terça-feira, 14 de julho de 2009

Santas emissões

No discurso com que assinalou a sua eleição hoje para a presidência do Parlamento Europeu (PE), o ex-primeiro-ministro polaco, Jerzy Buzek, referiu várias prioridades políticas para o seu mandato, entre as quais destacou a luta contra as alterações climáticas e a necessidade de se reduzir radicalmente as emissões de CO2. No final, o antigo líder do Solidariedade ofereceu ao seu predecessor uma imagem de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros. Feita em carvão.

Euromasoquismo

O Parlamento Europeu organizou na segunda-feira à tarde uma cerimónia de despedida para os eurodeputados que não foram reeleitos (quase metade do anterior hemiciclo). Um espectáculo de contornos masoquistas: os “ex” eram chamados um a um para receber uma medalha e um diploma do ainda presidente (que foi reeleito) e tirarem uma foto ao lado do dito.

À cerimónia assistiam apenas os outros “ex” que aplaudiam alguns nomes. Os mais aplaudidos eram os que conseguiram granjear alguma projecção e o respeito dos pares, ou os que tinham as respectivas claques nacionais mais bem organizadas. Muitos ouviram o seu nome ecoar na sala sem qualquer reacção ou pontuados pelo aplauso solitário de algum amigo ou compatriota.

Alguns tiveram o bom senso de pedir para não ser “convocados” e discretamente lá foram recolher o souvenir no fim. Um longo e penoso cerimonial que poderia constituir uma esplêndida base de dados para um estudo sobre como as expressões faciais reflectem o que vai na alma de um ser humano.

Poema para um tempo que vai passar

Cinzas, vergões, renúncias, cicatrizes,
Laceram-nos a esperança, mas dão outra.
Essa em que a dor nos faz criar raízes,
Árvore e fruto de uma seiva nova

Dos abismos da ira levantamos
As vozes, os protestos e as trombetas.
Só nos ouvimos quando nos calamos
E em vez de arautos nos tornamos poetas

....

José Carlos Ary dos Santos, "Morte e transfiguração"

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Cuidado, ele promete voltar


"I'll be back!", foi a ameaça deixada por Manuel dos Santos num e-mail de despedida enviado aos demais eurodeputados, não hesitando em plagiar o Terminator de 1984 para deixar claro o seu íntimo desejo de continuar pela Europa.


É que a experiência europeia de Manuel dos Santos tem sido vivida no fio da navalha. Tal como em 2004 apenas entrou para o PE devido ao falecimento de Sousa Franco em plena campanha, desta feita, “não tendo sido eleito por poucos votos”, aposta tudo no abandono de algum dos seus sete camaradas de partido eleitos a 7 de Junho.


Nem que para isso tenha que engolir o sapo de ver Ana Gomes ou Elisa Ferreira ganharem as câmaras municipais a que se candidatam. Cenários remotos, mas ainda assim as possibilidades mais plausíveis para dos Santos. E sonhar é viver.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Daqui não saio, daqui ninguém me tira!

Ribeiro e Castro está a levar à letra a máxima que diz que os mandatos são para cumprir até ao fim. E “fim”, neste caso, é mesmo o finzinho de tudo, o último minuto, da última hora, do último dia e não, por exemplo, o dia em que tiveram lugar as eleições europeias.

A cinco dias da tomada de posse dos novos eurodeputados e do fim do mandato dos (ainda) actuais (três dias, se não contarmos com o fim-de-semana), Ribeiro e Castro continua a receber respostas a perguntas que dirigiu à Comissão Europeia e a partilhar o respectivo conteúdo.

O comunicado de imprensa da mais recente resposta da comissária da agricultura (é prematuro afirmar que foi a última) garante que “mais uma vez se confirma que o desleixo do Ministério da Agricultura em Portugal prejudica os agricultores portugueses”.

Se ficou alguma pergunta por responder, é bom que Ribeiro e Castro não se esqueça de indicar a nova morada à Comissão Europeia. Em alternativa poderá sempre contar com a simpatia de Nuno Melo e Diogo Feio para lhe levarem as cartas que continuem a chegar em seu nome, quando forem passar os fins de semana a Portugal.

Barroso entalado

Não, desta vez não foi Nicolas Sarkozy, nem o Parlamento Europeu. Foi um simples elevador, onde Barroso e comitiva ficaram presos ontem ao fim da tarde durante cerca de 20 minutos e de onde o presidente da Comissão Europeia saiu a suar em bica.

Os informadores do Correio Preto no local garantem que Durão não é claustrofóbico, mas que o facto de tudo ter acontecido na cidade italiana de L’Aquila, onde ainda há pouco tempo a terra tremeu, terá sido decisivo para acelerar a batida cardíaca e encharcar a camisa do eurocrata nº 1 durante aqueles intermináveis 20 minutos.

terça-feira, 7 de julho de 2009

A internacionalização do disparate

Como se não bastasse a "perfomance" de Manuel Pinho, o Mundo voltou a assistir a outra caricatura portuguesa: em conferência de imprensa, que até mereceu um longo directo da CNN, Cristiano Ronaldo respondia a perguntas de uma jornalista portuguesa sobre a... namorada. Esta pergunta e mais uns disparates parecidos é que ilustram bem a inteligência que brota daquelas conferências de imprensa. No rídiculo internacional, os corninhos do ex-ministro são apenas infantilidades. O resto parece ser atávico.

O convertido e o ventríloquo

Foi bonito assistir ao empolgamento de Nuno Morais Sarmento, esta noite, no "Prós&Contras" da RTP. Depois de andar uns tempos desaparecidos, eis que o antigo ministro volta a falar em "nós" quando se refere ao PSD e até já traça planos de governação e rejeita cenários, convicto que os sociais-democratas vencem as próximas eleições.
A última vez que o ouvi a falar, em público, foi num almoço organizado pelo "American Club" em que o convidado era... Paulo Rangel. Nessa altura - antes das eleições europeias, note-se - Morais Sarmento fez uma intervenção e apenas para dizer que não via "diferenças nenhumas" entre Rangel e Vital Moreira. Mudam-se os resultados, mudam-se as vontades.

Foi bonito também assistir, no mesmo programa, Nuno Melo a falar sobre criminalidade, lendo as cábulas. E lá vimos o deputado do CDS, de olhos postos na secretária, a dizer que "há mais crimes, mas menos criminosos nas cadeias" e que "há mais crimes, mas leis mais brandas". Bem que ele poderia ter decorado. Mesmo ausente, Paulo Portas é quase como Deus: está em todo o lado, nem que seja em papelinhos brancos, tamanho A5.

domingo, 5 de julho de 2009

Não, não é ministro da Economia

E deve perceber tanto de números como o Mário Soares.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Pudor lusitano. Ou como pegar o touro pelos cornos.

Segundo o Público, o que Manuel Pinho fez foi “um gesto impróprio - fez um par de chifres com os dedos”. A TSF descreve a atitude do ex-ministro como um “gesto considerado insultuoso”. O “i” viu “dois corninhos” apontados à bancada do PCP.

Pelos vistos é preciso dar um saltinho fora de portas para que os bois sejam chamados pelos nomes. Literalmente. O El País titula que Pinho se demitiu “depois de chamar cornudo” a um deputado e a BBC explica que “tradicionalmente os cornos identificam um homem cuja mulher é infiel”.

Europe's West Cornos (*)

Ao encostar os indicadores à cabeça (Chifres? Cornos? Antenas? “Olha, mãe, estou mais alto”?), Manuel Pinho fez mais pela projecção da imagem de Portugal no mundo do que os milhões de euros que gastou em campanhas duvidosas, do tipo Allgarve ou Portugal – Europe’s western coast.

E tudo isto sem gastar um cêntimo do dinheiro dos contribuintes. E ainda dizem que o homem era mau ministro.
(*) - título do post roubado ao primeiro comentário (o original era muito menos engraçado - "O génio incompreendido de Manuel Pinho"). Com a devida vénia ao verdadeiro autor.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Poderia ter sido pior


Vá lá, no ex-gabinete de Manuel Pinho, no Ministério da Economia, até voavam dossiês pelas janelas.

Dois dedos valem mais do que mil manifestações

O PCP andou, durante quatro anos, a organizar manifestações e protestos. 100 mil professores na rua, polícias a atirar com os chapéus, mais de 50 mil cartões vermelhos mostrados ao Tribunal Constitucional, outros milhares de militantes nas ruas, os gritos nas festas do Avante, os protestos nos primeiros de Maio e tanto barulho para nada. Bastaram dois dedos - dois únicos dedos - e caiu um ministro.

A Soares o que é de Soares

A esperteza saloia do Bloco de Esquerda já deu nisto: a página esquerda.net relaciona a má criação de Manuel Pinho como dirigida à bancada dos bloquistas. O gesto é feio, é certo, digno de qualquer tasca, mas pretendia insultar o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares. Aquela velha táctica de apagar fotos também serve para acrescentar factos.

Vendedor de banha da cobra cor-de-rosa


O líder da bancada socialista no PE, o alemão Martin Schulz (é o brincalhão do lado direito), deu hoje um triste espectáculo, ao tentar explicar a posição do seu grupo em relação a Durão Barroso.

No dia 19 de Junho, depois de os líderes dos 27 terem decidido dar a Barroso o apoio político unânime para um segundo mandato (sem formalizarem a nomeação para poderem proceder a consultas com o PE), Schulz considerou a decisão “totalmente inaceitável”, por não prever “uma consulta completa e oficial” com o PE. Agora, plagiando a posição do grupo liberal, lá reparou que “a proposta é apenas política, não é formal”, pelo que o PE… não pode proceder à votação.

Afirmou de forma solene e categórica que recusará qualquer entendimento com o PPE que envolva o novo grupo conservador anti-federalista, criado em torno dos tories britânicos. Mas esqueceu-se dos inúmeros acordos e votações conjuntas que levou a cabo com o PPE nas legislaturas anteriores, quando este grupo incluía… os tories e outros partidos que também participam no novo grupo.

O PSE perdeu as eleições europeias (o SPD de Schulz averbou o pior resultado de sempre), os socialistas fazem parte de meia dúzia dos 27 governos da União. Ainda assim, não se coibiu de exigir que, na futura Comissão, as pastas da indústria, ambiente, social, desenvolvimento, comércio e mercado interno sejam entregues a socialistas. E, já que estamos a pedir, porque não acrescentar a presidência da Comissão à lista?

Garantiu a pés juntos que, em 2004, Barroso foi nomeado na Cimeira da Primavera (que decorre em Março) e o PE teve vários meses para proceder a audições e o votar em Julho. Quando na realidade Barroso foi nomeado numa cimeira extraordinária convocada exclusivamente para esse efeito no final de Junho. E o PE, socialistas incluídos, aceitou proceder à votação passadas duas semanas, sem programas, nem nada do que agora se exige.

Schulz diz que não gosta de Barroso, nem das suas políticas, por isso… votará contra Durão caso o PE decida proceder a este voto já em Julho. E se o voto for adiado para depois do Verão, como defende o PSE? Bem, então logo que se vê.

Será que esta determinação e coragem têm alguma coisa a ver com o facto de Schulz não querer antagonizar completamente o PPE (maior grupo do PPE, que apoia Barroso e o quer votar já em Julho), na esperança de renovar o tradicional “acordo técnico” com os democratas-cristãos, garantido assim a presidência do PE para a sua pessoa na segunda metade do mandato? Depois de 15 anos no quase anonimato de Estrasburgo, este é um devaneio tão legítimo como qualquer outro.

Novela Barroso

Com a entrada em cena do novo Parlamento Europeu, o processo para a recondução de Durão à frente da Comissão Europeia passou a assumir os contornos de telenovela. Mexicana ou venezuelana, é o que ainda está por definir.

Para fazer com que o PE se sentisse envolvido no processo e por não terem a certeza de que Barroso teria aí garantida a maioria necessária, os líderes dos 27 optaram por apenas apoiar politicamente Durão para um segundo mandato, sem no entanto formalizarem a decisão. Mas deixando claro que o poderiam fazer de forma rápida a tempo da sessão plenária de Julho, logo após procederam a uma série de contactos com os representantes das novas famílias políticas do PE, que resultaram das eleições de 7 de Junho.

Tendo em conta a repartição de forças entre os diferentes grupos políticos, parece (embora não seja 100% certo, até porque o voto é secreto) que Barroso dispõe da maioria necessária à sua aprovação (conta com o apoio do PPE, do novo grupo conservador, de parte dos socialistas e de parte dos liberais). Além de que não há nenhum nome alternativo….

Mas acontece que, antes, o PE tem que decidir agendar o assunto na ordem do dia. E aí não existe uma maioria clara, pois se é inevitável que os grupos se dividam na hora do voto, já na hora de estabelecer a agenda, cada grupo conta como um bloco.

E é nesta questão de procedimento que os socialistas europeus, os grandes derrotados das últimas eleições, estão a investir todo o seu peso, no que parece ser um esforço desesperado de mostrar que ainda riscam qualquer coisa.

Porque enquanto os Verdes, com a pujança dos seus 50 deputados (em 736…) dizem claramente que esperam que o atraso permita a emergência de um candidato alternativo a Barroso, os socialistas nem isso têm coragem para assumir.

E até decidiram imitar os liberais na utilização do argumento de que o PE não pode votar Barroso, porque ele não foi formalmente nomeado (esquecendo-se de acrescentar que ele não foi formalmente nomeado precisamente para não melindrar o PE e permitir uma “auscultação” a que nenhum Tratado obriga).

E assim vai a política europeia, depois de umas eleições marcadas pela maior taxa de abstenção de sempre. Mas isso já é passado.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Abram alas à diversão!

Pedro Santana Lopes regressou. E com ele alguns momentos, gente e ideias que já provocava saudades. A começar pelas "santanetes" que não deixaram de aparecer: loiras, ruivas, morenas e até uma de cabelo verde. Acotovelavam-se para beijar o candidato, felizes por mostrar o bronzeado e a última operação plástica. Uma delas foi mesmo arrastada por um braço, pelo marido, para dar "um beijo ao Pêdo".
E chegaram mulheres do Algarve. Cada uma com um colar de plástico ao pescoço, identificando a terra de origem. Vieram de Albufeira, Faro, Tavira e Lagos.
E, num partido cuja líder detesta o espectáculo, houve um hino cantado no palco, écran gigante com três filmes (um deles com recurso à animação em computador), paredes forradas a verde, distribuição de brochuras luxuosas e até ofertas de uma pen.
E houve o candidato em palco, sozinho, ora debruçado, ora inclinado, ora hirto.
E surgiram as ideias: mais um túnel a atravessar o centro de Lisboa, mas Santana Lopes garante que quer reduzir o número de carros na cidade; de novo o Parque Mayer e novamente com Frank Ghery, "nem que seja preciso criar uma comissão arbitral"; mais jardins em vez de urbanizações; e outras coisas mais que cabiam em qualquer programa de qualquer partido.
Mas, desta vez, não houve direito à promessa de uma piscina em cada bairro.

Fica-lhe bem esses sentimentos de solidariedade

Pedro Santana Lopes acusou hoje a actual gestão da câmara de Lisboa de querer expulsar as pessoas que vivem na rua Brancamp e nas avenidas da Liberdade e Fontes Pereira de Melo. E isso, garante ele, preocupa-o. Assim, de repente, só conheço uma pessoa que vive na Brancamp: José Sócrates. Havia também um espanhol, mas foi despedido e voltou para a terra.

Por onde andaria Dias Loureiro?

Esta tarde, Pedro Santana Lopes juntou, no Jardim do Arco do Cego, em Lisboa, dirigentes actuais e antigos do PSD e mais uns amigos na apresentação oficial da sua candidatura à Câmara de Lisboa. Estavam, por lá, Manuela Ferreira Leite, Arlindo de Carvalho, Mota Amaral, José Luís Arnaut, Mafalda Lopes da Costa e tantos, tantos outros. Faltou Dias Loureiro. Consta que andava com outros afazeres.

Mistura explosiva

Juntar a justiça com o futebol só podia dar nisto: há eleições no Benfica? Haverá, algum dia, eleições no Benfica?