condena. Estes, pelo menos, são mais honestos: quando roubam, mostram a arma e não deixam dúvidas a ninguém que estão a roubar. Não se refugiam em subtilezas legislativas ou de decretos. São bem mais confiáveis e, em comparação com o Fisco, merecem mais respeito.

Os disparates que eles dizem

Já perdi a conta à quantidade de vezes que o PS - e, já agora, o Governo - se serviu do CCB para apresentar as suas iniciativas. Como aconteceu hoje na apresentação do programa socialista. De todas as vezes, recordo-me sempre de uma frase de Alberto Martins, o ainda líder parlamentar do PS, dita na altura da inauguração do mesmo CCB:

"O CCB é uma montanha de betão absolutamente inútil"

E não é de agora que se percebe como tem sido verdadeiramente inútil aquela montanha de betão para o PS.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Há avenidas mais iguais do que outras

Há uma avenida em Lisboa muito especial. Liga o quartel do Ralis à rotunda de Moscavide, dá pelo nome de Av. Alfredo Bensaúde, e tem a particularidade de não ter muitos prédios, mas tem um túnel, três faixas de rodagem para cada lado e é ladeada, por uma laboratório e pelo colégio São Miguel Arcanjo. No final da avenida (ou início conforme o sentido), há uns prédios que serviram para realojar antigos habitantes de barracas. De outro lado, existem umas vivendas cujos habitantes, mais afastados da avenida, nem têm qualquer ligação com ela.

Apesar disto, esta a avenida é seguramente a mais rigorosamente vigiada de Lisboa. Ali, já construiram um viaduto para pedestres; introduziram as irritantes e altas lombas; quase todos os dias, havia uma operação da BT da GNR; e, por fim, muniram toda a avenida de semáforos e radares que, em conjunto, controlam a velocidade ao metro.

É um autêntico mistério o investimento que se fez ali (e que se continua a fazer) para travar a velocidade. Nem outras avenidas, em Lisboa, recheadas de prédios de habitação, escritórios ou escolas e sobretudo altamente movimentadas merecem uma atenção tão empenhada.
O que me aguça a curiosidade: quem será que estuda naquele colégio? Quem será o pai zeloso que tratou de cuidar da segurança do filho?

Afinal, há soluções rápidas para a gripe

Manuela Ferreira Leite curou-se rapidamente da maleita que a apoquentava. Bastou terminar o comício do Chão da Lagoa. Nem a aspirina, da Bayer, é assim tão eficiente.

domingo, 26 de julho de 2009

O mal-amado...até no PS

Já se sabia que o ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, não é propriamente um bem-querido dentro do PS e até do Governo. Aliás, conta-se que, de vez em quando, o ministro recebe uma reprimenda de Pedro Silva Pereira em pleno Conselho de Ministros que, veladamente, trata de lhe explicar que ele tutela "apenas" a Cultura. Também é voz corrente que a escolha de Pinto Ribeiro foi motivada por um erro no contacto telefónico.
Talvez para provar que ele é o homem errado no sítio errado, os amigos socialistas, agrupados num blogue de apoio a Sócrates e ao PS, não o poupam. Era suposto que o blogue apoiasse as medidas do Governo. E deve cumprir a missão para que foi criado, mas Pinto Ribeiro deve ser a excepção.

sábado, 25 de julho de 2009

O exemplo

João Tiago Silveira, o porta-voz do PS, não vai ser candidato a deputado nas próximas eleições por vontade própria. Pelo currículo - secretário de Estado, professor universitário... - pelo que tem combatido a burocracia neste país e por ser porta-voz do partido, Tiago Silveira até poderia entrar no Parlamento no lugar que quisesse. Mas não quis, argumentando que se "sente mais útil noutra actividade política" e não negando o apoio total - como ele diz, "a 300 por cento" - a José Sócrates e ao PS.

Numa altura em que uns lamuriam, barafustam, gritam, protestam por não constarem em nenhuma lista, em que outros choram, imploram, humilham-se por um lugarzinho no Parlamento e outros sentem-se altamente capacitados para serem deputados, a atitude de João Tiago Silveira é um exemplo. E uma indirecta a muita gente, incluíndo a algumas figuras do seu próprio partido.

Passou-lhe um TGV por cima

No campeonato das Obras Públicas, que se disputa internamente no PS, o resultado, por enquanto, está assim: Ana Paula Vitorino 1 Paulo Campos 0.
Ah, Paulo Campos não consta de nenhuma lista candidata às próximas eleições legislativas. Ana Paula Vitorino é a nº 3 pelo distrito do Porto.

TGV do Porto a Guarda em 90 minutos

Francisco Assis saiu da reunião do PS, às 23.30, garantindo que estava em sétimo lugar na lista do Porto candidata à Assembleia da República. Perto da uma hora da manhã, surgiu como cabeça-de-lista pelo distrito da Guarda.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Dinastia socialista

O que têm em comum Luís Gonelha, Paulo Campos, Maria Antónia Almeida Santos, Afonso Candal, João Soares, Catarina Mesquita Machado? São todos filhos de dirigentes do PS e actuais deputados e/ou futuros deputados.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

WIP

O PSD já prometeu apresentar um programa minimalista, anunciado pelo vice-presidente Aguiar Branco. Tem lógica. É um programa Work in Progress. Adapta-se a qualquer circunstância, a qualquer momento, a qualquer lógica, a qualquer ideia, conforme os caprichos do vento. E é bem mais fácil a defesa: ninguém vai poder atacar o PSD por não ter cumprido o programa eleitoral.

Hipocrisias destapadas

A Assembleia da República babou-se de elogios a Manuel Alegre, na hora da despedida. Não vai ser candidato e assim termina hoje a sua missão de 34 anos. Na memória do Parlamento, fica o preâmbulo da Constituição que saiu do seu punho e as guerras que fez ao Governo de José Sócrates, especialmente nos últimos dois anos.
Parece pouco para 34 anos de actividade. A mim e talvez a outros que resolveram despejar elogios. Por isso, José Lello, deputado do PS e dirigente socialista, escreveu esta frase que resume uma parte da sessão parlamentar:

"Panegíricos, petições, hipocrisias várias e campanhas eleitorais encapotadas"

Admirável mundo novo

Matilde Sousa Franco, deputada do PS, mas sem filiação partidária, despediu-se esta tarde do Parlamento onde esteve durante quatro anos. Além de lamentar ter de respeitar a disciplina de voto, Matilde Sousa Franco sublinhou, no seu discurso final, uma ideia que teve e que gostaria de ver concretizada: a criação da cadeira de Educação para a Felicidade, a ser ministrada do 1º ao 12º ano. Entre os temas obrigatórios, a referida cadeira teria temas tão diversos como "amor", "alegrias", "desgostos", "frustações" e "paz". Só faltam os passarinhos, as flores e as borboletas no ar.

Rebuçados que duram uma manhã

Beneméritos como só eles sabem ser, os homens que dirigem os trabalhos na Assembleia da República resolveram dar os lugares às suas colegas. Assim, pela primeira vez, o Parlamento tem, nesta manhã, na mesa da presidência, quatro mulheres: Celeste Correia e Rosa Albernaz, do PS, Ofélia Moleiro, do PSD, e Teresa Caeiro, do CDS. São quatro e todas louras. E por um dia - por um único dia - dirigem os trabalhos. Mas como tal como os rebuçados é coisa para durar pouco tempo.

terça-feira, 21 de julho de 2009

O que importa mesmo é aparecer que as listas estão a ser elaboradas

O PS realizou mais um encontro das "Novas Fronteiras" dedicado, desta vez, à saúde. No elevador, do Museu do Oriente, onde se realizou o encontro, houve este diálogo, entre duas senhoras, numa versão mais avançada de "santanetes":

- E hoje qual vai ser o tema?
- Não sei. Acho que é sobre a saúde
- Ah... não sabia. Mas também é importante

Todos os caminhos vão dar a Angola

Já aqui tinha assinalado o interesse mundial por Angola. Um beija-mão a José Eduardo dos Santos, à escala planetária, em que só faltava Obama. É certo que ele ainda não marcou uma visita, mas mandou a sua secretária de Estado. Hillary Clinton vai aterrar em Luanda, na primeira semana de Agosto. Os EUA não querem perder o comboio.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O piercing da direita


Paulo Portas convidou Isabel Galriça Neto, a presidente da Associação de Cuidados Paliativos, para integrar a lista de deputados. E ela aceitou. O que deixou o líder do CDS eufórico. Tanto que, na apresentação da agora candidata, houve quem encontrasse no entusiasmo de Portas uns sinais de Luís Filipe Vieira na hora de mostrar as vedetas compradas todos os anos.

A felicidade de Paulo Portas transborda para quem se arrisca a comentar a aquisição. Nos elogios, o líder do CDS até destaca o facto de Isabel Neto usar um piercing no nariz.

É uma autêntica revolução no partido.

O Evangelho segundo Saramago


Com algum relativo atraso - ai, as férias... - não resisto em publicar o que me chegou na caixa de correio. O título também foi me oferecido. Com a devida vénia...

Em casa de ferreiro...

A Comissão Europeia, que tenta organizar os países da UE na resposta à pandemia de gripe e não se cansa de dar palpites sobre o assunto, é a única das três instituições comunitárias mais importantes a não dispor de um Plano de Contingência, nem a ter adoptado qualquer tipo de medidas específicas para fazer face a um eventual surto. Nem sequer uma informaçãozinha aos seus eurocratas, algo que o Conselho de Ministros e o Parlamento Europeu têm vindo a fazer.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Outra vez os chineses...

Durão Barroso gosta de mostrar que já exorcizou o seu passado maoísta. Não só através do currículo político e por ter chegado onde chegou, mas também por se dar ao luxo de fazer humor com os seus anos de juventude.

Mas hoje esse passado voltou a ser-lhe atirado à cara de uma forma algo inesperada. O verde franco-alemão, Daniel Cohn-Bendit (que apesar de representar apenas 55 eurodeputados está apostado em tornar-se na némesis de Durão), lançou uma nova investida contra um segundo mandato de Barroso à frente da Comissão.

Depois de acusar Barroso de ser “um bom director de pequeno-almoço”, incapaz de afrontar os grandes países da União e de só apresentar propostas “depois de telefonar para as capitais”, Cohn-Bendit lançou para cima da mesa um nome alternativo: o do conservador britânico Chris Patten.

Além de ex-candidato à presidência da Comissão, o actual reitor de Oxford é extremamente prestigiado nos círculos europeus e nas fileiras do PPE, o partido que apoia Barroso. E é e será “o último governador de Hong Kong”, cuja reputação internacional foi construída à custa de bater o pé a Pequim. E Dany le Rouge fez questão de sublinhar que se Patten “foi capaz de enfrentar os chineses, pode muito bem enfrentar Sarkozy e Merkel”.

Que irritação!

Ainda não deu para perceber se é defeito ou feitio. Mas a verdade é que neste primeiro dia da primeira sessão do novo PE Vital Moreira estava muito irritado com qualquer coisa. Depois de sair do hemiciclo, onde ocupa uma das últimas filas, Vital virou costas aos jornalistas que procuravam entrevistar os novos eurodeputados portugueses e disse que não queria prestar declarações. Questionado sobre se tal silêncio se iria manter durante toda a sessão (que dura até quinta-feira), disparou um peremptório “Não, é não!”, enquanto avançava para a cafetaria.

No regresso, e após nova insistência, o cabeça de lista do PS atirou no mesmo tom impaciente que “já disse que só falo amanhã”. A cafeína ajuda, mas não opera milagres.

Quem parece estar a achar piada aos humores de Vital são os seus colegas de bancada. Assim que soube do sucedido, uma eurodeputada aproximou-se dos jornalistas para deixar o recado: “se ele não quer falar, já sabem que podem falar comigo”.

Santas emissões

No discurso com que assinalou a sua eleição hoje para a presidência do Parlamento Europeu (PE), o ex-primeiro-ministro polaco, Jerzy Buzek, referiu várias prioridades políticas para o seu mandato, entre as quais destacou a luta contra as alterações climáticas e a necessidade de se reduzir radicalmente as emissões de CO2. No final, o antigo líder do Solidariedade ofereceu ao seu predecessor uma imagem de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros. Feita em carvão.

Euromasoquismo

O Parlamento Europeu organizou na segunda-feira à tarde uma cerimónia de despedida para os eurodeputados que não foram reeleitos (quase metade do anterior hemiciclo). Um espectáculo de contornos masoquistas: os “ex” eram chamados um a um para receber uma medalha e um diploma do ainda presidente (que foi reeleito) e tirarem uma foto ao lado do dito.

À cerimónia assistiam apenas os outros “ex” que aplaudiam alguns nomes. Os mais aplaudidos eram os que conseguiram granjear alguma projecção e o respeito dos pares, ou os que tinham as respectivas claques nacionais mais bem organizadas. Muitos ouviram o seu nome ecoar na sala sem qualquer reacção ou pontuados pelo aplauso solitário de algum amigo ou compatriota.

Alguns tiveram o bom senso de pedir para não ser “convocados” e discretamente lá foram recolher o souvenir no fim. Um longo e penoso cerimonial que poderia constituir uma esplêndida base de dados para um estudo sobre como as expressões faciais reflectem o que vai na alma de um ser humano.

Poema para um tempo que vai passar

Cinzas, vergões, renúncias, cicatrizes,
Laceram-nos a esperança, mas dão outra.
Essa em que a dor nos faz criar raízes,
Árvore e fruto de uma seiva nova

Dos abismos da ira levantamos
As vozes, os protestos e as trombetas.
Só nos ouvimos quando nos calamos
E em vez de arautos nos tornamos poetas

....

José Carlos Ary dos Santos, "Morte e transfiguração"

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Cuidado, ele promete voltar


"I'll be back!", foi a ameaça deixada por Manuel dos Santos num e-mail de despedida enviado aos demais eurodeputados, não hesitando em plagiar o Terminator de 1984 para deixar claro o seu íntimo desejo de continuar pela Europa.


É que a experiência europeia de Manuel dos Santos tem sido vivida no fio da navalha. Tal como em 2004 apenas entrou para o PE devido ao falecimento de Sousa Franco em plena campanha, desta feita, “não tendo sido eleito por poucos votos”, aposta tudo no abandono de algum dos seus sete camaradas de partido eleitos a 7 de Junho.


Nem que para isso tenha que engolir o sapo de ver Ana Gomes ou Elisa Ferreira ganharem as câmaras municipais a que se candidatam. Cenários remotos, mas ainda assim as possibilidades mais plausíveis para dos Santos. E sonhar é viver.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Daqui não saio, daqui ninguém me tira!

Ribeiro e Castro está a levar à letra a máxima que diz que os mandatos são para cumprir até ao fim. E “fim”, neste caso, é mesmo o finzinho de tudo, o último minuto, da última hora, do último dia e não, por exemplo, o dia em que tiveram lugar as eleições europeias.

A cinco dias da tomada de posse dos novos eurodeputados e do fim do mandato dos (ainda) actuais (três dias, se não contarmos com o fim-de-semana), Ribeiro e Castro continua a receber respostas a perguntas que dirigiu à Comissão Europeia e a partilhar o respectivo conteúdo.

O comunicado de imprensa da mais recente resposta da comissária da agricultura (é prematuro afirmar que foi a última) garante que “mais uma vez se confirma que o desleixo do Ministério da Agricultura em Portugal prejudica os agricultores portugueses”.

Se ficou alguma pergunta por responder, é bom que Ribeiro e Castro não se esqueça de indicar a nova morada à Comissão Europeia. Em alternativa poderá sempre contar com a simpatia de Nuno Melo e Diogo Feio para lhe levarem as cartas que continuem a chegar em seu nome, quando forem passar os fins de semana a Portugal.

Barroso entalado

Não, desta vez não foi Nicolas Sarkozy, nem o Parlamento Europeu. Foi um simples elevador, onde Barroso e comitiva ficaram presos ontem ao fim da tarde durante cerca de 20 minutos e de onde o presidente da Comissão Europeia saiu a suar em bica.

Os informadores do Correio Preto no local garantem que Durão não é claustrofóbico, mas que o facto de tudo ter acontecido na cidade italiana de L’Aquila, onde ainda há pouco tempo a terra tremeu, terá sido decisivo para acelerar a batida cardíaca e encharcar a camisa do eurocrata nº 1 durante aqueles intermináveis 20 minutos.

terça-feira, 7 de julho de 2009

A internacionalização do disparate

Como se não bastasse a "perfomance" de Manuel Pinho, o Mundo voltou a assistir a outra caricatura portuguesa: em conferência de imprensa, que até mereceu um longo directo da CNN, Cristiano Ronaldo respondia a perguntas de uma jornalista portuguesa sobre a... namorada. Esta pergunta e mais uns disparates parecidos é que ilustram bem a inteligência que brota daquelas conferências de imprensa. No rídiculo internacional, os corninhos do ex-ministro são apenas infantilidades. O resto parece ser atávico.

O convertido e o ventríloquo

Foi bonito assistir ao empolgamento de Nuno Morais Sarmento, esta noite, no "Prós&Contras" da RTP. Depois de andar uns tempos desaparecidos, eis que o antigo ministro volta a falar em "nós" quando se refere ao PSD e até já traça planos de governação e rejeita cenários, convicto que os sociais-democratas vencem as próximas eleições.
A última vez que o ouvi a falar, em público, foi num almoço organizado pelo "American Club" em que o convidado era... Paulo Rangel. Nessa altura - antes das eleições europeias, note-se - Morais Sarmento fez uma intervenção e apenas para dizer que não via "diferenças nenhumas" entre Rangel e Vital Moreira. Mudam-se os resultados, mudam-se as vontades.

Foi bonito também assistir, no mesmo programa, Nuno Melo a falar sobre criminalidade, lendo as cábulas. E lá vimos o deputado do CDS, de olhos postos na secretária, a dizer que "há mais crimes, mas menos criminosos nas cadeias" e que "há mais crimes, mas leis mais brandas". Bem que ele poderia ter decorado. Mesmo ausente, Paulo Portas é quase como Deus: está em todo o lado, nem que seja em papelinhos brancos, tamanho A5.

domingo, 5 de julho de 2009

Não, não é ministro da Economia

E deve perceber tanto de números como o Mário Soares.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Pudor lusitano. Ou como pegar o touro pelos cornos.

Segundo o Público, o que Manuel Pinho fez foi “um gesto impróprio - fez um par de chifres com os dedos”. A TSF descreve a atitude do ex-ministro como um “gesto considerado insultuoso”. O “i” viu “dois corninhos” apontados à bancada do PCP.

Pelos vistos é preciso dar um saltinho fora de portas para que os bois sejam chamados pelos nomes. Literalmente. O El País titula que Pinho se demitiu “depois de chamar cornudo” a um deputado e a BBC explica que “tradicionalmente os cornos identificam um homem cuja mulher é infiel”.

Europe's West Cornos (*)

Ao encostar os indicadores à cabeça (Chifres? Cornos? Antenas? “Olha, mãe, estou mais alto”?), Manuel Pinho fez mais pela projecção da imagem de Portugal no mundo do que os milhões de euros que gastou em campanhas duvidosas, do tipo Allgarve ou Portugal – Europe’s western coast.

E tudo isto sem gastar um cêntimo do dinheiro dos contribuintes. E ainda dizem que o homem era mau ministro.
(*) - título do post roubado ao primeiro comentário (o original era muito menos engraçado - "O génio incompreendido de Manuel Pinho"). Com a devida vénia ao verdadeiro autor.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Poderia ter sido pior


Vá lá, no ex-gabinete de Manuel Pinho, no Ministério da Economia, até voavam dossiês pelas janelas.

Dois dedos valem mais do que mil manifestações

O PCP andou, durante quatro anos, a organizar manifestações e protestos. 100 mil professores na rua, polícias a atirar com os chapéus, mais de 50 mil cartões vermelhos mostrados ao Tribunal Constitucional, outros milhares de militantes nas ruas, os gritos nas festas do Avante, os protestos nos primeiros de Maio e tanto barulho para nada. Bastaram dois dedos - dois únicos dedos - e caiu um ministro.

A Soares o que é de Soares

A esperteza saloia do Bloco de Esquerda já deu nisto: a página esquerda.net relaciona a má criação de Manuel Pinho como dirigida à bancada dos bloquistas. O gesto é feio, é certo, digno de qualquer tasca, mas pretendia insultar o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares. Aquela velha táctica de apagar fotos também serve para acrescentar factos.

Vendedor de banha da cobra cor-de-rosa


O líder da bancada socialista no PE, o alemão Martin Schulz (é o brincalhão do lado direito), deu hoje um triste espectáculo, ao tentar explicar a posição do seu grupo em relação a Durão Barroso.

No dia 19 de Junho, depois de os líderes dos 27 terem decidido dar a Barroso o apoio político unânime para um segundo mandato (sem formalizarem a nomeação para poderem proceder a consultas com o PE), Schulz considerou a decisão “totalmente inaceitável”, por não prever “uma consulta completa e oficial” com o PE. Agora, plagiando a posição do grupo liberal, lá reparou que “a proposta é apenas política, não é formal”, pelo que o PE… não pode proceder à votação.

Afirmou de forma solene e categórica que recusará qualquer entendimento com o PPE que envolva o novo grupo conservador anti-federalista, criado em torno dos tories britânicos. Mas esqueceu-se dos inúmeros acordos e votações conjuntas que levou a cabo com o PPE nas legislaturas anteriores, quando este grupo incluía… os tories e outros partidos que também participam no novo grupo.

O PSE perdeu as eleições europeias (o SPD de Schulz averbou o pior resultado de sempre), os socialistas fazem parte de meia dúzia dos 27 governos da União. Ainda assim, não se coibiu de exigir que, na futura Comissão, as pastas da indústria, ambiente, social, desenvolvimento, comércio e mercado interno sejam entregues a socialistas. E, já que estamos a pedir, porque não acrescentar a presidência da Comissão à lista?

Garantiu a pés juntos que, em 2004, Barroso foi nomeado na Cimeira da Primavera (que decorre em Março) e o PE teve vários meses para proceder a audições e o votar em Julho. Quando na realidade Barroso foi nomeado numa cimeira extraordinária convocada exclusivamente para esse efeito no final de Junho. E o PE, socialistas incluídos, aceitou proceder à votação passadas duas semanas, sem programas, nem nada do que agora se exige.

Schulz diz que não gosta de Barroso, nem das suas políticas, por isso… votará contra Durão caso o PE decida proceder a este voto já em Julho. E se o voto for adiado para depois do Verão, como defende o PSE? Bem, então logo que se vê.

Será que esta determinação e coragem têm alguma coisa a ver com o facto de Schulz não querer antagonizar completamente o PPE (maior grupo do PPE, que apoia Barroso e o quer votar já em Julho), na esperança de renovar o tradicional “acordo técnico” com os democratas-cristãos, garantido assim a presidência do PE para a sua pessoa na segunda metade do mandato? Depois de 15 anos no quase anonimato de Estrasburgo, este é um devaneio tão legítimo como qualquer outro.

Novela Barroso

Com a entrada em cena do novo Parlamento Europeu, o processo para a recondução de Durão à frente da Comissão Europeia passou a assumir os contornos de telenovela. Mexicana ou venezuelana, é o que ainda está por definir.

Para fazer com que o PE se sentisse envolvido no processo e por não terem a certeza de que Barroso teria aí garantida a maioria necessária, os líderes dos 27 optaram por apenas apoiar politicamente Durão para um segundo mandato, sem no entanto formalizarem a decisão. Mas deixando claro que o poderiam fazer de forma rápida a tempo da sessão plenária de Julho, logo após procederam a uma série de contactos com os representantes das novas famílias políticas do PE, que resultaram das eleições de 7 de Junho.

Tendo em conta a repartição de forças entre os diferentes grupos políticos, parece (embora não seja 100% certo, até porque o voto é secreto) que Barroso dispõe da maioria necessária à sua aprovação (conta com o apoio do PPE, do novo grupo conservador, de parte dos socialistas e de parte dos liberais). Além de que não há nenhum nome alternativo….

Mas acontece que, antes, o PE tem que decidir agendar o assunto na ordem do dia. E aí não existe uma maioria clara, pois se é inevitável que os grupos se dividam na hora do voto, já na hora de estabelecer a agenda, cada grupo conta como um bloco.

E é nesta questão de procedimento que os socialistas europeus, os grandes derrotados das últimas eleições, estão a investir todo o seu peso, no que parece ser um esforço desesperado de mostrar que ainda riscam qualquer coisa.

Porque enquanto os Verdes, com a pujança dos seus 50 deputados (em 736…) dizem claramente que esperam que o atraso permita a emergência de um candidato alternativo a Barroso, os socialistas nem isso têm coragem para assumir.

E até decidiram imitar os liberais na utilização do argumento de que o PE não pode votar Barroso, porque ele não foi formalmente nomeado (esquecendo-se de acrescentar que ele não foi formalmente nomeado precisamente para não melindrar o PE e permitir uma “auscultação” a que nenhum Tratado obriga).

E assim vai a política europeia, depois de umas eleições marcadas pela maior taxa de abstenção de sempre. Mas isso já é passado.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Abram alas à diversão!

Pedro Santana Lopes regressou. E com ele alguns momentos, gente e ideias que já provocava saudades. A começar pelas "santanetes" que não deixaram de aparecer: loiras, ruivas, morenas e até uma de cabelo verde. Acotovelavam-se para beijar o candidato, felizes por mostrar o bronzeado e a última operação plástica. Uma delas foi mesmo arrastada por um braço, pelo marido, para dar "um beijo ao Pêdo".
E chegaram mulheres do Algarve. Cada uma com um colar de plástico ao pescoço, identificando a terra de origem. Vieram de Albufeira, Faro, Tavira e Lagos.
E, num partido cuja líder detesta o espectáculo, houve um hino cantado no palco, écran gigante com três filmes (um deles com recurso à animação em computador), paredes forradas a verde, distribuição de brochuras luxuosas e até ofertas de uma pen.
E houve o candidato em palco, sozinho, ora debruçado, ora inclinado, ora hirto.
E surgiram as ideias: mais um túnel a atravessar o centro de Lisboa, mas Santana Lopes garante que quer reduzir o número de carros na cidade; de novo o Parque Mayer e novamente com Frank Ghery, "nem que seja preciso criar uma comissão arbitral"; mais jardins em vez de urbanizações; e outras coisas mais que cabiam em qualquer programa de qualquer partido.
Mas, desta vez, não houve direito à promessa de uma piscina em cada bairro.

Fica-lhe bem esses sentimentos de solidariedade

Pedro Santana Lopes acusou hoje a actual gestão da câmara de Lisboa de querer expulsar as pessoas que vivem na rua Brancamp e nas avenidas da Liberdade e Fontes Pereira de Melo. E isso, garante ele, preocupa-o. Assim, de repente, só conheço uma pessoa que vive na Brancamp: José Sócrates. Havia também um espanhol, mas foi despedido e voltou para a terra.

Por onde andaria Dias Loureiro?

Esta tarde, Pedro Santana Lopes juntou, no Jardim do Arco do Cego, em Lisboa, dirigentes actuais e antigos do PSD e mais uns amigos na apresentação oficial da sua candidatura à Câmara de Lisboa. Estavam, por lá, Manuela Ferreira Leite, Arlindo de Carvalho, Mota Amaral, José Luís Arnaut, Mafalda Lopes da Costa e tantos, tantos outros. Faltou Dias Loureiro. Consta que andava com outros afazeres.

Mistura explosiva

Juntar a justiça com o futebol só podia dar nisto: há eleições no Benfica? Haverá, algum dia, eleições no Benfica?