sexta-feira, 31 de julho de 2009

Todos?!! Quem??

Paulo Campos, em entrevista à SIC-Notícias, depois de ter confirmado ter feito uma abordagem a Joana Amaral Dias:

"Lamento imenso esta figura que todos nós estamos a fazer"

Auto-cozinhado em lume brando


"Desminto ter convidado a dra Joana Amaral Dias", a 29 de Julho.

"Eu indaguei a dra Joana Amaral Dias da possibilidade de se candidatar nas listas do PS. Mas não foi um convite", a 31 de Julho.
Depois disto, percebe-se melhor as razões que levam Paulo Campos a não estar, ele próprio, em qualquer lista do PS candidata às próximas eleições.

Eis um membro do Governo atento à realidade

Paulo Campos, secretário de Estado, confessou hoje na SIC-Notícias que "nem sequer sabia o que era o IDT". Se alguém o encontrar por aí, ofereçam-lhe este endereço: http://www.idt.pt/PT/Paginas/HomePage.aspx.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Assalto à mão desarmada


Um contribuinte entrega a declaração do IRS com um dia de atraso e, por isso, é penalizado em 50 euros. Liquidada a multa, o mesmo contribuinte recebe outra notificação das Finanças, desta vez, a exigir novo pagamento de 125 euros. Por, justifica o papelinho do Fisco, ter entregue a declaração de IRS fora do prazo.

Um assalto destes só pode provocar um sentimento de solidariedade com outros assaltantes, os tais que Paulo Portas tanto condena. Estes, pelo menos, são mais honestos: quando roubam, mostram a arma e não deixam dúvidas a ninguém que estão a roubar. Não se refugiam em subtilezas legislativas ou de decretos. São bem mais confiáveis e, em comparação com o Fisco, merecem mais respeito.

Os disparates que eles dizem

Já perdi a conta à quantidade de vezes que o PS - e, já agora, o Governo - se serviu do CCB para apresentar as suas iniciativas. Como aconteceu hoje na apresentação do programa socialista. De todas as vezes, recordo-me sempre de uma frase de Alberto Martins, o ainda líder parlamentar do PS, dita na altura da inauguração do mesmo CCB:

"O CCB é uma montanha de betão absolutamente inútil"

E não é de agora que se percebe como tem sido verdadeiramente inútil aquela montanha de betão para o PS.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Há avenidas mais iguais do que outras

Há uma avenida em Lisboa muito especial. Liga o quartel do Ralis à rotunda de Moscavide, dá pelo nome de Av. Alfredo Bensaúde, e tem a particularidade de não ter muitos prédios, mas tem um túnel, três faixas de rodagem para cada lado e é ladeada, por uma laboratório e pelo colégio São Miguel Arcanjo. No final da avenida (ou início conforme o sentido), há uns prédios que serviram para realojar antigos habitantes de barracas. De outro lado, existem umas vivendas cujos habitantes, mais afastados da avenida, nem têm qualquer ligação com ela.

Apesar disto, esta a avenida é seguramente a mais rigorosamente vigiada de Lisboa. Ali, já construiram um viaduto para pedestres; introduziram as irritantes e altas lombas; quase todos os dias, havia uma operação da BT da GNR; e, por fim, muniram toda a avenida de semáforos e radares que, em conjunto, controlam a velocidade ao metro.

É um autêntico mistério o investimento que se fez ali (e que se continua a fazer) para travar a velocidade. Nem outras avenidas, em Lisboa, recheadas de prédios de habitação, escritórios ou escolas e sobretudo altamente movimentadas merecem uma atenção tão empenhada.
O que me aguça a curiosidade: quem será que estuda naquele colégio? Quem será o pai zeloso que tratou de cuidar da segurança do filho?

Afinal, há soluções rápidas para a gripe

Manuela Ferreira Leite curou-se rapidamente da maleita que a apoquentava. Bastou terminar o comício do Chão da Lagoa. Nem a aspirina, da Bayer, é assim tão eficiente.

domingo, 26 de julho de 2009

O mal-amado...até no PS

Já se sabia que o ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, não é propriamente um bem-querido dentro do PS e até do Governo. Aliás, conta-se que, de vez em quando, o ministro recebe uma reprimenda de Pedro Silva Pereira em pleno Conselho de Ministros que, veladamente, trata de lhe explicar que ele tutela "apenas" a Cultura. Também é voz corrente que a escolha de Pinto Ribeiro foi motivada por um erro no contacto telefónico.
Talvez para provar que ele é o homem errado no sítio errado, os amigos socialistas, agrupados num blogue de apoio a Sócrates e ao PS, não o poupam. Era suposto que o blogue apoiasse as medidas do Governo. E deve cumprir a missão para que foi criado, mas Pinto Ribeiro deve ser a excepção.

sábado, 25 de julho de 2009

O exemplo

João Tiago Silveira, o porta-voz do PS, não vai ser candidato a deputado nas próximas eleições por vontade própria. Pelo currículo - secretário de Estado, professor universitário... - pelo que tem combatido a burocracia neste país e por ser porta-voz do partido, Tiago Silveira até poderia entrar no Parlamento no lugar que quisesse. Mas não quis, argumentando que se "sente mais útil noutra actividade política" e não negando o apoio total - como ele diz, "a 300 por cento" - a José Sócrates e ao PS.

Numa altura em que uns lamuriam, barafustam, gritam, protestam por não constarem em nenhuma lista, em que outros choram, imploram, humilham-se por um lugarzinho no Parlamento e outros sentem-se altamente capacitados para serem deputados, a atitude de João Tiago Silveira é um exemplo. E uma indirecta a muita gente, incluíndo a algumas figuras do seu próprio partido.

Passou-lhe um TGV por cima

No campeonato das Obras Públicas, que se disputa internamente no PS, o resultado, por enquanto, está assim: Ana Paula Vitorino 1 Paulo Campos 0.
Ah, Paulo Campos não consta de nenhuma lista candidata às próximas eleições legislativas. Ana Paula Vitorino é a nº 3 pelo distrito do Porto.

TGV do Porto a Guarda em 90 minutos

Francisco Assis saiu da reunião do PS, às 23.30, garantindo que estava em sétimo lugar na lista do Porto candidata à Assembleia da República. Perto da uma hora da manhã, surgiu como cabeça-de-lista pelo distrito da Guarda.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Dinastia socialista

O que têm em comum Luís Gonelha, Paulo Campos, Maria Antónia Almeida Santos, Afonso Candal, João Soares, Catarina Mesquita Machado? São todos filhos de dirigentes do PS e actuais deputados e/ou futuros deputados.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

WIP

O PSD já prometeu apresentar um programa minimalista, anunciado pelo vice-presidente Aguiar Branco. Tem lógica. É um programa Work in Progress. Adapta-se a qualquer circunstância, a qualquer momento, a qualquer lógica, a qualquer ideia, conforme os caprichos do vento. E é bem mais fácil a defesa: ninguém vai poder atacar o PSD por não ter cumprido o programa eleitoral.

Hipocrisias destapadas

A Assembleia da República babou-se de elogios a Manuel Alegre, na hora da despedida. Não vai ser candidato e assim termina hoje a sua missão de 34 anos. Na memória do Parlamento, fica o preâmbulo da Constituição que saiu do seu punho e as guerras que fez ao Governo de José Sócrates, especialmente nos últimos dois anos.
Parece pouco para 34 anos de actividade. A mim e talvez a outros que resolveram despejar elogios. Por isso, José Lello, deputado do PS e dirigente socialista, escreveu esta frase que resume uma parte da sessão parlamentar:

"Panegíricos, petições, hipocrisias várias e campanhas eleitorais encapotadas"

Admirável mundo novo

Matilde Sousa Franco, deputada do PS, mas sem filiação partidária, despediu-se esta tarde do Parlamento onde esteve durante quatro anos. Além de lamentar ter de respeitar a disciplina de voto, Matilde Sousa Franco sublinhou, no seu discurso final, uma ideia que teve e que gostaria de ver concretizada: a criação da cadeira de Educação para a Felicidade, a ser ministrada do 1º ao 12º ano. Entre os temas obrigatórios, a referida cadeira teria temas tão diversos como "amor", "alegrias", "desgostos", "frustações" e "paz". Só faltam os passarinhos, as flores e as borboletas no ar.

Rebuçados que duram uma manhã

Beneméritos como só eles sabem ser, os homens que dirigem os trabalhos na Assembleia da República resolveram dar os lugares às suas colegas. Assim, pela primeira vez, o Parlamento tem, nesta manhã, na mesa da presidência, quatro mulheres: Celeste Correia e Rosa Albernaz, do PS, Ofélia Moleiro, do PSD, e Teresa Caeiro, do CDS. São quatro e todas louras. E por um dia - por um único dia - dirigem os trabalhos. Mas como tal como os rebuçados é coisa para durar pouco tempo.

terça-feira, 21 de julho de 2009

O que importa mesmo é aparecer que as listas estão a ser elaboradas

O PS realizou mais um encontro das "Novas Fronteiras" dedicado, desta vez, à saúde. No elevador, do Museu do Oriente, onde se realizou o encontro, houve este diálogo, entre duas senhoras, numa versão mais avançada de "santanetes":

- E hoje qual vai ser o tema?
- Não sei. Acho que é sobre a saúde
- Ah... não sabia. Mas também é importante

Todos os caminhos vão dar a Angola

Já aqui tinha assinalado o interesse mundial por Angola. Um beija-mão a José Eduardo dos Santos, à escala planetária, em que só faltava Obama. É certo que ele ainda não marcou uma visita, mas mandou a sua secretária de Estado. Hillary Clinton vai aterrar em Luanda, na primeira semana de Agosto. Os EUA não querem perder o comboio.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O piercing da direita


Paulo Portas convidou Isabel Galriça Neto, a presidente da Associação de Cuidados Paliativos, para integrar a lista de deputados. E ela aceitou. O que deixou o líder do CDS eufórico. Tanto que, na apresentação da agora candidata, houve quem encontrasse no entusiasmo de Portas uns sinais de Luís Filipe Vieira na hora de mostrar as vedetas compradas todos os anos.

A felicidade de Paulo Portas transborda para quem se arrisca a comentar a aquisição. Nos elogios, o líder do CDS até destaca o facto de Isabel Neto usar um piercing no nariz.

É uma autêntica revolução no partido.

O Evangelho segundo Saramago


Com algum relativo atraso - ai, as férias... - não resisto em publicar o que me chegou na caixa de correio. O título também foi me oferecido. Com a devida vénia...

Em casa de ferreiro...

A Comissão Europeia, que tenta organizar os países da UE na resposta à pandemia de gripe e não se cansa de dar palpites sobre o assunto, é a única das três instituições comunitárias mais importantes a não dispor de um Plano de Contingência, nem a ter adoptado qualquer tipo de medidas específicas para fazer face a um eventual surto. Nem sequer uma informaçãozinha aos seus eurocratas, algo que o Conselho de Ministros e o Parlamento Europeu têm vindo a fazer.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Outra vez os chineses...

Durão Barroso gosta de mostrar que já exorcizou o seu passado maoísta. Não só através do currículo político e por ter chegado onde chegou, mas também por se dar ao luxo de fazer humor com os seus anos de juventude.

Mas hoje esse passado voltou a ser-lhe atirado à cara de uma forma algo inesperada. O verde franco-alemão, Daniel Cohn-Bendit (que apesar de representar apenas 55 eurodeputados está apostado em tornar-se na némesis de Durão), lançou uma nova investida contra um segundo mandato de Barroso à frente da Comissão.

Depois de acusar Barroso de ser “um bom director de pequeno-almoço”, incapaz de afrontar os grandes países da União e de só apresentar propostas “depois de telefonar para as capitais”, Cohn-Bendit lançou para cima da mesa um nome alternativo: o do conservador britânico Chris Patten.

Além de ex-candidato à presidência da Comissão, o actual reitor de Oxford é extremamente prestigiado nos círculos europeus e nas fileiras do PPE, o partido que apoia Barroso. E é e será “o último governador de Hong Kong”, cuja reputação internacional foi construída à custa de bater o pé a Pequim. E Dany le Rouge fez questão de sublinhar que se Patten “foi capaz de enfrentar os chineses, pode muito bem enfrentar Sarkozy e Merkel”.

Que irritação!

Ainda não deu para perceber se é defeito ou feitio. Mas a verdade é que neste primeiro dia da primeira sessão do novo PE Vital Moreira estava muito irritado com qualquer coisa. Depois de sair do hemiciclo, onde ocupa uma das últimas filas, Vital virou costas aos jornalistas que procuravam entrevistar os novos eurodeputados portugueses e disse que não queria prestar declarações. Questionado sobre se tal silêncio se iria manter durante toda a sessão (que dura até quinta-feira), disparou um peremptório “Não, é não!”, enquanto avançava para a cafetaria.

No regresso, e após nova insistência, o cabeça de lista do PS atirou no mesmo tom impaciente que “já disse que só falo amanhã”. A cafeína ajuda, mas não opera milagres.

Quem parece estar a achar piada aos humores de Vital são os seus colegas de bancada. Assim que soube do sucedido, uma eurodeputada aproximou-se dos jornalistas para deixar o recado: “se ele não quer falar, já sabem que podem falar comigo”.

Santas emissões

No discurso com que assinalou a sua eleição hoje para a presidência do Parlamento Europeu (PE), o ex-primeiro-ministro polaco, Jerzy Buzek, referiu várias prioridades políticas para o seu mandato, entre as quais destacou a luta contra as alterações climáticas e a necessidade de se reduzir radicalmente as emissões de CO2. No final, o antigo líder do Solidariedade ofereceu ao seu predecessor uma imagem de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros. Feita em carvão.

Euromasoquismo

O Parlamento Europeu organizou na segunda-feira à tarde uma cerimónia de despedida para os eurodeputados que não foram reeleitos (quase metade do anterior hemiciclo). Um espectáculo de contornos masoquistas: os “ex” eram chamados um a um para receber uma medalha e um diploma do ainda presidente (que foi reeleito) e tirarem uma foto ao lado do dito.

À cerimónia assistiam apenas os outros “ex” que aplaudiam alguns nomes. Os mais aplaudidos eram os que conseguiram granjear alguma projecção e o respeito dos pares, ou os que tinham as respectivas claques nacionais mais bem organizadas. Muitos ouviram o seu nome ecoar na sala sem qualquer reacção ou pontuados pelo aplauso solitário de algum amigo ou compatriota.

Alguns tiveram o bom senso de pedir para não ser “convocados” e discretamente lá foram recolher o souvenir no fim. Um longo e penoso cerimonial que poderia constituir uma esplêndida base de dados para um estudo sobre como as expressões faciais reflectem o que vai na alma de um ser humano.

Poema para um tempo que vai passar

Cinzas, vergões, renúncias, cicatrizes,
Laceram-nos a esperança, mas dão outra.
Essa em que a dor nos faz criar raízes,
Árvore e fruto de uma seiva nova

Dos abismos da ira levantamos
As vozes, os protestos e as trombetas.
Só nos ouvimos quando nos calamos
E em vez de arautos nos tornamos poetas

....

José Carlos Ary dos Santos, "Morte e transfiguração"

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Cuidado, ele promete voltar


"I'll be back!", foi a ameaça deixada por Manuel dos Santos num e-mail de despedida enviado aos demais eurodeputados, não hesitando em plagiar o Terminator de 1984 para deixar claro o seu íntimo desejo de continuar pela Europa.


É que a experiência europeia de Manuel dos Santos tem sido vivida no fio da navalha. Tal como em 2004 apenas entrou para o PE devido ao falecimento de Sousa Franco em plena campanha, desta feita, “não tendo sido eleito por poucos votos”, aposta tudo no abandono de algum dos seus sete camaradas de partido eleitos a 7 de Junho.


Nem que para isso tenha que engolir o sapo de ver Ana Gomes ou Elisa Ferreira ganharem as câmaras municipais a que se candidatam. Cenários remotos, mas ainda assim as possibilidades mais plausíveis para dos Santos. E sonhar é viver.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Daqui não saio, daqui ninguém me tira!

Ribeiro e Castro está a levar à letra a máxima que diz que os mandatos são para cumprir até ao fim. E “fim”, neste caso, é mesmo o finzinho de tudo, o último minuto, da última hora, do último dia e não, por exemplo, o dia em que tiveram lugar as eleições europeias.

A cinco dias da tomada de posse dos novos eurodeputados e do fim do mandato dos (ainda) actuais (três dias, se não contarmos com o fim-de-semana), Ribeiro e Castro continua a receber respostas a perguntas que dirigiu à Comissão Europeia e a partilhar o respectivo conteúdo.

O comunicado de imprensa da mais recente resposta da comissária da agricultura (é prematuro afirmar que foi a última) garante que “mais uma vez se confirma que o desleixo do Ministério da Agricultura em Portugal prejudica os agricultores portugueses”.

Se ficou alguma pergunta por responder, é bom que Ribeiro e Castro não se esqueça de indicar a nova morada à Comissão Europeia. Em alternativa poderá sempre contar com a simpatia de Nuno Melo e Diogo Feio para lhe levarem as cartas que continuem a chegar em seu nome, quando forem passar os fins de semana a Portugal.

Barroso entalado

Não, desta vez não foi Nicolas Sarkozy, nem o Parlamento Europeu. Foi um simples elevador, onde Barroso e comitiva ficaram presos ontem ao fim da tarde durante cerca de 20 minutos e de onde o presidente da Comissão Europeia saiu a suar em bica.

Os informadores do Correio Preto no local garantem que Durão não é claustrofóbico, mas que o facto de tudo ter acontecido na cidade italiana de L’Aquila, onde ainda há pouco tempo a terra tremeu, terá sido decisivo para acelerar a batida cardíaca e encharcar a camisa do eurocrata nº 1 durante aqueles intermináveis 20 minutos.

terça-feira, 7 de julho de 2009

A internacionalização do disparate

Como se não bastasse a "perfomance" de Manuel Pinho, o Mundo voltou a assistir a outra caricatura portuguesa: em conferência de imprensa, que até mereceu um longo directo da CNN, Cristiano Ronaldo respondia a perguntas de uma jornalista portuguesa sobre a... namorada. Esta pergunta e mais uns disparates parecidos é que ilustram bem a inteligência que brota daquelas conferências de imprensa. No rídiculo internacional, os corninhos do ex-ministro são apenas infantilidades. O resto parece ser atávico.

O convertido e o ventríloquo

Foi bonito assistir ao empolgamento de Nuno Morais Sarmento, esta noite, no "Prós&Contras" da RTP. Depois de andar uns tempos desaparecidos, eis que o antigo ministro volta a falar em "nós" quando se refere ao PSD e até já traça planos de governação e rejeita cenários, convicto que os sociais-democratas vencem as próximas eleições.
A última vez que o ouvi a falar, em público, foi num almoço organizado pelo "American Club" em que o convidado era... Paulo Rangel. Nessa altura - antes das eleições europeias, note-se - Morais Sarmento fez uma intervenção e apenas para dizer que não via "diferenças nenhumas" entre Rangel e Vital Moreira. Mudam-se os resultados, mudam-se as vontades.

Foi bonito também assistir, no mesmo programa, Nuno Melo a falar sobre criminalidade, lendo as cábulas. E lá vimos o deputado do CDS, de olhos postos na secretária, a dizer que "há mais crimes, mas menos criminosos nas cadeias" e que "há mais crimes, mas leis mais brandas". Bem que ele poderia ter decorado. Mesmo ausente, Paulo Portas é quase como Deus: está em todo o lado, nem que seja em papelinhos brancos, tamanho A5.

domingo, 5 de julho de 2009

Não, não é ministro da Economia

E deve perceber tanto de números como o Mário Soares.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Pudor lusitano. Ou como pegar o touro pelos cornos.

Segundo o Público, o que Manuel Pinho fez foi “um gesto impróprio - fez um par de chifres com os dedos”. A TSF descreve a atitude do ex-ministro como um “gesto considerado insultuoso”. O “i” viu “dois corninhos” apontados à bancada do PCP.

Pelos vistos é preciso dar um saltinho fora de portas para que os bois sejam chamados pelos nomes. Literalmente. O El País titula que Pinho se demitiu “depois de chamar cornudo” a um deputado e a BBC explica que “tradicionalmente os cornos identificam um homem cuja mulher é infiel”.

Europe's West Cornos (*)

Ao encostar os indicadores à cabeça (Chifres? Cornos? Antenas? “Olha, mãe, estou mais alto”?), Manuel Pinho fez mais pela projecção da imagem de Portugal no mundo do que os milhões de euros que gastou em campanhas duvidosas, do tipo Allgarve ou Portugal – Europe’s western coast.

E tudo isto sem gastar um cêntimo do dinheiro dos contribuintes. E ainda dizem que o homem era mau ministro.
(*) - título do post roubado ao primeiro comentário (o original era muito menos engraçado - "O génio incompreendido de Manuel Pinho"). Com a devida vénia ao verdadeiro autor.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Poderia ter sido pior


Vá lá, no ex-gabinete de Manuel Pinho, no Ministério da Economia, até voavam dossiês pelas janelas.

Dois dedos valem mais do que mil manifestações

O PCP andou, durante quatro anos, a organizar manifestações e protestos. 100 mil professores na rua, polícias a atirar com os chapéus, mais de 50 mil cartões vermelhos mostrados ao Tribunal Constitucional, outros milhares de militantes nas ruas, os gritos nas festas do Avante, os protestos nos primeiros de Maio e tanto barulho para nada. Bastaram dois dedos - dois únicos dedos - e caiu um ministro.

A Soares o que é de Soares

A esperteza saloia do Bloco de Esquerda já deu nisto: a página esquerda.net relaciona a má criação de Manuel Pinho como dirigida à bancada dos bloquistas. O gesto é feio, é certo, digno de qualquer tasca, mas pretendia insultar o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares. Aquela velha táctica de apagar fotos também serve para acrescentar factos.

Vendedor de banha da cobra cor-de-rosa


O líder da bancada socialista no PE, o alemão Martin Schulz (é o brincalhão do lado direito), deu hoje um triste espectáculo, ao tentar explicar a posição do seu grupo em relação a Durão Barroso.

No dia 19 de Junho, depois de os líderes dos 27 terem decidido dar a Barroso o apoio político unânime para um segundo mandato (sem formalizarem a nomeação para poderem proceder a consultas com o PE), Schulz considerou a decisão “totalmente inaceitável”, por não prever “uma consulta completa e oficial” com o PE. Agora, plagiando a posição do grupo liberal, lá reparou que “a proposta é apenas política, não é formal”, pelo que o PE… não pode proceder à votação.

Afirmou de forma solene e categórica que recusará qualquer entendimento com o PPE que envolva o novo grupo conservador anti-federalista, criado em torno dos tories britânicos. Mas esqueceu-se dos inúmeros acordos e votações conjuntas que levou a cabo com o PPE nas legislaturas anteriores, quando este grupo incluía… os tories e outros partidos que também participam no novo grupo.

O PSE perdeu as eleições europeias (o SPD de Schulz averbou o pior resultado de sempre), os socialistas fazem parte de meia dúzia dos 27 governos da União. Ainda assim, não se coibiu de exigir que, na futura Comissão, as pastas da indústria, ambiente, social, desenvolvimento, comércio e mercado interno sejam entregues a socialistas. E, já que estamos a pedir, porque não acrescentar a presidência da Comissão à lista?

Garantiu a pés juntos que, em 2004, Barroso foi nomeado na Cimeira da Primavera (que decorre em Março) e o PE teve vários meses para proceder a audições e o votar em Julho. Quando na realidade Barroso foi nomeado numa cimeira extraordinária convocada exclusivamente para esse efeito no final de Junho. E o PE, socialistas incluídos, aceitou proceder à votação passadas duas semanas, sem programas, nem nada do que agora se exige.

Schulz diz que não gosta de Barroso, nem das suas políticas, por isso… votará contra Durão caso o PE decida proceder a este voto já em Julho. E se o voto for adiado para depois do Verão, como defende o PSE? Bem, então logo que se vê.

Será que esta determinação e coragem têm alguma coisa a ver com o facto de Schulz não querer antagonizar completamente o PPE (maior grupo do PPE, que apoia Barroso e o quer votar já em Julho), na esperança de renovar o tradicional “acordo técnico” com os democratas-cristãos, garantido assim a presidência do PE para a sua pessoa na segunda metade do mandato? Depois de 15 anos no quase anonimato de Estrasburgo, este é um devaneio tão legítimo como qualquer outro.

Novela Barroso

Com a entrada em cena do novo Parlamento Europeu, o processo para a recondução de Durão à frente da Comissão Europeia passou a assumir os contornos de telenovela. Mexicana ou venezuelana, é o que ainda está por definir.

Para fazer com que o PE se sentisse envolvido no processo e por não terem a certeza de que Barroso teria aí garantida a maioria necessária, os líderes dos 27 optaram por apenas apoiar politicamente Durão para um segundo mandato, sem no entanto formalizarem a decisão. Mas deixando claro que o poderiam fazer de forma rápida a tempo da sessão plenária de Julho, logo após procederam a uma série de contactos com os representantes das novas famílias políticas do PE, que resultaram das eleições de 7 de Junho.

Tendo em conta a repartição de forças entre os diferentes grupos políticos, parece (embora não seja 100% certo, até porque o voto é secreto) que Barroso dispõe da maioria necessária à sua aprovação (conta com o apoio do PPE, do novo grupo conservador, de parte dos socialistas e de parte dos liberais). Além de que não há nenhum nome alternativo….

Mas acontece que, antes, o PE tem que decidir agendar o assunto na ordem do dia. E aí não existe uma maioria clara, pois se é inevitável que os grupos se dividam na hora do voto, já na hora de estabelecer a agenda, cada grupo conta como um bloco.

E é nesta questão de procedimento que os socialistas europeus, os grandes derrotados das últimas eleições, estão a investir todo o seu peso, no que parece ser um esforço desesperado de mostrar que ainda riscam qualquer coisa.

Porque enquanto os Verdes, com a pujança dos seus 50 deputados (em 736…) dizem claramente que esperam que o atraso permita a emergência de um candidato alternativo a Barroso, os socialistas nem isso têm coragem para assumir.

E até decidiram imitar os liberais na utilização do argumento de que o PE não pode votar Barroso, porque ele não foi formalmente nomeado (esquecendo-se de acrescentar que ele não foi formalmente nomeado precisamente para não melindrar o PE e permitir uma “auscultação” a que nenhum Tratado obriga).

E assim vai a política europeia, depois de umas eleições marcadas pela maior taxa de abstenção de sempre. Mas isso já é passado.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Abram alas à diversão!

Pedro Santana Lopes regressou. E com ele alguns momentos, gente e ideias que já provocava saudades. A começar pelas "santanetes" que não deixaram de aparecer: loiras, ruivas, morenas e até uma de cabelo verde. Acotovelavam-se para beijar o candidato, felizes por mostrar o bronzeado e a última operação plástica. Uma delas foi mesmo arrastada por um braço, pelo marido, para dar "um beijo ao Pêdo".
E chegaram mulheres do Algarve. Cada uma com um colar de plástico ao pescoço, identificando a terra de origem. Vieram de Albufeira, Faro, Tavira e Lagos.
E, num partido cuja líder detesta o espectáculo, houve um hino cantado no palco, écran gigante com três filmes (um deles com recurso à animação em computador), paredes forradas a verde, distribuição de brochuras luxuosas e até ofertas de uma pen.
E houve o candidato em palco, sozinho, ora debruçado, ora inclinado, ora hirto.
E surgiram as ideias: mais um túnel a atravessar o centro de Lisboa, mas Santana Lopes garante que quer reduzir o número de carros na cidade; de novo o Parque Mayer e novamente com Frank Ghery, "nem que seja preciso criar uma comissão arbitral"; mais jardins em vez de urbanizações; e outras coisas mais que cabiam em qualquer programa de qualquer partido.
Mas, desta vez, não houve direito à promessa de uma piscina em cada bairro.

Fica-lhe bem esses sentimentos de solidariedade

Pedro Santana Lopes acusou hoje a actual gestão da câmara de Lisboa de querer expulsar as pessoas que vivem na rua Brancamp e nas avenidas da Liberdade e Fontes Pereira de Melo. E isso, garante ele, preocupa-o. Assim, de repente, só conheço uma pessoa que vive na Brancamp: José Sócrates. Havia também um espanhol, mas foi despedido e voltou para a terra.

Por onde andaria Dias Loureiro?

Esta tarde, Pedro Santana Lopes juntou, no Jardim do Arco do Cego, em Lisboa, dirigentes actuais e antigos do PSD e mais uns amigos na apresentação oficial da sua candidatura à Câmara de Lisboa. Estavam, por lá, Manuela Ferreira Leite, Arlindo de Carvalho, Mota Amaral, José Luís Arnaut, Mafalda Lopes da Costa e tantos, tantos outros. Faltou Dias Loureiro. Consta que andava com outros afazeres.

Mistura explosiva

Juntar a justiça com o futebol só podia dar nisto: há eleições no Benfica? Haverá, algum dia, eleições no Benfica?

sábado, 27 de junho de 2009

JS continua a saber escolher o melhor Patrocínio

José Sócrates conseguiu igualar os aplausos destinados a Carolina Patrocínio. Pudera: prometeu empregar cinco mil jovens na Função Pública. Os jovens, crentes, esqueceram-se da outra promessa, mais ambiciosa, feita em 2005.

JS sabe escolher o melhor Patrocínio.


O PS, a JS e José Sócrates juntaram mais de 700 jovens na FIL, em Lisboa, para falar sobre políticas de juventude. Então por que raio esta jovem, na foto, convidada especial, recebeu mais aplausos do que o primeiro-ministro?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O golpista que afinal é um exemplo

Ontem, num jantar com o grupo parlamentar do PSD, Manuela Ferreira Leite elogiou Pedro Santana Lopes, não fintando os termos, e considerando que ele é "um exemplo democrático". Pois, mas o mesmo "exemplo democrático" foi acusado, em tempos, pela mesma Manuela Ferreira Leite de querer liderar um "golpe de Estado":

"Sem um Congresso ninguém tem legitimidade para nomear um novo Presidente do PSD e, por inerência, primeiro-ministro. Tal configuraria um golpe de Estado no partido".

Na altura, Manuela Ferreira Leite era ministra de Estado e das Finanças e já estava a prever a sua saída com a fuga de Durão Barroso para Bruxelas.
Fica a dúvida: nas próximas eleições autárquicas, a líder do PSD vai querer apoiar um "exemplo democrático" ou um golpista?

Tábua da salvação

A empresa angolana, detentora do jornal "Sol", abanou alguns espíritos ao comprar parte do grupo Impresa, de Francisco Pinto Balsemão. Nada de novo. Há muito que os angolanos estão interessados em investir - e a sério! - na comunicação social portuguesa. Até porque a hora, em Angola, é de se contar as "espingardas" políticas, por que José Eduardo dos Santos não é eterno.
A pedido de um colega de profissão, tentei explicar as intenções e ambições dos angolanos. E recebi este comentário desesperado:

"Por favor, diz-lhes para comprar primeiro o nosso grupo. Primeiro nós, primeiro nós..."

Assim se passeia a glória portuguesa.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Fidelidades


Quem for pela primeira vez ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, e precisar de encontrar o gabinete de Edite Estrela, não tem nada que enganar: é o que tem uma enorme fotografia de José Sócrates à entrada. Igualzinha a esta.

Ela está no meio de nós

É nestes momentos que mais me lembro de Manuela Ferreira Leite: chegou o papelinho das Finanças para liquidar o Pagamento por Conta. É o segundo do ano.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dúvida teológica que só a tv pode desfazer

Seria possível a Nossa Senhora (de Fátima ou de Medjugore) entrevistar a Madre Teresa de Calcutá? Sim, a impossibilidade histórica vai acontecer, esta noite, na SIC-Notícias a partir das 21 horas.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Ele come tudo. Ela não brinca em serviço.

Paulo Rangel chegou, viu e açambarcou. O cabeça de lista do PSD nas europeias foi hoje eleito para uma das (muitas) vice-presidências do grupo parlamentar do PPE. Depois de já ter garantido a liderança da delegação laranja, indiferente ao facto de contar na equipa com alguém como Carlos Coelho, com anos e quilómetros de experiência europarlamentar.

Do lado socialista, terminada a campanha, as coisas voltam a ocupar a sua ordem natural. As rédeas da agora bastante mais reduzida delegação rosa continuam nas mãos de Edite Estrela.

Sondagens que aquecem o coração presidencial

O presidente da República, Cavaco Silva, referiu-se hoje, na Escócia, saber que há "sondagens que terão sido feitas e que manifestam uma preferência por eleições simultâneas". Tudo aponta portanto que Cavaco Silva escolha marcar as legislativas precisamente para o mesmo dia em que o Governo marcará as autárquicas. As sondagens reforçam-lhe apenas o desejo. Ainda bem que o presidente português, depois do que se passou nas últimas eleições europeias, continua a confiar nas empresas de sondagens.
E ainda bem que Cavaco Silva, que nunca comenta assuntos internos no estrangeiro, resolva falar dos seus estados de alma...na Escócia.
Recorde-se que, entre os partidos políticos com assento parlamentar, apenas o PSD, de Manuela Ferreira Leite, prefere eleições simultâneas.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Recado a Rangel

O Conselho Nacional do PSD está reunido, esta noite, num hotel em Lisboa para discutir a situação política. Pelos corredores do hotel, ao lado do bar, um dirigente social-democrata resolveu recordar as afirmações de Nicolás Sarkozy de outros tempos. Quando apenas sonhava com o Eliseu, Sarkozy confessou que gostava de ser presidente e que se via como tal "todos os dias de manhã até a fazer barba".
Recordada a história, o mesmo dirigente do PSD comentou:

"Ele podia dizer isso por que já tinha estatuto para o dizer. Mas há outros que ainda não têm esse estatuto para ambicionar cargos de presidente".

O 7 de Junho ainda só foi há 15 dias e Outubro ainda está longe. Isto promete.

TGV e a vontade de agradar a toda a velocidade

As declarações de Durão Barroso sobre o TGV são daquelas tiradas feitas por medida. Para agradar e para não se comprometer. Portugal espera receber para a alta velocidade 955 milhões de euros do Fundo de Coesão e 382 milhões das chamadas "redes transeuropeias". Os primeiros fazem parte do dinheiro já previsto para o país para o período de 2007 a 2013 e, se não for para o TGV, poderá ser renegociado para outra coisa qualquer. Tal como diz Durão.

Já em relação aos restantes 382 milhões, é diferente: eles servem para financiar "redes transeuropeias", mais concretamente projectos concretos de troços tranfronteiriços de ligações de âmbito europeu (TGV, auto-estradas, "auto-estradas do mar", etc). Se essas ligações não forem feitas ou forem muito atrasadas o dinheiro vai à vida, porque não é suposto ele financiar mais coisa nenhuma (a menos que Portugal sacasse da cartola alguma auto-estrada para Espanha de última hora). Mas, neste caso concreto, "vai à vida" é apenas uma forma de expressão. Porque é dinheiro que Portugal nunca veria, a menos que estivesse envolvido em projectos desta natureza (fosse o TGV ou outra coisa qualquer).

Por isso, sem dizer toda a verdade, Barroso também não está a mentir. E José Sócrates, que tanto o defendeu na semana passada em Bruxelas, agradece.

Nós Europeus??????

TGV e os fundos à velocidade que se quiser

Apesar da chuva de notícias a dar conta que Portugal terá de devolver fundos comunitários caso desista de construir o TGV, Durão Barroso esclareceu hoje em Lisboa o que já se deveria saber:

"Sanções não. Nem há devolução de fundos. Nesse caso (em caso de desistência), teria de renegociar. Se não utilizar os fundos que estão determinados para um projecto, pode e deve renegociar para outros. Se não os quiser perder, terá de renegociar, de certeza".

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A justiça é cega. Ou apenas míope.

No despacho em que justifica o arquivamento do inquérito dos “voos da CIA”, o Ministério Público concluiu que as pessoas em "situação de aparente detenção" vistas na Base das Lajes, Açores, "seriam militares norte-americanos" ou "dois detidos de nacionalidade portuguesa deportados do Canadá".

Ou então até poderia ser uma trupe de trapezistas chineses a actuar sem licença ou um grupo de Pauliteiros de Miranda apanhados a conduzir embriagados.

Ou seja, sem fazer a mínima ideia do que é que era, o MP tem a certeza absoluta do que não era. No fundo, podia ser qualquer coisa. Desde que não fosse aquilo que se suspeitava que pudesse ser.

6+2

8 - a quantidade de vezes que Durão Barroso disse, na conferência de imprensa na quinta-feira à noite, estar "orgulhoso" pelo apoio manifestado pelos líderes dos 27 a um segundo mandato na Comissão Europeia. Seis em inglês e duas em francês, no espaço de poucos minutos. Para que não restassem dúvidas. Além de se confessar "emocionado". E ainda dizem que os políticos não têm sentimentos.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Recordar é viver

Em Junho de 2005 a Lusa fez uma cronologia dos acontecimentos que, no ano anterior, conduziram Barroso à presidência da Comissão Europeia. Rezava assim a referência ao sucedido no dia 18 de Junho, há exactamente cinco anos:

18 Jun: Reunidos em Cimeira, em Bruxelas, os líderes europeus não chegam a consenso sobre o candidato do Conselho, e o nome do comissário português António Vitorino fica praticamente excluído. Em conferência de imprensa no final da cimeira, Durão Barroso diz que foi convidado por vários líderes, "e a todos disse que não era candidato".

O que se grita lá fora, engole-se cá dentro

Logo a seguir às eleições em Angola, a eurodeputada Ana Gomes resolveu, com uma certa dose de histeria e de irresponsabilidade, falar em "irregularidades" ao mesmo tempo que se queixava das condições dadas aos observadores. Ela própria foi uma observadora e, nessa qualidade, zurziu sobre a organização das eleições.
A 7 de Junho, as eleições, em Portugal, deram no que deram e até deu para eleitores votarem duas vezes. Estava à espera que a mesma Ana Gomes, apesar da derrota, fizesse um comentário sobre a organização portuguesa. Ou, com a mesma leviana rapidez que usou em Angola, sugerisse a presença de observadores em Portugal. Em Angola, não falta gente que gostasse de ir passear para Lisboa, tal qual Ana Gomes foi fazer para Luanda. Mas, certamente, com mais tino.

Com ele a miúda vai sempre atrás

E assim decorreu a viagem do chefe do governo e da líder da oposição: ele lá à frente, em executiva, ela umas cadeiras mais atrás, em classe económica.

Bloco Central pelos ares

José Sócrates e Manuela Ferreira Leite estão neste momento a bordo do mesmo avião da TAP, com destino a Bruxelas.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

As (in)certezas de Durão

Se as coisas correrem como se prevê, os líderes dos 27 vão amanhã apoiar a recondução de Barroso à frente da Comissão Europeia. Mas a decisão só será formalizada (e tornada irreversível) numa fase posterior. Dez anos depois, está na altura de Durão repetir e adaptar uma das frases mais marcantes da sua carreira artística nacional:

“Tenho a certeza que serei presidente da Comissão Europeia, só não sei é quando”.

Ai, vai ser tão difícil

José Sócrates agendou uma entrevista, na SIC-Notícias, para esta noite a partir das 21 horas. A entrevistadora será Ana Lourenço. No PS, espera-se tanta dificuldade na prestação do líder, mas tanta, que é a própria página de José Sócrates a anunciar a entrevista e a convidar toda a gente a assistir em directo e até com uma caixa de comentários aberta em socrates2009.pt.

Cordeiro? Só na Bíblia...

Andava meio mundo preocupado que José Sócrates tinha encolhido as garras, depois do resultado de 7 de Junho. Bastou um debate na Assembleia da República para se provar que Sócrates continua igual a ele próprio. Até acusou deputados de usarem "argumentos infantis". Paulo Portas, que resolveu apresentar uma folclórica moção de censura, tirou a conclusão do debate:

"O senhor primeiro-ministro está igual, absolutamente igual".

Já se pode então respirar de alívio. De cordeiros, só rezam as histórias da Bíblia. E, como se sabe, são sacrificados. Os que não são, ninguém os suporta.

Da abstenção nas europeias e outros demónios

Não faço ideia porque é que os europeus não votam nas europeias. Provavelmente deve haver tantas explicações quantos países e, dentro de cada um deles, uma panóplia de teorias e razões.

Mas a coboiada em que se está a tornar o processo de escolha do futuro presidente da Comissão Europeia mostra bem como o “Planeta Bruxelas” (com os seus eurodeputados, governos, comissões europeias e jornalistas) está longe da Terra.

Até agora só há um candidato à sucessão de Barroso: o próprio Durão. E a grande questão que consome o debate político europeu é saber se os líderes, no Conselho Europeu desta quinta e sexta-feira, lhe vão dar o seu apoio “jurídico” ou apenas “político” a um segundo mandato. Se o apoio for “apenas” político, terão que, numa ocasião posterior, tomar a tal decisão “jurídica”. Ninguém sabe muito bem como, nem quando isso poderá acontecer. Nem exactamente porquê.

Os argumentos para fazer uma coisa ou a outra são bastante variados. Alguns fazem sentido, outros nem por isso. Mas nada é muito claro. E parece que tudo acontece numa galáxia muito, muito longínqua daquela que no passado dia 7 de Junho ignorou completamente as eleições para o Parlamento Europeu.

E que tal um campo de reeducação?

O PSD anda ainda não se recompôs da surpresa de ter ganho as eleições e já andam, por lá, almas agitadas. Como as lentes dos binóculos apontam para uma vitória, Pedro Marques Lopes, amigo de outro Pedro, o Passos Coelho, veio fazer uma proposta revolucionária. De tal forma que faz lembrar, assim de repente, algumas sugestões, criadas noutros tempos, por alguns revolucionários. Reparem nestas pérolas:

"A verdade é que o PSD precisa duma espécie de controlador de opiniões...

Alguém que descodifique as infames conspirações organizadas...

Tem de ser uma pessoa humilde, séria (muito séria, mesmo) e sacrificando mesmo a sua vida pessoal, tenha a coragem de ir para os jornais (os sérios, claro), as televisões, para o blog (sério, bem entendido) denunciar publicamente os revisionistas...

...encabeçar uma espécie de tribunal para expurgar os maldizentes...

...o PSD purificado..."
Ou está para nascer a "superioridade moral dos sociais-democratas da Lapa" ou, não tarda nada, será criado um campo de reeducação. O texto, de inspiração maoista, pode ser lido aqui.


terça-feira, 16 de junho de 2009

Uma língua sem densidade própria

Luís Amado, o ministro dos Negócios Estrangeiros, confessou hoje, num colóquio sobre a Língua Portuguesa realizado na Assembleia da República, que o Instituto Internacional da Língua Portuguesa vive "uma indefinição e desorientação estratégica há anos". E acrescentou: "há que dizê-lo sem nenhuma ambiguidade".
Luís Amado só não esclareceu as razões para essa paralização. Afinal, há quatro anos que ele está no Governo - e já tinha sido secretário de Estado da Cooperação no tempo de António Guterres - e há mais de dois anos que dirige o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Mas a confissão do ministro deu para se perceber o alcance desta afirmação de Jaime Gama proferida precisamente no mesmo colóquio:

"Há ministros com densidade própria"

Ora deduz-se que há outros ministros sem densidade.

Há derrotas assim: transformam o sal em mel

José Sócrates, o animal feroz, anda mais macio. Diz quem conhece.

O silêncio é de ouro

É a máxima adoptada por Durão Barroso. Pelo menos até os líderes dos 27 decidirem apoiar a sua manutenção em Bruxelas por mais cinco anos, o que deverá acontecer na quinta-feira à noite. Até lá, as aparições públicas de Durão foram reduzidas ao mínimo indispensável e os contactos com a imprensa completamente banidos: foi anulada a habitual conferência de imprensa que antecede os Conselhos Europeus, bem como o pequeno-almoço que costuma realizar com um pequeno grupo de jornalistas de vários países na manhã do segundo dia da Cimeira (e cujo conteúdo é sempre em off).

Desafinação total

O Estado da cultura, em Portugal, é aqui bem retratado. Depois da Gulbenkian ter acabado com a sua companhia de bailado, Belgais segue--lhe os passos com a música, num projecto que já foi considerado de eleição. Por cá, quem não suportar os tonys carreiras e os concertos ensurdecedores vive mal. Resta uma consolação: de anos a anos, passa por cá a orquestra juvenil da Venezuela. Só para marcar diferenças entre quem defende a cultura e o... resto. A dimensão de um país não é apenas geográfica.

A silenciosa antecipação

Há meses que corre o rumor, em Angola, de que uma grande empresa de construção civil portuguesa teria sido comprada por angolanos. Há meses que se fala, em Angola, das intenções de ser criada, de raíz e em território angolano, uma grande empresa de construção civil. O interesse é óbvio: o país está em plena reconstrução de todas as infraestruturas, desde pontes a estradas, passando por hotéis, escolas e estádios de futebol. Por Angola, vão dominando, nos grandes projectos, uma empresa brasileira, que é, ela própria, quase um Estado dentro do Estado, e umas grandes portuguesas.
Antecipando-se aos rumores, às intenções que não passaram das longas conversas em bares de hotel e aos desejos de uns quantos portugueses e angolanos, a Mota-Engil acaba de formalizar a criação de uma empresa em Angola, juntando-se a capitais angolanos. Deve ser o maior passo, e certamente õ mais decisivo, da empresa. Curiosamente, a Mota-Engil nem sequer tinha entrado nesta lista de rumores. Foi pela calada e, desconfio, já deve estar com um olho nos países vizinhos de Angola.

No pasa nada?

Na edição de hoje do Público, os Montes Urais (a formação geográfica que separa as partes europeia e asiática da Rússia) foram rebaptizados. Passaram a ser os Montes Urales: "Brasil, Rússia, Índia e China vão afinar a uma só voz nos Urales". Até se podia pensar que fosse uma antecipação da aplicação de algum detalhe do acordo ortográfico, mas nem isso. É o que dá traduzir directamente um texto de uma agência estrangeira (espanhola? anglófona?), por alguém que nunca ouviu falar no assunto e que não tem ninguém para rever o texto e evitar a publicação do disparate. Um pequeno episódio que diz muito sobre o estado do jornalismo português.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Deixai vir a mim as criancinhas

No meio da sua intensa e ocupada agenda, Durão Barroso encontrou algum tempo para receber esta tarde um grupo de 27 jovens (um de cada país da União) que lhe vão entregar uma declaração de apoio à sua recandidatura à Comissão Europeia.

O “Manifesto 27” é uma iniciativa “de caris apartidário e têm especial relevancia no contexto actual europeu (sic)”, promovida por um jovem português que será igualmente o respectivo porta-voz.

Vamos partir do princípio que os erros de português se devem ao carácter transnacional e multilinguístico deste gesto das bases europeias e deixar esse aspecto de parte (depois de o resto das bases ter dito o que pensa disto tudo através da abstenção nas eleições europeias).

Mas não deixa de ser curioso ver Barroso arranjar tempo para este tipo de coisa, precisamente na semana em que os líderes dos 27 vão decidir o seu destino. Será que está à espera que o Manifesto provoque uma vaga de fundo que afogue os líderes europeus na evidência de que não há alternativa a Durão a não ser ele próprio? Ou será que o nervoso miudinho que se apoderou do ex-primeiro-ministro português nos últimos dias começa a levar a melhor?

Mistério jornalístico

É daquelas coisas que já aconteceram e se repetirão várias vezes enquanto houver jornais e jornalistas, mas que não deixam de ser intrigantes: um destacado responsável político português responde a várias perguntas de um grupo de jornalistas que depois as reproduzem nas suas rádios, televisões, jornais e agências. Ainda assim, apesar de toda a projecção que as ditas declarações tiveram, há alguém que as consegue publicar em formato de pergunta-resposta e assinar como se se tratasse de uma entrevista exclusiva a um único órgão de comunicação social.

A líder que se abandona a ela própria

Pode não ser inédito, mas é caso raro. Muito raro: Manuela Ferreira, acompanhada por José Luís Arnaut e Aguiar Branco, esteve reunida mais de 15 minutos com José Sócrates, em São Bento, a discutir o próximo Conselho Europeu. Terminada a reunião, a líder do PSD zarpou da residência oficial, sem qualquer comentário, evitando falar, como é normal nestas ocasiões, aos jornalistas.
Na sala de imprensa, uma jornalista comentava que Manuela Ferreira Leite até se "abandona a ela própria".

sábado, 13 de junho de 2009

O nunca tem muitas variáveis

O presidente da República, Cavaco Silva, que "nunca comenta assuntos internos quando está no estrangeiro", fartou-se de falar em Nápoles sobre...Portugal. Comentou a abstenção nas eleições europeias, a data para as próximas eleições legislativas e até sobre... Cristiano Ronaldo. Ninguém se lembrou de lhe perguntar sobre Dias Loureiro, ou outra coisa parecida, para ouvir a santificada e batida frase "o presidente da República NUNCA comenta assuntos internos no estrangeiro".

Ao beija-mão mundial, só falta o Obama

O presidente russo, Dmitri Medvedev, visita oficialmente Angola no dia 26 deste mês. Depois das eleições que resultaram numa esmagadora maioria ao MPLA, já visitaram Luanda o presidente francês, Nicolas Sarkozy, o Papa Bento XVI, o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, entre outros. José Eduardo dos Santos foi recebido com a pompa devida por Ângela Merkl, durante um périplo europeu que o levou a Portugal.
E, para este ano, estão anunciadas as visitas do novo presidente da África do Sul, Jacob Zuma, e do presidente do Brasil, Lula da Silva.
Neste beija-mão mundial, faltam Gordon Brown, mas esse nem sabe se fica muito tempo na cadeira do poder, e de Barack Obama. Alguns destes dirigentes e respectivos acólitos, ainda há pouco tempo, questionavam a legalidade de José Eduardo dos Santos continuar na presidência, sem que houvesse um novo escrutínio eleitoral (como se sabe, o último foi em 1992). Hoje, estendem-lhe vários tapetes vermelhos. E certamente nem se importariam que Dos Santos continuasse por lá por muitos e bons anos sem... eleições.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Prémios

Cavaco não vai sair de Itália de mãos a abanar. Leva daqui o Prémio Mediterrâneo Instituições 2009, atribuído pela Fundação Mediterrâneo “em reconhecimento pelo seu empenho e acção no reforço da solidariedade e de uma activa cooperação entre os países mediterrânicos, em favor da promoção do desenvolvimento e da Paz, nessa região”.

Uma descrição pomposa de um prémio recebido de uma Fundação pouco ou nada conhecida soa sempre bem. Mesmo que contraste com a cerimónia embaraçosa durante a qual o PR foi agraciado. Depois de assistir ao içar da bandeira portuguesa num terraço mal amanhado ao som do hino que saía de uma aparelhagem roufenha, Cavaco foi levado para uma “sala” no sótão do edifício da dita Fundação.

Aí, numas mesas arrumadas entre postes e armações metálicas que seguravam o tecto inclinado (e às quais era preciso dedicar bastante atenção para não as amolgar com a cabeça), Cavaco lá recebeu o prémio e discursou para uma mini-plateia, imagina-se que composta pelos membros da dita Fundação.

Tudo sob a batuta do presidente da dita, com a inevitável fita colorida a atravessar o peito, que tinha à disposição dos convidados resmas de revistas da casa, em que a sua fotografia aparecia página sim, página sim, ao melhor estilo de um mau boletim municipal em mês de eleições.

Tudo demasiado mau para não parecer tirado de um filme, mesmo dando de barato que o cenário é a inconfundível cidade de Nápoles. Não sei como é que estas coisas são organizadas, mas o PR tem mesmo que participar neste tipo de coisas, sem qualquer dignidade? Não há ninguém lá em Belém que se preocupe em averiguar previamente o que são estas fundações ou em que condições decorrem estas cerimónias?

Grupos e grupinhos

Cavaco Silva está em Nápoles a participar numa reunião do chamado Grupo de Arraiolos que, além do português, junta regularmente os chefes de estado de outros sete países da UE (Alemanha, Áustria, Finlândia, Hungria, Itália, Letónia, Polónia). Em comum têm o facto de não desempenharem funções executivas. Ou seja, não riscarem muito.

Se o painel só por si já é de peso, o facto de os presidentes da Finlândia, Letónia e Polónia não terem aparecido, não contribui em nada para a relevância do dito grupo. Que, de resto, só é “de Arraiolos” para os portugueses.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Era uma vez o grupo socialista no Parlamento Europeu...

Os socialistas europeus acabam de crescer um bocadinho. Anunciaram um acordo de princípio com o Partido Democrático italiano, para acolher no seu seio os 21 eurodeputados eleitos pela formação transalpina no passado domingo. Passam de 161 para 182 lugares (PPE tem 264 e os liberais 80, enquanto ainda há partidos que procuram a respectiva família).

Como não há almoços grátis, os italianos (que incluem ex-comunistas, ex-socialistas, ex-liberais e sabe-se lá mais o quê) exigem que o grupo passe a chamar-se Aliança dos Socialistas e Democratas Europeus.

Algo que os socialistas parecem dispostos a aceitar, até para disfarçar o chimbalau eleitoral. No fundo, não estão a fazer mais do que o PPE sempre fez, aceitar nas suas fileiras federalistas empedernidos e anti-europeus convictos, apenas com o intuito de ser a maior força política do PE. Mas é menos uma coisa que o futuro ex-PSE poderá atirar à cara do adversário.

Um carteiro de bicicleta, mas sem as cartas de Neruda


Um terço dos carteiros, cá deste correio, vai andar, em breve, montado nesta beleza vigiando o que anda a fazer a Câmara de Lisboa.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Pontaria

Quando acharem que alguma coisa está a correr mal ou que fizeram uma opção errada na vida, lembrem-se da história daquele senhor (que existe mesmo, esteve hoje em Bruxelas) que tirou o seu dinheiro do BPN para o pôr a salvo no BPP…

Barroso em campanha

A Comissão Europeia apresentou hoje as suas prioridades para a área da justiça e segurança, o chamado “Programa de Estocolmo”. Mas o comissário responsável pelo pelouro, o francês Jacques Barrot, teve que ceder as luzes da ribalta a Durão Barroso, que fez questão de ser o protagonista da apresentação da iniciativa. Que perspectiva as prioridades neste domínio até 2014. Precisamente a duração do mandato da próxima Comissão Europeia…

Nuance

Durão Barroso declarou-se ontem candidato a um segundo mandato à frente da Comissão Europeia. Mas, além da subtileza de o ter feito apenas após um pedido nesse sentido da presidência do Conselho Europeu (numa coreografia muito bem ensaiada), deixou a porta aberta a qualquer eventualidade:

“Verei se esta ambição é partilhada pelos governos europeus e pelo Parlamento Europeu e, então, apresentarei formalmente a minha candidatura.”

É que apesar de as coisas parecerem bem encaminhadas para a sua ambição, nunca se sabe o que pode passar pela cabeça do presidente francês. Além de que um possivel adiamento da decisão apenas para o Outono, pode dar tempo para que haja quem ainda quem mude de ideias.

Delírio em tons Verdes

Goste-se dele ou não, concorde-se ou não com o que defende, a verdade é que Daniel Cohn-Bendit tem um estilo empolgante. As intervenções do líder do Maio de 68 no hemiciclo do Parlamento Europeu constituem um dos raros momentos de interesse das sessões plenárias.

Depois de fazer dos Verdes franceses quase a segunda força política do país nas eleições do passado domingo, a morder os calcanhares aos desconsolados socialistas, Dany Le Rouge garante que o seu partido será uma “força de charneira”. Não só no plano nacional, mas também no PE, pois os Verdes foram o único grupo político a crescer em número de deputados, apesar da descida generalizada, devido à diminuição geral de lugares. Passaram mesmo a ser a quarta bancada mais numerosa.

Vai daí, desdobrou-se em propostas de entendimento político com os outros grupos e, sobretudo, parece empenhado na formação de uma “coligação anti-Barroso”. Sempre no seu tom empolgado e ainda mais avermelhado do que o sugere a alcunha, a dar a entender, usando a imagem de Sócrates, que “há um antes e um depois” desta eleição “histórica” para os ecologistas. Quase a fazer esquecer que, num PE claramente dominado pelo centro-direita, os Verdes têm apenas 52 eurodeputados, num total de 736…

terça-feira, 9 de junho de 2009

Onde é que eles se meteram?

Desde a divulgação dos resultados das eleições no domingo à noite que os socialistas europeus não se deixam ver. Alguns (poucos) estiveram no Parlamento Europeu esse mesmo dia, onde participaram em alguns painéis de comentadores que analisaram os resultados. Mas, uma vez essa obrigação cumprida… nem vê-los.

Todos os demais grupos políticos emitiram comunicados ou organizaram conferências de imprensa nos dias seguintes onde expuseram a sua análise dos resultados e se pronunciaram sobre os grandes temas destes dias: entendimentos internos no seio do PE e candidatura de Durão a um segundo mandato.

Parece que só este último assunto ainda é capaz de provocar alguma reacção dos lados do PSE e o líder da bancada da rosa no PE, o alemão Martin Schulz, lá veio dizer que se vão opor com unhas e dentes a tal cenário. Mas como as suas unhas e dentes encolheram bastante desde o passado domingo, parece que, para já, a prioridade é continuarem a tentar perceber como é que isso lhes aconteceu.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Não consta que seja engenheiro, mas...

Nos intervalos de ler e reler as mensagens que "aterram" nos seus dois aparelhos, Paulo Rangel desenha enquanto ouve os outros a discursar. Quando é Manuela Ferreira Leite, Rangel bem precisa de se motivar para evitar o adormecimento. O desenho de cima foi "roubado" depois do comício em Viseu e está muito bem guardado. Não sei se Rangel irá parar a Covilhã ou à Guarda, mas não lhe falta engenho.

Frase batida até à exaustão e que virou cartaz


O que sobrou de uma campanha vitoriosa


quinta-feira, 4 de junho de 2009

A campanha na máxima nitidez



É um cliché, mas aqui faz todo o sentido: umas imagens de uma campanha valem mesmo mil palavras, como se pode ver nesta foto, como uma das características mais notórias de Paulo Rangel: estar informado com o andar do mundo, quase ao segundo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Uma pérola de campanha

Paulo Rangel bem palmilha quilómetros sem fim à procura de chegar a todo o lado. Desde domingo, já passou por Nisa, Portalegre, Mação, Bragança, Vila Real, Tomar, Porto e Braga. O candidato não poupa esforços. O problema é... mesmo a organização. De tal forma que Rangel fez, esta manhã, uma passeata a pé, pelas ruas da sua infância, com passagem pelo colégio onde estudou, mas ... sem jornalistas. Ninguém, do PSD, avisou os repórteres que fazem a cobertura da campanha.
Aliás, os jornalistas desesperam com os horários e os desencontros: horas alteradas, moradas modificadas, programas incompletos ou demasiado preenchidos que nem uma hora sobra para se escrever ou enviar material.
Reparem nestes "pormenores":
Duas equipas de televisão marcaram o início do programa à porta do hotel e ficaram meia-hora à espera. Depois, aperceberam-se que o candidato já tinha partido.
Dois jornalistas foram fintados na morada da Ordem dos Advogados, onde estava marcado um encontro com Paulo Rangel, e foram parar, por indicação da organização, ao bar de alterne "Pérola Negra".
E fica esta sensação: pelo esforço, pela disponibilidade, pela simpatia, pela inteligência e sagacidade nas respostas, Paulo Rangel não merecia que lhe organizassem uma campanha assim.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Regresso à tradição

Depois de vários dias a arroz de pato, o lombo de porto entrou na campanha do PSD. Aghnnn...

Faltam a lady Marian e o rei Ricardo

Paulo Rangel a recordar a infância, em Bragança

"O PSD está na situação de Robin Hood da agricultura. O Governo é um avarento, é o
xerife de Nottingham, é o Tio Patinhas da agricultura"

domingo, 31 de maio de 2009

O verdadeiro olho de repórter


Imagens como esta de Paulo Rangel em campanha podem ser vistas neste blogue, de um homem com uma câmara na mão. O autor é um excelente repórter de imagem e vai publicando alguns instantâneos. Em todos. há um olhar sempre diferente. Em campanhas eleitorais e não só...

Como Barcelos deu razão a Manuela Ferreira Leite

Apesar de Manuela Ferreira Leite ter anunciado publicamente que não gostava de comícios, o PSD arriscou fazer um, em Barcelos. A terra até prometia. Já foi uma espécie de "cavaquistão", quase à semelhança de Viseu, e mantém a fama de ser "laranja". Mas a noite foi aziaga.
O "speaker" até insistia em chamar gente. Pedia para os jovens - onde estavam eles, naquele "mar" de idosos? - se aproximassem do ringue. Mas nada. Até dava para fazer uma partidinha de futebol.
Chegaram pessoas das aldeias mais próximas. Durante a noite, houve um esforço de mobilizar os jovens. Mas o comício, propriamente dito, teimava em não passar das intenções.
Uma hora e meia depois, já sem haver esperanças de encher o pavilhão, começou o dito comício. Mesmo assim com clareiras. Para disfarçar, Paulo Rangel descobriu "uma moldura humana". Manuela Ferreira Leite foi pouco modesta:

"Esta mobilização, este entusiasmo faz-me renascer"

Talvez por não querer renascer desta forma é que Manuela Ferreira Leite garante não gostar de comícios. Barcelos mostrou que ela tem fortes razões para isso.

sábado, 30 de maio de 2009

Delírio sobre rodas


Manuela Ferreira Leite, no seu melhor estilo, durante um comício em Vagos, numa iniciativa de campanha para as europeias do PSD:


"Há meia dúzia de dias, este Governo aprovou um diploma que vai ser obrigatório - obrigatório, sem oportunidade de escolha - para todos os aqueles que disponham de um veículo automóvel, não só um veículo automóvel, triciclos, bicicletes... ahn ahn ahn .... tudo o que ande, tudo o que ande com rodas, todos vão ser obrigados a ter um sinal na sua matrícula que identifica a localização desse veículo. Como não sei como é que os veículos com rodas andam sem condutor, quer dizer que cada um de nós vai passar a ser localizado em qualquer momento o sítio em que alguém - a gente não sabe quem - vai poder fazer esse controle."


Fica assim percebido por que razão a líder do PSD não gosta de comícios.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Talvez sejam permitidos murros e pontapés

Manuela Ferreira Leite, hoje, em declarações aos jornalistas, durante uma "visita" à rua em Aveiro:

Estou a mostrar a minha indignação pela indignidade da campanha, pelo nível que o PS está a tentar pô-la. Percebe-se que é o desespero de um candidato. Mas as campanhas eleitorais não podem permitir tudo, só podem permitir algumas coisas.

PSD e PS consideram "vital" imposto europeu

Os eurodeputados do PS e do PSD votaram em bloco nesta legislatura um relatório aprovado pelo Parlamento Europeu, que propunha a criação de um imposto europeu e o estabelecimento de meios de financiamento próprios da União, exactamente nos moldes apresentados esta semana por Vital Moreira.

Em Março de 2007, a quase totalidade da delegação socialista (Edite Estrela, Capoulas Santos, Elisa Ferreira, Ana Gomes, Manuel dos Santos, Jardim Fernandes, Hasse Ferreira, Jamila Madeira, Sousa Pinto, Fausto Correia e Paulo Casaca; Francisco Assis não participou na votação) e da bancada social-democrata (Carlos Coelho, Deus Pinheiro, Silva Peneda, Assunção Esteves, Duarte Freitas e Sérgio Marques; Vasco Graça Moura não participou no voto) votaram favoravelmente o relatório que foi aprovado por 458 votos a favor, 61 abstenções e 117 votos contra, entre os quais os dos parlamentares do PCP (Ilda Figueiredo e Pedro Guerreiro), Bloco de Esquerda (miguel Portas) e Ribeiro e Castro, do CDS-PP (Luís Queiró não votou).

Algumas passagens do dito documento (não, esta parte não está nos 'considerandos'): “a curto prazo ainda é prematuro estabelecer um novo imposto genuinamente europeu”, mas isso “não exclui a possibilidade de os Estados­-Membros decidirem se e quando cobrar novos impostos e de, na mesma fase ou posteriormente, decidirem autorizar a União a beneficiar directamente das respectivas receitas”.

Na exploração de “eventuais opções para o futuro”, “será VITAL examinar a possibilidade de criar um novo sistema de recursos próprios baseado num imposto já cobrado nos Estados-­Membros”, que deveria ser posteriormente “total ou parcialmente canalizado para o orçamento da União Europeia como um verdadeiro recurso próprio”.

Como diria o outro, “Rangel e Vital, é parecido, é mesmo igual”.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Uma campanha de 5 estrelas

São muito agradáveis os hotéis que Paulo Rangel e o PSD escolhem para fazer campanha. Estou a escrever este post no bar-restaurante do Sheraton com uma deslumbrante vista sobre Lisboa. Ontem, estive com autarcas num dos "resorts" mais luxuosos do Algarve, em Albufeira. Antes tinha passado por um hotel em Faro, vá lá de quatro estrelas, mas com lindíssimas reproduções de quadros de Miró. Agora, vou para o Hotel Sana, ali mais ao lado, para ouvir professores.