sábado, 27 de junho de 2009

JS continua a saber escolher o melhor Patrocínio

José Sócrates conseguiu igualar os aplausos destinados a Carolina Patrocínio. Pudera: prometeu empregar cinco mil jovens na Função Pública. Os jovens, crentes, esqueceram-se da outra promessa, mais ambiciosa, feita em 2005.

JS sabe escolher o melhor Patrocínio.


O PS, a JS e José Sócrates juntaram mais de 700 jovens na FIL, em Lisboa, para falar sobre políticas de juventude. Então por que raio esta jovem, na foto, convidada especial, recebeu mais aplausos do que o primeiro-ministro?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

O golpista que afinal é um exemplo

Ontem, num jantar com o grupo parlamentar do PSD, Manuela Ferreira Leite elogiou Pedro Santana Lopes, não fintando os termos, e considerando que ele é "um exemplo democrático". Pois, mas o mesmo "exemplo democrático" foi acusado, em tempos, pela mesma Manuela Ferreira Leite de querer liderar um "golpe de Estado":

"Sem um Congresso ninguém tem legitimidade para nomear um novo Presidente do PSD e, por inerência, primeiro-ministro. Tal configuraria um golpe de Estado no partido".

Na altura, Manuela Ferreira Leite era ministra de Estado e das Finanças e já estava a prever a sua saída com a fuga de Durão Barroso para Bruxelas.
Fica a dúvida: nas próximas eleições autárquicas, a líder do PSD vai querer apoiar um "exemplo democrático" ou um golpista?

Tábua da salvação

A empresa angolana, detentora do jornal "Sol", abanou alguns espíritos ao comprar parte do grupo Impresa, de Francisco Pinto Balsemão. Nada de novo. Há muito que os angolanos estão interessados em investir - e a sério! - na comunicação social portuguesa. Até porque a hora, em Angola, é de se contar as "espingardas" políticas, por que José Eduardo dos Santos não é eterno.
A pedido de um colega de profissão, tentei explicar as intenções e ambições dos angolanos. E recebi este comentário desesperado:

"Por favor, diz-lhes para comprar primeiro o nosso grupo. Primeiro nós, primeiro nós..."

Assim se passeia a glória portuguesa.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Fidelidades


Quem for pela primeira vez ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, e precisar de encontrar o gabinete de Edite Estrela, não tem nada que enganar: é o que tem uma enorme fotografia de José Sócrates à entrada. Igualzinha a esta.

Ela está no meio de nós

É nestes momentos que mais me lembro de Manuela Ferreira Leite: chegou o papelinho das Finanças para liquidar o Pagamento por Conta. É o segundo do ano.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dúvida teológica que só a tv pode desfazer

Seria possível a Nossa Senhora (de Fátima ou de Medjugore) entrevistar a Madre Teresa de Calcutá? Sim, a impossibilidade histórica vai acontecer, esta noite, na SIC-Notícias a partir das 21 horas.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Ele come tudo. Ela não brinca em serviço.

Paulo Rangel chegou, viu e açambarcou. O cabeça de lista do PSD nas europeias foi hoje eleito para uma das (muitas) vice-presidências do grupo parlamentar do PPE. Depois de já ter garantido a liderança da delegação laranja, indiferente ao facto de contar na equipa com alguém como Carlos Coelho, com anos e quilómetros de experiência europarlamentar.

Do lado socialista, terminada a campanha, as coisas voltam a ocupar a sua ordem natural. As rédeas da agora bastante mais reduzida delegação rosa continuam nas mãos de Edite Estrela.

Sondagens que aquecem o coração presidencial

O presidente da República, Cavaco Silva, referiu-se hoje, na Escócia, saber que há "sondagens que terão sido feitas e que manifestam uma preferência por eleições simultâneas". Tudo aponta portanto que Cavaco Silva escolha marcar as legislativas precisamente para o mesmo dia em que o Governo marcará as autárquicas. As sondagens reforçam-lhe apenas o desejo. Ainda bem que o presidente português, depois do que se passou nas últimas eleições europeias, continua a confiar nas empresas de sondagens.
E ainda bem que Cavaco Silva, que nunca comenta assuntos internos no estrangeiro, resolva falar dos seus estados de alma...na Escócia.
Recorde-se que, entre os partidos políticos com assento parlamentar, apenas o PSD, de Manuela Ferreira Leite, prefere eleições simultâneas.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Recado a Rangel

O Conselho Nacional do PSD está reunido, esta noite, num hotel em Lisboa para discutir a situação política. Pelos corredores do hotel, ao lado do bar, um dirigente social-democrata resolveu recordar as afirmações de Nicolás Sarkozy de outros tempos. Quando apenas sonhava com o Eliseu, Sarkozy confessou que gostava de ser presidente e que se via como tal "todos os dias de manhã até a fazer barba".
Recordada a história, o mesmo dirigente do PSD comentou:

"Ele podia dizer isso por que já tinha estatuto para o dizer. Mas há outros que ainda não têm esse estatuto para ambicionar cargos de presidente".

O 7 de Junho ainda só foi há 15 dias e Outubro ainda está longe. Isto promete.

TGV e a vontade de agradar a toda a velocidade

As declarações de Durão Barroso sobre o TGV são daquelas tiradas feitas por medida. Para agradar e para não se comprometer. Portugal espera receber para a alta velocidade 955 milhões de euros do Fundo de Coesão e 382 milhões das chamadas "redes transeuropeias". Os primeiros fazem parte do dinheiro já previsto para o país para o período de 2007 a 2013 e, se não for para o TGV, poderá ser renegociado para outra coisa qualquer. Tal como diz Durão.

Já em relação aos restantes 382 milhões, é diferente: eles servem para financiar "redes transeuropeias", mais concretamente projectos concretos de troços tranfronteiriços de ligações de âmbito europeu (TGV, auto-estradas, "auto-estradas do mar", etc). Se essas ligações não forem feitas ou forem muito atrasadas o dinheiro vai à vida, porque não é suposto ele financiar mais coisa nenhuma (a menos que Portugal sacasse da cartola alguma auto-estrada para Espanha de última hora). Mas, neste caso concreto, "vai à vida" é apenas uma forma de expressão. Porque é dinheiro que Portugal nunca veria, a menos que estivesse envolvido em projectos desta natureza (fosse o TGV ou outra coisa qualquer).

Por isso, sem dizer toda a verdade, Barroso também não está a mentir. E José Sócrates, que tanto o defendeu na semana passada em Bruxelas, agradece.

Nós Europeus??????

TGV e os fundos à velocidade que se quiser

Apesar da chuva de notícias a dar conta que Portugal terá de devolver fundos comunitários caso desista de construir o TGV, Durão Barroso esclareceu hoje em Lisboa o que já se deveria saber:

"Sanções não. Nem há devolução de fundos. Nesse caso (em caso de desistência), teria de renegociar. Se não utilizar os fundos que estão determinados para um projecto, pode e deve renegociar para outros. Se não os quiser perder, terá de renegociar, de certeza".

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A justiça é cega. Ou apenas míope.

No despacho em que justifica o arquivamento do inquérito dos “voos da CIA”, o Ministério Público concluiu que as pessoas em "situação de aparente detenção" vistas na Base das Lajes, Açores, "seriam militares norte-americanos" ou "dois detidos de nacionalidade portuguesa deportados do Canadá".

Ou então até poderia ser uma trupe de trapezistas chineses a actuar sem licença ou um grupo de Pauliteiros de Miranda apanhados a conduzir embriagados.

Ou seja, sem fazer a mínima ideia do que é que era, o MP tem a certeza absoluta do que não era. No fundo, podia ser qualquer coisa. Desde que não fosse aquilo que se suspeitava que pudesse ser.

6+2

8 - a quantidade de vezes que Durão Barroso disse, na conferência de imprensa na quinta-feira à noite, estar "orgulhoso" pelo apoio manifestado pelos líderes dos 27 a um segundo mandato na Comissão Europeia. Seis em inglês e duas em francês, no espaço de poucos minutos. Para que não restassem dúvidas. Além de se confessar "emocionado". E ainda dizem que os políticos não têm sentimentos.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Recordar é viver

Em Junho de 2005 a Lusa fez uma cronologia dos acontecimentos que, no ano anterior, conduziram Barroso à presidência da Comissão Europeia. Rezava assim a referência ao sucedido no dia 18 de Junho, há exactamente cinco anos:

18 Jun: Reunidos em Cimeira, em Bruxelas, os líderes europeus não chegam a consenso sobre o candidato do Conselho, e o nome do comissário português António Vitorino fica praticamente excluído. Em conferência de imprensa no final da cimeira, Durão Barroso diz que foi convidado por vários líderes, "e a todos disse que não era candidato".

O que se grita lá fora, engole-se cá dentro

Logo a seguir às eleições em Angola, a eurodeputada Ana Gomes resolveu, com uma certa dose de histeria e de irresponsabilidade, falar em "irregularidades" ao mesmo tempo que se queixava das condições dadas aos observadores. Ela própria foi uma observadora e, nessa qualidade, zurziu sobre a organização das eleições.
A 7 de Junho, as eleições, em Portugal, deram no que deram e até deu para eleitores votarem duas vezes. Estava à espera que a mesma Ana Gomes, apesar da derrota, fizesse um comentário sobre a organização portuguesa. Ou, com a mesma leviana rapidez que usou em Angola, sugerisse a presença de observadores em Portugal. Em Angola, não falta gente que gostasse de ir passear para Lisboa, tal qual Ana Gomes foi fazer para Luanda. Mas, certamente, com mais tino.

Com ele a miúda vai sempre atrás

E assim decorreu a viagem do chefe do governo e da líder da oposição: ele lá à frente, em executiva, ela umas cadeiras mais atrás, em classe económica.

Bloco Central pelos ares

José Sócrates e Manuela Ferreira Leite estão neste momento a bordo do mesmo avião da TAP, com destino a Bruxelas.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

As (in)certezas de Durão

Se as coisas correrem como se prevê, os líderes dos 27 vão amanhã apoiar a recondução de Barroso à frente da Comissão Europeia. Mas a decisão só será formalizada (e tornada irreversível) numa fase posterior. Dez anos depois, está na altura de Durão repetir e adaptar uma das frases mais marcantes da sua carreira artística nacional:

“Tenho a certeza que serei presidente da Comissão Europeia, só não sei é quando”.

Ai, vai ser tão difícil

José Sócrates agendou uma entrevista, na SIC-Notícias, para esta noite a partir das 21 horas. A entrevistadora será Ana Lourenço. No PS, espera-se tanta dificuldade na prestação do líder, mas tanta, que é a própria página de José Sócrates a anunciar a entrevista e a convidar toda a gente a assistir em directo e até com uma caixa de comentários aberta em socrates2009.pt.

Cordeiro? Só na Bíblia...

Andava meio mundo preocupado que José Sócrates tinha encolhido as garras, depois do resultado de 7 de Junho. Bastou um debate na Assembleia da República para se provar que Sócrates continua igual a ele próprio. Até acusou deputados de usarem "argumentos infantis". Paulo Portas, que resolveu apresentar uma folclórica moção de censura, tirou a conclusão do debate:

"O senhor primeiro-ministro está igual, absolutamente igual".

Já se pode então respirar de alívio. De cordeiros, só rezam as histórias da Bíblia. E, como se sabe, são sacrificados. Os que não são, ninguém os suporta.

Da abstenção nas europeias e outros demónios

Não faço ideia porque é que os europeus não votam nas europeias. Provavelmente deve haver tantas explicações quantos países e, dentro de cada um deles, uma panóplia de teorias e razões.

Mas a coboiada em que se está a tornar o processo de escolha do futuro presidente da Comissão Europeia mostra bem como o “Planeta Bruxelas” (com os seus eurodeputados, governos, comissões europeias e jornalistas) está longe da Terra.

Até agora só há um candidato à sucessão de Barroso: o próprio Durão. E a grande questão que consome o debate político europeu é saber se os líderes, no Conselho Europeu desta quinta e sexta-feira, lhe vão dar o seu apoio “jurídico” ou apenas “político” a um segundo mandato. Se o apoio for “apenas” político, terão que, numa ocasião posterior, tomar a tal decisão “jurídica”. Ninguém sabe muito bem como, nem quando isso poderá acontecer. Nem exactamente porquê.

Os argumentos para fazer uma coisa ou a outra são bastante variados. Alguns fazem sentido, outros nem por isso. Mas nada é muito claro. E parece que tudo acontece numa galáxia muito, muito longínqua daquela que no passado dia 7 de Junho ignorou completamente as eleições para o Parlamento Europeu.

E que tal um campo de reeducação?

O PSD anda ainda não se recompôs da surpresa de ter ganho as eleições e já andam, por lá, almas agitadas. Como as lentes dos binóculos apontam para uma vitória, Pedro Marques Lopes, amigo de outro Pedro, o Passos Coelho, veio fazer uma proposta revolucionária. De tal forma que faz lembrar, assim de repente, algumas sugestões, criadas noutros tempos, por alguns revolucionários. Reparem nestas pérolas:

"A verdade é que o PSD precisa duma espécie de controlador de opiniões...

Alguém que descodifique as infames conspirações organizadas...

Tem de ser uma pessoa humilde, séria (muito séria, mesmo) e sacrificando mesmo a sua vida pessoal, tenha a coragem de ir para os jornais (os sérios, claro), as televisões, para o blog (sério, bem entendido) denunciar publicamente os revisionistas...

...encabeçar uma espécie de tribunal para expurgar os maldizentes...

...o PSD purificado..."
Ou está para nascer a "superioridade moral dos sociais-democratas da Lapa" ou, não tarda nada, será criado um campo de reeducação. O texto, de inspiração maoista, pode ser lido aqui.


terça-feira, 16 de junho de 2009

Uma língua sem densidade própria

Luís Amado, o ministro dos Negócios Estrangeiros, confessou hoje, num colóquio sobre a Língua Portuguesa realizado na Assembleia da República, que o Instituto Internacional da Língua Portuguesa vive "uma indefinição e desorientação estratégica há anos". E acrescentou: "há que dizê-lo sem nenhuma ambiguidade".
Luís Amado só não esclareceu as razões para essa paralização. Afinal, há quatro anos que ele está no Governo - e já tinha sido secretário de Estado da Cooperação no tempo de António Guterres - e há mais de dois anos que dirige o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Mas a confissão do ministro deu para se perceber o alcance desta afirmação de Jaime Gama proferida precisamente no mesmo colóquio:

"Há ministros com densidade própria"

Ora deduz-se que há outros ministros sem densidade.

Há derrotas assim: transformam o sal em mel

José Sócrates, o animal feroz, anda mais macio. Diz quem conhece.

O silêncio é de ouro

É a máxima adoptada por Durão Barroso. Pelo menos até os líderes dos 27 decidirem apoiar a sua manutenção em Bruxelas por mais cinco anos, o que deverá acontecer na quinta-feira à noite. Até lá, as aparições públicas de Durão foram reduzidas ao mínimo indispensável e os contactos com a imprensa completamente banidos: foi anulada a habitual conferência de imprensa que antecede os Conselhos Europeus, bem como o pequeno-almoço que costuma realizar com um pequeno grupo de jornalistas de vários países na manhã do segundo dia da Cimeira (e cujo conteúdo é sempre em off).

Desafinação total

O Estado da cultura, em Portugal, é aqui bem retratado. Depois da Gulbenkian ter acabado com a sua companhia de bailado, Belgais segue--lhe os passos com a música, num projecto que já foi considerado de eleição. Por cá, quem não suportar os tonys carreiras e os concertos ensurdecedores vive mal. Resta uma consolação: de anos a anos, passa por cá a orquestra juvenil da Venezuela. Só para marcar diferenças entre quem defende a cultura e o... resto. A dimensão de um país não é apenas geográfica.

A silenciosa antecipação

Há meses que corre o rumor, em Angola, de que uma grande empresa de construção civil portuguesa teria sido comprada por angolanos. Há meses que se fala, em Angola, das intenções de ser criada, de raíz e em território angolano, uma grande empresa de construção civil. O interesse é óbvio: o país está em plena reconstrução de todas as infraestruturas, desde pontes a estradas, passando por hotéis, escolas e estádios de futebol. Por Angola, vão dominando, nos grandes projectos, uma empresa brasileira, que é, ela própria, quase um Estado dentro do Estado, e umas grandes portuguesas.
Antecipando-se aos rumores, às intenções que não passaram das longas conversas em bares de hotel e aos desejos de uns quantos portugueses e angolanos, a Mota-Engil acaba de formalizar a criação de uma empresa em Angola, juntando-se a capitais angolanos. Deve ser o maior passo, e certamente õ mais decisivo, da empresa. Curiosamente, a Mota-Engil nem sequer tinha entrado nesta lista de rumores. Foi pela calada e, desconfio, já deve estar com um olho nos países vizinhos de Angola.

No pasa nada?

Na edição de hoje do Público, os Montes Urais (a formação geográfica que separa as partes europeia e asiática da Rússia) foram rebaptizados. Passaram a ser os Montes Urales: "Brasil, Rússia, Índia e China vão afinar a uma só voz nos Urales". Até se podia pensar que fosse uma antecipação da aplicação de algum detalhe do acordo ortográfico, mas nem isso. É o que dá traduzir directamente um texto de uma agência estrangeira (espanhola? anglófona?), por alguém que nunca ouviu falar no assunto e que não tem ninguém para rever o texto e evitar a publicação do disparate. Um pequeno episódio que diz muito sobre o estado do jornalismo português.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Deixai vir a mim as criancinhas

No meio da sua intensa e ocupada agenda, Durão Barroso encontrou algum tempo para receber esta tarde um grupo de 27 jovens (um de cada país da União) que lhe vão entregar uma declaração de apoio à sua recandidatura à Comissão Europeia.

O “Manifesto 27” é uma iniciativa “de caris apartidário e têm especial relevancia no contexto actual europeu (sic)”, promovida por um jovem português que será igualmente o respectivo porta-voz.

Vamos partir do princípio que os erros de português se devem ao carácter transnacional e multilinguístico deste gesto das bases europeias e deixar esse aspecto de parte (depois de o resto das bases ter dito o que pensa disto tudo através da abstenção nas eleições europeias).

Mas não deixa de ser curioso ver Barroso arranjar tempo para este tipo de coisa, precisamente na semana em que os líderes dos 27 vão decidir o seu destino. Será que está à espera que o Manifesto provoque uma vaga de fundo que afogue os líderes europeus na evidência de que não há alternativa a Durão a não ser ele próprio? Ou será que o nervoso miudinho que se apoderou do ex-primeiro-ministro português nos últimos dias começa a levar a melhor?

Mistério jornalístico

É daquelas coisas que já aconteceram e se repetirão várias vezes enquanto houver jornais e jornalistas, mas que não deixam de ser intrigantes: um destacado responsável político português responde a várias perguntas de um grupo de jornalistas que depois as reproduzem nas suas rádios, televisões, jornais e agências. Ainda assim, apesar de toda a projecção que as ditas declarações tiveram, há alguém que as consegue publicar em formato de pergunta-resposta e assinar como se se tratasse de uma entrevista exclusiva a um único órgão de comunicação social.

A líder que se abandona a ela própria

Pode não ser inédito, mas é caso raro. Muito raro: Manuela Ferreira, acompanhada por José Luís Arnaut e Aguiar Branco, esteve reunida mais de 15 minutos com José Sócrates, em São Bento, a discutir o próximo Conselho Europeu. Terminada a reunião, a líder do PSD zarpou da residência oficial, sem qualquer comentário, evitando falar, como é normal nestas ocasiões, aos jornalistas.
Na sala de imprensa, uma jornalista comentava que Manuela Ferreira Leite até se "abandona a ela própria".

sábado, 13 de junho de 2009

O nunca tem muitas variáveis

O presidente da República, Cavaco Silva, que "nunca comenta assuntos internos quando está no estrangeiro", fartou-se de falar em Nápoles sobre...Portugal. Comentou a abstenção nas eleições europeias, a data para as próximas eleições legislativas e até sobre... Cristiano Ronaldo. Ninguém se lembrou de lhe perguntar sobre Dias Loureiro, ou outra coisa parecida, para ouvir a santificada e batida frase "o presidente da República NUNCA comenta assuntos internos no estrangeiro".

Ao beija-mão mundial, só falta o Obama

O presidente russo, Dmitri Medvedev, visita oficialmente Angola no dia 26 deste mês. Depois das eleições que resultaram numa esmagadora maioria ao MPLA, já visitaram Luanda o presidente francês, Nicolas Sarkozy, o Papa Bento XVI, o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, entre outros. José Eduardo dos Santos foi recebido com a pompa devida por Ângela Merkl, durante um périplo europeu que o levou a Portugal.
E, para este ano, estão anunciadas as visitas do novo presidente da África do Sul, Jacob Zuma, e do presidente do Brasil, Lula da Silva.
Neste beija-mão mundial, faltam Gordon Brown, mas esse nem sabe se fica muito tempo na cadeira do poder, e de Barack Obama. Alguns destes dirigentes e respectivos acólitos, ainda há pouco tempo, questionavam a legalidade de José Eduardo dos Santos continuar na presidência, sem que houvesse um novo escrutínio eleitoral (como se sabe, o último foi em 1992). Hoje, estendem-lhe vários tapetes vermelhos. E certamente nem se importariam que Dos Santos continuasse por lá por muitos e bons anos sem... eleições.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Prémios

Cavaco não vai sair de Itália de mãos a abanar. Leva daqui o Prémio Mediterrâneo Instituições 2009, atribuído pela Fundação Mediterrâneo “em reconhecimento pelo seu empenho e acção no reforço da solidariedade e de uma activa cooperação entre os países mediterrânicos, em favor da promoção do desenvolvimento e da Paz, nessa região”.

Uma descrição pomposa de um prémio recebido de uma Fundação pouco ou nada conhecida soa sempre bem. Mesmo que contraste com a cerimónia embaraçosa durante a qual o PR foi agraciado. Depois de assistir ao içar da bandeira portuguesa num terraço mal amanhado ao som do hino que saía de uma aparelhagem roufenha, Cavaco foi levado para uma “sala” no sótão do edifício da dita Fundação.

Aí, numas mesas arrumadas entre postes e armações metálicas que seguravam o tecto inclinado (e às quais era preciso dedicar bastante atenção para não as amolgar com a cabeça), Cavaco lá recebeu o prémio e discursou para uma mini-plateia, imagina-se que composta pelos membros da dita Fundação.

Tudo sob a batuta do presidente da dita, com a inevitável fita colorida a atravessar o peito, que tinha à disposição dos convidados resmas de revistas da casa, em que a sua fotografia aparecia página sim, página sim, ao melhor estilo de um mau boletim municipal em mês de eleições.

Tudo demasiado mau para não parecer tirado de um filme, mesmo dando de barato que o cenário é a inconfundível cidade de Nápoles. Não sei como é que estas coisas são organizadas, mas o PR tem mesmo que participar neste tipo de coisas, sem qualquer dignidade? Não há ninguém lá em Belém que se preocupe em averiguar previamente o que são estas fundações ou em que condições decorrem estas cerimónias?

Grupos e grupinhos

Cavaco Silva está em Nápoles a participar numa reunião do chamado Grupo de Arraiolos que, além do português, junta regularmente os chefes de estado de outros sete países da UE (Alemanha, Áustria, Finlândia, Hungria, Itália, Letónia, Polónia). Em comum têm o facto de não desempenharem funções executivas. Ou seja, não riscarem muito.

Se o painel só por si já é de peso, o facto de os presidentes da Finlândia, Letónia e Polónia não terem aparecido, não contribui em nada para a relevância do dito grupo. Que, de resto, só é “de Arraiolos” para os portugueses.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Era uma vez o grupo socialista no Parlamento Europeu...

Os socialistas europeus acabam de crescer um bocadinho. Anunciaram um acordo de princípio com o Partido Democrático italiano, para acolher no seu seio os 21 eurodeputados eleitos pela formação transalpina no passado domingo. Passam de 161 para 182 lugares (PPE tem 264 e os liberais 80, enquanto ainda há partidos que procuram a respectiva família).

Como não há almoços grátis, os italianos (que incluem ex-comunistas, ex-socialistas, ex-liberais e sabe-se lá mais o quê) exigem que o grupo passe a chamar-se Aliança dos Socialistas e Democratas Europeus.

Algo que os socialistas parecem dispostos a aceitar, até para disfarçar o chimbalau eleitoral. No fundo, não estão a fazer mais do que o PPE sempre fez, aceitar nas suas fileiras federalistas empedernidos e anti-europeus convictos, apenas com o intuito de ser a maior força política do PE. Mas é menos uma coisa que o futuro ex-PSE poderá atirar à cara do adversário.

Um carteiro de bicicleta, mas sem as cartas de Neruda


Um terço dos carteiros, cá deste correio, vai andar, em breve, montado nesta beleza vigiando o que anda a fazer a Câmara de Lisboa.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Pontaria

Quando acharem que alguma coisa está a correr mal ou que fizeram uma opção errada na vida, lembrem-se da história daquele senhor (que existe mesmo, esteve hoje em Bruxelas) que tirou o seu dinheiro do BPN para o pôr a salvo no BPP…

Barroso em campanha

A Comissão Europeia apresentou hoje as suas prioridades para a área da justiça e segurança, o chamado “Programa de Estocolmo”. Mas o comissário responsável pelo pelouro, o francês Jacques Barrot, teve que ceder as luzes da ribalta a Durão Barroso, que fez questão de ser o protagonista da apresentação da iniciativa. Que perspectiva as prioridades neste domínio até 2014. Precisamente a duração do mandato da próxima Comissão Europeia…

Nuance

Durão Barroso declarou-se ontem candidato a um segundo mandato à frente da Comissão Europeia. Mas, além da subtileza de o ter feito apenas após um pedido nesse sentido da presidência do Conselho Europeu (numa coreografia muito bem ensaiada), deixou a porta aberta a qualquer eventualidade:

“Verei se esta ambição é partilhada pelos governos europeus e pelo Parlamento Europeu e, então, apresentarei formalmente a minha candidatura.”

É que apesar de as coisas parecerem bem encaminhadas para a sua ambição, nunca se sabe o que pode passar pela cabeça do presidente francês. Além de que um possivel adiamento da decisão apenas para o Outono, pode dar tempo para que haja quem ainda quem mude de ideias.

Delírio em tons Verdes

Goste-se dele ou não, concorde-se ou não com o que defende, a verdade é que Daniel Cohn-Bendit tem um estilo empolgante. As intervenções do líder do Maio de 68 no hemiciclo do Parlamento Europeu constituem um dos raros momentos de interesse das sessões plenárias.

Depois de fazer dos Verdes franceses quase a segunda força política do país nas eleições do passado domingo, a morder os calcanhares aos desconsolados socialistas, Dany Le Rouge garante que o seu partido será uma “força de charneira”. Não só no plano nacional, mas também no PE, pois os Verdes foram o único grupo político a crescer em número de deputados, apesar da descida generalizada, devido à diminuição geral de lugares. Passaram mesmo a ser a quarta bancada mais numerosa.

Vai daí, desdobrou-se em propostas de entendimento político com os outros grupos e, sobretudo, parece empenhado na formação de uma “coligação anti-Barroso”. Sempre no seu tom empolgado e ainda mais avermelhado do que o sugere a alcunha, a dar a entender, usando a imagem de Sócrates, que “há um antes e um depois” desta eleição “histórica” para os ecologistas. Quase a fazer esquecer que, num PE claramente dominado pelo centro-direita, os Verdes têm apenas 52 eurodeputados, num total de 736…

terça-feira, 9 de junho de 2009

Onde é que eles se meteram?

Desde a divulgação dos resultados das eleições no domingo à noite que os socialistas europeus não se deixam ver. Alguns (poucos) estiveram no Parlamento Europeu esse mesmo dia, onde participaram em alguns painéis de comentadores que analisaram os resultados. Mas, uma vez essa obrigação cumprida… nem vê-los.

Todos os demais grupos políticos emitiram comunicados ou organizaram conferências de imprensa nos dias seguintes onde expuseram a sua análise dos resultados e se pronunciaram sobre os grandes temas destes dias: entendimentos internos no seio do PE e candidatura de Durão a um segundo mandato.

Parece que só este último assunto ainda é capaz de provocar alguma reacção dos lados do PSE e o líder da bancada da rosa no PE, o alemão Martin Schulz, lá veio dizer que se vão opor com unhas e dentes a tal cenário. Mas como as suas unhas e dentes encolheram bastante desde o passado domingo, parece que, para já, a prioridade é continuarem a tentar perceber como é que isso lhes aconteceu.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Não consta que seja engenheiro, mas...

Nos intervalos de ler e reler as mensagens que "aterram" nos seus dois aparelhos, Paulo Rangel desenha enquanto ouve os outros a discursar. Quando é Manuela Ferreira Leite, Rangel bem precisa de se motivar para evitar o adormecimento. O desenho de cima foi "roubado" depois do comício em Viseu e está muito bem guardado. Não sei se Rangel irá parar a Covilhã ou à Guarda, mas não lhe falta engenho.

Frase batida até à exaustão e que virou cartaz


O que sobrou de uma campanha vitoriosa


quinta-feira, 4 de junho de 2009

A campanha na máxima nitidez



É um cliché, mas aqui faz todo o sentido: umas imagens de uma campanha valem mesmo mil palavras, como se pode ver nesta foto, como uma das características mais notórias de Paulo Rangel: estar informado com o andar do mundo, quase ao segundo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Uma pérola de campanha

Paulo Rangel bem palmilha quilómetros sem fim à procura de chegar a todo o lado. Desde domingo, já passou por Nisa, Portalegre, Mação, Bragança, Vila Real, Tomar, Porto e Braga. O candidato não poupa esforços. O problema é... mesmo a organização. De tal forma que Rangel fez, esta manhã, uma passeata a pé, pelas ruas da sua infância, com passagem pelo colégio onde estudou, mas ... sem jornalistas. Ninguém, do PSD, avisou os repórteres que fazem a cobertura da campanha.
Aliás, os jornalistas desesperam com os horários e os desencontros: horas alteradas, moradas modificadas, programas incompletos ou demasiado preenchidos que nem uma hora sobra para se escrever ou enviar material.
Reparem nestes "pormenores":
Duas equipas de televisão marcaram o início do programa à porta do hotel e ficaram meia-hora à espera. Depois, aperceberam-se que o candidato já tinha partido.
Dois jornalistas foram fintados na morada da Ordem dos Advogados, onde estava marcado um encontro com Paulo Rangel, e foram parar, por indicação da organização, ao bar de alterne "Pérola Negra".
E fica esta sensação: pelo esforço, pela disponibilidade, pela simpatia, pela inteligência e sagacidade nas respostas, Paulo Rangel não merecia que lhe organizassem uma campanha assim.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Regresso à tradição

Depois de vários dias a arroz de pato, o lombo de porto entrou na campanha do PSD. Aghnnn...

Faltam a lady Marian e o rei Ricardo

Paulo Rangel a recordar a infância, em Bragança

"O PSD está na situação de Robin Hood da agricultura. O Governo é um avarento, é o
xerife de Nottingham, é o Tio Patinhas da agricultura"

domingo, 31 de maio de 2009

O verdadeiro olho de repórter


Imagens como esta de Paulo Rangel em campanha podem ser vistas neste blogue, de um homem com uma câmara na mão. O autor é um excelente repórter de imagem e vai publicando alguns instantâneos. Em todos. há um olhar sempre diferente. Em campanhas eleitorais e não só...

Como Barcelos deu razão a Manuela Ferreira Leite

Apesar de Manuela Ferreira Leite ter anunciado publicamente que não gostava de comícios, o PSD arriscou fazer um, em Barcelos. A terra até prometia. Já foi uma espécie de "cavaquistão", quase à semelhança de Viseu, e mantém a fama de ser "laranja". Mas a noite foi aziaga.
O "speaker" até insistia em chamar gente. Pedia para os jovens - onde estavam eles, naquele "mar" de idosos? - se aproximassem do ringue. Mas nada. Até dava para fazer uma partidinha de futebol.
Chegaram pessoas das aldeias mais próximas. Durante a noite, houve um esforço de mobilizar os jovens. Mas o comício, propriamente dito, teimava em não passar das intenções.
Uma hora e meia depois, já sem haver esperanças de encher o pavilhão, começou o dito comício. Mesmo assim com clareiras. Para disfarçar, Paulo Rangel descobriu "uma moldura humana". Manuela Ferreira Leite foi pouco modesta:

"Esta mobilização, este entusiasmo faz-me renascer"

Talvez por não querer renascer desta forma é que Manuela Ferreira Leite garante não gostar de comícios. Barcelos mostrou que ela tem fortes razões para isso.

sábado, 30 de maio de 2009

Delírio sobre rodas


Manuela Ferreira Leite, no seu melhor estilo, durante um comício em Vagos, numa iniciativa de campanha para as europeias do PSD:


"Há meia dúzia de dias, este Governo aprovou um diploma que vai ser obrigatório - obrigatório, sem oportunidade de escolha - para todos os aqueles que disponham de um veículo automóvel, não só um veículo automóvel, triciclos, bicicletes... ahn ahn ahn .... tudo o que ande, tudo o que ande com rodas, todos vão ser obrigados a ter um sinal na sua matrícula que identifica a localização desse veículo. Como não sei como é que os veículos com rodas andam sem condutor, quer dizer que cada um de nós vai passar a ser localizado em qualquer momento o sítio em que alguém - a gente não sabe quem - vai poder fazer esse controle."


Fica assim percebido por que razão a líder do PSD não gosta de comícios.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Talvez sejam permitidos murros e pontapés

Manuela Ferreira Leite, hoje, em declarações aos jornalistas, durante uma "visita" à rua em Aveiro:

Estou a mostrar a minha indignação pela indignidade da campanha, pelo nível que o PS está a tentar pô-la. Percebe-se que é o desespero de um candidato. Mas as campanhas eleitorais não podem permitir tudo, só podem permitir algumas coisas.

PSD e PS consideram "vital" imposto europeu

Os eurodeputados do PS e do PSD votaram em bloco nesta legislatura um relatório aprovado pelo Parlamento Europeu, que propunha a criação de um imposto europeu e o estabelecimento de meios de financiamento próprios da União, exactamente nos moldes apresentados esta semana por Vital Moreira.

Em Março de 2007, a quase totalidade da delegação socialista (Edite Estrela, Capoulas Santos, Elisa Ferreira, Ana Gomes, Manuel dos Santos, Jardim Fernandes, Hasse Ferreira, Jamila Madeira, Sousa Pinto, Fausto Correia e Paulo Casaca; Francisco Assis não participou na votação) e da bancada social-democrata (Carlos Coelho, Deus Pinheiro, Silva Peneda, Assunção Esteves, Duarte Freitas e Sérgio Marques; Vasco Graça Moura não participou no voto) votaram favoravelmente o relatório que foi aprovado por 458 votos a favor, 61 abstenções e 117 votos contra, entre os quais os dos parlamentares do PCP (Ilda Figueiredo e Pedro Guerreiro), Bloco de Esquerda (miguel Portas) e Ribeiro e Castro, do CDS-PP (Luís Queiró não votou).

Algumas passagens do dito documento (não, esta parte não está nos 'considerandos'): “a curto prazo ainda é prematuro estabelecer um novo imposto genuinamente europeu”, mas isso “não exclui a possibilidade de os Estados­-Membros decidirem se e quando cobrar novos impostos e de, na mesma fase ou posteriormente, decidirem autorizar a União a beneficiar directamente das respectivas receitas”.

Na exploração de “eventuais opções para o futuro”, “será VITAL examinar a possibilidade de criar um novo sistema de recursos próprios baseado num imposto já cobrado nos Estados-­Membros”, que deveria ser posteriormente “total ou parcialmente canalizado para o orçamento da União Europeia como um verdadeiro recurso próprio”.

Como diria o outro, “Rangel e Vital, é parecido, é mesmo igual”.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Uma campanha de 5 estrelas

São muito agradáveis os hotéis que Paulo Rangel e o PSD escolhem para fazer campanha. Estou a escrever este post no bar-restaurante do Sheraton com uma deslumbrante vista sobre Lisboa. Ontem, estive com autarcas num dos "resorts" mais luxuosos do Algarve, em Albufeira. Antes tinha passado por um hotel em Faro, vá lá de quatro estrelas, mas com lindíssimas reproduções de quadros de Miró. Agora, vou para o Hotel Sana, ali mais ao lado, para ouvir professores.

Um nome que queima os lábios

Paulo Rangel, quando foi questionado sobre a demissão do ex-ministro Dias Loureiro de conselheiro do Estado, disse aos jornalistas que estava de acordo, mas nunca se referiu ao nome, usando as expressões "ele próprio", a "pessoa em questão".
Do lado socialista, Vital Moreira, perante a mesma questão, remeteu os jornalistas para um artigo escrito no seu blogue.

Para Angola, rapidamente, em fuga que a fome aperta

A TAP dá mais um contributo para a debandada. A partir do dia 5 de Junho, aumentam os voos para Angola. Passam a ser 11 por semana. Mas como a companhia aérea portuguesa não deve estar solidária com a vontade de muitos portugueses - ou melhor, até deve aproveitar-se disso - os preços dos bilhetes vão continuar proibitivos. Que falta faz a concorrência!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Devagar, pára, arranca, devagar

Paulo Rangel só começou a campanha às 16 horas com uma conferência na Universidade do Minho. Perdeu uma manhã inteira porque deixou escapar um avião que o deveria trazer da Madeira. Como um azar nunca vem só – ou uma organização? – Paulo Rangel ainda teve de suportar um jovem da JSD a fazer um discurso de 20 minutos com os temas que deveria ser o próprio Rangel a discorrer.
Há dias assim, tranquilos, suaves, como se não houvesse eleições daqui a nada.

Saúde sim, mas só para alguns

Uma apoiante de Paulo Rangel e do PSD foi a uma conferência no Porto questionar a saúde gratuita, dizendo que “não se pode pagar seis consultas em três meses a uma mesma pessoa e mais as análises”. Paulo Rangel limitou-se a defender uma sistema de saúde misto.

Haverá uma terceira via?

Outra apoiante de Paulo Rangel lançou esta certeza, no encontro no Palácio da Bolsa no Porto

“A incidência da sida já é maior entre os heterossexuais do que nos toxicodependentes"

Um denominador comum

Um ex-secretário de Estado de um governo de Cavaco Silva, Oliveira e Costa, acusa um ex-ministro de um Governo de Cavaco Silva e actual conselheiro de Estado de Cavaco Silva, Manuel Dias Loureiro, de ter mentido e, de carrinho, garante que outro ex-ministro de Cavaco Silva, Miguel Cadilhe, foi para o BPN “apenas para ganhar muito dinheiro”.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Separados à nascença?

Galocha!


Serve o presente post para informar Vexa.s que afinal não foi mesmo preciso galochas para a manifestação (perdão marcha) do passado 23 de maio.

Será que ainda alguém dúvida das nossas fontes!

Cremes socialistas

"Depois do jantar em Valongo e do beijinho a Sócrates, uma senhora revela à amiga:

-Ele tem a pele macia...

Resposta da outra:

-Pudera, num usa Nibea nem cremes dos trezentos... *"

*In "Escola de Lavores"

domingo, 24 de maio de 2009

Simples, directo ao assunto e todos percebem

Primeiro, Vital Moreira falou em "tranquiberne" e hoje saiu-se com isto. Um verdadeiro hino de como não se faz uma campanha. Onde andarão os apregoados assessores de Obama?

Quem diz a verdade....

Álvaro Amaro, presidente da Câmara de Gouveia, ex-secretário de Estado da Agricultura no tempo de Cavaco Silva e dirigente do PSD, resolveu fazer uma confissão, durante um encontro de sociais-democratas, onde esteve presente Paulo Rangel:

"Nós políticos terminamos por norma os discursos - e eu também - a dizer "meus amigos todos queremos um país mais justo, mais rico. e mais solidário, oh diabo!, falhámos. Por que ele é menos rico, menos justo e é muito pouco solidário".

Alguém, também no PSD, terá ficado com as orelhas da arder?

Uma organização laranja pálido


Eis o cartão de acesso para jornalista mais original que alguma vez me foi dado.


Muy bien, Joselito!

Parece que pertence definitivamente ao passado o tempo em que José Sócrates se deixava filmar pelas câmaras de televisão, enquanto falava ao telemóvel com o seu homólogo espanhol, num portunhol duvidoso (num daqueles episódios que causa um embaraço semelhante às prestações de alguns concorrentes em concursos de descoberta de novos talentos musicais…).

Segundo a imprensa espanhola, no comício em que ontem participou, em Valência, o primeiro-ministro português expressou-se na língua de Cervantes de uma forma que oscilou entre o “castelhano perfeito” (El País) e o “espanhol correcto” (El Mundo).

E foi assim que exprimiu a sua “admiração e apreço” pela forma de governar dos socialistas do país vizinho, onde a taxa de desemprego é a mais elevada da União Europeia, podendo mesmo vir a ultrapassar a barreira dos 20%.

Na estrada com eles...

O "Correio Preto" vai cobrir, nos próximos 15 dias, a campanha do PSD e, em especial, a seguir os passos e as corridas por essas auto-estradas de Paulo Rangel. Mas vamos estar atentos à campanha do PS, via "Escola de Lavores". Prometemos não perder pitada.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Modernices


O PCP anda agora armado em Moderno. Ele é sites da Internet personalizados para as eleições autarquicas, ele é marchas, mas ele também é comercio!

O Correio Preto sabe que se preparam kits do Manifestante (ou melhor do marchante) que serão distribuídos por todos aqueles que marcharam aquela distancia incrível entre o Saldanha e o Marquês de Pombal pelo Protesto, Confiança e Luta. O kit será composto por sapatos tipo manhosos à venda no mundo do calçado da Rua da Palma e por edições especiais de garrafas de agua com o nome daquele que todos gostavam de atingir.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Foi você que pediu uma "Marinha Grande"?

Vital Moreira ensaiou a “sua” Marinha Grande no 1º de Maio. As coisas correram-lhe bem, mas nem assim a campanha parece descolar.

Que tal uma repetição? Pode ser já no sábado, dia 23 de Maio. Parece que o PCP organiza uma marcha em Lisboa. Basta ir lá (tentar) cumprimentar alguém, ou então passar na zona por acaso (saída prevista do Saldanha às 15h00, não chegue atrasado e desta vez não se esqueça do guarda-chuva para se proteger dos salpicos).

Já agora, leve um amigo também. Pode ser Pedro Namora, que entregou recentemente o cartão de militante do PCP para encabeçar a lista do PPM à Câmara de Setúbal, dirigida pelo… PCP. Os seus ex-camaradas deverão adorar reencontrá-lo e cada um tem direito à sua Marinha Grande.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades políticas

Paulo Portas defendeu esta noite, em entrevista à SIC, a demissão de Lopes da Mota do cargo que ocupa no Eurojust. E à opinião adicionou-lhe um conselho moralista:

"Eu teria saído logo na abertura do inquérito..."

Quem pensa assim e aconselha assim, é precisamente o mesmo homem que foi ministro da Defesa ao mesmo tempo que estava a ser investigado por causa da Universidade Moderna (a tal que fechou, entretanto). Na altura, o que fez Portas? Demitiu-se mal soube da abertura do inquérito? Pediu a exoneração do cargo quando choveram suspeitas sobre ele? Não. Manteve-se firme no cargo.
E, já agora, é bom recordar a posição do PS: pediu a demissão do ministro, com declarações inflamadas feitas à comunicação social, com cartas dirigidas ao PGR e no Parlamento. E com o próprio secretário-geral, Ferro Rodrigues, a fazer ultimatos. Outros tempos, outros tempos...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Barroso atleta


O incêndio que hoje deflagrou na sede da Comissão Europeia parece ter sido, afinal, mais fumo do que fogo. Mas foi o suficiente para testar o sistema de alarme e obrigar à evacuação do edifício.

Menos sorte tiveram os funcionários que trabalham nos andares cimeiros do Berlaymont que, com os elevadores desactivados por questões de segurança, tiveram que descer a pé. Foi o caso de Durão Barroso, que teve que galgar assim os lances de escada dos 13 andares que separam o seu gabinete da rua.

Consta que desde que se atreveu a participar num jogo de futebol (há três anos, em Viena), que Barroso não efectuava semelhante prova de esforço. "Ainda bem que era a descer", desabafou um dos seus colaboradores.

Debandada II


Tal como antecipávamos em Fevereiro, com o aproximar do fim do mandato confirma-se a debandada de elementos da equipa de comissários dirigida por Durão Barroso.

A lituana Dalia Gribauskayte foi ontem eleita presidente do seu país. Volta a Bruxelas apenas para picar o ponto e assumirá funções logo que as formalidades pós-eleitorais estejam todas cumpridas. Segue assim os passos dos seus colegas italiano, britânico e cipriota, que trocaram todos Bruxelas por cargos ministeriais nos respectivos países.

Mas este êxodo não vai ficar por aqui. Hoje mesmo, a comissão anunciou que outros quatro elementos do colégio (o comissário belga e as comissárias búlgara, luxemburguesa e polaca) vão suspender funções para se poderem candidatar às eleições para o Parlamento Europeu. São todos cabeças-de-lista dos respectivos partidos às eleições do próximo dia 7 de Junho e o seu regresso às actuais funções parece assim uma possibilidade bastante remota.

Sendo assim, dos 25 comissários que iniciaram funções com Durão Barroso em 2004 e dos dois que se juntaram à equipa em 2007, apenas 19 cumprirão o mandato na íntegra.

Burning down the house


A sede da Comissão Europeia acaba de ser evacuada, depois de o alarme de incêndio ter sido activado. Os eurocratas deram lugar aos bombeiros e à polícia.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Afinal as notas de banco encontradas na rua são para devolver…

Na passada terça-feira, ao mesmo tempo que a Assembleia Nacional francesa votava a lei HADOPI (que permite bloquear o acesso à internet a quem efectue downloads ilegais), o ministro da cultura criticava semelhante abordagem, sem papas na língua. Porque tem contornos “censórios” e porque há a percepção generalizada de que “se existe na net é para poder ser fruído por quem tiver acesso à net”, pois as pessoas sentem que “se alguém pôs (música ou filmes na net), eles limitam-se a usar aquilo que está disponível, como quem encontra notas de banco no chão, apanham e é de quem as agarrar”.

Uma posição digna do Partido Pirata sueco.

Mas bastou a Sociedade Portuguesa de Autores considerar tais afirmações “lesivas” dos seus interesses, para o ministro, logo no dia a seguir, patrocinar a criação de um grupo de trabalho para defender os direitos dos autores e dos artistas portugueses, ameaçados pelos descarregamentos ilegais na Internet.

E Pinto Ribeiro aproveitou para clarificar as coisas: "[A Sociedade Portuguesa de Autores] julgou que eu tinha dito coisas que não disse. Eu depois disse-lhes o que disse e eles disseram 'Ah, mas se foi isso que disse, nós ficamos contentíssimos”.

Aqui ficam as declarações originais do ministro:


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Portugueses

Segundo o Público de hoje, estes pândegos são médicos portugueses, a brincar aos piratas no decorrer de um congresso de ginecologia na Malásia.

E esta foto, que foi capa do DN no início de Abril, mostra-nos os bravos da fragata Corte Real, a caçar piratas algures ao largo da costa da Somália (descrição mais detalhada aqui).


Ou será que troquei as fotografias? Seja como for, são imagens inspiradoras.

De socialista freelance a socialista em full-time

Ainda a procissão da campanha das europeias vai no adro e já Vital Moreira, que se auto-definiu como um socialista freelance, teve tempo para dar palpites sobre Manuel Alegre e a vida interna do PS, de se pronunciar sobre a permanência de Lopes da Mota no Eurojust, de comentar a violência em Setúbal e de se auto-promover a “face visível” do PS. Para já não falar de toda a gestão corrente do burgo regularmente analisada e opinada no blog e no Público.

Imaginem quando lhe der para começar a militar também nas horas extraordinárias. Nessa altura será melhor António Vitorino arranjar outra coisa qualquer para fazer nas terças à noite, porque já há substituto para as notas soltas na RTP.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Eurodeputados faltosos e assíduos

Depois de muitos anos de cambalhotas, promessas adiadas e de várias organizações mais ou menos independentes o terem feito, o Parlamento Europeu decidiu finalmente colocar online a lista de presenças dos eurodeputados nas sessões plenárias. Está disponível aqui e basta clicar no nome do deputado e consultar a “lista de presenças”, quase no final da página.

É verdade que só tem as sessões plenárias de Estrasburgo (não conta com as sessões de Bruxelas, nem com as reuniões das comissões parlamentares) e que são dados brutos (não tem em conta faltas eventualmente justificadas por motivos de saúde ou de trabalho parlamentar). Mas é melhor do que nada. E, no caso português, dá-nos uma lista aberta e fechada por socialistas (a percentagem indica a taxa de presenças nas sessões entre Julho de 2004 e Março de 2009).

97% - Jamila Madeira e Manuel dos Santos (PS)
95% - Elisa ferreira, Edite Estrela, Capoulas Santos e Jardim Fernandes (PS)
93% - Pedro Guerreiro e Ilda Figueiredo (PCP); Armando França e Paulo Casaca (PS)
92% - Vasco Graça Moura e Carlos Coelho (PSD)
89% - Luís Queiró (CDS)
88% - Silva Peneda (PSD)
86% - MÉDIA
84% - Hasse Ferreira (PS)e Deus Pinheiro (PSD)
83% - Assunção Esteves (PSD)
80% - Sérgio Marques (PSD)
76% - Ana Gomes (PS)
74% - Miguel Portas (BE)
73% - Ribeiro e Castro – CDS
70% - Duarte Freitas (PSD) e Sérgio Sousa Pinto (PS)
65% - Francisco Assis (PS)

As eleições são tão doces...

Pela primeira vez, em quatro anos de presenças na Assembleia da República, José Sócrates pediu desculpa aos jornalistas para acabar a ronda de perguntas. Ao contrário do que lhe é habitual, não se retirou, disparado, com ar zangado. Além do pedido de desculpa, saiu-se com este desabafo:

"Já respondi a tanta pergunta que já estou um pouco cansado".

Pela primeira vez, em quatro anos de governação, José Sócrates confessou-se cansado. Comentário irónico de uma jornalista no Parlamento:

"Coitado, não dorme por causa dos números do desemprego"

Dores de cabeça para Setubal


Um homem habituado às grandes lutas Pedro Namora é o candidato do PPM (!!!) à Camara de Setubal! Terá o comunista (recém ex) sentido a Voz monarquica que clamava por ele ? Ou simplesmente se sentiu com vontade de chatear a ex-Patroa Dores Meira e agarrou o primeiro partido que lhe deu uma abébia?

A comer a papa

Um grupo de activistas lançou um blogue, o papamyzena, que vai servir de apoio ao PSD para as próximas eleições europeias. Não lhes falta imaginação, nem na ideia nem no próprio "layout" do blogue. Daí que facilmente se perceba que, apesar do apoio ao PSD, o blogue não tem a cara da actual direcção social-democrata. Nem a cara de quem a apoia e que já criou aqueles fúnebres cartazes que andam por essas ruas.
Aliás, a linha editorial do novo blogue explica logo ao que vem. Reparem neste naco de texto:

Que não cabe ao Estado apoiar certas empresas, em detrimento das demais; alguns cidadãos, com prejuízo da maioria. Um dia seremos forçados a agir, para que o Estado não se transforme no nosso mestre, mas cumpra a função de ser o nosso servo.

Hum.. temos aqui alguém que certamente não está de alma e coração ao lado de Manuela Ferreira Leite. Ou como diz a velha sabedoria popular, há aqui "gato escondido com o rabo de fora". Ou será antes pedro escondido com ideias de fora?

terça-feira, 12 de maio de 2009

Como votaram os eurodeputados


É porventura o instrumento mais completo e útil criado até agora para descortinar o labiríntico mundo das votações no Parlamento Europeu (que disponibiliza a informação, mas de uma forma que limita bastante uma análise sistemática).

Através do votewatch.eu é possível ficar a saber a posição de cada eurodeputado na hora de votar todos os relatórios e resoluções da legislatura; perceber se seguiu o voto do seu grupo político e a respectiva tendência nacional; perceber as convergências e divergências entre países e grupos políticos nos principais temas da política europeia; perceber se os eurodeputados participaram ou não nas votações.

O site foi criado por iniciativa de responsáveis do European Policy Center e contou com a participação de especialistas da Université Libre de Bruxelles e da London School of Economics. À primeira vista a consulta pode não parecer fácil, mas vale a pena o esforço.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Proposta "fast-food"

O CDS, através do líder parlamentar Diogo Feio, apresentou esta manhã uma proposta para que seja isentado o pagamento de IRS, durante dois anos, a licenciados que estejam no primeiro emprego. A ideia foi transmitida aos deputados do CDS, nas jornadas parlamentares a decorrer em Aveiro, por um empresário, às 11 horas. A proposta do CDS foi anunciada pouco depois do meio-dia.

Com exemplos destes...

"Não fiquem decepcionados, Portugal teve de esperar sete anos", terá dito Cavaco Silva a um grupo de jovens turcos, a respeito do tempo que o seu país tem estado à espera para aderir à União Europeia.

Ainda segundo o Público de hoje, as declarações do Presidente foram feitas antes de partir de visita para aquele país, levando na bagagem o “exemplo de paciência portuguesa para aderir à UE”.

Esperemos que, quando chegar ao destino, Cavaco seja mais comedido no uso desta fanfarronice paternalista, ou os anfitriões ainda terão que lhe recordar que o pedido de adesão da Turquia ao clube europeu foi feito em 1987 (há 20 anos) e que o país tem um Acordo de Associação assinado com a União desde 1963.

E que, apesar de estar a negociar formalmente a adesão, há países, como a Alemanha e a França, que não aceitam oferecer a Ancara mais do que uma “parceria privilegiada”, assim uma espécie de sala de espera da ‘casa europeia’.

Le PS, c'est moi!

Religiões

Durão Barroso acaba de realizar mais um dos habituais encontros com líderes das "três principais religiões monoteístas". Entre cristãos, judeus e muçulmanos, também lá estava Joaquin Almunia, o comissário europeu responsável pelos assuntos económicos e monetários, o "guardião" do Pacto de Estabilidade e Crescimento.

domingo, 10 de maio de 2009

O meu candidato é bom, mas o outro é muito melhor

José Sócrates apresentou hoje oficialmente o cabeça-de-lista do PS à Câmara de Oeiras: Marcos Perestrello. O secretário-geral do PS, à falta de outros argumentos, lá foi dizendo que o seu candidato é um "jovem com futuro e ambicioso". O problema foi quando explicou as razões para o PS ter um candidato: a avaliar pelas declarações dele, não há:

"O novo desafio de Oeiras é sem dúvida esse: o de continuar o caminho de excelência e de qualidade, de aposta no ambiente urbano... "

E, ainda não satisfeito, Sócrates repetiu a ideia:

"Vamos continuar o caminho da qualificação e da excelência, mas vamos dar a Oeiras também um novo fôlego"

Talvez por isso, escrevi que Marcos Perestrello é cabeça-de-lista e não candidato à presidência da câmara.

Só faltam os eleitores

Marcos Perestrelo, vereador na Câmara de Lisboa, está a apresentar, esta tarde, a sua candidatura à Câmara de Oeiras. Não lhe faltam apoios: já chegaram dirigentes do PS de todo o país, até membros do Governo. Como comentou um dos dirigentes, num dos corredores do hotel, "só falta gente de Oeiras".

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Euro nuances 2

Ainda a propósito do apoio que o PS deve dar ou não à recandidatura de Durão Barroso à Comissão Europeia, tema que ainda deve surgir várias vezes ao longo da campanha para as europeias. Ou de como esta coisa de conservadores e socialistas pouco ou nada conta nestas ocasiões.

Em 2004 o “candidato do consenso” à sucessão de Romano Prodi era o conservador luxemburguês Jean-Claude Juncker que apenas não entusiasmava os britânicos, que o consideravam demasiado federalista, e que se auto-excluiu da corrida pois acabava de ser reeleito como primeiro-ministro do seu país. Surgiram assim os seguintes candidatos:

-o liberal belga Guy Verhofstadt, apoiado pelo social-democrata alemão Gerhard Schroeder, pelo conservador francês Jacques Chirac e pelo conservador luxemburguês Jean-Claude Juncker;

-o conservador britânico Chris Patten, apoiado pelo trabalhista britânico Tony Blair e pela generalidade dos conservadores europeus (à excepção de Juncker e de Barroso);

-o socialista António Vitorino, apoiado pelo “social-democrata”/conservador (em termos europeus) português Durão Barroso (com que empenho, isso é outra história).

As duas primeiras candidaturas auto-anularam-se. Vitorino, além do apoio de Portugal, não obteve um único apoio suplementar, nem mesmo de Espanha, então já governada pelos socialistas de Zapatero.

O coelho a saltar da cartola, depois de Juncker voltar a dizer ‘não’, acabou por ser o próprio Barroso (conservador), com o apoio entusiástico de Blair (trabalhista) e do PPE (conservador) e a aceitação mais ou menos resignada dos demais.

Quer isto dizer que Barroso é o melhor candidato, ou que fez um bom trabalho e merece lá continuar, ou que tem a recondução garantida, ou que os socialistas europeus não devem ter um candidato próprio? Não. Só para explicar que alguns argumentos avançados para contestar o apoio de Sócrates a Durão não fazem muito sentido. E, já agora, para lembrar que Durão só assumiu funções depois de empossado pelo Parlamento Europeu e com o apoio de muitos eurodeputados socialistas.

Euro nuances

A patética “Cimeira do Emprego” que ontem decorreu em Praga mostra bem como, saindo do pequeno rectângulo, são estéreis as discussões que surgiram nos últimos tempos entre os socialistas portugueses sobre se devem apoiar Barroso para um segundo mandato em Bruxelas ou se os socialistas europeus devem ter um candidato próprio.

Os líderes dos 27 desmultiplicaram-se em Cimeiras e Conselhos extraordinários para coordenar à resposta à crise financeira e económica, para mobilizar milhões e tranquilizar mercados, instituições financeiras, empresas, etc. Chegaram a encontrar-se quase em semanas seguidas e ai de quem faltasse!

No meio dessa incontinência de desorientação e pânico disfarçados de determinação alguém se lembrou que seria boa ideia realizar uma iniciativa semelhante para responder às consequências sociais da crise, numa altura em que o desemprego já ultrapassou os 20 milhões e não dá sinais de abrandar.

A sugestão partiu do governo checo, ultraliberal, e foi defendida desde o início por Durão Barroso. Chegou a ter data marcada – o dia 7 de Maio. Mas em Março, os líderes dos 27, entre os quais todos os governos socialistas da União (Sócrates também lá estava, naturalmente), decidiram esvaziar a iniciativa com o argumento de que não valia a pena criar falsas esperanças entre os cidadãos. Em vez de uma “Cimeira do Emprego”, com todos os chefes de estado e de governo, passou a ser uma “mini-Cimeira”, que se limitou a um breve encontro entre a actual presidência checa e os governos das próximas duas – Suécia e Espanha.

O governo sueco, liberal, fez-se representar pelo seu primeiro-ministro. O socialista Zapatero nem meteu lá os pés, delegou no ministro dos negócios estrangeiros. Barroso também lá esteve a compor a mesa para a fotografia, todos juntos a tentar disfarçar a inevitável falta de resultados.

Alguém duvida que não teria sido muito diferente com um presidente da Comissão “socialista” e um governo português de “centro-direita”?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

E se Saramago teve uma fraqueza...

Se se confirmar, vai ser uma autêntica "bomba" no mundo literário. José Saramago poderá ter plagiado. A história está contada no blogue da revista Sábado, pela pena de Luís Rainha, que se tornou um verdadeiro caçador de plágios. A acompanhar os próximos episódios.

Um homem, o Presidente


São 100 retratos dos primeiros 100 dias de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos. Naturalmente em "embeded" e é um notável trabalho da revista Time que pode ser visto aqui. É também um exemplo de como o "marketing" de Obama continua a trabalhar a todo o vapor. Mas vale uma visita à galeria que mostra um Obama presidente, mas tão normal como qualquer outro homem, com as suas grandezas e com os seus defeitos, a sua energia e o seu cansaço como se demonstra com esta foto, tirada durante uma reunião na sala oval.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Era uma vez um relatório...

O Parlamento Europeu decidiu hoje reenviar para a comissão parlamentar da especialidade o relatório de Edite Estrela, sobre o alargamento da licença de maternidade.

Tal desenlace representa um recuo importante, até porque tratando-se da última sessão da legislatura o assunto só deve voltar a ser discutido sabe-se lá quando.

Mas não deixa de levantar uma questão: como é possível que Edite Estrela (que ainda hoje de manhã garantia aos jornalistas em Estrasburgo que tinha os apoios necessários da direita e dos liberais para aprovar o relatório) não se tenha apercebido de que não tinha condições para fazer aprovar o relatório?

Ou negociou com o PPE e os liberais e estes lhe tiraram o tapete no último momento (o que não é de excluir), ou entusiasmou-se tanto com a possibilidade de acabar o mandato em beleza que não acautelou os compromissos e negociações necessárias à viabilização do relatório e decidiu forçar o voto, comprometendo o resultado (cenário que também não se pode afastar). A expressividade da votação dá força a esta segunda possibilidade: 347 votos a favor do reenvio à comissão, 256 contra e 10 abstenções.

No preciso momento em que se ia proceder à votação, a conservadora luxemburguesa Astrid Lulling defendeu o adiamento da votação em plenário: "Há 89 alterações. Será completamente caótico e o voto que vamos fazer não nos vai permitir uma discussão objectiva com o Conselho e a Comissão. Há 89 alterações totalmente contraditórias [da comissão parlamentar e apresentadas por vários grupos políticos]. Proponho que o relatório seja reenviado para a comissão parlamentar".

Ao que Edite Estrela contestou: "Não faz sentido remeter para a Comissão de novo este relatório, esta proposta, porque foi debatida com todos os grupos. Tem um apoio que eu presumo que seja maioritário nesta Câmara. Foi debatida com a Comissão, foi debatida com o Conselho. Naturalmente, há posições diferentes. (…) Peço à Câmara que vote as propostas, que apoie o meu relatório, porque dará razões acrescidas aos cidadãos para irem votar nas eleições europeias".

Presumiu mal.

A terra prometida de Ana Sofia Fonseca


É um retrato fiel - quase fidelíssimo - da vida dos portugueses em Angola aquele que a jornalista Ana Sofia Fonseca publica com a chancela da editora Esfera dos Livros. É notável o trabalho de recolha e construção que a jornalista se dedicou para conseguir situar o leitor por terras de Angola. Pelas memórias e olhos de quem lá viveu, Ana Sofia Fonseca descreve as paisagens, os lugares, as ruas, as roupas, detalhes de expressões e de linguagem, pormenores de encontros, num documentário escrito. Mas nem sequer faltam algumas imagens, de fotos cedidas pelos entrevistados.

É o retrato fiel que só não chega a ser fidelíssimo, porque Ana Sofia Fonseca optou por retratar Angola que deve provocar muitas nostalgias aos...brancos. É uma opção tão válida como qualquer outra.

Por isso, ficou de fora a outra Angola feita por esses mesmos que aceitaram recuperar memórias para o livro. Angola dos pretos contratados, pagos miseravelmente e com porrada; dos pretos que só tinham direito a sentar-se nas últimas filas dos autocarros e dos bancos das escolas (quando iam); dos pretos que só entravam em locais para os limpar; dos escravos nas roças de café e de algodão e nas minas; das pretas que tratavam dos meninos brancos e a serem pagas com géneros; das pretas assediadas por brancos, algumas violadas; dos pretos que eram atirados para os campos de concentração do Namibe; e tantos, tantos outros.

Mas, apesar disso, "Angola-terra prometida" merece mesmo ser lido. A consulta de fontes foi, certamente, um trabalho de fôlego. E o livro está muito bem escrito e, nos tempos que correm, isso é um luxo.

A sorte de Soares


Quando se candidatou ao Parlamento Europeu, em 1999, Mário Soares não fez a coisa por menos: mais do que candidato a um mero lugar entre 600 e tal deputados, arvorou-se em candidato à presidência do PE.

O desenlace é conhecido: não só foi derrotado, como privou os socialistas europeus da presidência da instituição durante toda a legislatura e ainda teve tempo para chamar “dona de casa” a Nicole Fontaine, a francesa que lhe ficou com o lugar.

Na altura, Soares teve um consolo tão amargo quanto irónico: na qualidade de decano dos deputados eleitos, caber-lhe-ia a honra de efectuar a locução de abertura da sessão legislativa. Papel de que, no entanto, abdicou por também ser candidato à presidência do PE, mas o facto ficou devidamente perpetuado numa edição especial de filatelia da já longa colecção de selos e envelopes editada pelo PE para assinalar algumas ocasiões.

Acontece que, se fosse hoje, nem esse magro consolo Soares teria, pois o PE acaba de alterar esta regra. Perante a perspectiva de o líder da extrema-direita francesa, Jean-Marie Le Pen, voltar a ser eleito nas próximas eleições e, do alto dos seus quase 81 anos, ser muito provavelmente o decano da nova legislatura, o PE acaba de modificar o seu regulamento, para impedir que a abertura da legislatura 2009-2014 coubesse a Le Pen.

Agora, a dita honra caberá não ao decano, mas ao ex-presidente do PE, caso seja reeleito. Caso não seja reeleito, a palavra será dada a um dos anteriores 14 vice-presidentes. Caso sejam reeleitos. Caso contrário… altera-se novamente o regulamento, que é para isso que parece que ele serve.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Estados de espírito

Decorre esta semana em Estrasburgo a última sessão plenária do Parlamento Europeu. Conta quem lá está a observar de perto os eurodeputados portugueses que estes estão divididos em três categorias: os eufóricos (que já sabem que têm mais cinco anos garantidos), os deprimidos (que já sabem que têm garantido o regresso a casa) e os nervosos (que estão na corda-bamba da respectiva lista, principalmente do PS).

Para perceber quem é quem, basta olhar para a composição das diferentes listas.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um vital pedido de ajuda

Alguém, entre os leitores do "correio preto", poderá dar uma singela ajuda? Este blogue procura declarações de Vital Moreira a condenar, com veemência, o estalo dado a Mário Soares numa célebre visita a Marinha Grande, em Janeiro de 1986. Ou declarações do mesmo Vital Moreira a exigir um pedido de desculpas à direcção do PCP, cujo partido ele fazia parte e exibia um cartão de militante, por tão ignóbil acto. Ou ele próprio a fazer um acto de contrição perante Mário Soares. Ou qualquer palavrinha, de 1986, que demonstre a sua absoluta rejeição pelo acto. Ou a entrega imediata de cartão de militante, como forma de mostrar o desacordo pelo estalo. Ou, vá lá, qualquer coisinha...