quarta-feira, 10 de junho de 2009

Nuance

Durão Barroso declarou-se ontem candidato a um segundo mandato à frente da Comissão Europeia. Mas, além da subtileza de o ter feito apenas após um pedido nesse sentido da presidência do Conselho Europeu (numa coreografia muito bem ensaiada), deixou a porta aberta a qualquer eventualidade:

“Verei se esta ambição é partilhada pelos governos europeus e pelo Parlamento Europeu e, então, apresentarei formalmente a minha candidatura.”

É que apesar de as coisas parecerem bem encaminhadas para a sua ambição, nunca se sabe o que pode passar pela cabeça do presidente francês. Além de que um possivel adiamento da decisão apenas para o Outono, pode dar tempo para que haja quem ainda quem mude de ideias.

Delírio em tons Verdes

Goste-se dele ou não, concorde-se ou não com o que defende, a verdade é que Daniel Cohn-Bendit tem um estilo empolgante. As intervenções do líder do Maio de 68 no hemiciclo do Parlamento Europeu constituem um dos raros momentos de interesse das sessões plenárias.

Depois de fazer dos Verdes franceses quase a segunda força política do país nas eleições do passado domingo, a morder os calcanhares aos desconsolados socialistas, Dany Le Rouge garante que o seu partido será uma “força de charneira”. Não só no plano nacional, mas também no PE, pois os Verdes foram o único grupo político a crescer em número de deputados, apesar da descida generalizada, devido à diminuição geral de lugares. Passaram mesmo a ser a quarta bancada mais numerosa.

Vai daí, desdobrou-se em propostas de entendimento político com os outros grupos e, sobretudo, parece empenhado na formação de uma “coligação anti-Barroso”. Sempre no seu tom empolgado e ainda mais avermelhado do que o sugere a alcunha, a dar a entender, usando a imagem de Sócrates, que “há um antes e um depois” desta eleição “histórica” para os ecologistas. Quase a fazer esquecer que, num PE claramente dominado pelo centro-direita, os Verdes têm apenas 52 eurodeputados, num total de 736…

terça-feira, 9 de junho de 2009

Onde é que eles se meteram?

Desde a divulgação dos resultados das eleições no domingo à noite que os socialistas europeus não se deixam ver. Alguns (poucos) estiveram no Parlamento Europeu esse mesmo dia, onde participaram em alguns painéis de comentadores que analisaram os resultados. Mas, uma vez essa obrigação cumprida… nem vê-los.

Todos os demais grupos políticos emitiram comunicados ou organizaram conferências de imprensa nos dias seguintes onde expuseram a sua análise dos resultados e se pronunciaram sobre os grandes temas destes dias: entendimentos internos no seio do PE e candidatura de Durão a um segundo mandato.

Parece que só este último assunto ainda é capaz de provocar alguma reacção dos lados do PSE e o líder da bancada da rosa no PE, o alemão Martin Schulz, lá veio dizer que se vão opor com unhas e dentes a tal cenário. Mas como as suas unhas e dentes encolheram bastante desde o passado domingo, parece que, para já, a prioridade é continuarem a tentar perceber como é que isso lhes aconteceu.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Não consta que seja engenheiro, mas...

Nos intervalos de ler e reler as mensagens que "aterram" nos seus dois aparelhos, Paulo Rangel desenha enquanto ouve os outros a discursar. Quando é Manuela Ferreira Leite, Rangel bem precisa de se motivar para evitar o adormecimento. O desenho de cima foi "roubado" depois do comício em Viseu e está muito bem guardado. Não sei se Rangel irá parar a Covilhã ou à Guarda, mas não lhe falta engenho.

Frase batida até à exaustão e que virou cartaz


O que sobrou de uma campanha vitoriosa


quinta-feira, 4 de junho de 2009

A campanha na máxima nitidez



É um cliché, mas aqui faz todo o sentido: umas imagens de uma campanha valem mesmo mil palavras, como se pode ver nesta foto, como uma das características mais notórias de Paulo Rangel: estar informado com o andar do mundo, quase ao segundo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Uma pérola de campanha

Paulo Rangel bem palmilha quilómetros sem fim à procura de chegar a todo o lado. Desde domingo, já passou por Nisa, Portalegre, Mação, Bragança, Vila Real, Tomar, Porto e Braga. O candidato não poupa esforços. O problema é... mesmo a organização. De tal forma que Rangel fez, esta manhã, uma passeata a pé, pelas ruas da sua infância, com passagem pelo colégio onde estudou, mas ... sem jornalistas. Ninguém, do PSD, avisou os repórteres que fazem a cobertura da campanha.
Aliás, os jornalistas desesperam com os horários e os desencontros: horas alteradas, moradas modificadas, programas incompletos ou demasiado preenchidos que nem uma hora sobra para se escrever ou enviar material.
Reparem nestes "pormenores":
Duas equipas de televisão marcaram o início do programa à porta do hotel e ficaram meia-hora à espera. Depois, aperceberam-se que o candidato já tinha partido.
Dois jornalistas foram fintados na morada da Ordem dos Advogados, onde estava marcado um encontro com Paulo Rangel, e foram parar, por indicação da organização, ao bar de alterne "Pérola Negra".
E fica esta sensação: pelo esforço, pela disponibilidade, pela simpatia, pela inteligência e sagacidade nas respostas, Paulo Rangel não merecia que lhe organizassem uma campanha assim.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Regresso à tradição

Depois de vários dias a arroz de pato, o lombo de porto entrou na campanha do PSD. Aghnnn...

Faltam a lady Marian e o rei Ricardo

Paulo Rangel a recordar a infância, em Bragança

"O PSD está na situação de Robin Hood da agricultura. O Governo é um avarento, é o
xerife de Nottingham, é o Tio Patinhas da agricultura"

domingo, 31 de maio de 2009

O verdadeiro olho de repórter


Imagens como esta de Paulo Rangel em campanha podem ser vistas neste blogue, de um homem com uma câmara na mão. O autor é um excelente repórter de imagem e vai publicando alguns instantâneos. Em todos. há um olhar sempre diferente. Em campanhas eleitorais e não só...

Como Barcelos deu razão a Manuela Ferreira Leite

Apesar de Manuela Ferreira Leite ter anunciado publicamente que não gostava de comícios, o PSD arriscou fazer um, em Barcelos. A terra até prometia. Já foi uma espécie de "cavaquistão", quase à semelhança de Viseu, e mantém a fama de ser "laranja". Mas a noite foi aziaga.
O "speaker" até insistia em chamar gente. Pedia para os jovens - onde estavam eles, naquele "mar" de idosos? - se aproximassem do ringue. Mas nada. Até dava para fazer uma partidinha de futebol.
Chegaram pessoas das aldeias mais próximas. Durante a noite, houve um esforço de mobilizar os jovens. Mas o comício, propriamente dito, teimava em não passar das intenções.
Uma hora e meia depois, já sem haver esperanças de encher o pavilhão, começou o dito comício. Mesmo assim com clareiras. Para disfarçar, Paulo Rangel descobriu "uma moldura humana". Manuela Ferreira Leite foi pouco modesta:

"Esta mobilização, este entusiasmo faz-me renascer"

Talvez por não querer renascer desta forma é que Manuela Ferreira Leite garante não gostar de comícios. Barcelos mostrou que ela tem fortes razões para isso.

sábado, 30 de maio de 2009

Delírio sobre rodas


Manuela Ferreira Leite, no seu melhor estilo, durante um comício em Vagos, numa iniciativa de campanha para as europeias do PSD:


"Há meia dúzia de dias, este Governo aprovou um diploma que vai ser obrigatório - obrigatório, sem oportunidade de escolha - para todos os aqueles que disponham de um veículo automóvel, não só um veículo automóvel, triciclos, bicicletes... ahn ahn ahn .... tudo o que ande, tudo o que ande com rodas, todos vão ser obrigados a ter um sinal na sua matrícula que identifica a localização desse veículo. Como não sei como é que os veículos com rodas andam sem condutor, quer dizer que cada um de nós vai passar a ser localizado em qualquer momento o sítio em que alguém - a gente não sabe quem - vai poder fazer esse controle."


Fica assim percebido por que razão a líder do PSD não gosta de comícios.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Talvez sejam permitidos murros e pontapés

Manuela Ferreira Leite, hoje, em declarações aos jornalistas, durante uma "visita" à rua em Aveiro:

Estou a mostrar a minha indignação pela indignidade da campanha, pelo nível que o PS está a tentar pô-la. Percebe-se que é o desespero de um candidato. Mas as campanhas eleitorais não podem permitir tudo, só podem permitir algumas coisas.

PSD e PS consideram "vital" imposto europeu

Os eurodeputados do PS e do PSD votaram em bloco nesta legislatura um relatório aprovado pelo Parlamento Europeu, que propunha a criação de um imposto europeu e o estabelecimento de meios de financiamento próprios da União, exactamente nos moldes apresentados esta semana por Vital Moreira.

Em Março de 2007, a quase totalidade da delegação socialista (Edite Estrela, Capoulas Santos, Elisa Ferreira, Ana Gomes, Manuel dos Santos, Jardim Fernandes, Hasse Ferreira, Jamila Madeira, Sousa Pinto, Fausto Correia e Paulo Casaca; Francisco Assis não participou na votação) e da bancada social-democrata (Carlos Coelho, Deus Pinheiro, Silva Peneda, Assunção Esteves, Duarte Freitas e Sérgio Marques; Vasco Graça Moura não participou no voto) votaram favoravelmente o relatório que foi aprovado por 458 votos a favor, 61 abstenções e 117 votos contra, entre os quais os dos parlamentares do PCP (Ilda Figueiredo e Pedro Guerreiro), Bloco de Esquerda (miguel Portas) e Ribeiro e Castro, do CDS-PP (Luís Queiró não votou).

Algumas passagens do dito documento (não, esta parte não está nos 'considerandos'): “a curto prazo ainda é prematuro estabelecer um novo imposto genuinamente europeu”, mas isso “não exclui a possibilidade de os Estados­-Membros decidirem se e quando cobrar novos impostos e de, na mesma fase ou posteriormente, decidirem autorizar a União a beneficiar directamente das respectivas receitas”.

Na exploração de “eventuais opções para o futuro”, “será VITAL examinar a possibilidade de criar um novo sistema de recursos próprios baseado num imposto já cobrado nos Estados-­Membros”, que deveria ser posteriormente “total ou parcialmente canalizado para o orçamento da União Europeia como um verdadeiro recurso próprio”.

Como diria o outro, “Rangel e Vital, é parecido, é mesmo igual”.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Uma campanha de 5 estrelas

São muito agradáveis os hotéis que Paulo Rangel e o PSD escolhem para fazer campanha. Estou a escrever este post no bar-restaurante do Sheraton com uma deslumbrante vista sobre Lisboa. Ontem, estive com autarcas num dos "resorts" mais luxuosos do Algarve, em Albufeira. Antes tinha passado por um hotel em Faro, vá lá de quatro estrelas, mas com lindíssimas reproduções de quadros de Miró. Agora, vou para o Hotel Sana, ali mais ao lado, para ouvir professores.

Um nome que queima os lábios

Paulo Rangel, quando foi questionado sobre a demissão do ex-ministro Dias Loureiro de conselheiro do Estado, disse aos jornalistas que estava de acordo, mas nunca se referiu ao nome, usando as expressões "ele próprio", a "pessoa em questão".
Do lado socialista, Vital Moreira, perante a mesma questão, remeteu os jornalistas para um artigo escrito no seu blogue.

Para Angola, rapidamente, em fuga que a fome aperta

A TAP dá mais um contributo para a debandada. A partir do dia 5 de Junho, aumentam os voos para Angola. Passam a ser 11 por semana. Mas como a companhia aérea portuguesa não deve estar solidária com a vontade de muitos portugueses - ou melhor, até deve aproveitar-se disso - os preços dos bilhetes vão continuar proibitivos. Que falta faz a concorrência!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Devagar, pára, arranca, devagar

Paulo Rangel só começou a campanha às 16 horas com uma conferência na Universidade do Minho. Perdeu uma manhã inteira porque deixou escapar um avião que o deveria trazer da Madeira. Como um azar nunca vem só – ou uma organização? – Paulo Rangel ainda teve de suportar um jovem da JSD a fazer um discurso de 20 minutos com os temas que deveria ser o próprio Rangel a discorrer.
Há dias assim, tranquilos, suaves, como se não houvesse eleições daqui a nada.

Saúde sim, mas só para alguns

Uma apoiante de Paulo Rangel e do PSD foi a uma conferência no Porto questionar a saúde gratuita, dizendo que “não se pode pagar seis consultas em três meses a uma mesma pessoa e mais as análises”. Paulo Rangel limitou-se a defender uma sistema de saúde misto.

Haverá uma terceira via?

Outra apoiante de Paulo Rangel lançou esta certeza, no encontro no Palácio da Bolsa no Porto

“A incidência da sida já é maior entre os heterossexuais do que nos toxicodependentes"

Um denominador comum

Um ex-secretário de Estado de um governo de Cavaco Silva, Oliveira e Costa, acusa um ex-ministro de um Governo de Cavaco Silva e actual conselheiro de Estado de Cavaco Silva, Manuel Dias Loureiro, de ter mentido e, de carrinho, garante que outro ex-ministro de Cavaco Silva, Miguel Cadilhe, foi para o BPN “apenas para ganhar muito dinheiro”.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Separados à nascença?

Galocha!


Serve o presente post para informar Vexa.s que afinal não foi mesmo preciso galochas para a manifestação (perdão marcha) do passado 23 de maio.

Será que ainda alguém dúvida das nossas fontes!

Cremes socialistas

"Depois do jantar em Valongo e do beijinho a Sócrates, uma senhora revela à amiga:

-Ele tem a pele macia...

Resposta da outra:

-Pudera, num usa Nibea nem cremes dos trezentos... *"

*In "Escola de Lavores"

domingo, 24 de maio de 2009

Simples, directo ao assunto e todos percebem

Primeiro, Vital Moreira falou em "tranquiberne" e hoje saiu-se com isto. Um verdadeiro hino de como não se faz uma campanha. Onde andarão os apregoados assessores de Obama?

Quem diz a verdade....

Álvaro Amaro, presidente da Câmara de Gouveia, ex-secretário de Estado da Agricultura no tempo de Cavaco Silva e dirigente do PSD, resolveu fazer uma confissão, durante um encontro de sociais-democratas, onde esteve presente Paulo Rangel:

"Nós políticos terminamos por norma os discursos - e eu também - a dizer "meus amigos todos queremos um país mais justo, mais rico. e mais solidário, oh diabo!, falhámos. Por que ele é menos rico, menos justo e é muito pouco solidário".

Alguém, também no PSD, terá ficado com as orelhas da arder?

Uma organização laranja pálido


Eis o cartão de acesso para jornalista mais original que alguma vez me foi dado.


Muy bien, Joselito!

Parece que pertence definitivamente ao passado o tempo em que José Sócrates se deixava filmar pelas câmaras de televisão, enquanto falava ao telemóvel com o seu homólogo espanhol, num portunhol duvidoso (num daqueles episódios que causa um embaraço semelhante às prestações de alguns concorrentes em concursos de descoberta de novos talentos musicais…).

Segundo a imprensa espanhola, no comício em que ontem participou, em Valência, o primeiro-ministro português expressou-se na língua de Cervantes de uma forma que oscilou entre o “castelhano perfeito” (El País) e o “espanhol correcto” (El Mundo).

E foi assim que exprimiu a sua “admiração e apreço” pela forma de governar dos socialistas do país vizinho, onde a taxa de desemprego é a mais elevada da União Europeia, podendo mesmo vir a ultrapassar a barreira dos 20%.

Na estrada com eles...

O "Correio Preto" vai cobrir, nos próximos 15 dias, a campanha do PSD e, em especial, a seguir os passos e as corridas por essas auto-estradas de Paulo Rangel. Mas vamos estar atentos à campanha do PS, via "Escola de Lavores". Prometemos não perder pitada.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Modernices


O PCP anda agora armado em Moderno. Ele é sites da Internet personalizados para as eleições autarquicas, ele é marchas, mas ele também é comercio!

O Correio Preto sabe que se preparam kits do Manifestante (ou melhor do marchante) que serão distribuídos por todos aqueles que marcharam aquela distancia incrível entre o Saldanha e o Marquês de Pombal pelo Protesto, Confiança e Luta. O kit será composto por sapatos tipo manhosos à venda no mundo do calçado da Rua da Palma e por edições especiais de garrafas de agua com o nome daquele que todos gostavam de atingir.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Foi você que pediu uma "Marinha Grande"?

Vital Moreira ensaiou a “sua” Marinha Grande no 1º de Maio. As coisas correram-lhe bem, mas nem assim a campanha parece descolar.

Que tal uma repetição? Pode ser já no sábado, dia 23 de Maio. Parece que o PCP organiza uma marcha em Lisboa. Basta ir lá (tentar) cumprimentar alguém, ou então passar na zona por acaso (saída prevista do Saldanha às 15h00, não chegue atrasado e desta vez não se esqueça do guarda-chuva para se proteger dos salpicos).

Já agora, leve um amigo também. Pode ser Pedro Namora, que entregou recentemente o cartão de militante do PCP para encabeçar a lista do PPM à Câmara de Setúbal, dirigida pelo… PCP. Os seus ex-camaradas deverão adorar reencontrá-lo e cada um tem direito à sua Marinha Grande.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades políticas

Paulo Portas defendeu esta noite, em entrevista à SIC, a demissão de Lopes da Mota do cargo que ocupa no Eurojust. E à opinião adicionou-lhe um conselho moralista:

"Eu teria saído logo na abertura do inquérito..."

Quem pensa assim e aconselha assim, é precisamente o mesmo homem que foi ministro da Defesa ao mesmo tempo que estava a ser investigado por causa da Universidade Moderna (a tal que fechou, entretanto). Na altura, o que fez Portas? Demitiu-se mal soube da abertura do inquérito? Pediu a exoneração do cargo quando choveram suspeitas sobre ele? Não. Manteve-se firme no cargo.
E, já agora, é bom recordar a posição do PS: pediu a demissão do ministro, com declarações inflamadas feitas à comunicação social, com cartas dirigidas ao PGR e no Parlamento. E com o próprio secretário-geral, Ferro Rodrigues, a fazer ultimatos. Outros tempos, outros tempos...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Barroso atleta


O incêndio que hoje deflagrou na sede da Comissão Europeia parece ter sido, afinal, mais fumo do que fogo. Mas foi o suficiente para testar o sistema de alarme e obrigar à evacuação do edifício.

Menos sorte tiveram os funcionários que trabalham nos andares cimeiros do Berlaymont que, com os elevadores desactivados por questões de segurança, tiveram que descer a pé. Foi o caso de Durão Barroso, que teve que galgar assim os lances de escada dos 13 andares que separam o seu gabinete da rua.

Consta que desde que se atreveu a participar num jogo de futebol (há três anos, em Viena), que Barroso não efectuava semelhante prova de esforço. "Ainda bem que era a descer", desabafou um dos seus colaboradores.

Debandada II


Tal como antecipávamos em Fevereiro, com o aproximar do fim do mandato confirma-se a debandada de elementos da equipa de comissários dirigida por Durão Barroso.

A lituana Dalia Gribauskayte foi ontem eleita presidente do seu país. Volta a Bruxelas apenas para picar o ponto e assumirá funções logo que as formalidades pós-eleitorais estejam todas cumpridas. Segue assim os passos dos seus colegas italiano, britânico e cipriota, que trocaram todos Bruxelas por cargos ministeriais nos respectivos países.

Mas este êxodo não vai ficar por aqui. Hoje mesmo, a comissão anunciou que outros quatro elementos do colégio (o comissário belga e as comissárias búlgara, luxemburguesa e polaca) vão suspender funções para se poderem candidatar às eleições para o Parlamento Europeu. São todos cabeças-de-lista dos respectivos partidos às eleições do próximo dia 7 de Junho e o seu regresso às actuais funções parece assim uma possibilidade bastante remota.

Sendo assim, dos 25 comissários que iniciaram funções com Durão Barroso em 2004 e dos dois que se juntaram à equipa em 2007, apenas 19 cumprirão o mandato na íntegra.

Burning down the house


A sede da Comissão Europeia acaba de ser evacuada, depois de o alarme de incêndio ter sido activado. Os eurocratas deram lugar aos bombeiros e à polícia.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Afinal as notas de banco encontradas na rua são para devolver…

Na passada terça-feira, ao mesmo tempo que a Assembleia Nacional francesa votava a lei HADOPI (que permite bloquear o acesso à internet a quem efectue downloads ilegais), o ministro da cultura criticava semelhante abordagem, sem papas na língua. Porque tem contornos “censórios” e porque há a percepção generalizada de que “se existe na net é para poder ser fruído por quem tiver acesso à net”, pois as pessoas sentem que “se alguém pôs (música ou filmes na net), eles limitam-se a usar aquilo que está disponível, como quem encontra notas de banco no chão, apanham e é de quem as agarrar”.

Uma posição digna do Partido Pirata sueco.

Mas bastou a Sociedade Portuguesa de Autores considerar tais afirmações “lesivas” dos seus interesses, para o ministro, logo no dia a seguir, patrocinar a criação de um grupo de trabalho para defender os direitos dos autores e dos artistas portugueses, ameaçados pelos descarregamentos ilegais na Internet.

E Pinto Ribeiro aproveitou para clarificar as coisas: "[A Sociedade Portuguesa de Autores] julgou que eu tinha dito coisas que não disse. Eu depois disse-lhes o que disse e eles disseram 'Ah, mas se foi isso que disse, nós ficamos contentíssimos”.

Aqui ficam as declarações originais do ministro:


quinta-feira, 14 de maio de 2009

Portugueses

Segundo o Público de hoje, estes pândegos são médicos portugueses, a brincar aos piratas no decorrer de um congresso de ginecologia na Malásia.

E esta foto, que foi capa do DN no início de Abril, mostra-nos os bravos da fragata Corte Real, a caçar piratas algures ao largo da costa da Somália (descrição mais detalhada aqui).


Ou será que troquei as fotografias? Seja como for, são imagens inspiradoras.

De socialista freelance a socialista em full-time

Ainda a procissão da campanha das europeias vai no adro e já Vital Moreira, que se auto-definiu como um socialista freelance, teve tempo para dar palpites sobre Manuel Alegre e a vida interna do PS, de se pronunciar sobre a permanência de Lopes da Mota no Eurojust, de comentar a violência em Setúbal e de se auto-promover a “face visível” do PS. Para já não falar de toda a gestão corrente do burgo regularmente analisada e opinada no blog e no Público.

Imaginem quando lhe der para começar a militar também nas horas extraordinárias. Nessa altura será melhor António Vitorino arranjar outra coisa qualquer para fazer nas terças à noite, porque já há substituto para as notas soltas na RTP.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Eurodeputados faltosos e assíduos

Depois de muitos anos de cambalhotas, promessas adiadas e de várias organizações mais ou menos independentes o terem feito, o Parlamento Europeu decidiu finalmente colocar online a lista de presenças dos eurodeputados nas sessões plenárias. Está disponível aqui e basta clicar no nome do deputado e consultar a “lista de presenças”, quase no final da página.

É verdade que só tem as sessões plenárias de Estrasburgo (não conta com as sessões de Bruxelas, nem com as reuniões das comissões parlamentares) e que são dados brutos (não tem em conta faltas eventualmente justificadas por motivos de saúde ou de trabalho parlamentar). Mas é melhor do que nada. E, no caso português, dá-nos uma lista aberta e fechada por socialistas (a percentagem indica a taxa de presenças nas sessões entre Julho de 2004 e Março de 2009).

97% - Jamila Madeira e Manuel dos Santos (PS)
95% - Elisa ferreira, Edite Estrela, Capoulas Santos e Jardim Fernandes (PS)
93% - Pedro Guerreiro e Ilda Figueiredo (PCP); Armando França e Paulo Casaca (PS)
92% - Vasco Graça Moura e Carlos Coelho (PSD)
89% - Luís Queiró (CDS)
88% - Silva Peneda (PSD)
86% - MÉDIA
84% - Hasse Ferreira (PS)e Deus Pinheiro (PSD)
83% - Assunção Esteves (PSD)
80% - Sérgio Marques (PSD)
76% - Ana Gomes (PS)
74% - Miguel Portas (BE)
73% - Ribeiro e Castro – CDS
70% - Duarte Freitas (PSD) e Sérgio Sousa Pinto (PS)
65% - Francisco Assis (PS)

As eleições são tão doces...

Pela primeira vez, em quatro anos de presenças na Assembleia da República, José Sócrates pediu desculpa aos jornalistas para acabar a ronda de perguntas. Ao contrário do que lhe é habitual, não se retirou, disparado, com ar zangado. Além do pedido de desculpa, saiu-se com este desabafo:

"Já respondi a tanta pergunta que já estou um pouco cansado".

Pela primeira vez, em quatro anos de governação, José Sócrates confessou-se cansado. Comentário irónico de uma jornalista no Parlamento:

"Coitado, não dorme por causa dos números do desemprego"

Dores de cabeça para Setubal


Um homem habituado às grandes lutas Pedro Namora é o candidato do PPM (!!!) à Camara de Setubal! Terá o comunista (recém ex) sentido a Voz monarquica que clamava por ele ? Ou simplesmente se sentiu com vontade de chatear a ex-Patroa Dores Meira e agarrou o primeiro partido que lhe deu uma abébia?

A comer a papa

Um grupo de activistas lançou um blogue, o papamyzena, que vai servir de apoio ao PSD para as próximas eleições europeias. Não lhes falta imaginação, nem na ideia nem no próprio "layout" do blogue. Daí que facilmente se perceba que, apesar do apoio ao PSD, o blogue não tem a cara da actual direcção social-democrata. Nem a cara de quem a apoia e que já criou aqueles fúnebres cartazes que andam por essas ruas.
Aliás, a linha editorial do novo blogue explica logo ao que vem. Reparem neste naco de texto:

Que não cabe ao Estado apoiar certas empresas, em detrimento das demais; alguns cidadãos, com prejuízo da maioria. Um dia seremos forçados a agir, para que o Estado não se transforme no nosso mestre, mas cumpra a função de ser o nosso servo.

Hum.. temos aqui alguém que certamente não está de alma e coração ao lado de Manuela Ferreira Leite. Ou como diz a velha sabedoria popular, há aqui "gato escondido com o rabo de fora". Ou será antes pedro escondido com ideias de fora?

terça-feira, 12 de maio de 2009

Como votaram os eurodeputados


É porventura o instrumento mais completo e útil criado até agora para descortinar o labiríntico mundo das votações no Parlamento Europeu (que disponibiliza a informação, mas de uma forma que limita bastante uma análise sistemática).

Através do votewatch.eu é possível ficar a saber a posição de cada eurodeputado na hora de votar todos os relatórios e resoluções da legislatura; perceber se seguiu o voto do seu grupo político e a respectiva tendência nacional; perceber as convergências e divergências entre países e grupos políticos nos principais temas da política europeia; perceber se os eurodeputados participaram ou não nas votações.

O site foi criado por iniciativa de responsáveis do European Policy Center e contou com a participação de especialistas da Université Libre de Bruxelles e da London School of Economics. À primeira vista a consulta pode não parecer fácil, mas vale a pena o esforço.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Proposta "fast-food"

O CDS, através do líder parlamentar Diogo Feio, apresentou esta manhã uma proposta para que seja isentado o pagamento de IRS, durante dois anos, a licenciados que estejam no primeiro emprego. A ideia foi transmitida aos deputados do CDS, nas jornadas parlamentares a decorrer em Aveiro, por um empresário, às 11 horas. A proposta do CDS foi anunciada pouco depois do meio-dia.

Com exemplos destes...

"Não fiquem decepcionados, Portugal teve de esperar sete anos", terá dito Cavaco Silva a um grupo de jovens turcos, a respeito do tempo que o seu país tem estado à espera para aderir à União Europeia.

Ainda segundo o Público de hoje, as declarações do Presidente foram feitas antes de partir de visita para aquele país, levando na bagagem o “exemplo de paciência portuguesa para aderir à UE”.

Esperemos que, quando chegar ao destino, Cavaco seja mais comedido no uso desta fanfarronice paternalista, ou os anfitriões ainda terão que lhe recordar que o pedido de adesão da Turquia ao clube europeu foi feito em 1987 (há 20 anos) e que o país tem um Acordo de Associação assinado com a União desde 1963.

E que, apesar de estar a negociar formalmente a adesão, há países, como a Alemanha e a França, que não aceitam oferecer a Ancara mais do que uma “parceria privilegiada”, assim uma espécie de sala de espera da ‘casa europeia’.

Le PS, c'est moi!

Religiões

Durão Barroso acaba de realizar mais um dos habituais encontros com líderes das "três principais religiões monoteístas". Entre cristãos, judeus e muçulmanos, também lá estava Joaquin Almunia, o comissário europeu responsável pelos assuntos económicos e monetários, o "guardião" do Pacto de Estabilidade e Crescimento.

domingo, 10 de maio de 2009

O meu candidato é bom, mas o outro é muito melhor

José Sócrates apresentou hoje oficialmente o cabeça-de-lista do PS à Câmara de Oeiras: Marcos Perestrello. O secretário-geral do PS, à falta de outros argumentos, lá foi dizendo que o seu candidato é um "jovem com futuro e ambicioso". O problema foi quando explicou as razões para o PS ter um candidato: a avaliar pelas declarações dele, não há:

"O novo desafio de Oeiras é sem dúvida esse: o de continuar o caminho de excelência e de qualidade, de aposta no ambiente urbano... "

E, ainda não satisfeito, Sócrates repetiu a ideia:

"Vamos continuar o caminho da qualificação e da excelência, mas vamos dar a Oeiras também um novo fôlego"

Talvez por isso, escrevi que Marcos Perestrello é cabeça-de-lista e não candidato à presidência da câmara.

Só faltam os eleitores

Marcos Perestrelo, vereador na Câmara de Lisboa, está a apresentar, esta tarde, a sua candidatura à Câmara de Oeiras. Não lhe faltam apoios: já chegaram dirigentes do PS de todo o país, até membros do Governo. Como comentou um dos dirigentes, num dos corredores do hotel, "só falta gente de Oeiras".

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Euro nuances 2

Ainda a propósito do apoio que o PS deve dar ou não à recandidatura de Durão Barroso à Comissão Europeia, tema que ainda deve surgir várias vezes ao longo da campanha para as europeias. Ou de como esta coisa de conservadores e socialistas pouco ou nada conta nestas ocasiões.

Em 2004 o “candidato do consenso” à sucessão de Romano Prodi era o conservador luxemburguês Jean-Claude Juncker que apenas não entusiasmava os britânicos, que o consideravam demasiado federalista, e que se auto-excluiu da corrida pois acabava de ser reeleito como primeiro-ministro do seu país. Surgiram assim os seguintes candidatos:

-o liberal belga Guy Verhofstadt, apoiado pelo social-democrata alemão Gerhard Schroeder, pelo conservador francês Jacques Chirac e pelo conservador luxemburguês Jean-Claude Juncker;

-o conservador britânico Chris Patten, apoiado pelo trabalhista britânico Tony Blair e pela generalidade dos conservadores europeus (à excepção de Juncker e de Barroso);

-o socialista António Vitorino, apoiado pelo “social-democrata”/conservador (em termos europeus) português Durão Barroso (com que empenho, isso é outra história).

As duas primeiras candidaturas auto-anularam-se. Vitorino, além do apoio de Portugal, não obteve um único apoio suplementar, nem mesmo de Espanha, então já governada pelos socialistas de Zapatero.

O coelho a saltar da cartola, depois de Juncker voltar a dizer ‘não’, acabou por ser o próprio Barroso (conservador), com o apoio entusiástico de Blair (trabalhista) e do PPE (conservador) e a aceitação mais ou menos resignada dos demais.

Quer isto dizer que Barroso é o melhor candidato, ou que fez um bom trabalho e merece lá continuar, ou que tem a recondução garantida, ou que os socialistas europeus não devem ter um candidato próprio? Não. Só para explicar que alguns argumentos avançados para contestar o apoio de Sócrates a Durão não fazem muito sentido. E, já agora, para lembrar que Durão só assumiu funções depois de empossado pelo Parlamento Europeu e com o apoio de muitos eurodeputados socialistas.

Euro nuances

A patética “Cimeira do Emprego” que ontem decorreu em Praga mostra bem como, saindo do pequeno rectângulo, são estéreis as discussões que surgiram nos últimos tempos entre os socialistas portugueses sobre se devem apoiar Barroso para um segundo mandato em Bruxelas ou se os socialistas europeus devem ter um candidato próprio.

Os líderes dos 27 desmultiplicaram-se em Cimeiras e Conselhos extraordinários para coordenar à resposta à crise financeira e económica, para mobilizar milhões e tranquilizar mercados, instituições financeiras, empresas, etc. Chegaram a encontrar-se quase em semanas seguidas e ai de quem faltasse!

No meio dessa incontinência de desorientação e pânico disfarçados de determinação alguém se lembrou que seria boa ideia realizar uma iniciativa semelhante para responder às consequências sociais da crise, numa altura em que o desemprego já ultrapassou os 20 milhões e não dá sinais de abrandar.

A sugestão partiu do governo checo, ultraliberal, e foi defendida desde o início por Durão Barroso. Chegou a ter data marcada – o dia 7 de Maio. Mas em Março, os líderes dos 27, entre os quais todos os governos socialistas da União (Sócrates também lá estava, naturalmente), decidiram esvaziar a iniciativa com o argumento de que não valia a pena criar falsas esperanças entre os cidadãos. Em vez de uma “Cimeira do Emprego”, com todos os chefes de estado e de governo, passou a ser uma “mini-Cimeira”, que se limitou a um breve encontro entre a actual presidência checa e os governos das próximas duas – Suécia e Espanha.

O governo sueco, liberal, fez-se representar pelo seu primeiro-ministro. O socialista Zapatero nem meteu lá os pés, delegou no ministro dos negócios estrangeiros. Barroso também lá esteve a compor a mesa para a fotografia, todos juntos a tentar disfarçar a inevitável falta de resultados.

Alguém duvida que não teria sido muito diferente com um presidente da Comissão “socialista” e um governo português de “centro-direita”?

quinta-feira, 7 de maio de 2009

E se Saramago teve uma fraqueza...

Se se confirmar, vai ser uma autêntica "bomba" no mundo literário. José Saramago poderá ter plagiado. A história está contada no blogue da revista Sábado, pela pena de Luís Rainha, que se tornou um verdadeiro caçador de plágios. A acompanhar os próximos episódios.

Um homem, o Presidente


São 100 retratos dos primeiros 100 dias de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos. Naturalmente em "embeded" e é um notável trabalho da revista Time que pode ser visto aqui. É também um exemplo de como o "marketing" de Obama continua a trabalhar a todo o vapor. Mas vale uma visita à galeria que mostra um Obama presidente, mas tão normal como qualquer outro homem, com as suas grandezas e com os seus defeitos, a sua energia e o seu cansaço como se demonstra com esta foto, tirada durante uma reunião na sala oval.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Era uma vez um relatório...

O Parlamento Europeu decidiu hoje reenviar para a comissão parlamentar da especialidade o relatório de Edite Estrela, sobre o alargamento da licença de maternidade.

Tal desenlace representa um recuo importante, até porque tratando-se da última sessão da legislatura o assunto só deve voltar a ser discutido sabe-se lá quando.

Mas não deixa de levantar uma questão: como é possível que Edite Estrela (que ainda hoje de manhã garantia aos jornalistas em Estrasburgo que tinha os apoios necessários da direita e dos liberais para aprovar o relatório) não se tenha apercebido de que não tinha condições para fazer aprovar o relatório?

Ou negociou com o PPE e os liberais e estes lhe tiraram o tapete no último momento (o que não é de excluir), ou entusiasmou-se tanto com a possibilidade de acabar o mandato em beleza que não acautelou os compromissos e negociações necessárias à viabilização do relatório e decidiu forçar o voto, comprometendo o resultado (cenário que também não se pode afastar). A expressividade da votação dá força a esta segunda possibilidade: 347 votos a favor do reenvio à comissão, 256 contra e 10 abstenções.

No preciso momento em que se ia proceder à votação, a conservadora luxemburguesa Astrid Lulling defendeu o adiamento da votação em plenário: "Há 89 alterações. Será completamente caótico e o voto que vamos fazer não nos vai permitir uma discussão objectiva com o Conselho e a Comissão. Há 89 alterações totalmente contraditórias [da comissão parlamentar e apresentadas por vários grupos políticos]. Proponho que o relatório seja reenviado para a comissão parlamentar".

Ao que Edite Estrela contestou: "Não faz sentido remeter para a Comissão de novo este relatório, esta proposta, porque foi debatida com todos os grupos. Tem um apoio que eu presumo que seja maioritário nesta Câmara. Foi debatida com a Comissão, foi debatida com o Conselho. Naturalmente, há posições diferentes. (…) Peço à Câmara que vote as propostas, que apoie o meu relatório, porque dará razões acrescidas aos cidadãos para irem votar nas eleições europeias".

Presumiu mal.

A terra prometida de Ana Sofia Fonseca


É um retrato fiel - quase fidelíssimo - da vida dos portugueses em Angola aquele que a jornalista Ana Sofia Fonseca publica com a chancela da editora Esfera dos Livros. É notável o trabalho de recolha e construção que a jornalista se dedicou para conseguir situar o leitor por terras de Angola. Pelas memórias e olhos de quem lá viveu, Ana Sofia Fonseca descreve as paisagens, os lugares, as ruas, as roupas, detalhes de expressões e de linguagem, pormenores de encontros, num documentário escrito. Mas nem sequer faltam algumas imagens, de fotos cedidas pelos entrevistados.

É o retrato fiel que só não chega a ser fidelíssimo, porque Ana Sofia Fonseca optou por retratar Angola que deve provocar muitas nostalgias aos...brancos. É uma opção tão válida como qualquer outra.

Por isso, ficou de fora a outra Angola feita por esses mesmos que aceitaram recuperar memórias para o livro. Angola dos pretos contratados, pagos miseravelmente e com porrada; dos pretos que só tinham direito a sentar-se nas últimas filas dos autocarros e dos bancos das escolas (quando iam); dos pretos que só entravam em locais para os limpar; dos escravos nas roças de café e de algodão e nas minas; das pretas que tratavam dos meninos brancos e a serem pagas com géneros; das pretas assediadas por brancos, algumas violadas; dos pretos que eram atirados para os campos de concentração do Namibe; e tantos, tantos outros.

Mas, apesar disso, "Angola-terra prometida" merece mesmo ser lido. A consulta de fontes foi, certamente, um trabalho de fôlego. E o livro está muito bem escrito e, nos tempos que correm, isso é um luxo.

A sorte de Soares


Quando se candidatou ao Parlamento Europeu, em 1999, Mário Soares não fez a coisa por menos: mais do que candidato a um mero lugar entre 600 e tal deputados, arvorou-se em candidato à presidência do PE.

O desenlace é conhecido: não só foi derrotado, como privou os socialistas europeus da presidência da instituição durante toda a legislatura e ainda teve tempo para chamar “dona de casa” a Nicole Fontaine, a francesa que lhe ficou com o lugar.

Na altura, Soares teve um consolo tão amargo quanto irónico: na qualidade de decano dos deputados eleitos, caber-lhe-ia a honra de efectuar a locução de abertura da sessão legislativa. Papel de que, no entanto, abdicou por também ser candidato à presidência do PE, mas o facto ficou devidamente perpetuado numa edição especial de filatelia da já longa colecção de selos e envelopes editada pelo PE para assinalar algumas ocasiões.

Acontece que, se fosse hoje, nem esse magro consolo Soares teria, pois o PE acaba de alterar esta regra. Perante a perspectiva de o líder da extrema-direita francesa, Jean-Marie Le Pen, voltar a ser eleito nas próximas eleições e, do alto dos seus quase 81 anos, ser muito provavelmente o decano da nova legislatura, o PE acaba de modificar o seu regulamento, para impedir que a abertura da legislatura 2009-2014 coubesse a Le Pen.

Agora, a dita honra caberá não ao decano, mas ao ex-presidente do PE, caso seja reeleito. Caso não seja reeleito, a palavra será dada a um dos anteriores 14 vice-presidentes. Caso sejam reeleitos. Caso contrário… altera-se novamente o regulamento, que é para isso que parece que ele serve.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Estados de espírito

Decorre esta semana em Estrasburgo a última sessão plenária do Parlamento Europeu. Conta quem lá está a observar de perto os eurodeputados portugueses que estes estão divididos em três categorias: os eufóricos (que já sabem que têm mais cinco anos garantidos), os deprimidos (que já sabem que têm garantido o regresso a casa) e os nervosos (que estão na corda-bamba da respectiva lista, principalmente do PS).

Para perceber quem é quem, basta olhar para a composição das diferentes listas.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um vital pedido de ajuda

Alguém, entre os leitores do "correio preto", poderá dar uma singela ajuda? Este blogue procura declarações de Vital Moreira a condenar, com veemência, o estalo dado a Mário Soares numa célebre visita a Marinha Grande, em Janeiro de 1986. Ou declarações do mesmo Vital Moreira a exigir um pedido de desculpas à direcção do PCP, cujo partido ele fazia parte e exibia um cartão de militante, por tão ignóbil acto. Ou ele próprio a fazer um acto de contrição perante Mário Soares. Ou qualquer palavrinha, de 1986, que demonstre a sua absoluta rejeição pelo acto. Ou a entrega imediata de cartão de militante, como forma de mostrar o desacordo pelo estalo. Ou, vá lá, qualquer coisinha...

Nem leitores nem os livros mereciam uma feira assim

A maioria dos stands não tem o serviço de multibanco a funcionar. Não há uma caixa de multibanco em todo o recinto da feira. O horário foi desenhado para desempregados ou estudantes sem aulas: 12.30 às 20.30 (nas colunas da feira, ouve-se "oito e meia da noite")! Os livros são caros, até aqueles que qualquer mini-biblioteca caseira ostenta há anos, como os "clássicos" John Steinbeck, Jorge Amado, William Faulkner, Leon Tolstoi, etc. que têm preços como se tivessem sido escritos ontem. Há um peso excessivo da chamada literatura "light". Até Cavaco Silva desapareceu da feira, porque a editora, "Temas e Realidades", entendeu não colocar a sua autobiografia política no stand (é caso para dizer que Presidente só visita as feiras em época de campanha eleitoral).
Está assim a Feira do Livro, em Lisboa. Passar por lá é um mero exercício de desperdício de tempo.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Maldito Tango


Amigos argentinos supostamente mais sensíveis à coisa dizem que Daniel Melingo é uma espécie de cruzamento entre Nick Cave, Tom Waits, Carlos Gardel e uma pitada de Piazzolla, um músico que, entre bares e teatros de Buenos Aires, fez uma pouco ortodoxa viagem do rock para o tango, tornando-se na verdadeira alma deste último. Negro e intenso. Eles lá saberão. Eu vi-o actuar e digo: esqueçam tudo o que sabem ou pensam que sabem sobre tango e vão ver o homem.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mau feitio!


O Sindicato dos Jornalistas Angolanos revelou ontem que está "preocupado" com a contratação de profissionais no estrangeiro, "nomeadamente em Portugal". Parece que ser jornalista está cada vez mais na categoria de trabalhador ilegal!

Há uns mais Cês do que outros

Susana Amador, presidente da câmara de Odivelas, eleita pelo PS, revelou hoje que sentiu um "frémito" quando soube, no congresso socialista de Espinho, o nome do candidato ao Parlamento Europeu: Vital Moreira. E, adiantou ela, "no momento seguinte pensei logo em três cês: credibilidade, coragem e... conquista".
Susana Amador foi, de facto, original no pensamento, além de ter uma notável velocidade de raciocínio. Quem assistiu ao congresso não duvida que o primeiro Cê que chegou ao pensamento dos congressistas foi outro: o de comunista.

Febre da febra

Para não prejudicar os produtores e a indústria alimentar, a Comissão Europeia sugere que a gripe suína passe a ser designada como “nova gripe” (que nome darão à seguinte?), uma vez que não se transmite através de porcos vivos, nem do consumo da respectiva carne. Entretanto, já há quem lhe chame “mexicana”, o que tem um toque exótico, ou “norte-americana”, que é muito mais trendy (já agora, que tal "febre da febra"? Depois do Tratado e da Estratégia de Lisboa, seria a forma de voltar a colocar Portugal no roteiro dos grandes acontecimentos internacionais).

A prova de que os conselhos de Bruxelas são ouvidos foi dada pela presidência checa da União, que convocou para amanhã uma reunião de emergência dos ministros da saúde dos 27. Ponto único da agenda: “gripe suína”.

Enquanto isto, ninguém se entende sobre se é boa ou má ideia viajar para os sítios onde já foi confirmada a existência da doença. Provavelmente, por medo de afectar ainda mais os operadores turísticos e companhias aéreas, cujas cotações em bolsa parece que não param de descer.

Esperemos que estas preocupações sanitário-económicas fiquem por aqui, senão não tarda é a pobre indústria farmacêutica, cujas cotações não param de subir, que se começará a queixar.

Lições do passado com um olhar sobre o presente

Declarações de Cavaco Silva, transmitidas ao Conselho Nacional do PSD, em 1991, depois de ter renovado a maioria absoluta:

"Ficou provado que é possível ganhar as eleições contra os jornais, desde que o Governo tenha obra feita e a apresente aos eleitores, que o primeiro-ministro goze de elevada credibilidade e o partido que o apoia aja com inteligência".*

Dois anos depois destas declarações e das celebrações, em Maio de 1993, perante (mais) uma recessão económica, desta vez sem influência estrangeira, Cavaco Silva dizia ao jornal "Expresso":

"Esta recessão tem sido muito diferente das outras pela incerteza do seu fim. Seria ousadia da minha parte dar garantias sobre a recuperação". *

*Citações retiradas do livro "O meu tempo com Cavaco Silva" de Fernando Lima.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Afinal, a culpa não morre solteira

Augusto Santos Silva, em resposta, a uma pergunta sobre as barreiras e dificuldades que o PS encontrou:

"Do que mais me queixo, neste quatro anos, é de Wall Street - que decidiu ir ao charco quando já recuperávamos nós, sabem os deuses com quanto esforço, a trajectória de crescimento..."

Haja esperança no papel de Portugal

Augusto Santos Silva, ministro dos assuntos parlamentares, responde, enquanto dirigente do PS, a perguntas de militantes, amigos, simpatizantes e outros. Entre elas, esta:
Quais serão para si as principais bandeiras do PS na renovação da maioria? Depois do Plano Tecnológico, o quê?

A resposta não se fez esperar:
Primeiro, agora, com toda a urgência, combater os efeitos da crise mundial. 2009 e 2010 serão inelutavelmente marcados por essa urgência.

Ou seja, vamos ter uma campanha sem os 150 mil postos de trabalho...

Já está a malhar

Augusto Santos Silva, ministro dos Assuntos Parlamentares, responde enquanto dirigente do PS, em directo, via internet, na página socrates2009. Entre as perguntas de encomenda, sobre a governação, as propostas, etc, houve uma sobre o jornal "Público". Augusto Santos Silva vestiu-se de profeta:

"...esta pergunta é bem malandra... Vi nascer o Público - e afirmar-se como um grande jornal de referência, de nível europeu, sob a direcção enérgica e criativa de Vicente Jorge Silva. Lamento profundamente a deriva neoconservadora que o assaltou e se exprimiu paradigmaticamente aquando da guerra do Iraque. Mas nada é eterno..."

Sublinhe-se o nada ser eterno.

Notícias com cheirinho a propaganda

Sem explicar muito bem quando, como e em que condições, a agência Lusa garante que Portugal vai abrir um centro de negócios em Luanda. De novo. Desde 2006, quando José Sócrates fez uma visita oficial a Angola, que a promessa é recorrente. Mas o texto da agência noticiosa é digno de nota:

Lisboa, 27 Abr (Lusa) - O centro de negócios da AICEP, em Angola, será a primeira representação da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal a permitir a constituição de empresas mistas em Portugal a partir do estrangeiro, anunciou hoje Basílio Horta.
"O escritório em Luanda da Agência para o Investimento e Comércio Externo é a primeira das 48 representações da rede da AICEP, em 42 países, que albergará postos para constituir empresas, permitindo o registo comercial e predial para auxiliar as empresas portuguesas", afirmou à agência Lusa o presidente da agência, Basílio Horta.


Desconfio que esta "notícia" ainda será repetida mais vezes até que alguém se convença. Lá dizia Voltaire...

Os santos da casa que podem fazer milagres

Anda a correr na net uma petição, dirigida a Bento XVI, para que a Padeira de Aljubarota seja canonizada. Os argumentos são absolutamente irrefutáveis e podem ser lidos no texto da própria petição. Como aperitivo, deixo-vos aqui esta pérola. Gosto particularmente da parte do "filho de um prior e neto de um arcebispo":

"Porque não elevar este rutilante paradigma da Mulher Portuguesa à santidade oficial? Ao fim e ao cabo, ela foi responsável por muito menos mortes do que o agora Santo Condestável; mesmo a sua arma preferida, a pá, é coisa mais humana e produtiva do que a bruta espada (relembremos o episódio em que Cristo ordena a Pedro que embainhe e a sua). Por outro lado, ela teve origens humildes, mas que sempre nos parecem mais adequadas do que ser filho de um prior e neto de um arcebispo, como o mais recente santo luso (aliás, é possível lobrigar na queda do Convento do Carmo um sinal de algum desagrado divino para com o seu fundador)."

Portanto, são bons argumentos que nos devem fazer aderir a essa nobre causa.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Para ajudar a manter a calma...

Numa altura em que o vírus da gripe suína se espalha e a sua chegada à Europa já está confirmada, a Comissão Europeia está a tentar assumir um papel de coordenador da resposta europeia à crise. Mas a forma como as coisas começaram não pode ser considerada brilhante. Isto foi dito hoje, por três responsáveis europeus, num espaço de meia hora, no decorrer da mesma conferência de imprensa:

“Pessoalmente, tentaria evitar viagens não essenciais para áreas assinaladas como estando no centro do foco (da doença)”, Androulla Vassiliou, comissária europeia responsável pela saúde.

“A comissária estava apenas da dar a sua opinião pessoal”, Nina Papadoulaki, porta-voz de Vassiliou, a responder a uma pergunta de um jornalista sobre se a Comissão desaconselha viagens para as zonas afectadas.

“Na minha direcção-geral, estamos a seguir o conselho da comissária, ou seja, não vamos viajar para nenhum país onde existam casos confirmados, a menos que tal seja indispensável, pois há coisas que temos que fazer e outras que podemos adiar”, Robert Madelin, director-geral de Saúde da Comissão Europeia, subordinado de Vassiliou.

“Temos um primeiro caso confirmado num Estado-Membro, mas isso não significa que vamos desaconselhar a realização de viagens a Espanha”, Nina Papadoulaki, porta-voz de Vassiliou.

A qualidade do ensino universitário

Um professor universitário, reunido hoje com José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues para falar sobre educação, defendeu que o Governo deveria ser "mais imaginativo e inovador" para colmatar a falta de "qualidade da aprendizagem". E a seguir rematou: "Para termos uma escola melhor do que há quatro anos atrás".

sábado, 25 de abril de 2009

Há DIAS que andava com vontade de desabafar isto

Cavaco Silva, no discurso proferido hoje, na Assembleia da República, durante as celebrações dos 35 anos do 25 de Abril:

"Gestores financeiros imprudentes ou incompetentes, e outros pouco escrupulosos ou dominados pela avidez do lucro a curto prazo, abusaram da liberdade do mercado e da confiança dos cidadãos, com gravíssimas consequências para as condições de vida de milhões de pessoas.
Só poderemos estar seguros de que uma tal situação não se repetirá se a dimensão ética e a responsabilidade social ocuparem um lugar central no desenho das novas regras de controlo e supervisão das instituições e dos mercados financeiros."

sexta-feira, 24 de abril de 2009

À atenção de Manuel Alegre


Quando lhe passar aquela vontade que “às vezes” o assalta de criar um partido (quem nunca teve vontade de o fazer que atire a primeira pedra) e voltar àquele estado natural de alguma confusão sobre em quem votar, aqui fica uma ajudinha: o EU-Profiler.

É um programa informático que, depois de respondermos a umas quantas perguntas, diz qual dos partidos disponíveis no mercado se aproxima mais das nossas posições. Se estivermos chateados ou fartos dos partidos nacionais, podemos facilmente aplicar os resultados a qualquer outro país da União Europeia.

Para que ninguém se queixe de que não sabe em quem votar nas eleições para o Parlamento Europeu e para que Manuel Alegre descubra finalmente onde fazer a cruzinha (pelo menos nesta ocasião).

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Ironias da História

Na mesma altura que um grupelho de gente pretende homenagear um ditador, com vastas provas dadas sobre torturas e ferocidade na condução de um regime, mesmo com as resistências de quem sentiu a sua acção na pele, Otelo Saraiva de Carvalho é promovido a coronel.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

PSD no PE - o último que apague a luz

Consta que os eurodeputados do PSD têm previsto um jantar de despedida antes do final da legislatura. Dizem as más-línguas que a conta será paga por Carlos Coelho, o único que garantiu a permanência no Parlamento Europeu por mais 5 anos.

PSD Alternativo

Entre os eurodeputados do PSD há quem se queixe do facto de os independentes não poderem apresentar listas ao Parlamento Europeu. É que entre os parlamentares agora rejeitados por Ferreira Leite (Graça Moura, Silva Peneda, Assunção Esteves ou os actuais representantes dos Açores e da Madeira) e alguns dos riscados por Barroso em 2004 (como Carlos Pimenta) tinham material para constituir uma lista que não ficaria a dever nada à apresentada pela actual líder para as próximas eleições.

Menezes prometeu, Ferreira Leite cumpriu

Quando se candidatou à liderança do PSD, Luís Filipe Menezes ameaçou que iria renovar a representação do partido no Parlamento Europeu (cujos 7 eurodeputados alinharam quase todos com Marques Mendes).
Ontem, Manuela Ferreira Leite cumpriu a promessa, ao oferecer um bilhete de volta a Lisboa a 6 deles. Em Bruxelas, para receber os futuros novos colegas de bancada fica apenas Carlos Coelho.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Se não matam o animal...

"Isto para mim é uma provação, é uma cruz que tenho de carregar e carregá-lá-ei. Não me vencem desta forma. Tenho pouco jeito para ser vítima" - José Sócrates, RTP.

O Correio Preto já tinha avisado que ele ia reagir.

Confissões de um animal ferido

"Não posso assistir mais calado a esta tentativa de assassinato político" - José Sócrates, RTP

"Sinto-me na pele daquele que é vítima de um processo kafkiano" - José Sócrates, RTP

Uma defesa sempre ao ataque - 2

"(Telejornal da TVI de sexta-feira)... não é um telejornal, é uma caça ao homem. Aquilo é um telejornal travestido, aquilo é um espaço noticioso que tem como único objectivo o ataque pessoal, feito de ódio e de perseguição pessoal" - José Sócrates, RTP.

Uma defesa sempre ao ataque - 1

"O silêncio dos jornalistas também é um silêncio que se deve registar, com poucas excepções" - José Sócrates à RTP.

domingo, 19 de abril de 2009

"Perestroika" norte-americana

Barack Obama foi à cimeira das Américas prometer ajudar elaborar o futuro "sem grande, nem pequenos" ao mesmo tempo que garantia "começar de novo" as relações com Cuba, tentando corrigir os erros do passado.
Antes, o presidente dos Estados Unidos esteve de visita na Turquia, fazendo declarações históricas. A começar pelo discurso feito no parlamento turco: "Os Estados Unidos não estão, nem nunca estarão, numa guerra contra o Islão". Depois do encontro, participou num encontro com centenas de estudantes turcos, de peito aberto, numa faculdade onde respondeu a dezenas de questões. E insistiu nos acordos de paz entre Israel e a Palestina, mas que sejam discutidos em igualdade. Um jornal turco já o apelidou de "mensageiro da paz", enquanto alguns "falcões" israelitas vão avisando que "Israel decide sozinha e não é o 51ª estado americano".
São os sinais do que há muito se previa: Barack Obama vai provocar um terramoto político nas relações internacionais. E esse movimento é de tal ordem que os seus efeitos só poderão ser comparados aos provocados pela "perestroika" de Gorbachov. O que, para já, não tem desiludido quem depositou tantas esperanças na sua eleição.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O grande satã já não é o que era

O PCP vai apresentar um conjunto de projectos-lei que visam taxar os rendimentos de administradores: 75 por cento para quem receba compensações; 90 por cento para quem receba indemnizações. Na justificação das propostas dos comunistas, o deputado Honório Novo citou.... Barack Obama! E lembrou que o presidente dos Estados Unidos apresentou propostas semelhantes.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Irrealismo parlamentar

A deputada do Bloco de Esquerda, Helena Pinto, exige que o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, revele o "número exacto de armas ilegais existentes no País". O ministro confessa não saber. Se o fizesse, diria a lógica, seria o melhor polícia do Mundo.

A computador (quase) dado, olha-se a tecla

O "Magalhães" contestado em Angola. Por várias razões, entre elas, os erros de português.

Um certo gosto por reescrever a História


Vital Moreira vai apresentar amanhã o seu livro, "Nós, Europeus", cujo título inspira a sua campanha para as próximas eleições europeias. Na biografia inscrita no livro, lê-se que Vital Moreira "foi deputado constituinte e deputado à Assembleia da República". Apenas isso. Ficam estas dúvidas: elegeu-se sozinho? Havia um PVM, Partido Vital Moreira? Foi uma graça divina que o colocou no Parlamento?

Há hábitos que, de facto, nunca se perdem. Reescrever a História é um deles e um dos menos saudáveis.

sábado, 11 de abril de 2009

As tréguas da Páscoa para um animal ferido

Há um ditado africano que serve normalmente de alerta e que reza, mais ou menos, assim: “Se enfrentares um leão, não o firas, mata-o”. Este ensinamento foi aprimorado por Maquiavel para fazer uma série de recomendações a quem se move no mundo da política: “Ao teu inimigo, não o firas, mata-o, se não vira-se contra ti”.
Estes postulados servem à justa ao futuro de José Sócrates. Ou me engano muito ou o “animal ferido” irá, um destes dias, rugir.
José Sócrates anda na política há umas boas dezenas de anos, mas foi necessária a leve suspeita de que poderia ser candidato à liderança do PS para se iniciar campanhas sucessivas que ameaçam não parar. Até hoje. Mesmo antes de ser eleito secretário-geral do PS, Sócrates enfrentava um rumor sobre as suas preferências sexuais; em plena campanha eleitoral – que lhe deu maioria absoluta – suportou o início do caso Freeport; já eleito primeiro-ministro, e durante estes anos, vem defrontando insinuações rasteiras e outras alusões às casas de Guarda, à licenciatura, ao mestrado, à compra de casas, de novo, ao Freeport, a negócios na Covilhã; pelo meio, até houve direito a uma torpe insinuação feita por uma revista através de uma foto dele com o irmão; nem sequer escaparam os alegados envolvimentos, com outras tantas perfídias, da actual família – pai, mãe, tio, primo, irmão – até a antiga – ex-sogro, ex-mulher; só falta agora descobrir que os filhos roubam lápis de cor no colégio.
Não sei se me falha a memória, mas não me recordo de assistir a uma campanha metódica, ininterrupta, insidiosa e sufocante contra um político em Portugal como esta que se está a assistir. E, no entanto, não o mataram.
E enquanto o mundo da investigação jornalística se entretém com José Sócrates, vão escapando, por entre os pingos de chuva, ex-governantes que chegaram pobres aos seus anteriores cargos e hoje estão ricos.
Aquilo que assisti durante um ou outro fim-de-semana, com início nas noites de sexta-feira, enoja-me como jornalista. E envergonha-me. A Páscoa trouxe umas tréguas, mas desconfio que foi apenas um intervalo. A campanha começa dentro de momentos. Se não for com o freeport, há-de ser com outra coisa qualquer.

terça-feira, 7 de abril de 2009

À atenção de Mário Lino, o construtor


André Sapir falou durante uma hora e fez propostas para recuperar a economia europeia. Defendeu fortemente a ideia de adoptar políticas com maior estímulos fiscais, mas com todos os países europeus coordenados. E nem houve uma única palavra na defesa da construção de aeroportos, pontes, auto-estradas e comboios de alta velocidade.
Vai mais um "power-point" para o Ministério das Obras Públicas?

À atenção de Manuel Pinho, o optimista


André Sapir, conselheiro económico de Durão Barroso, revelou, esta tarde, que a crise começou em Agosto de 2007 e começou a atingir a profunda recessão na primavera de 2008. Sapir participa, em Lisboa, num encontro da plataforma "Construir ideias" (criada por Pedro Passos Coelho).

Mas a clarividência do ministro Manuel Pinho permitiu-lhe decretar o fim da crise a 13 de Outubro de 2008. André Sapir apresenta as suas conclusões naqueles "power-points" tão ao gosto do ministro da Economia.

É caso para dizer que alguém lhe envie uma cópia antes que Manuel Pinho descubra outro fim da crise.

A escola de betão de Cavaco Silva

Há um enorme placard afixado na auto-estrada que Lisboa ao Porto e que apela para que os automobilistas não deitem lixo pela janela. Em pleno séc. XXI, causa um certo desconforto ler um apelo destes que lembra apenas um acto básico de educação. E se está lá posto é porque a Brisa sentiu necessidade de dar uma pequena lição de cidadania. Mas não deixa de ser um símbolo. O local não poderia ser melhor escolhido: uma auto-estrada com três faixas de rodagem para cada lado e onde circulam carros de alta cilindrada.
Lembrei-me do cartaz por causa das suaves investidas de Cavaco Silva contra as obras públicas. Na altura em que Portugal descobriu “poços de petróleo” em Bruxelas era Cavaco Silva primeiro-ministro. E o dinheiro que então jorrava foi direitinho para as grandes obras: estradas, pontes, muito cimento, muito betão, muito alcatrão. De fora, ficaram outras obras: as escolas provisórias continuaram provisórias, as escolas degradadas continuaram a degradar-se, o ensino obrigatório era quase até ao dia em que o menino ou o pai do menino quisesse e pudesse. Ou seja, entre o betão e a formação, Cavaco Silva não hesitou. Se o tivesse feito talvez não fossem necessários placards a explicar aos meninos de então – homens de agora – que não se deve deitar lixo pela janela.
E se tivesse optado pela formação e pela educação, talvez o Governo de hoje não precisasse de estar a recuperar escolas que parecem escombros e não investisse em programas como as “Novas oportunidades”.
E assim Cavaco Silva já teria autoridade moral de dar lições sobre onde e como se devem investir os dinheiros públicos.

Previsões para o Parlamento Europeu


Um indicador curioso do que podemos esperar do próximo Parlamento Europeu, neste “instrumento de previsão” de actualização semanal.

Na Europa, PPE à frente (e a apoiar Barroso para mais 5 anos em Bruxelas), mas com menos deputados. Em Portugal, PS à frente, também com menos deputados, BE a duplicar, os demais a manter. A metodologia é particularmente interessante, uma vez que não se esgota nas sondagens mais recentes.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O mundo já não é o mesmo

Pela segunda vez, Paulo Portas resolveu criticar a forma como o Governo tem privilegiado os bancos. Desta vez, por causa dos impostos que ficaram por cobrar.
Leram bem: Portas contra os bancos, não os dos jardins, mas aqueles que guardam e distribuem dinheiro. Desconfio que o CDS ainda vai pagar a factura.

sábado, 4 de abril de 2009

Obamismos

Depois dos bushismos, chegaram os obamismos:

"Não sei qual é o termo em austríaco...", disse o presidente norte-americano na resposta a uma jornalista daquele país no final da Cimeira da NATO.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Limpezas



Desta, nem os manifestantes anti-NATO se lembrariam. Pessoal da limpeza na sala de imprensa da Cimeira da NATO.

Todos (os sexos) contra a NATO!

Na “aldeia anti-NATO”, a sul de Estrasburgo, onde estão acampados alguns milhares de manifestantes, está afixado o horário para a utilização dos duches:

8h00–9h00 – homens
9h00-10h00 – mulheres
10h00-11h00 – misto
11h00-12h00 - transgénero

Saudades do urso


São um elemento de destaque do kit dado pela NATO aos jornalistas que acompanham a Cimeira do 60º aniversário.

Além de um DVD sobre as missões da organização e outro sobre Le Clézio (sim, para que não se pense que esta malta só sabe andar aos tiros), o referido saco tem duas bolsinhas de gomas da Haribo, todas com a forma de pequenos ursos.

Enquanto não decide o que fazer da sua vida, uma decisão difícil de tomar aos 60 anos, a NATO parece assim prestar homenagem, ainda que subliminar, ao urso russo-soviético que, durante tantas décadas, deu sentido à sua vida.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Com os pobres na lapela

O PSD juntou mais de 150 pessoas num hotel de cinco estrelas, em Lisboa, para falar sobre pobreza, com o tema "velhos e novos pobres, solidariedade a quem precisa". Os convidados vestiram a sua melhor roupa. Os homens estão quase todos engravatados e alguns com lenços aos quadradinhos enrolados ao pescoço. As mulheres foram ao cabeleireiro e trazem trajes domingueiros. Há intensos cheiros de perfumes no ar.
Uma das participantes garante que ouve "falar de pobres na missa"; uma outra propôs que se convença a "malta nova que vai para o estrangeiro passear, em autocarros carregados de droga, que fiquem em Portugal a ajudar a limpar a casa dos velhos pobres"; outra participante abre muitos os 'ás' e diz confiar no 'Pi Ésse Dê"; um outro quer saber como o PSD - deste vez sem o 'pi' - vai resolver a crise, mas não obtém resposta; um outro pergunta se reduzir os salários milionários dos gestores poderia ser uma solução, mas recebe um silêncio como resposta; Manuela Ferreira Leite está na primeira fila, no entanto, não quer discursar às massas; outro participante cita... Manuel Alegre.
À entrada, há um enorme frasco com rebuçados à mercê de quem quiser. Há muitos deputados do PSD.
Na mesa, estão Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud, João César das Neves, professor na Universidade Católica, Maria José Nogueira Pinto e Aguiar Branco.

Desvitalizados

Vital Moreira conseguiu, numa iniciativa do PS para as próximas eleições europeias, promover três vezes o seu livro "Nós, Europeus". Que aliás faz o mote à campanha dos socialistas. Não sei se foi só por isso, mas um terço dos estudantes de direito arranjou outros afazeres e abandonou a sala.

A utilidade das reuniões de líderes mundiais, a propósito do G20

Numa das reuniões do G8, em 2000, Tony Blair lamentava-se para um seu assessor:

"Em oito suítes presidenciais de oito hotéis de cinco estrelas, estão oito líderes a perguntar a oito secretários de imprensa: 'o que raio estamos nós aqui a fazer'*

*Citação tirada das memórias de Alastair Campbell, ex-secretário de imprensa de Blair